i want to write you a song

1 .i want to you lend you my coat


Notas iniciais
Amanhã, dia 21 de junho, solstício de inverno, é aniversário do meu solzinho Hinata Shoyo ♥
Claro que não podia passar em branco, então escrevi uma short fofinha pra homenagear meu reizinho e o namorado dele.
Serão três capítulos, inspirados em uma das músicas mais lindas da One Direction. Espero que gostem!

.eu quero te emprestar o meu casaco; um tão suave como a sua bochecha; então, quando o mundo estiver frio, você vai ter um lugar para ir.

O aniversário de Hinata estava se aproximando.

Kageyama sabia dessa informação porque tinha anotado em todos os calendários de sua casa, em seu celular e amarrado uma pequena fita vermelha em sua bolsa, para que não se esquecesse.

Não que fosse, de fato, possível.

Era só no que Kageyama pensava. Dia e noite, em seus sonhos e devaneios, a ansiedade e o nervosismo tomavam conta do seu corpo. Ele procurava não deixar que isso atrapalhasse seu rendimento nos treinos, mas, pela manhã, sentia como se não tivesse descansado nada. Hinata tomava seus pensamentos, todos eles.

Kageyama queria dar a Hinata um presente de aniversário.

Mas não qualquer presente. Kageyama queria dar a Hinata um presente inesquecível, que fosse tão importante quanto o ruivo era para ele.

Kayegama não era, exatamente, a pessoa mais carinhosa que existe. Sequer a que melhor sabia se comunicar. Era recluso, introvertido e construíra barreiras impenetráveis. Quase impenetráveis. Porque Hinata tinha conseguido, de algum jeito. Hinata, com seu jeito irritante, inconveniente, impulsivo, intelectualmente questionável e teimoso.

Hinata, com seu sorriso brilhante com o sol. Com seus olhos determinados, seu jeito impetuoso e determinado. Doce, carinhoso, inocente.

Droga, Kageyama estava tão apaixonado.

Por isso, queria dar um presente a altura de Hinata. Algo que representasse, materialmente, todo o sentimento que Kageyama sentia, no âmago de seu coração. Embora não conseguisse demonstrar o suficiente, queria fazer emergir e transbordar para Shoyo seu amor.

Era nisso que Kageyama pensava enquanto esperava para almoçar. Sentado mais afastado do refeitório, aguardava Hinata, como faziam todos os dias. Como muitas outras pequenas coisas, aquilo tornara-se um hábito que compartilhavam, um momento para ficarem sozinhos e falar sobre besteiras, vôlei ou simplesmente ficarem em silêncio.

Assim como o aniversário de Hinata, o inverno também estava chegando. As temperaturas estavam cada vez mais baixas, especialmente na serra, onde já nevava durante a noite. Mesmo com dois casacos e luvas, Tobio ainda sentia o ar gelado do meio dia.

Hinata estava atrasado. Costumavam almoçar juntos logo após as aulas, mas Kageyama já tinha chego há alguns minutos.

Como se adivinhasse seus pensamentos, Shoyo surge correndo, virando o corredor com sua comida nas mãos, ofegante.

Namoravam há quase cinco meses, agora, e não houve uma vez sequer em que Kageyama não sentisse o coração saltar do peito ao fitar Hinata. Era uma reação involuntária, fora de seu controle. Nos primeiros dias em que se conheceram, assustado e confuso, Tobio convertia esse nervosismo em provocações e irritação súbita. Agora, tentava disfarçar com sarcasmo, ainda que seu rosto corasse e seus dedos começassem a suar.

— Desculpa, Kageyama! Me atrasei um pouco. – Hinata se sentou rapidamente ao lado do moreno, com seus joelhos se tocando.

— Idiota. – Tobio resmungou, mas um sorriso tremulava em seu rosto, por finalmente estarem juntos.

Seus dias se resumiam a Hinata. Estar com Hinata, treinar com Hinata, almoçar com Hinata, ir embora com Hinata, sonhar com Hinata. Hinata, Hinata, Hinata. Quando passou a amar tanto aquele idiota tagarela?

— Uau, está realmente frio hoje. – soprou, enquanto mordiscava um bolinho de arroz – Não parecia de manhã e dentro da sala, mas aqui fora o vento está congelando minha orelha! – reclamou, com a voz manhosa.

Kageyama reparou, então, pela primeira vez, que Hinata usava somente uma fina camiseta de mangas por baixo do casaco do time, que não era do tecido mais grosso.

Baixou os hashis, erguendo uma sobrancelha.

— Onde estão suas blusas de frio? – questionou, um pouco rude.

— Eu esqueci em casa. – fez uma careta – Sai atrasado hoje e fiquei tão preocupado em não chegar tarde para o treino que esqueci minha touca e o moletom, e de manhã não estava tão frio. – fez um biquinho que Kageyama só saberia descrever como adorável.

— Hinata idiota. – suspirou.

Inclinou-se para frente, puxando as mangas de seu próprio casaco. Retirou e jogou em direção a Hinata, atingindo seu rosto.

— Ai! – reclamou – O que é isso?

— O que parece? Meu casaco, idiota. Veste isso antes que morra de frio. – resmungou, voltando a comer. Felizmente era prevenido, e vestia uma blusa suficientemente quente.

No entanto, ainda que morresse congelado, valeria a pena ter visto o sorriso largo que Hinata abriu em sua direção, os olhos brilhando como duas pedras preciosas, hipnotizantes.

— Tem certeza, Kageyama? – certificou-se, um pouco hesitante.

— Claro que tenho. – rolou os olhos – Você vai ter que voltar pela montanha ainda, se não estiver usando um casaco a mais vai ficar doente.

— Obrigado, Kageyama! – vestiu. O casaco ficou ridiculamente grande em seu corpo menor. Droga, ele estava lindo.

Hinata tinha o olhar mais encantador enquanto admirava as mangas gigantes do casaco de Kageyama. Esquecido do almoço, o levantador permaneceu fitando-o de soslaio, admirado, incapaz de esconder seus sentimentos.

Kageyama queria proteger Hinata para sempre.

Ele gostaria de emprestar seu casaco todas as vezes que aquela cabeça de vento esquecesse o dele. Assim, quando Hinata sentisse frio, ou se sentisse desprotegido, poderia usá-lo, e lembrar do quanto ele o amava.

Aquele sentimento o assustava. Kageyama sempre havia se considerado um rei solitário, e, eventualmente, convenceu todos os outros disso. Mas não Hinata. Ele não se intimidou por seus olhares agressivos, pelas palavras rudes, pela muralha em torno de qualquer possibilidade de intimidade que pudesse existir.

Hinata insistiu. E ali estavam.

Hinata era a pessoa mais importante do mundo para Kageyama, agora.

— Tem certeza que eu posso ficar com ele? É seu casaco novo. – confirmou mais uma vez, com o rosto de quem se desculpa, os olhos de anjo e um biquinho nos lábios.

— Claro que sim. Não tem problema. – resmungou, desviando os olhos conforme sentia seu rosto esquentar.

— Tem seu cheiro, Kageyama. – Hinata comentou, tão naturalmente que fez Tobio engasgar. Ele aproximou o tecido do nariz, inspirando profundamente, com um sorriso contente – Não vou tirar ele nunca mais. – seus olhos diminuíram como pequenas fendas enquanto ele sorria.

— Se você fizer isso, vai ficar mal cheiroso com o tempo, idiota. – retrucou, rolando os olhos.

— Ai, Kageyama! Que insensível!

O levantador conteve uma risada, porque seu coração batia muito rápido agora. Não havia dúvidas de que ele emprestaria seu casaco à Hinata todas as vezes, todos os dias, pelo resto de sua vida.

Mas Kageyama ainda precisava encontrar um bom presente de aniversário.