..e acaba num musical mostrando a Dança do Maxixe!
4 Tenho uma opereta para orquestrar!
Notas iniciais
4 – Tenho uma opereta para orquestrar!
Capítulo quarto
Na enfermaria.
A capitã e a maestrina se materializaram na enfermaria, Chiquinha olhou em volta com espanto.
— Doutor, relatório! — grita a capitã e imediatamente se lembra da pobre mulher assustada que a acompanhava — A senhora está bem? — Indaga Kathryn preocupada.
Chiquinha passa a mão na bochecha onde ainda se encontrava um implante borg e resmunga um “sim”, ainda em choque.
A capitã entrega-a as mãos atenciosas de Samanta que a deposita numa biocama, o Doutor ainda envolto nos problemas de seu próprio umbigo, resmunga.
— Mais um? Quantos mais? Pensa que é fácil, tirar esses implantes livrar o sangue das nanossondas e ainda limpar a memória de todos? Ainda bem que sou um médico talentoso, atencioso e diligente que não se cansa. — ele continuava a contar vantagem para si ou para o “sortudo” que estaria ali para ouvir. Mas dessa vez quem ouviu respondeu!
— Não sei que tipo de inferno é esse, mas nunca vão tirar minhas memórias antes da estreia!!!Tenho uma opereta para orquestrar! Homessa!
A capitã sorria levemente, ela estava gostando daquela mulher. Ela tinha espírito forte.
— Por favor, minha senhora, fique deitada, ainda não terminei com a senhora…
— Oras, e nem vai terminar, eu me recuso a aceitar qualquer procedimento , seu médico de araque.
Chiquinha levantou da cama num pulo e com uma mão na cintura e outra apontando para o médico continuou.
— Ninguém vai me tocar, eu tenho um trabalho para fazer, saiam de meu caminho e me levem de volta ao teatro.
Ela ainda estava discutindo com o Doutor, quando um segurança se materializa na enfermaria carregando o comandante inconsciente e rapidamente o coloca sobre uma das camas, ele está com um corte muito feio na testa, algo o acertou com muita força.
A capitã que até aquela hora estava apenas tentando tranquilizar a maestrina mudou completamente o foco de suas preocupações e por um momento a sensível musicista nota algo muito familiar, não importa se é no céu ou no inferno, uma mulher apaixonada é facilmente detectável, o amor é universal. Chiquinha suspira, observando como os olhos cheios de coragem, determinação e força, daquela amazona, se amenizam num olhar de ternura quando a capitã olha para aquele homem inconsciente.
Enquanto isso na delegacia…
— Por favor, doutor delegado, a Madame Catherine O’Donnell está no teatro Príncipe Imperial, é só confirmar! — as lamúrias de Paris estavam começando a irritar o delegado,
Ambos restavam ainda sentados na sala do delegado quando chegou dois “urbanos” e sussurraram algo no ouvido dele.
— Bem senhores! Serão meus hóspedes por enquanto tem algo acontecendo no Largo e requer minha atenção. — O delegado levantou da cadeira e foi distribuindo ordens aos seus subordinados.
— Cabo Generoso os tranquem, mas, cuide que nada aconteça com eles, eu ainda quero ter o agradecimento de um anjo de cabelos de fogo hoje a noite. – O delegado deu um sorriso nojento e os soldados que estavam presentes sorriram em cumplicidade.
Os guardas tiraram suas algemas e os jogaram numa cela aonde estavam já alguns detentos, e foi logo avisando.
— Não quero encrenca com eles. — E virando-se para os dois falou.
— Você dois fiquem calados, e longe de problemas.
— Temos que sair logo daqui, algo me diz que o que está acontecendo tem a ver com a missão. — falou Ayala preocupado.
— Fizemos uma confusão de tudo isso, agora temos que nos livrar daqui antes que a capitã me mate! Ainda bem que não levaram os comunicadores. — falou Tom pegando seu combadge que estava escondido no verso do colete.
— Mas não podemos usá-los, isso seria corrupção temporal.
— Se falharmos nessa missão não haverá um futuro para ser corrompido Ayala.
— Bonita jóia o que tens ai “galego”, minha mãe adoraria, um presente.
Um negro 4x4 alto, com mais seis comparsas estavam agora cercando os dois oficiais.
— Por essas coisas que odeio cadeia — resmunga Paris frustrado.
Na delegacia.
Os malfeitores estavam se aproximando dos oficiais, quando o seu combadge grita.
— Capitão para Tom, pode falar?
Os homens estão procurando de onde vem aquela voz feminina, Tom se esconde na frente e Ayala e continua.
— Estamos presos na delegacia capitão, tem outros presos aqui, difícil de falar.
Eles escutam uma bufada atrás do comunicador;
— OK, fiquem ai, nós iremos buscá-los.
— Como se tivéssemos escolha…
Resmunga um Tom desanimado, para um Ayala em posição defensiva.
Na Voyager:
A capitã logo se recompõe, distribui ordens a todos e sai com um grupo de pessoas, o Doutor ignora Chiquinha, para tratar do homem que visivelmente estava em pior estado enquanto uma mulher loira que usava o mesmo uniforme do homem careca tentava manter todos calmos. A maestrina ainda meio em choque e sem saber se estava viva ou morta se esgueira e sai da enfermaria, para os corredores encontrando os olhares curiosos da tribulação, até que esbarra com a alferes Mori e se contrai assustada!
— Maestrina Chiquinha Gonzaga, é um prazer enorme, eu sou a alferes Bianca Luiza Mori, sou uma fã e admiradora, a capitã me pediu para lhe mostrar a nave, a senhora pensou que a capitã não tinha visto sua escapadela?
Chiquinha observou atentamente a jovem e perguntou com desconfiança:
— Alferes? Isso é uma instituição militar?
— Sim estamos numa nave.
— Um navio? Não sabia que alferes era um posto da marinha, nem que aceitavam mulheres como subtenentes.
— A senhora deve saber, seu primeiro marido era da marinha, pois não?
— Sim, vejo que estou fazendo certa fama! Mas isso não explica tudo isso — grita Chiquinha abrindo os braços e mostrando o entorno. — Me fale aonde exatamente estou, esse sonho é perturbadoramente real!
Mori sabia que sua lembrança em breve seria apagada e resolveu tentar ganhar sua confiança com a verdade.
— Bem… — E Mori começou a explicar.
O que a menina estava falando? Quatrocentos anos no futuro? E ela ainda era lembrada e admirada, ao mesmo tempo que seu ego artístico estava sendo agradado , a mente de Chiquinha estava em polvorosa, isso explicava um monte de coisas, uma capitã liderando dezenas de homens e mulheres, outros mundos? Bem que ela desconfiava que a criação era maior do que os padres diziam, aos poucos aonde reinava o medo, a curiosidade ganhou terreno. Lembrou-se de um livro que ela lera de um escritor muito imaginativo chamado Júlio Verne, que falava de viagem no tempo, bem era apenas um sonho? Uma premonição como Nostradamus? Ela observou o olhar de adoração da jovem asiática e saindo de seu sonho começou a prestar novamente atenção ao que a jovem falava.
— … as mulheres são aceitas e trabalham em igualdade com os homens. A mulher que te salvou é nossa capitã!
Algo estava errado, quando aquele a capitã falou com ela os movimentos de seus lábios não coincidiam com o som de sua voz, mas quando a jovem falava com ela, eles e moviam de forma certa, apesar de um sotaque estranho.
— … Mas antes devemos ir para a enfermaria.
Chiquinha olhava para os homens, mulheres anjos e demônios, que iam e vinham pelos corredores, alguns acenavam com a cabeça e passavam rapidamente, concentrados em alguma tarefa, ela acreditou piamente que estava sonhando. Mas existiam coisas que ela não permitiria nem em sonhos.
— Nunca vou voltar para aquele lugar! Aquele médico de araque está querendo mexer com minha mente, e se eu perder minha inspiração musical?
Mori para no meio do corredor, sem saber ao certo o que fazer, como poderiam privar o Brasil e o mundo de Chiquinha Gonzaga?
* Alferes Mori, sua presença, acompanhado da maestrina está sendo necessária na enfermaria.
* Estamos a caminho.
— Perdão maestrina, mas realmente tenho que levá-la a enfermaria, se não a levar posso ser prejudicada.
Elas conversavam enquanto iam em direção a enfermaria.
— Longe de mim prejudicá-la criança, mas depois do que vi, tenho minha determinação renovada, vossa mercê me disse que mulheres como eu perfuraram o caminho para que mulheres como a capitã pudessem encontrar seu lugar num mundo com mais igualdade. E se eu esquecer o meu trabalho? E se esse doutor me prejudicar com tal invasão em minha mente?
— Vou pedir em seu nome, a capitã há de entender, ela é uma mulher razoável! — falou Mori movida de compaixão.
— Eu tenho medo que o comando a tenha endurecido, muitas mulheres se embrutecem ao terem poder, como se negando a sua feminilidade, acham que tem que se tornar homens de saia para serem respeitadas, a não ser que ela ainda sendo uma autoridade ainda guarde um espaço para o romance e o amor. Ela namora aquele homem que a segue?
— Oh! Não, a capitã não se envolveria com um subordinado.E todos nessa nave são seus subordinados.
— Mas ela parecia tão diferente no modo com que olhava para o homem moreno que estava sendo colocado para ser tratado na cama ao meu lado, aquele com a cabeça sangrando.
— É… ela tenta esconder... mas todo mundo sabe que eles...se sentem atraídos um pelo outro, mas como eu disse antes, uma capitã não deve se envolver com um de seus subordinados…ela deve ter medo de perder o respeito da tripulação.
—Mas e se ela fosse um homem?— Provocou Chiquinha.
Mori não teve tempo para responder, logo estavam na enfermaria, para sua surpresa quem as aguardava era o comandante Tuvok.
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