..e acaba num musical mostrando a Dança do Maxixe!
5 Sangue quente! Bem que me disseram!
Notas iniciais
5 — Sangue quente! Bem que me disseram!
Capítulo quinto
Na cadeia:
Tom percebeu que os outros presos não eram o maior problema…
— Você disse o quê? — gritou Chakotay levantando Tom pelo colarinho,
— Calma comandante, não foi bem assim, afinal é da capitã que estamos falando ela sabe se cuidar muito bem…
— Se aquele homem nojento tocar num fio de cabelo da Kathryn, vou responsabilizá-lo pessoalmente, nem B’ellana vai te salvar de minhas mãos!
Os outros presos observavam de longe o espetáculo se divertindo e falando impropérios.
No escritório do delegado:
O delegado que estava olhando a capitã Janeway com olhar de lobo grita:
— Generoso, Inocêncio, podem sair…
Os soldados saem e logo o delegado está, para o desespero da capitã, com a mão dela nos lábios.
Ela retira sua mão da dele num movimento brusco e na velocidade mais rápida que aquele monte de roupa inútil permite,e logo está do outro lado da sala.
— Adoro quando minhas amantes se fingem de virtuosas, nada como uma boa conquista!
Ele se aproxima lentamente dela ao mesmo tempo em que ela se afasta, amaldiçoando em sua mente toda aquela roupa que atrapalhavam seus movimentos.
— Como ousa Monsieur sou uma atriz de respeito…
— Oh! Sim quanto custa seu respeito, minha linda fada?
— Se afaste de mim eu estou avisando…
— Eu pensava que a dama estava preocupada com os cavalheiros que estão presos em minha prisão, sabe sem minha proteção as coisas podem ficar bem difíceis para eles, as celas estão cheias de malfeitores, assassinos, cruéis e mal intencionados…
— Não se atreva, não quero machucá-lo.
— Sangue quente! Bem que me disseram!
Ele começou a perseguir a capitã eles ficavam se perseguindo em volta da mesa, era tudo tão ridículo, ele a encurralou e ela tropeçou no vestido e caiu sentada sobre a mesa, ele se aproximou e já estava meio que em cima dela.
— Agora minha fada, podemos nos conhecer melhor?
A capitã já estava em posição de fazer aquele nojento se arrepender de um dia ter olhado para ela,
quando:
— Delegado Firmino, sua esposa Dona Maria Elvira sabe como o senhor interroga as minhas atrizes?
Ele se aprumou alisou o uniforme e saiu rapidamente de cima da capitã que se pôs de pé rapidamente.
— Dona Francisca, quem a deixou entrar? Não deves interromper um interrogatório!
— O Senhor devia me agradecer, posso ter lhe salvado a vida! Vais libertar os outros também, não queremos que nossos visitantes levem uma má impressão de nosso país!
— Oras não se intrometa em meu trabalho, sei como lidar com mulheres de reputação duvidosa. — Esbraveja o delegado tentando intimidar Chiquinha.
— Tenho amigos em lugares altos, vais perturbar minha atriz? Com quem queres que eu fale, com o meu padrinho? Ou melhor queres fazer inimizade com as moças do Alcazar?
— Oras nenhuma put...digo vamos deixar isso tudo para lá pelo bem de nossas relações exteriores, nada como um dia após o outro...disse dando um beijo aguado na mão da capita.
— Minha fada, ainda nos veremos. A voz suave se transformou num trovão e assustando as mulheres presentes — Cabo Inocêncio solte os amigos de Madame O’Donel.
— Vossemecê tem toda minha gratidão — disse Chiquinha assim que estavam todos reunidos indo em direção ao teatro.
No teatro.
Os artistas depois do procedimento que os limparam dos implantes e removeram as lembranças estavam entorpecidos, e apáticos, Chiquinha olhou em volta e ignorando o que a capitã estava ordenando aos seus subordinados, a puxou pelo braço;
— Capitã, posso falar com a senhora em particular?
A capitã sabia que logo teriam que voltar a nave com Chiquinha para que o procedimento de limpeza da memória fosse efetuado, mas quis dar atenção especial antes de infligir tal invasão a mente da maestrina. Chiquinha a guiou para um dos camarins, e sem demora já foi se explicando. De forma dramática e gesticulando muito:
— Vossa Messe observou com estão meus atores e dançarinos? Mal podem se colocar em pé, estão apáticos e dormentes, nem sei se, se lembram das falas e das canções, e queres que eu passe por tal procedimento? Não sabes o luta que tive para conseguir um produtor que acreditasse em mim, e acertasse que eu assinasse essa peça com meu nome? Vives num tempo em que ser mulher e ser reconhecida por seu trabalho é normal mas aqui, tudo ainda tem que ser conquistado, queres que a primeira opereta assinada por uma mulher no Brasil seja um desastre?
— Lamento mas uma opereta que não tenha sucesso não seria o fim do mundo, não acho que isso seria um desastre na linha do tempo — falou a capitã com frieza, a conversa com o delegado a deixou muito mal humorada.
Chiquinha colocou as mãos nos quadris e apontando para a capitã continuou seu ataque desesperado, tinha que convencer a capitã a deixá-la com as memórias intactas.
— Talvez, mesmo a centenas de anos no futuro, as mulheres não sejam realmente livres para serem mulheres, sejam presas ao seu trabalho e se amputem de sua parte mulher, secando para ter o respeito dos homens, mudou e ficou tudo igual, a mulher sempre se violando se castrando e se anulando pela aprovação masculina. Me diga capitã, quando que começastes a temer o amor, e esquecer a importância que a música e a arte fazem para alegrar os espíritos e alimentar a as almas? Quando começou a pensar que o fato de se entregar à paixão, como uma mulher, a faria fraca? Olhe em volta meu trabalho é sobre paixão, luxúria, liberdade, não é por que não faço guerra que meu trabalho não é tão importante quanto o seu.
A capitã Kathryn Janeway quase aplaudiu, mas se conteve e deixou a maestrina continuar:
— Além do mais se eu falasse essa história para alguém, me prenderiam em um asilo de loucos!
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