(in) esquecível

1 Prólogo – Sobre como você se esqueceu


Prólogo – Sobre como você se esqueceu

Um baque surdo: foi este o prenúncio de Orihara Izaya. Apenas um baque surdo, sem que nenhuma dor se seguisse a ele. E então escuridão, daquelas que não deixam lugar a segundas interpretações: escuridão apenas, sem rastro mínimo de luz.

A consciência não o deixou instantemente, ele ainda pode reconhecer que o baque surdo resultara do choque entre sua cabeça e o concreto frio da calçada daquele beco escuro em Ikebukuro e que a sensação pegajosa que se espalhava por entre seus cabelos em direção a seu pescoço era desencadeada por um sangramento. Não houve arrependimentos, mas não haveria nem mesmo se aquele homem cujo sangue vermelho intenso manchava progressivamente o chão irregular tivesse tempo para isso antes que a escuridão o inundasse por completo. Ele não se arrependeria, ainda que aquele fosse um bom momento para fazê-lo. “Um bom momento”: era absolutamente amargo nomear desta forma uma parte – ainda que pequena – daquele dia tão repleto de inadequações. Mas independente de quão propícia a situação fosse a arrependimentos dolorosos, ele não seguiria tais exigências, assim como não seguira exigências de nenhum outro momento daquele adverso dia, todos eles irreversivelmente ruins.

Ele estava, afinal, em Ikebukuro, o lugar onde todos os momentos conseguiam dele apenas o que ele quisesse dar. E naquela circunstância tudo o que deixaria ali seria o sangue rubro na calçada e o baque surdo, nada mais que isso. E exatamente por oferecer tão pouco, recusou-se também a receber o que lhe era oferecido: o frio que se insinuava maliciosa e progressivamente, a dor que se esforçava por infectar seu corpo e os gritos que ecoavam pelas paredes do beco escuro nas vozes brutas de seus agressores. Recusou a tudo, apertando com força os olhos e respirando tão profundo quanto lhe era permitido.

Num último momento de ousadia, entretanto, ele permitiu-se um sorriso debochado mas sutil no canto direito dos lábios. O sorriso que reservava apenas para dias ruins. Aquele que ele guardava para exatos momentos como aquele, mesmo que admitisse que em seu sorriso havia também notas de resignação diante de um dia que fora, mesmo para os padrões de Ikebukuro, ou mesmo para os seus padrões, demasiadamente ruim.

Mas ele não podia dizer que não esperava por isso. Ele esperou por cada instante do dia, mesmo que soubesse sobre as possíveis consequências de sua espera. Ele sabia que seria encurralado naquele dia. Ele sabia que o espreitavam. E ele aguardou, pacientemente, enquanto se reuniam no local de encontro: todos eles, tão interessantes e olhos preenchidos pela autossatisfação que apenas o plano de destruir alguém pode trazer. E ele adorou cada instante, da espera e da consequência: os rostos distorcidos pelo ódio berrando a ele, a perseguição desajeitada, os pequenos projéteis atirados, o deslize de seu pé durante um salto. Adorou até mesmo o som do baque de sua cabeça contra o concreto, mesmo que este prenunciasse um período inexoravelmente caótico a ele, Orihara Izaya, e ao homem que abriria com violência a porta a ele horas mais tarde naquela mesma noite.

Mas, naquele momento, o mais perigoso informante de Ikebukuro não se preocupou com nada do que aconteceria a ele quando seus olhos abrissem-se novamente. Respirou fundo mais uma vez, prendendo o fôlego como se soubesse o quanto ele lhe seria necessário nos dias que se seguiriam, e entregou-se à confortável escuridão.

Do lado oposto do distrito, outro homem, seguro em seu pequeno apartamento e sem qualquer traço de sangue manchando seus cabelos loiros ou seu inadequado uniforme de trabalho, tragava profundamente um cigarro, preenchendo seus pulmões com a fumaça impura, desperdiçando todo o fôlego que precisaria horas mais tarde quando ouviria dois pequenos baques em sua porta de entrada.



Notas finais
Olá, *.*

Yuki Max se apresentando, prazer!
Correrei por mais uma história e todo mundo é tremendamente bem-vindo a me acompanhar. Cada companhia me fará imensamente feliz.
Esta é minha segunda fanfic e é um prazer imenso para mim que você tenha chegado até aqui. Está mais do que convidado a opinar sempre que desejar e me acompanhar no ritmo que desejar.

Obrigada,
Yuki ^^