coletânea hetalia
14 Gerita
Notas iniciais
Eu fico muito feliz em saber que vocês estão gostando da coletanea, e espero que se divirtam com as ones.
Quero agradecer também a todos que recomendaram essa coletanea, sério, vocês me fazem imensamente feliz *-* é a melhor coisa para mim saber o quanto vocês gostam das minhas ones *-*
Alguns momentos dessa one foram baseadas em diarios do blog hetaliadiaries.tumblr.com, quem quiser dê uma olhada, é um blog muito diversificado, tem momentos engraçados e momentos tristes que já me fizeram chorar varias vezes.
agora vou deixar de conversa para que vocês possam ler
Feliciano Vargas, mais conhecido como Itália do by CouponDropDown\">norte ou Itália Veneziano, parece um rapaz jovem de mais ou menos 20 anos, cabelo castanho avermelhado, olhos castanho claro, uma personalidade ingênua e despreocupada que sempre acaba trazendo problemas para seu aliado.
Não é que ele faça isso por mal, de maneira alguma, é apenas o jeito dele, mas mesmo trazendo tantos problemas seu aliado nunca o abandonou, sempre esteve ao seu lado e dando lhe broncas quase sempre, muitas delas com o mesmo intuito, deixar de ser tão medroso e lutar.
–Itália, pare de ficar comendo pasta e vá treinar – disse o alemão parado na porta da cozinha enquanto observava seu aliado comer.
–M-mas, Alemanha, eu estou com fome~.
–Você comeu há meia hora, como poderia estar com by CouponDropDown\">fome? Vamos, a guerra ainda não acabou, Rússia, América, França, China e Inglaterra devem estar se preparando para nos atacar, então temos que estar prontos.
–Mas, Alemanha, eu não quero lutar~, eu tenho medo do Inglaterra – choramingou a Itália terminando de comer.
–I-Itália... Eu vou estar com você, então não tenha medo, vamos sair dessa juntos, assim como entramos.
Ve!~ Depois, quando essa guerra acabar podemos comer muita pasta~, quando isso acabar quero te levar para ver minha casa, Alemanha.
–Está bem, agora venha, essa guerra não vai acabar se ficarmos sentados.
–Alemanha, nós vamos ser amigos para sempre não é?
–É-é claro, I-Itália, eu te prometi, não foi? Não se quebra uma promessa.
O italiano prendeu a respiração por alguns segundos, seu coração estava batendo descompassado, e suas mãos começaram a suar, o jovem italiano havia se lembrado da promessa que fizera para si mesmo antes de conhecer Alemanha.
–O que foi, Itália? Você ficou quieto de repente, está se sentindo mal?
–Não, eu estou bem – o italiano se levantou da mesa rapidamente colocando o prato na pia – temos muito que fazer até que essa guerra acabe – comentou o moreno passando pelo alemão.
Ambos treinaram sem interrupções por parte do italiano, este apenas fez o que lhe foi ordenado sem questionar, isso deixou o alemão curioso, nunca havia visto Itália fazer o by CouponDropDown\">treinamento corretamente, mas não reclamou.
De noite o italiano foi para o quarto e trancou a porta, não era de seu feitio se trancar, mas naquele momento ele queria ficar sozinho, logo foi para a cama e abriu o criado mudo tirando de lá um caderno envelhecido e com as paginas amareladas.
O italiano pegou uma caneta e se pôs a escrever.
“Querido diário, há muito tempo atrás, depois que eu descobri que meu primeiro amor morreu, eu fiz uma promessa a mim mesmo para não me apaixonar. Ultimamente, descobri que prometer é mais fácil do que cumprir. Meu coração dispara sempre que estou com o Alemanha, apesar de que eu nunca me senti assim antes com ninguém...”
Ao terminar de escrever o jovem italiano fechou o caderno e tornou a guarda-lo, deitou-se na cama e fechou os olhos, logo estava em um sono profundo, naquela noite ele teve um sonho, não um sonho comum, era um sonho confuso, não tinha som algum, apenas imagens desconexas, o quadro que o Sacro Império Romano havia feito foi a primeira e a ultima coisa que surgiram, em alguns momentos ele se via pequeno ao lado do Sacro Império Romano, em outros estava com o Alemanha, ao prestar bastante atenção notou que as cenas não eram tão diferentes assim, o seu próprio olhar era semelhante, quando estava com Alemanha ou com o Sacro Império Romano seus olhos reluziam apaixonadamente.
Quando acordou o jovem se sentiu confuso com seus próprios sentimentos, havia jurado para si mesmo que nunca mais iria se apaixonar, mas se via nesse dilema profundo que ele mesmo se colocara, ele amou e amava o Sacro Império Romano, mesmo que soubesse que este estava morto, mas ao mesmo tempo queria ficar com Alemanha, queria fazê-lo feliz, ele o amava também, o que o tornava traidor de suas próprias promessas, ele havia traído a si mesmo.
Sentia-se péssimo por isso, se mal conseguia manter uma promessa consigo mesmo com quem conseguiria? Se traia a si mesmo, então quem poderia confiar nele? Não que ele nunca tivesse traído alguém, ele traiu, na primeira Guerra Mundial, mas ele havia sido perdoado por seus dois aliados e prometeu nunca mais os trair, mesmo que se ferisse, mas agora ele não confiava mais em si, tinha muitas duvidas, será que ele iria cumprir esta promessa?
Na manhã seguinte ele abriu os olhos lentamente, sabia que deveria acordar, que deveria encarar o mundo, ir a luta, mas ele não conseguia se levantar, seu corpo parecia pesado, sua mente estava longe, naquele momento ele não pensava na guerra, não pensava que poderia perde-la, apenas pensava se deveria ou não amar Alemanha, afinal, havia prometido quando ele foi embora.
Batidas na porta foram ouvidas pelo jovem, mas ele não se mexeu, manteve-se estático olhando para o teto, não queria se levantar, não hoje, preferia ficar ali e descansar a mente, ele apenas queria ficar em paz consigo mesmo, mas não conseguia.
–Itália-kun, você está bem? – a voz calma do japonês se sobressaiu e fez o jovem voltar sua atenção para a porta – se não estiver se sentindo bem eu posso fazer algo para você comer, ou trazer algum remédio...
–Japão, eu estou bem, só estou um pouco cansado, por favor, não se importe comigo – respondeu o italiano, tentando manter a voz calma e animada de sempre, mas sentiu que falhou em algum momento.
–Tem certeza, Italia-kun? Você não me parece bem.
–Eu estou bem, por favor, apenas poderia me deixar sozinho?
–Tudo bem, caso precise de algo estarei lá fora.
–Certo, obrigado.
E mais uma vez lá estava o italiano, sozinho, como em muitos momentos de sua vida, alguns achariam estranho vê-lo dessa forma, alguém tão alegre e ingênuo sozinho, mas essa cena não era incomum, muitas vezes Itália estava sozinho, o único que sabia sobre esses momentos era Romano, o irmão mais velho do italiano.
Aquele sorriso que o jovem sempre carregava era apenas para fingir que estava bem, mesmo que estivesse destroçado por dentro, queria manter por fora uma aparência saudável e feliz, não que ele não fosse feliz, ele era, mas muitas vezes não se sentia feliz, não queria sorrir ou falar com alguém, queria apenas ficar só.
E tudo começou naquele dia, Itália se culpava por tê-lo deixado partir, deveria ter insistido mais, até mesmo chorado mais, mas ele acreditou que um dia ele voltaria, acreditou veemente que poderiam ficar juntos no final de tudo, e com uma incrível força foi jogado contra a realidade, Sacro Império Romano havia morrido, assim como o Império Romano.
“Não quero que você vá, se você crescer demais vai acabar como o vovô Roma, eu não quero isso... Sacro Império Romano” foram as suas ultimas palavras antes do jovem império partir para nunca mais voltar.
E ele chorou por dias e dias, ninguém sabia o que fazer, nem ao menos o porquê de tanta choradeira, o único que sabia era seu irmão, que mesmo estando na casa de Espanha sempre ia lhe visitar e consolar.
Aquilo continuou por anos e anos até que o jovem italiano decidiu parar de chorar e prometeu a si mesmo não se apaixonar, para o seu próprio bem e também para manter Sacro Império Romano como o único em seu coração.
E mais uma vez voltamos ao ponto principal, ao dilema que o jovem enfrentava, ele queria manter apenas Sacro Império Romano em seu coração, mas não podia negar que havia se apaixonado por Alemanha, odiava ter que admitir, mas ele traiu Sacro Império Romano e a si mesmo.
Batidas fortes foram dadas contra a porta, o italiano se assustou, mas se manteve em silencio, deveria ser Alemanha para lhe avisar sobre o café da manhã ou do treino matinal, ele não se levantou mante-se estático, mais batidas se sucederam, mas foram prontamente ignoradas.
Passos fortes foram ouvidos logo em seguida, mostrando que quem lhe procurava havia se afastado, Itália fechou os olhos e tentou imaginar seu eu atual com o Sacro Império Romano, mas a única coisa que viu foi ele e o Alemanha juntos.
Ele não devia amar o Alemanha, não podia, era inaceitável, ele deveria amar apenas o Sacro Império Romano por toda a eternidade, não deveria se apaixonar, era errado, mesmo que ambos parecessem tanto, era errado, parecia que estava usando o alemão apenas como um substituto para o seu primeiro amor, talvez fosse isso, talvez o amasse pelo fato de que eles eram semelhantes e essa fora a maneira que seu coração encontrou para não se ferir mais.
Mas era errado, Alemanha e Sacro Império Romano não podiam ser a mesma pessoa.
Lagrimas começaram a se formar nos olhos do italiano, logo as gotas quentes rolaram por sua face lentamente deixando trilhas úmidas por suas bochechas, os soluços logo vieram, eram contidos, baixos e relutantes, ele chorou baixinho para que ninguém percebesse, chorou o dia inteiro, não saiu do quarto nem para comer ou beber agua, naquele momento nada mais tinha importância, ele só queria adormecer em um sono profundo.
O italiano apenas acordou com o estrondo da sua porta sendo colocada a baixo por um alemão que rapidamente foi até a cama e o observou estático, como se estivesse vendo um fantasma ou algo do tipo.
–I-Itália, o que aconteceu? – perguntou o alemão após se recuperar do choque de ver o pequeno italiano naquele estado lastimável.
–Alemanha... – as lagrimas voltaram em um turbilhão, escapavam sem controle dos olhos do jovem, os soluços se tornaram fortes e irreprimíveis – A-Alemanha – choramingou o menor virando o rosto e o tampando, não queria que o alemão o visse naquele estado deplorável.
–Itália, me diga o que está acontecendo, por que está chorando? I-Itália – o alemão começou a olhar ao redor procurando algo que pudesse acalmar o jovem ou talvez o motivo de suas lagrimas, mas nada encontrou, o pânico tomou conta de si, ele não sabia como agir quando Itália estava daquela forma, ele apenas sabia gritar e força-lo a treinar.
–Alemanha – chamou o italiano soluçando forte e tentando secar as lagrimas com as mãos – m-me desculpe, n-não queria que me visse assim.
–Itália, o que aconteceu? – perguntou o alemão tentando fazer o tom de voz mais gentil que conseguiu, mas pelo jeito não funcionou, pois o italiano se encolheu na cama e começou a chorar mais ainda.
–E-e-e-eu o-o t-trai – disse o italiano fungando e limpando as lagrimas que não paravam de escorrer.
–Quem você traiu, Itália? – o alemão logo imaginou que Itália estivesse se referindo a traição que cometera na primeira guerra mundial.
–O Sacro Império Romano... Eu o trai.
–Me desculpe Itália, mas não estou entendendo... O Sacro Império Romano se foi há muito tempo, então como pode tê-lo traído?
–E-e-eu o amava tanto – comentou o menor aos prantos – eu prometi... Eu prometi que nunca mais iria me apaixonar, queria amar apenas ao Sacro Império Romano, mas eu o trai, eu o trai, Alemanha.
–Você o traiu... – o alemão começou a formular a coerência das falas do jovem, havia sido tudo jogado contra si tão rápido que mal conseguia pensar no motivo – c-como você o traiu? – foi a única coisa que conseguiu formular.
–E-eu me apaixonei, Alemanha, me apaixonei – falou o jovem soluçando descontroladamente – mesmo que eu tenha prometido, eu o trai no momento em que me apaixonei, no momento em que não era apenas o Sacro Império Romano que eu amava, não era apenas ele que estava em meu coração...
–Itália... Eu entendo que você o amava, mas você não deve se prender ao passado, ele se foi, não tem mais o que fazer, apenas siga em frente, Itália, acho que é isso o que o Sacro Império Romano iria querer, que você fosse feliz, não importa com quem, é muito bonito de sua parte querer amar somente a ele, mas com o tempo nossos sentimentos mudam, eles não são imutáveis, você não o traiu, você apenas mudou – o alemão não desviou o olhar do italiano em momento algum de seu discurso, o que tornou-o mais impactante.
–M-mas Alemanha, isso é errado...
–Não, não é Itália, amar não é errado.
–Então não é errado eu amar outra pessoa?
–Não, você está apenas seguindo em frente, o passado pode ter sido bom, mas nunca irá voltar, Itália, temos que nos acostumar com isso.
–Então não é errado... – o italiano aos poucos começou a parar de chorar e voltou sua atenção para o loiro – então eu posso continuar te amando?
–M-me a-a-a-amando? – o alemão sentiu as bochechas queimarem e virou o rosto, o italiano era tão ingênuo, havia se declarado de uma forma tão simples e fofa que fez o coração do alemão bater mais rápido do que deveria.
–Sim, eu te amo, Alemanha, então eu posso? – o italiano sorriu levemente e se aproximou do alemão deixando seus rostos bem próximos.
–I-Itália – o alemão curvou o corpo para frente e tocou os lábios do jovem com os próprios – pode, desde que me prometa não ficar chorando e se trancando no quarto o dia inteiro, eu fiquei preocupado.
–Eu prometo, Alemanha – o italiano se jogou sobre o alemão e os dois caíram na cama – eu prometo, farei o que você quiser, ti amo, Germania.
–Ich liebe dich, Italien – o alemão beijou os lábios do italiano docemente e o abraçou, o italiano havia parado de chorar e agora sorria como uma criança, o alemão sorriu e deitou o italiano ao seu lado – descanse um pouco, Itália, amanha eu te quero bem disposto.
–Sì, il capitano – o italiano sorriu e abraçou o alemão se aconchegando ao peito deste – buonanotte, Germania.
–Guten Nacht, Italien – o alemão beijou suavemente a testa do italiano e fechou os olhos, respirou fundo e sentiu o cheiro adocicado do italiano que amava, seu doce italiano.
E em algum lugar um pequeno garoto loiro de olhos azuis sorriu e disse um “adeus” para o jovem italiano, um adeus tão singelo que levou lagrimas aos seus olhos, havia amado o italiano, mas já era hora de deixa-lo ser feliz, deveria permitir que ele tornasse a amar, com um aperto no peito Sacro Império Romano sumiu para nunca mais voltar, nem mesmo nas lembranças do jovem italiano.
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