be my eyes

2 Capítulo 1 - Uma carta


Notas iniciais
I hope you like it! ♥ Ass: Ayase

O sono me dominava naquela manhã de domingo, cada minuto que passava eu sentia meu corpo derretendo naquela cama. Ah, como eu odiava domingos! Como poderia gostar de um dia que só te faz lembrar que uma nova semana está começando, que faz parecer que sexta e sábado foram apenas sonhos de felicidade. Eu fico tão desanimada no domingo que o único amigo que eu tenho nesses dias é um quarto e o Johnny. O abracei forte na esperança de passar toda minha preguiça para ele. Falhei assim que ouvi o sino tocando.

Por que diabos o correio trabalha no domingo aqui? Esse dia deveria ser declarado como O Dia da Preguiça, assim seria proibido trabalhar e atrapalhar a vida dos outros. Fui obrigada a soltar o Johnny na cama, pegar um roupão quentinho e caminhar até o lado de fora do pequeno apartamento.

— Bom dia, Sra. Van Gogh. – Assim que desci as escadas o vi sorrindo como sempre.

— Bom dia, Bob. – Bob era, junto a mim, o morador do primeiro andar. Tinha por volta de 60 anos e passava suas manhãs e tardes na sacada de seu apartamento observando o passar das estações de ano.

— Mais uma encomenda para pintar? – Ele insistia em fazer a mesma piada quase todo dia.

Apesar de não ser engraçada, eu acabava rindo por ele adorar fazer as mesas piadas com minha origem. Eu acabei nascendo na mesma cidade que Vincent Van Gogh, e por não saber pintar ou desenhar, ele adorava fazer graça com esses detalhes.

— Espero que não, até achei estranho isso. As contas só chegam na segunda-feira, o carteiro deve ter se confundido. – Falei abrindo minha caixinha e tirando um envelope amarelo com várias florzinhas grampeadas na carta.

— Parece que o carteiro quer sair com a senhorita. – Ele entrou em seu apartamento rindo.

Curiosa pela delicadeza da carta, abri assim que vi que havia mesmo meu nome no cantinho.

Querida Amélia,

como pode ver essa carta é diferente das outras, mas não se engane... isso não é uma carta de amor, infelizmente.

Mas sim, um convite, para reviver seu passado, viver toda aquela juventude que passou em 2008 e reencontrar pessoas queridas que com o tempo você perdeu o contato e que às vezes se pergunta o que aconteceu com elas.

Então a turma do último ano escolar de 2008 te convida para um encontro, e nada melhor como nosso lugar favorito em que passamos a formatura, Canadá.

Montreal foi o palco em que vidas incríveis se separaram para seguir sua jornada pela vida adulta.

Esperamos você, com todo carinho

Da sua líder de turma, Carol.

— UM REENCONTRO? – Gritou animada.

— Bom, parece que sim. – Engoli aquele café de uma vez.

— E VOCÊ NÃO ESTÁ ANSIOSA?

— Janice, eu não sei se devia estar.

— Como assim? Você vai ver várias pessoas que dividiram memórias da sua juventude com você.

— Por isso mesmo, se passaram 10 anos. Eu não me lembro de muita gente, não quero ficar com cara de pomba na frente de pessoas que estarão se abraçando muito felizes com o fato de reencontrar sua melhor amiga do colegial ou aquele garoto que era apaixonada por anos, e coisas assim. Não há ninguém assim que eu irei encontrar e que vai querer me encontrar.

— Você não tinha amigos?

— Claro que eu tinha, mas são pessoas que eu sabia que eu não iria manter contato, pessoas que acabaram não sendo tão importantes.

— Eu ainda acho que você deveria ir. Vai ser legal e irão ser dias agitados...

— Sim, ela mandou outra carta falando dos eventos surpresas que planejou no decorrer dos dias.

— Quanto tempo?

— Acho que vamos passar um mês.

— Vai Mia! Você está tão estressada com o trabalho, você merece essas férias. E se não gostar, pode dar alguma desculpa para voltar mais cedo.

A olhei pensativa, realmente eu estava cansada naqueles dias. O trabalho estava me dominando dia e noite, minha rotina estava sendo tão monótona que eu nem precisava mais de alarme e relógio. O que será que a Amélia de 17 anos diria da pessoa que me tornei agora?

— Você só está me dizendo isso para deixar o apartamento apenas para você, não é?

— Isso é um sim?

— Está bem, eu vou. Mas não quero pessoas estranhas perto do meu quarto, inclusive é melhor nem você entrar. Fique no seu quarto! – Apontei para o corredor – Ah, por favor Janice. Não faça na cozinha e nem na sala...

Ela pareceu pensar e fez uma cara triste.

— Janice?

— Okay okay.

...

Havia uns três minutos que eu estava olhando para o Johnny e ele para mim.

— Então... Quem começa? – Perguntei ainda sentada no sofá e ele em cima da mesinha de centro.

Eles apenas bocejou e pulou.

— Okay, entendi. Você não sentirá minha falta, tudo bem. – Peguei meu casaco e minhas malas.

— VAMOS MIA!

— Já estou indo Janice!

Virei para o gato novamente.

— Olha, se comporte. Eu volto em alguns dias... Por favor, deixe a casa inteira até eu voltar.

Ele acabou caminhando até minha pessoa e de repente ficou manso se esfregando na minha perna.

— Bom garoto. Prometo que eu trago alguma lembrancinha. – O beijei perto da orelha – Queria poder te levar, já imagino o tédio que vai ser sem você e a Janice...

...

Avistei a neve do inverno cobrindo toda aquela cidade na qual eu estava morando por anos, e pela primeira vez percebi que eu nunca havia a chamado de lar.

E pela primeira vez percebi que ainda terá muitos momentos pela frente, sorri um pouco mais animada olhando pela janela do avião...

Talvez eu realmente merecesse umas férias.

Até logo Itália.

Notas finais
Estou pensando em soltar o próximo capítulo hoje mesmo... O que acham do enredo da história? Kisses!