coletânea hetalia
6 HongIce
Notas iniciais
O honconguês Kaoru é um jovem de 18 anos que vive com o irmão mais velho, Yao Wang de 24 anos, nos Estados Unidos, ambos têm uma relação comum de irmãos, algumas brigas e reconciliações, passeios em “família”, esse tipo de coisa que os irmãos costumam fazer.
Naquele dia os dois irmãos haviam sido convidados por Francis, um amigo de infância de Yao Wang, a prestigiarem o seu novo empreendimento, cujo qual ele não havia dado informações, apenas que havia sido inaugurado há pouco tempo.
Primeiramente o chinês recusou veemente, mas o francês insistiu e insistiu até que este concordasse em ir, disse-lhe que seria divertido e que ele nunca veria nada parecido, que havia contratado um ótimo pessoal para trabalhar lá e que este não se divertisse o francês não o obrigaria a mais nada, no final lá estavam o honconguês e o chinês em frente a uma casa noturna onde se lia em letras fluorescentes o nome do local e a frase “Strip show M. house”.
-E-e-eu não acredito nisso, aru, aquele francês nos fez vir a uma boate gay, aru – comentou o chinês andando de um lado para o outro, xingando o francês em sua língua materna enquanto pensava no que fazer, se voltava para casa e fingia que nada aconteceu, se entrava na boate e mandaria o francês a merda por tê-lo feito ir a um lugar daquele tipo, ou, em ultimo caso, o mais improvável, entraria e daria uma olhada na boate para depois voltar para casa.
-Bienvenue, mon petit – o francês falou aparecendo atrás do chinês e passando os braços ao redor do moreno – vamos entrar, ainda não abrimos, mas seria bom se vocês entrassem e relaxassem um pouco antes do espetáculo – o francês começou a empurrar o chinês para dentro da boate, ambos foram seguidos pelo honconguês que estava impassível com tudo aquilo, diferente do irmão não se importava se aquilo era uma boate gay ou um parquinho de diversão, desde que pudesse ficar quieto no seu canto sem ser perturbado não se importava onde estava.
A boate estava com as luzes acessas, mas estas não iluminavam muito deixando o ambiente semi-iluminado, as mesas eram cobertas por um tecido preto com detalhes em vermelhos, as lâmpadas reluziam as luzes tom avermelhado e algumas azuladas, rosas vermelhas e brancas decoravam o local, do lado direito estava o bar e uma escada para o segundo andar, do lado esquerdo ficavam o banheiro e algumas cabines fechadas por cortinas vermelhas, no centro do aposento estavam às mesas e alguns pole dances espalhados, no fim do aposento tinha um grande palco onde ocorriam as apresentações.
O honconguês olhava tudo com paciência, observava os detalhes de cada canto, a forma como as bebidas estavam alinhadas em ordem alfabética, as pessoas que andavam de um lado para o outro arrumando tudo em seu devido lugar, todos eram homens e não eram homens comuns, eram homens belíssimos, altos, robustos, másculos, fortes e, de um ponto de vista feminino, sensuais.
-E então o que achou do meu novo negocio, Yao? – perguntou o francês se virando de frente para o chinês que fez uma careta antes de dar de ombros, não havia desgostado do lugar, tampouco se sentia bem ali.
-É um ótimo lugar para quem gosta desse tipo de coisa, bem organizado e decorado, você tem bom gosto, senhor Francis – comentou o menor mantendo a face sem expressão.
-Obrigado... Kaoru, certo? – o honconguês assentiu e notou no palco a presença de quatro homens, um loiro com um fio rebelde e olhos azuis, alto e forte, ao lado dois garotos parecidos, com cabelos castanhos avermelhados e um fio de cabelo rebelde que formava um espiral na ponta, provavelmente eram gêmeos, o quarto era um garoto albino que não passou despercebido pelo olhar do moreno, ele era bonito, com os cabelos tão claros que chegavam a ser próximos do tom branco, os olhos estranhamente violáceos e inexpressivos, os quatro estavam vestidos com uma blusa vermelha de botões, uma calça preta justa de couro e um colete preto, na cabeça um chapéu preto com detalhes em branco.
O moreno não tirou os olhos um instante sequer do albino, não sabia por que, mas algo no outro o prendia, aquela face inexpressiva e misteriosa, o jeito como a camisa ficava mais larga nele do que nos outros, o jeito como levava as mãos ao cabelo o tirando da frente dos olhos que pareciam perdidos em qualquer canto do aposento.
-Pra qual deles está olhando tanto, hein? Não sabia que jogava nesse time, irmãozinho – comentou o francês rindo pervertido e passando o braço pelo ombro do outro – está olhando para Alfred, o loiro de olhos azuis? Ou para os irmãos italianos, Feliciano e Lovino?
-Nenhum dos três – respondeu o moreno negando com a cabeça enquanto apontava sutilmente para o albino.
-O Emil? Entendo... Então os caras misteriosos te atraem? É bem difícil encontrar alguém que sente atração por caras misteriosos, mas enfim, venha comigo, irei te apresentar a Emil – o francês nem esperou uma resposta, já começou a puxar o honconguês pelo braço para perto do palco – eu quero apresentar a vocês uma pessoa – falou o francês chamando a atenção dos quatro rapazes – esse aqui é o Kaoru, irmão de um grande amigo meu, Kaoru esses são Alfred, Feliciano, Lovino e Emil.
-É um prazer conhece-los – o honconguês se curvou e rapidamente voltou a se endireitar, seu olhar logo caiu sobre o albino que o olhava com certo desdém.
-O prazer é nosso – disseram o italiano mais novo e o americano juntos sorrindo abertamente, o islandês apenas concordou e o italiano mais velho apenas virou o rosto e bufou.
-Não se preocupe com Lovino, ele é difícil de lidar – comentou um moreno de olhos verdes com o sotaque espanhol carregado se aproximando do palco – é um prazer conhece-lo, meu nome é Antônio, ira ficar para a apresentação de hoje?
-É um prazer conhece-lo senhor Antônio, meu nome é Kaoru... Bem... Eu acho que não – respondeu olhando para o local onde seu irmão mais velho estava – é bem provável que não.
-Não se preocupe com o seu irmão, eu resolvo isso – o francês sorriu confiante e se afastou dos rapazes indo em direção ao chinês que estava com os braços cruzados e com o cenho franzido – Yao, você é... Tão bonitinho – o francês pulou em cima do chinês o abraçando e girando com ele em seus braços.
-Me solta, Francis, me solta, agora, aru – gritou o chinês se debatendo e acertando socos nas costas do maior que continuou girando com o chinês.
-Seu sapo, largue o Yao – ordenou um inglês que via a cena de longe – você acha mesmo que dessa forma vai fazer com que ele fique? Realmente é um pervertido, estupido, bastardo, bebedor de vinho.
-Arthur, o que faz aqui? Pensei que não viria hoje, punk, resolveu vir para ver seu amado? – zombou o francês soltando o chinês e rindo secamente.
-C-c-cale a boca sapo, não é da sua conta o que estou fazendo aqui.
A briga entre o francês e o inglês prosseguiu durante longos minutos, mas ninguém se moveu para apartar, todos se ocupavam em ignorar a já rotineira briga entre os dois.
-Kaoru, estou indo para casa, vai ficar, aru? – perguntou o chinês se aproximando do irmão mais novo.
-Vou, não se preocupe comigo.
-Certo, então te vejo mais tarde – o chinês acenou para os rapazes que estavam ali – até outro dia, aru.
E assim o chinês saiu da boate deixando um francês e um inglês rolando no chão e se espancando até a morte, bom, talvez até a morte seja um exagero, certo?
~hetalia~
A boate já estava aberta, muitos jovens já haviam ocupado as mesas e as cadeiras do bar, todos estavam bem vestidos, com terno e gravata, todos jovens e principalmente bonitos, assim como aqueles que trabalhavam ali.
O honconguês estava sentado em uma mesa em frente ao palco junto do inglês, que, diferente do resto que fora apresentado ao moreno, não trabalhava na boate, apenas ia lá de vez em quando, tá bem, quase sempre, como cliente, assim como Yao, o inglês era um velho amigo de Francis, desde a época do fundamental quando o francês zombava de suas sobrancelhas espessas e sua personalidade.
Desde o momento que chegara à boate até agora, o honconguês havia descoberto muitas coisas sobre os que trabalhavam ali, descobriu que Lovino, apesar da personalidade, gostava imensamente do espanhol, mesmo não demonstrando, e que odiava o namorado do irmão, um alemão loiro de olhos azuis, alto, forte e com a voz grossa e severa, descobriu também que o americano era vizinho do inglês e que o ultimo sempre lhe dava uma carona para o trabalho.
-Então... Você e o Alfred são namorados? – perguntou o moreno bebericando um copo de alguma bebida que Antônio havia trazido para os dois.
-N-namorados? Hahaha É-é c-claro que n-não somos hahaha de onde tirou isso? – riu o inglês engasgando com a bebida.
-Hum... Entendo... – de repente uma musica com saxofone começou a tocar, um blues lento e que inspirava sexo, todos ficaram em silêncio e voltaram sua atenção ao palco onde os quatro rapazes de antes entraram lentamente, andando sensualmente, o chapéu tampando o rosto, os cabelos bagunçados, a blusa semiaberta, a calça apertando tudo o que tem para apertar, o colete escorregando pelos braços.
O olhar do honconguês logo se fixou no albino que abria lentamente a blusa deixando a mesma escorregar pelo seu braço junto do colete e logo caindo no chão, com calma o islandês se virou de costas para o publico e desceu lentamente até o chão, empinando a bunda enquanto pegava as roupas no chão e jogava cada peça em um canto qualquer, bem longe da vista das pessoas que observavam, se o moreno tirasse os olhos do albino perceberia que todos faziam a mesma coisa, jogando as roupas para longe ficando apenas com a calça, extremamente apertada.
O albino levantou e virou o corpo lentamente em direção ao publico, suas mãos desceram dos cabelos, passando pelo pescoço, depois pelo peito até chegar ao quadril onde brincou com o botão da calça abrindo e fechando, seus olhos demonstravam pura luxuria e desejo, sua boca estava entreaberta.
Os quatro andaram até o meio do palco tocando o corpo um do outro e sorrindo de forma maliciosa, olhando hora ou outra as partes que a calça apertava, era claro que tudo era encenação, os italianos nunca trairiam seus respectivos namorados, ou quase isso, já o americano mantinha seu corpo unicamente ao inglês que parecia odiá-lo, no caso do islandês podia ser ou não encenação, este nunca se demonstrara hetero muito menos gay, apenas se mostrava inexpressivo.
Mesmo tendo quase certeza de que o os quatro estavam encenando o honconguês não pode deixar de sentir uma pontada de dor quando o americano se aproximou do islandês o abraçando e colando os corpos deixando uma de suas mãos andarem até a bunda do menor onde apertou com força recebendo um grunhido deleitoso e satisfeito.
-Esse americano idiota... Ele me paga – resmungou o inglês apertando o copo em suas mãos com força quase o quebrando.
-Relaxa, Arthur, vai quebrar o copo desse jeito – comentou o espanhol colocando mais dois copo sobre a mesa – Alfred só tem olhos para você se não percebeu, ele não para de olhar para cá, agora relaxe e aproveite o show.
Dizendo isso o espanhol se afastou deixando o inglês emburrado sentado olhando para o americano que sorria sem tirar os olhos azuis dos verdes do menor.
O honconguês olhou para a face do islandês e notou que este o observava e estava com o rosto corado por causa da atividade cansativa que estava fazendo, os olhares do moreno e do albino se cruzaram muitas outras vezes durante a apresentação, apenas não se cruzavam quando o islandês estava de costas ou fechava os olhos.
-Fusosososo, você realmente chamou a atenção do Emil – comentou o espanhol enquanto passava pela mesa do inglês e do honconguês – ele não olha para o publico quando apresenta, principalmente quando está no palco com os gêmeos e o americano.
-Por que ele não olha para o publico? E que história é essa de principalmente quando está no palco com os gêmeos e o americano? – perguntou o honconguês curioso puxando uma cadeira para o espanhol sentar.
-No puedo sentarme, estoy trabajando – disse o espanhol sorrindo largamente – você deve ter reparado que a maior parte dos passos são feitos em duplas certo? Então, para conseguir deixa-los perfeitos deve-se ter sincronia entre os dançarinos, para isso tem que estar concentrado e prestando atenção no parceiro, caso contrario não teria um bom resultado.
-Entendo – o honconguês desviou o olhar do espanhol para o palco se fixando no islandês que estava por trás do italiano mais novo o apalpando sem pudor, sua mão ia da cintura para o quadril, depois para a coxa onde apertava com força enquanto lambia o pescoço do moreno e este jogava a cabeça para trás e prendia os dedos nos cabelos do outro.
O honconguês sentiu o sangue subir a cabeça e uma dor aguda lhe atingir o peito, ver aquela cena não lhe agradava nem um pouco, mas claro que deveria manter a impassibilidade perante a situação do seu pequeno islandês, sim seu, afinal desde o momento em que colocara os olhos no menor ele se tornara seu, desde o momento em que retribuiu seu olhar com a mesma intensidade ele passou a ser seu, apenas seu e de mais ninguém, junto do italiano, ambos com os olhos repletos de luxuria e com as mãos atrevidas passeando pelos corpos.
No final da apresentação o honconguês havia tomado sete copos cheios da bebida especial do dia, que afinal, não importava o que era, apenas que descia queimando pela garganta e deixava sua boca com gosto de álcool.
Os quatro rapazes agradeceram e saíram do palco, voltando para o suposto camarim, em alguns minutos já havia um americano sorridente que pulou nos braços do inglês que mantinha a expressão fechada.
-Artie, você ficou mesmo, o que achou? Gostou? – perguntou o americano sentando no colo do mais velho sem se importar com as reclamações deste.
-É-é claro que eu fiquei, idiota, já que estava aqui... – o inglês corou e virou o rosto bufando – e deixe de fazer perguntas tão estupidas assim, quem é que gostaria de te ver se agarrando com outro homem?
-Está com ciúmes? – zombou o maior rindo de forma sedutora – não precisa ter ciúmes, eu só tenho olhos para você.
Nessa parte da conversa o honconguês já havia se levantado e andava sem rumo pela boate, andou até a porta do banheiro, mas desistiu de entrar ao ouvir gemidos vindos de lá de dentro, voltou a andar pela boate procurando algum lugar que pudesse ficar, foi para o bar e sentou em um dos bancos elevados de couro preto, logo um rapaz albino de olhos vermelhos veio atendê-lo.
-No que o incrível eu pode ajuda-lo? – perguntou o albino rindo e colocando um copo sobre o balcão.
-Na verdade não quero nada em especial – comentou o honconguês – o que me recomenda?
-Já sei – o albino pegou algumas garrafas e colocou o liquido em um copo os misturando até que ficassem em um tom azulado – prontinho, agora é só beber.
O honconguês nem se importou em perguntar o nome da bebida ou o que ele havia colocado ali, apenas virou o copo sorvendo o liquido de uma vez só, depois colocou o copo sobre o balcão e suspirou, logo seus pensamentos voltaram para o pequeno islandês, as expressões que este mostrara, mesmo sabendo que era apenas encenação não conseguia tirar aquele sentimento de raiva de dentro de si.
-Pretende ficar aqui até que horas? – perguntou um rapaz se sentando ao lado do moreno, este virou para fitar o novo acompanhante e viu o islandês ali, ao seu lado o olhando fixamente.
-Eu não sei, até que horas vai o seu expediente, Emil?
-Vou ficar aqui mais um pouco, até a boate fechar.
-Hum... Então vou ficar aqui, onde fica sua casa?
-É um pouco longe daqui, é na Beach Lake.
-Você vem da Beach Lake até aqui? Todos os dias? Você vem da Beach Lake até a Long Island todos os dias só para trabalhar aqui?
-Sim, na verdade venho com Francis, nós moramos juntos, por isso que só vou para casa quando a boate fecha.
-Você mora com o Francis? Por quê?
-Porque eu fugi de casa e então encontrei o Francis, ele me deu um lar e comida, depois eu vim trabalhar aqui como agradecimento, mas é uma longa história, você não precisa saber.
-Ele não fez nada contigo? Tipo tocou em você ou fez algo... Indecente?
-Não, Francis tem esse jeito pervertido e que passa a mão em todo mundo, mas no fundo é um bom cara que tem um amor não correspondido e apenas quer esquecê-lo... Droga, não devia ter dito isso, apenas ignore o que eu disse.
-Me conte, quem é o amor não correspondido do Francis, prometo não contar para ninguém.
-E-eu não posso.
-Por favor, Emil, conta vai.
-T-t-tá bem, é o... – a voz do islandês se tornou baixa, quase inaudível – o Arthur.
-Serio? Acho que já era de se esperar, mas se o Francis quisesse bem que poderia tentar roubar o Arthur do americano.
-Qual é a graça de ter alguém que é apaixonado por outro, mon amour? – perguntou o francês rindo e passando os braços ao redor do moreno que congelou no lugar, os olhos arregalados de susto e o coração batendo acelerado – me desculpe te assustei? Não era minha intenção.
-Senhor Francis, desculpa, eu não devia ter contado... Desculpe-me – desculpou-se o islandês abaixando a cabeça.
-Não tem problema, mon petit, o irmãozinho é confiável.
O honconguês engoliu em seco abaixando a cabeça e fitando os pés que acabaram se tornando interessantes no momento.
-Estão se divertindo? – quis saber o francês se apoiando no balcão.
-Sim, gostei muito daqui, é bem confortável – respondeu o honconguês voltando a sua impassibilidade de sempre.
-Que bom – o francês bagunçou levemente os cabelos do moreno antes de voltar seu olhar para o islandês – Emil, tenho que resolver uns assuntos com nossos fornecedores, então ficarei até mais tarde, se quiser pode ir para casa antes, está bem?
-Certo, então eu vou indo, até amanha senhor Francis – o islandês se levantou e se curvou mantendo uma expressão seria.
-Bem, eu vou indo também, está ficando tarde, meu irmão deve estar preocupado – o honconguês se levantou e ajeitou a blusa – até outro dia, senhor Francis.
-Até outro dia, irmãozinho.
E dizendo isso o honconguês seguiu o islandês até o ponto de ônibus.
-Por acaso está me seguindo? – perguntou o islandês desinteressado, apenas havia perguntado para puxar assunto, ou por curiosidade.
-É claro que não, afinal por que te seguiria?
-Não sei, tem pessoas de todos os tipos e gostos afinal de contas.
-Você está me chamando de estuprador por acaso?
-Não, de maneira nenhuma, só estou dizendo que existem pessoas que seguem as outras, mas se esse não é o caso, não tenho com o que me preocupar.
O silencio se formou entre os dois, ambos olhavam para a frente e as vezes seus olhares se cruzavam, mas eles logo desviavam quando isso ocorria, em alguns minutos o ônibus chegou e os dois subiram, pagaram o cobrador e se sentaram em um dos bancos vazios, o ônibus estava praticamente vazio, apenas tinha o cobrador, o motorista, outros três passageiros e os dois no ônibus não se ouvia voz alguma, afinal o cobrador contava o dinheiro e os três outros passageiros pareciam ocupados lendo ou ouvindo musica.
-Eu vou te acompanhar até a sua casa – comentou o honconguês serio olhando para o teto do veiculo.
-Mas não vai ficar muito longe para você? – perguntou o islandês se virando para fitar o maior – não precisa me acompanhar.
-Eu vou, não vou deixa-lo ir sozinho para casa, ainda mais nesse horário, é perigoso.
-Mas eu estou acostumado a ir sozinho para casa nesse horário quando Francis tem que ficar até mais tarde.
-Não importa, eu vou com você.
-Tá bem, se não se importa.
O honconguês suspirou e deixou a cabeça cair para trás fechando os olhos, os braços se apoiaram nas coxas apertando a calça levemente.
-Emil... – chamou o honconguês bocejando – há quanto tempo você trabalha naquele lugar?
-Desde que inaugurou.
-Você gosta de trabalhar lá?
-Não é questão de gostar, na verdade não é que eu goste ou desgoste, às vezes é divertido, mas é horrível quando aqueles clientes da boate ficam passando as mãos em mim como se eu fosse uma mercadoria.
-Eles te obrigam a fazer algo a mais depois da apresentação?
-Não, depois da apresentação eu posso ficar andando pela boate sem fazer nada.
-Acho que eu entendo... – comentou o honconguês olhando para o teto.
O islandês olhou para o moreno sem entender sobre o que ele estava falando, ficaram em silencio por alguns segundos até que a curiosidade do menor falasse mais alto.
-O que você entende?
-Porque passam a mão em você.
-O que está insinuando?
-Que você é bonito, fofo, ingênuo e misterioso, o tipo que atrai pessoas desse tipo... Pervertido.
-E-e-eu não sou isso que você falou não – o islandês corou e virou o rosto, odiava quando as pessoas o chamavam de fofo, pequeno e coisas do tipo, elogios que servem para animais de estimação, como cachorros ou gatos.
-É sim, você é fofo, Emil – o honconguês colocou a mão direita no cabelo platinado do menor e o acariciou.
-Para de me chamar de fofo, não sou fofo – o menor cruzou os braços em frente ao peito e suspirou irritado – não sou nenhum cachorro para ser fofo, droga.
-É claro que você não é nenhum cachorro, você é mais fofo que um – o honconguês sorriu timidamente, o moreno não era de sorrir na presença dos outros, mas se sentia a vontade para fazê-lo perto do outro.
O islandês se manteve calado perante ao pequeno sorriso que se formou nos lábios do moreno, era delicado e dava vontade de sorrir só de vê-lo repuxar os cantos da boca para cima, o albino corou voltando seu olhar para o chão, não queria permanecer muito tempo olhando aquele sorriso.
Há quanto tempo o islandês não sorria? Não digo sorrir nas apresentações, daquela forma maliciosa e encenada, quando digo sorrir é aquele riso verdadeiro, alegre, esperançoso, fazia tempo que o menor não sorria, mal se lembrava da ultima vez, nem ao menos se lembrava de como seu rosto ficava quando ele sorria, provavelmente até esquecera como sorrir de verdade.
-Emil... O que foi? Disse algo errado?
-N-não, não é nada, esqueça, estou apenas cansado e hoje ainda tenho que ir para a aula.
-Você estuda? Está em que ano?
-Eu estou no terceiro ano do colegial e você?
-Primeiro ano de bioengenharia , por falar nisso, quantos anos você tem?
-Eu tenho 15 anos.
-Você tem 15 anos e está no terceiro ano?
-Estou dois anos adiantado, minha mãe me ensinou matemática e português quando eu era pequeno então acabei pulando dois anos.
-Entendo, você é tipo aquelas crianças prodígio que são jovens, mas estão na faculdade – comentou o honconguês rindo baixo consigo mesmo.
-Eu não sou uma criança prodígio, não sou tão inteligente assim.
-É claro que é.
Ambos continuaram conversando até chegar à parada em que eles tinham que descer, depois de descerem do ônibus andaram por mais algumas quadras até pararem em frente a um prédio azul claro com partes em branco.
-Você... Quer subir e tomar alguma coisa antes de voltar para casa? – perguntou o islandês sem jeito procurando as chaves no bolso da calça.
-Não, tudo bem, é melhor eu ir para casa, meu irmão deve estar tendo um surto – respondeu o honconguês – nos vemos outro dia, Emil – o honconguês acenou e se afastou do islandês voltando ao ponto de ônibus para esperar o próximo para ir para casa.
Para levar o menor para casa o moreno teve que se afastar muito de sua casa, afinal, morava praticamente do lado da boate e foi até a casa do islandês que era nos longínquos do inferno, praticamente deu uma volta enorme sendo que podia ter chegado a casa em poucos minutos, mas ele não podia deixar o menor sozinho, se alguém tentasse algo enquanto este voltava para casa? E se o sequestrassem? O honconguês não queria arriscar.
~hetalia~
O dia amanheceu nublado como era de se esperar de uma manhã de inverno em Nova Iorque, tudo o que qualquer um queria nesse momento era permanecer embaixo dos cobertores e nunca mais levantar, mas para todos isso era impossível, afinal todos tinham necessidades, precisavam comer e trabalhar, o honconguês se levantou da cama meio sonolento e cambaleando devido ao sono, não havia conseguido dormir direito naquela noite, havia sonhado com Emil, na verdade fora um pesadelo, onde o menor sumia e o moreno nunca mais o via.
O honconguês entrou debaixo do chuveiro deixando a agua fria bater em seu rosto, aquele sonho o havia deixado perturbado de uma maneira que ele nunca imaginou que ficaria um dia, estava com medo de perder o menor, queria vê-lo novamente para poder se acalmar, pois nem a agua fria o ajudava naquele momento.
Saiu do chuveiro, vestiu-se rapidamente e foi para a cozinha onde Yao estava preparando o café-da-manhã.
-Bom-dia, irmão – desejou o honconguês olhando para o que o irmão fazia no fogão, era um curry de carne apimentada – o cheiro está ótimo.
-E o gosto também, aru – comentou o chinês colocando o curry em uma tigela – aqui está, aru.
-Xièxiè – agradeceu o menor pegando a tigela e pegando uma colher na gaveta.
Ambos comeram em silencio, apreciaram o delicioso sabor apimentado do curry para em seguida lavarem a louça.
O honconguês olhou para o relógio, em alguns minutos deveria estar indo para a faculdade, foi para o quarto, ajeitou o cabelo, deu uma ultima olhada no espelho e arrumou a gravata, pegou a mochila e saiu do quarto rumando em direção à porta.
-Yao, estou indo, bom trabalho – o honconguês abriu a porta da casa e colocou um pé para fora sentindo o ar gélido bater em seu rosto.
-Boa aula, Kaoru, tome cuidado no caminho.
O honconguês acenou e saiu de casa, não estava atrasado para a aula, então deixou sua imaginação a solta, começou a imaginar o seu albino ali do lado dele, conversando com ele, trocando caricias e talvez algo mais do que apenas caricias.
Chegou à faculdade e foi para a sua primeira aula, o tempo parecia se arrastar, como sempre acontece quando estamos ansiosos para algo, ou quando estamos fazendo algo meramente chato, no caso do honconguês eram ambas as opções, estava ansioso para rever o islandês e se encontrava na faculdade desinteressado na aula que se passava, não era que desgostasse da aula ou da matéria, mas naquele momento tudo parecia tão... Futil, desinteressante.
No meio da segunda aula o honconguês estava dormindo calmamente em sua mesa, ficou ali dormindo durante duas aulas até abrir os olhos e bocejar sonolento fazendo parte da sala olha-lo, o honconguês não se importou com os olhares que os alunos e até mesmo o professor lhe lançaram, apenas voltou sua atenção para o caderno aberto a sua frente.
Quando a aula terminou o honconguês jogou seu material dentro da mochila e saiu da sala apressado, queria ir para a boate e encontrar o islandês o mais rápido possível, foi para casa trocou de roupa e logo se pôs a caminhar para a boate que não ficava muito longe de sua casa.
Chegando lá não encontrou o islandês, apenas o francês, os gêmeos italianos e o espanhol que conversavam alegremente, tirando o italiano mais velho, sobre alguma coisa do dia a dia, o espanhol era o mais falante, o italiano menor era o que mais gesticulava e sorria soltando sempre seus conhecidos “ve!”, o francês apenas escutava os outros dois dizendo algo hora ou outra, o italiano mais velho estava com a cara fechada e os braços cruzados em frente ao peito, seus olhos estavam fixados no espanhol, ao notarem a presença do honconguês todos pararam de conversar e o saudaram alegremente.
-Não pensei que viria hoje, Kaoru – comentou o francês sorrindo de forma maliciosa – está procurando o Emil?
-Ele já chegou? – perguntou o honconguês se aproximando do grupo sem tirar do rosto sua expressão impassível.
-Ainda não, ele está atrasado, normalmente chega as cinco ou um pouco antes, mas já são cinco e quarenta e cinco – comentou o francês olhando o relógio em seu pulso.
-Será que aconteceu algo?
-Não se preocupe, ele deve estar chegando.
O tempo se passou rápido, já eram seis e meia quando a porta do estabelecimento foi aberta e um islandês entrou carregando duas sacolas de papel.
-Desculpe o atraso – o islandês pousou seu olhar no francês – eu fui à gráfica e trouxe os panfletos que você mandou fazer sobre sexta feira e... – o islandês ao notar a presença do honconguês se calou e andou até o balcão onde largou as duas sacolas.
-Você foi para casa? Por isso está atrasado?
-Bem... Sim, acabei ficando tempo demais e ele chegou, tive que esperar até que ele entrasse no quarto para poder ir embora.
-Você normalmente não fica muito tempo por lá, o que aconteceu, Emil?
-Eu fui à gráfica e peguei os panfletos, isso demorou um bom tempo, quando cheguei lá estava com um pouco de fome então fui pegar algo na geladeira, tinha alguns frios e um saco de pão sobre o balcão, quando eu estava saindo da cozinha para ir embora derrubei a sacola com os panfletos e tive que pega-los, quando estava terminando de guarda-los ouvi a porta se abrindo e me escondi, bom, é isso.
-Você podia ter falado com ele, Emil, afinal vocês são irmãos, certo? E além do mais... – o francês parou com seu discurso ao ouvir vozes do lado de fora da boate – o que será que está acontecendo?
-EEEh, deixe-me entrar – falou uma voz conhecida para o islandês e para o francês.
-Desculpe, mas só abriremos as oito – respondeu o segurança.
-Nós precisamos falar com o Emil.
-Não posso deixa-los entrar.
“Ele disse deixa-los? Então não é só Mathias que veio” pensou o islandês olhando preocupado para o francês, como seu irmão e o dinamarquês o haviam encontrado?
-Mathias, cale a boca, dum – a voz calma e impassível do norueguês se sobressaiu – eu preciso falar com Emil, ele é meu irmão.
O segurança refletiu um pouco sobre aquilo, da ultima vez que chegara alguém dizendo que era irmão de um dos empregados dali e não o havia deixado entrar recebeu uma bronca do francês, então suspirou e abriu a porta deixando os dois loiros invadirem a boate.
-Emil – o norueguês andou calmamente até o irmão mais novo, passou os braços ao redor dele e o abraçou desajeitadamente e de uma forma um tanto fria – não faça mais isso, me deixou preocupado.
Mesmo mantendo a expressão sem sentimentos e mantendo o tom de voz calmo e impassível, o islandês sabia que o norueguês falava a verdade, podia sentir o maior tremer fracamente enquanto o abraçava.
-Lukas... Eu... – o islandês se afastou do abraço do norueguês, mas logo foi envolvido por outro par de braços fortes que o puxaram contra o corpo do dinamarquês.
-Emil, senti sua falta – o dinamarquês apertou mais o abraço deixando o menor quase sem folego – vamos voltar para casa, certo? Seremos uma família de novo, né? – Mathias sorriu alegremente como se fosse um idiota, ou talvez ele era mesmo.
-Mathias, me solta, não consigo respirar – pediu o menor empurrando o outro loiro levemente para trás.
-Ah, desculpe – o dinamarquês riu e bagunçou os finos fios claros do islandês – mas nós vamos voltar para casa, certo Emil? Prometo que será diferente, então vamos voltar para casa.
-Eu... Não vou voltar para casa, Mathias – respondeu o islandês virando o rosto para não ter que encarar o maior – eu já me decidi e não vou voltar atrás.
-EEh~ por que, Emil? Eu fiz algo errado? Por isso não quer voltar? Se eu fiz vou tentar concertar, vamos voltar para casa Emil – pediu o dinamarquês praticamente gritando, o que fez todos os presentes prestarem atenção ao ocorrido.
-Anko, fique quieto, por favor – pediu o norueguês puxando a gravata do maior para baixo o afastando do irmão – você realmente não quer ir para casa?
-Não, não quero.
-Certo, não irei te obrigar a voltar... Apenas ligue e vá nos visitar, está bem?
-Espera, Lukas, ele é seu irmão – gritou o dinamarquês exaltado.
-E é exatamente por ele ser meu irmão que não irei obriga-lo a voltar para casa – Lukas voltou seu olhar para o irmão mais novo – se precisar de algo apenas me ligue.
-Lukas, ele tem apenas 16 anos.
-Eu tinha 15 quando sai de casa – comentou o norueguês fazendo o maior se calar por alguns segundos.
-Mas você levou o Emil com você.
-Isso não faz diferença agora, vamos para casa, anko – o norueguês olhou para o menor – Emil, ring meg bror (norueguês: me chame de irmão).
-alltaf, ekki heimta ekki (islandês: nunca, não insista) – o menor corou e olhou para o lado, Lukas sempre fazia aquilo, ambos viviam com essa birra desde que o menor completara 10 anos e deixara de chamar o norueguês de bror.
-vil kalle meg bror (norueguês: vamos, me chame de irmão)
O islandês virou o rosto, não queria encontrar o olhar do irmão, não era mais uma criança para ficar chamando-o de irmão, certo?
-Apenas me chame de bror e eu irei embora – comentou o norueguês.
-N-nem pensar, não vou chama-lo assim.
-E por que não? Você me chamava assim quando era menor.
-P-porque não sou mais uma criança, Lukas – o menor inflou as bochechas e franziu o cenho.
-Está bem então, já que não se importa de fazer algo tão cruel com seu irmão, o proibindo de ser chamado pelo próprio irmão mais novo – o norueguês olhou para a porta e estava prestes a dar um passo para a direção da mesma quando ouviu o menor sussurrar algo – o que disse, Emil? Não te escutei.
-B-bróðir (islandês: irmão) – o norueguês abraçou o menor, em momento algum nenhum dos dois demonstrou qualquer tipo de expressão, mas ambos sabiam o que o outro sentia – está f-feliz agora?
-Sim – o maior acariciou os cabelos brancos do menor e depois se afastou para beijar-lhe a testa – até outro dia, Emil.
-Tome cuidado, certo? Estaremos esperando sua ligação, caso precise de algo é só falar, venha nos visitar, está bem? – perguntou o dinamarquês acariciando os cabelos do menor e sorrindo largamente – não se preocupe com o Mr. Puffin, eu cuidarei dele.
-Mathias... O-obrigado – agradeceu o menor abaixando levemente a cabeça.
-De nada.
Os dois nórdicos se despediram e saíram da boate, deixando o menor olhando para o chão com o rosto carmim, ainda se punindo mentalmente por ter feito algo tão vergonhoso como chamar Lukas de bróðir na frente de todos, ainda mais na frente do moreno que conhecera no dia anterior.
-Ele é o seu irmão, Emil? – perguntou o honconguês se aproximando do albino e deixando sua cabeça tombar levemente para o lado, dando a ele um ar ingênuo e meigo, o que fez o menor corar.
-O mais baixo com crucifixo no cabelo sim, o outro é o meu... Cunhado. Eu vou trocar de roupa, já volto – o islandês se afastou indo para uma porta que ficava ao fundo da boate, onde provavelmente era o camarim dos dançarinos.
O honconguês manteve seu olhar sobre o islandês até que este abrisse a porta e entrasse no cômodo, mas mesmo assim não deixou de olhar na direção onde o albino havia entrado.
-Então você está apaixonado pelo Emil, Kaoru? – perguntou o espanhol com seu sotaque e sua voz calma e alegre.
-Se está perguntando, creio que sabe a resposta – respondeu o honconguês sem desviar o olhar da porta.
-Você não irá conseguir uma resposta se não disser diretamente a ele, Kaoru – comentou o francês tirando um maço de cigarros do bolso e acendendo um.
-Você diz isso como se fosse à coisa mais fácil do mundo.
-Eu sei que não é – o francês tragou o cigarro antes de continuar – por isso irei te ajudar, não irei dormir em casa hoje, portanto quero que leve o Emil para casa.
-Está falando sério?
-Sim, nunca falei tão serio em toda a minha vida.
~hetalia~
-Kaoru, você quer entrar? Está um pouco tarde, então... Se quiser, pode passar a noite aqui – ofereceu o islandês ao chegarem à portaria do prédio azul claro.
-Acho que vou aceitar sua oferta, obrigado Emil.
Com isso os dois entraram no prédio e foram até o terceiro andar, onde era o apartamento do francês e do islandês.
-Por favor, não se incomode com a bagunça.
-Não se preocupe com isso – “afinal nós vamos bagunçar mais um pouco a sua casa” completou mentalmente enquanto adentrava no recinto, reparando que, diferente do que o islandês dissera, a casa não estava nem um pouco bagunçada.
-Você quer agua, suco, refrigerante, chá ou alguma coisa para beber? Se quiser eu posso fazer um choco... – o islandês não conseguiu completar sua frase, pois a boca do honconguês pressionou a sua e a língua quente do moreno pediu passagem, mas o menor não cedeu e o empurrou para trás – o que está fazendo?
-Emil... Eu me apaixonei por você, desde o momento em que eu te vi, quando você estava conversando com o Alfred e com os gêmeos italianos, o seu jeito misterioso me cativou, e quando eu vi você dançando daquele jeito eu fiquei com... Ciúmes, eu quero você só para mim, Emil, não importa o que eu tenha que fazer, eu faço qualquer coisa, apenas deixe-me ficar ao seu lado e prometa tentar retribuir o que sinto.
-Kaoru... Você diz coisas que me deixam envergonhado – comentou o menor virando o rosto avermelhado.
Kaoru sorriu e beijou o menor nos lábios, pediu passagem com a língua e o menor concedeu, começou a vasculhar aquela cavidade quente, as línguas se enroscavam e se acariciavam a todo instantes, apenas se separaram quando o ar se tornou realmente necessário.
O islandês foi jogado no sofá, logo o honconguês subiu em cima do albino e começou a distribuir beijos pela face avermelhada do jovem, depois foi, lentamente, despindo o menor, ao vê-lo totalmente desnudo desceu os beijos até o pescoço, seguindo para a clavícula, depois para os mamilos onde chupou e mordiscou-os desejosamente, o que fez o menor arfar.
O honconguês levou três dedos aos lábios do menor e este começou a lambê-los de forma desajeitada, quando viu que estavam úmidos o suficiente os levou a entrada do menor o penetrando inicialmente com um dedo, moveu-o por um tempo dentro do menor até notar que este movia os quadris contra seu dedo, depois introduziu mais um, dessa vez abrindo e fechando os dedos como uma tesoura, o terceiro dedo fez o menor gemer alto de dor e arquear as costas, gotículas de agua já se formava no canto do olho do albino.
-Relaxa, vai doer menos se relaxar – disse o moreno beijando o rosto do menor para acalma-lo – as coisas vão melhorar, está bem? – dizendo isso o moreno retirou os dedos de dentro do menor e começou a se despir rapidamente – se estiver doendo agarre-se em mim – pediu o moreno se ajeitando entre as pernas do menor para em seguida penetra-lo.
O albino cravou as unhas nas costas do honconguês e gemeu de dor ao ser penetrado pelo outro, o moreno esperou até que o menor se acostumasse com o volume dentro dele, quando notou que este já havia se acostumado começou a se mover lentamente, recebendo em troca gemidos de dor e prazer que escapavam dos lábios rosados do menor.
Para acalmar mais o menor, Kaoru começou a masturba-lo no ritmo das estocadas, o menor levou o braço ao rosto o escondendo, enquanto mordia o lábio inferior.
-Deixe-me ver seu rosto, Emil – pediu o honconguês tocando o braço do albino e o puxando para baixo – você é tão fofo, Emil.
-Ah... Kaoru... Não... Pare de me chamar de fofo – pediu o menor gemendo sofregamente e deixando sua mão passear pelas costas do maior – Kaoru... Ahn... M-mais... Rapido... Ahn.
O maior sorriu com o pedido do albino e começou a estoca-lo mais rápido, suas mãos acariciavam o corpo alheio e davam atenção especial ao membro do jovem que pedia por atenção.
As estocadas prosseguiram por mais um tempo até que o menor se desmanchou nas mãos do moreno apôs arquear as costas e gemer alto, o moreno gozou logo em seguida, desabando ao lado do menor e saindo de dentro deste.
-Hey, Emil...
-O que é?
-Vamos fazer mais uma vez?
~hetalia~
“Droga, como ele tem energia para fazer isso tantas vezes?” pensou o islandês observando o moreno que ressonava baixinho ao seu lado, ao vê-lo o jovem sorriu, um sorriso discreto e sincero que nunca havia mostrado a quase ninguém.
-Eu também me apaixonei por você, desde o momento em que eu te vi.
Talvez, só talvez, o moreno ainda estivesse consciente e ouviu a confissão do menor, talvez ele tenha dado um sorriso internamente e pensado em responder, mas é só um talvez.
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