be my eyes
1 Prólogo
Notas iniciais
♥
Ass: Ayase.
Três.
Encontrei...
Foi o que eu pensei quando a vi confusa pelos corredores da escola.
— Precisa de ajuda? – Cheguei um pouco mais perto, ainda pouco tímido.
— Sim... Essa escola é imensa! – Ela suspirou quando virou-se para mim – Eu até procurei chegar mais cedo para não ter problemas, mas estou há trinta minutos procurando minha sala.
Ela jogava as palavras desanimadas, parecia mesmo cansada.
Ela terá problemas se entrar na sala após o sinal ter tocado.
Foi o que eu pensei no momento.
— Posso ver seus horários?
— Por favor – Ela me entregou o papel – Minha aula agora seria história...
— Ah... Fica no corredor de cima.
— SÉRIO? Eu passei umas três vezes por lá. – Ela bateu levemente em sua cabeça e respirou fundo.
— Eu te acompanho.
— O quê? Não, não precisa. Eu vou achar... É só que eu sou um pouco distraída às vezes.
— Você parece ser nova no país, ainda não deve estar acostumada com o inglês. Eu explicarei a situação para o professor, ele vai entender o motivo do atraso... – A olhei enquanto pensava, ela sabia que eu estava certo.
— Meu sotaque é tão ruim assim? – Falou depois de decidir me acompanhar.
— Não é ruim. Mas não é difícil perceber que você não é daqui.
— Cheguei faz uns dias, mas ainda não me acostumei muito. Minha vida antes era apenas uma cidadezinha bem velha da Holanda... O inglês não parecia tão necessário assim. – Eu conseguia ver seu sorriso pelo canto do olho.
Nós entramos na sala e o professor veio ao nosso encontro, acabei explicando tudo e como esperado ele a deixou participar da aula.
— Não é tão difícil, é uma cidade grande... Mas somos mais gentis do que pensa, irão te acolher bem. – Falei me despedindo dela.
— Eu estou vendo... – Sorriu.
Desejei boa sorte e acenei me virando para voltar a minha outra sala.
— HEY! – Um.
A olhei novamente.
— Muito obrigada! – Dois.
— Não foi nada. – Tentei não olhar em seus olhos, mas algo realmente me puxava.
— Sabe, você é adorável. – Três... e meu olhar já tinha uma dona.
E naquela frase, foi a primeira vez...
A primeira vez que ela mergulhou seu olhar ao meu.
E aquilo doeu, doeu como se eu já soubesse que ela era quem meu coração havia guardado todo o amor que ainda não tinha dado à alguém.
Doeu, quando a vi sorrir.
Sorrir apenas para mim.
Sim, doeu ver ela por todos os dias daqueles dois anos.
Doeu ainda mais por saber que em seu álbum de formatura, eu era apenas o garoto “adorável” e gentil do ensino médio.
Doeu sentir ela indo embora sem quaisquer memória marcante comigo.
Doeu a olhar indo embora.
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