Notas iniciais
Capítulo fresquinho do forno! Me desculpem a demora, é que eu precisava de um beta, e até achar um que me era compatível, demorei um pouquinho. Capítulo betado por Renan Amorim. Boa leitura!

II

Durante o final de semana, Noah conheceu os demais membros da república 12. Era segunda-feira de manhã, e eles terminavam de tomar o café da manhã para ir no auditório, onde aconteceria a palestra anual de boas-vindas.

— Esse waffle tá meio queimado. — Derick reclamou.

— Cala a boca, Derick. Acordei cedo pra fazer essa bosta, se não quer vai lá e faz melhor. — Cole, lavando as mãos na pia, retrucou nervoso. Era ele o responsável pela cozinha. — E é sua vez de lavar a louça.

Derick ficou quieto resmungando para si, sem provocar mais. Ele era o mais largado da casa, com o cabelo pintado de roxo e piercings na orelha esquerda. A atitude não era lá uma das mais amigáveis.

— Calma gente, assim vai assustar o novato. — Owen disse, se juntando ao lado de Derick no sofá com um prato na mão.

— Já tem que ir se acostumando, pra não reclamar depois. — Theo, sentado na mesa com Elliott, disse de boca cheia.

— Que nojo, fecha essa boca. — Elliott falou. — Mas então Noah, você é bem quieto, né.

Noah não tinha se pronunciado até o momento. Estava concentrado em comer a parte boa do waffle que ficou sem graça quando todo mundo olhou pra ele.

— É, bem por aí. — Respondeu acanhado. — Acho que vocês é quem são muito agitados. — Brincou.

— Gostei do loirinho. Até que ele tem razão. — Derick concordou.

— Gente, anda logo, já vai dar 7 horas. A gente vai se atrasar.

Owen, o mais sensato do grupo, avisou e o resto se apressou. Exceto derick, falando que iria depois. Noah saiu junto com eles, também não tinha opção, não sabia onde ficava o lugar.

Durante o caminho, eles arrancavam olhares dos outros alunos por onde passavam, e o loiro estava com seu limite de timidez estourado. Não gostava de chamar atenção desse jeito, era estranho para ele. Mas era impossível passar despercebido com os colegas do seu lado, em parte pela beleza deles, outra pela agitação.

"Me sinto num harém", pensou. Nunca tinha visto tanto homem bonito junto na vida real.

A quadra, que servia de auditório também, não era muito longe, chegaram rápido. Uma construção bem grande, com demarcações de basquete e mais um jogo que Noah não conhecia no chão, cestas, e duas arquibancadas.

Tinha muita gente junta, falando super alto. Noah se perdeu um pouco, e na hora de sentar, acabou que ficou ao lado de um desconhecido. A palestra começou, e o escolhido para fazer a oratória foi o mesmo professor que tinha visto no banheiro.

— Silêncio, silêncio. Bom dia alunos. Sei que hoje é o primeiro dia pra muito de vocês, e espero que possamos...

E o discurso continuou, mal começou e nos primeiros minutos Noah já estava de saco cheio. Ele se arriscou em puxar conversa com o estranho do lado.

— Oi. — Ele olhou pra si. Era um pouco mais baixo que Noah, cabelo preto e olho castanho. — Sabe que horas acaba isso?

— Da última vez ele ficou duas horas seguidas naquele palanque. Espero que não seja assim esse ano. — Os dois riram baixinho. — Qual seu nome? O meu é Nicholas, mas me chama de Nick.

— Noah. — Nick parecia ser parecido com o loiro na personalidade. Esperava que se dessem bem. — Faz qual curso?

— Física.

— Eu também! — Se animou demais, que gritou um pouco. A voz ecoou pela quadra, aumentando a vergonha.

— Com licença. Posso continuar, senhores? Ou querem compartilhar a conversa pra todo mundo? — O professor foi interrompido, e a atenção foi voltada na dupla, com murmurinhos se formando. — Enfim, continuando, silêncio! — E ele retomou de onde parou.

— Só faço merda. — Falou baixo de novo, quase teve um ataque quando chamada a atenção. — Desculpe. — Disse para Nicholas, que assentiu.

— Ah, não tem problema. Acho melhor a gente continuar depois.

Os dois concordaram e não trocaram mais uma palavra. Duas longas horas ainda estavam por vir pela frente. Noah não era de guardar rancor, mas já sabia qual seria seu professor menos favorito.

•


Derick estava dando uma volta pelo campus vazio enquanto a cerimônia acontecia. Procurava alguma coisa pra fazer naquele dia, sendo que iria matar o primeiro dia de aula. Foi quando atrás da despensa de equipamentos, parou um pouco e sorriu de lado ao ver Matthew, sentado debaixo de uma árvore mexendo no celular.

— Então quer dizer que o queridinho do professor também falta aula? — Caminhou até ele, todo irônico.

— Não vou faltar aula, só a abertura. — Se levantou, sendo agarrado pela cintura e pressionado contra a árvore. Não tomou um susto, esperava por isso.

— Sabe que aquilo vale meio ponto? — Foi beijando o pescoço do moreno.

— Não preciso de ponto extra.

E eles finalmente se beijaram, intensamente. Não se preocuparam se alguém iria vê-los, ninguém ia ali. Tinha uma lenda idiota, segundo Derick, que um estudante foi morto ali por um fantasma.

Matthew não se continha em apertar os músculos do outro, adorava isso. Da mesma forma que Derick não poupava em segurar a bunda dele. O de cabelo roxo foi roçando sua perna no meio das coxas de Matthew, fazendo o momento ficar mais quente.

Ficaram um bom tempo se agarrando, até que Derick ousou em enfiar a mão dentro da calça do moreno, na parte da frente.

— Derick, a gente não vai transar aqui. — Afastou ele, tirando imediatamente a mão boba dali. — Tá maluco? Perdeu a noção?

— Você é muito chato, nunca quer tentar algo diferente. — Deu de ombros, irritado com a recusa.

— Eu não vou perder minha virgindade no meio do campus! Você pensa com o pênis ou a cabeça?! — Iniciou a discussão.

— E qual é o problema? Ah, espera, já sei. É porque eu não sou o Thierry! — Respondeu elevando a voz, dizendo o nome com deboche. — Aquele francês viado!

— Não muda de assunto! Cala a boca! — Gritou de volta.

— Se fosse ele, aposto que já tinha dado essa bunda há muito tempo! — O ignorou. — Isso se não ter dado antes! Essa história de ser virgem pode muito bem ser mentira, quem sabe pra quantos caras você já abriu a perna?

Matthew chegou no seu limite, socando o rosto de Derick. O moreno era mais forte que ele, apesar de tudo. Derick não revidou.

— Por que você tem que ser assim? Por que, Derick? Seu filho da puta! Não fala mais comigo, seu desgraçado! — Lacrimejou um pouco, saindo dali rápido.

E ele foi deixado pra trás, com o olho roxo e inchado. Nem ele mesmo sabia porque ele tinha dado um surto de ciúmes. Talvez tinha exagerado um pouco. Demorou um pouco pra ficha cair, e perceber o que tinha acabado de fazer.

— Merda! — Descontou sua raiva na árvore, a socando. Agora estava com o rosto machucado e o punho sangrando. — Idiota!

Cogitou em ir atrás dele, mas mudou de ideia. A teimosia e o orgulho ainda falavam mais alto.

Também foi embora, agora de volta para a república, para tratar das feridas. Era nessa horas em que agradecia por seus pais terem o forçado a fazer medicina.

Depois da palestra, que na opinião do Noah foi desnecessária, eles foram dispensados direto para a classe. De cara a professora passou uma introdução da matéria e formou duplas para um trabalho por ordem alfabética. Por sorte, Nick e Noah ficaram juntos.

Quando a aula acabou os dois foram na lanchonete comer juntos, se conhecendo melhor, conseguindo pegar uma mesa vazia. Nicholas ficava na república ao lado, a 14. E se Noah se considerava um pouco introvertido, Nick o superava de primeira.

— É sério que você fez isso? — Noah riu, abocanhando o hambúrguer.

— E eu ainda mandei ele se foder! Foi o melhor dia da minha vida. — Disse, relembrando os tempos de escola, quando deu o troco em quem o zoava. — Não foi grande coisa, mas pra mim foi um avanço.

— Olha ele, fazendo amizade com o inimigo. — Derick chegou com uma bandeja em mãos, junto com Cole e Owen, se sentando com Noah. Nicholas não deu bola para a provocação.

— Não tem graça, deixa de ser palhaço. — Owen falou, se acomodando no banco. — Cole, cadê minha carteira?

— Que carteira? — Fez de desentendido.

— A que eu deixei com você. — Revirou os olhos.

— Não sei de nada.

— Engraçadinho, devolve logo. É melhor parar de brincadeira, se não vai ficar igual o Derick. — Ameaçou bater em Cole. O moreno deu a carteira de volta rapidinho.

— Ei! Qual o problema em ser maravilhoso? — Derick disse, se achando.

— E ele vai começar de novo. — Cole falou impaciente. — O cara mais narcisista da América.

O grupo continuou com o papo, arrancando risadas de Noah e Nick, que entraram na conversa também, se soltando da timidez.

Sem aviso prévio, a última pessoa que esperavam se sentou com eles, na frente de Noah. Oliver simplesmente colocou a comida na mesa e ali ficou. Os outros pararam por um segundo, sem entender.

— Desculpa! — Oliver disse, olhando para Noah.

— Eu? — Estava sem entender.

— É. Foi mal eu ter falado com você daquele jeito sem te conhecer. Desculpa. Não tô brincando, você não tinha nada a ver com a briga. — Afirmou em tom sério.

— Gente, se prepara que hoje vai chover canivete. — Derick falou.

— Ainda tem coragem de dar as caras assim? — Dessa vez foi Cole quem provocou.

— Eu não pedi sua opinião. O meu negócio é com o novato, não com você. — Oliver respondeu impaciente. Não suportava Cole, e a apatia era recíproca.

— Tudo bem... Eu acho? — O loiro ainda estava confuso.

— Noah, não dá bola pra esse cara, ele não presta. Vai por mim. — Cole continuou.

— Você continua o mesmo, hein? Não se cansa de falar mal dos outros. O Seth ficaria decepcionado. — Debochou.

— Desgraçado!

Cole se levantou, preparado para bater nele, mas Owen o segurou. Oliver continuava em seu lugar, com a língua afiada.

— Calma, calma, já chega. Oliver, você sabe que eu sou seu amigo, mas não é a hora disso. Só tá colocando lenha na fogueira. — O olhou sério.

Ele entendeu o recado, levantando pra ir embora, mas não antes de dar uma última palavra:

— Não sou eu quem deita com o namorado dos outros. — O veneno se espalhou no ar.

A mesa ficou quieta, todos sabiam que essa era um assunto delicado. Exceto Noah, que não entendia nada. Cole e Owen ficaram sentados de novo.

— Vocês viram o jogo ontem? — O de cabelo pintado tentou tirar um pouco da tensão.

— Não teve jogo ontem. — Owen disse.

— Você nem assiste futebol, Derick. — Cole falou.

— Ah é, eu tô doido mesmo.

O assunto foi começando a fluir de novo, e em poucos minutos já voltaram como estavam antes. Mais ao longe, Theo viu a cena sem chegar perto. Iria se sentar com os meninos também, mas quando viu Oliver nem se aproximou.

A tarde foi passando, e eles voltaram para a aula vespertina. No final do dia, tudo que Noah queria era uma boa noite de sono. Amava física, mas toda aquela informação de primeira foi muita coisa pra aguentar.

Já na república, subindo para seu quarto, ele passou por Theo, que parecia irritado. Como não quis o atrapalhar, foi direto pra cama, depois de tomar um banho.

Derick não estava no quarto, mesmo anoitecendo. Se sentiu idiota por se preocupar, enquanto dormia tentou botar na cabeça que nem tinha intimidade com ele direito pra isso. E também tinha alguma coisa rolando que os outros estavam escondendo dele. Tentaria descobrir quando fosse a hora.

Notas finais
Também dei uma repaginada na fic. R.I.P Mint Lace. Até o próximo cap gente.