Como é o mundo? Que tipo de coisas acontecem nele? Como as pessoas se divertem? Essas eram perguntas que sempre se passavam na cabeça de Desmond Miles, um garoto de 13 anos que teve de viver trancafiado em uma fazenda no interior dos Estados Unidos. Ele podia ver outras crianças como ele se divertindo ao longe, enquanto crescia. Seus pais adotivos eram super-protetores. Diziam que ele seria pego se fosse embora. Mas uma pergunta lhe veio á mente. Quem seriam tais pessoas e por quê fariam isso? Jamais fizera nada na vida a não ser observar os anos se passando, em um tédio e solidão extremos. Desmond se sentia um prisioneiro, pois só tinha direito de comer, dormir, e de vez em quando brincar com alguns bonequinhos de madeira. Ele se levantou para um novo dia.

A rotina era sempre a mesma. Comer alguns cereais e legumes, no café, no almoço e no jantar. Seus pais eram hippies, e carne não era permitida. Ele se sentou no quintal, e ficou observando os filhos de um fazendeiro vizinho brincando, uns correndo atrás dos outros. Sempre que se aproximavam, os pais o levavam para dentro. Mas por falta de suprimentos, haviam saído para a cidade. Desmond se aproximou da cerca e olhou mais de perto. Não perceberam sua presença por algum tempo. Usavam uma bola e a chutavam de um lado para o outro. Passaram-se mais ou menos meia hora, até um deles arremessa-la longe demais. O objeto se aproximou da cerca, deixando Desmond curioso. Era uma bola formada por vários hexágonos, alternando entre preto e branco. Um garotinho, com mais ou menos 5 anos á menos que o pequeno assassino, veio para buscá-la. A principio, não notou a presença de Desmond, mas quando apanhou a bola, avistou-o.

-Oi!-gritou ele acenando- Quer vir jogar com agente?

-O-oi- respondeu Desmond. Desenvolvera uma certa timidez por não conversar com outras pessoas além dos pais.-Eu não posso. Meus pais não me deixam sair...

-Você pode pular a cerca. Qual o seu nome? Meu nome é Matt.

-Prazer em conhece-lo, Matt. Eu sou Desmond- ele não sabia a diferença entre falar formalmente e casualmente, arrancando algumas risadinhas dos outros meninos que se aproximavam. Ele pensou um pouco no que os pais diriam se ele saísse, mas se não soubessem, não teria problemas. Afinal, não era muito longe-Eu já vou indo!

Ele escalou a cerca como se não fosse nada. Sua velocidade e destreza eram incríveis, mesmo nunca tendo feito nada parecido antes. Desmond ficou confuso com a surpresa dos outros meninos.

-Ele vai ficar no meu time. Ele é rápido e deve ser um bom atacante- disse um garoto, quase da mesma idade de Desmond, porém, com uma boa massa muscular.

-Não vale, eu conheci ele primeiro- choramingou Matt.

Ficaram discutindo por uns instantes, mas foram interrompidos.

-Como... se joga isso?-perguntou Desmond. Os garotos olharam para ele, duvidosos- Me desculpem... nunca brinquei com desse jeito.

Eles o ensinaram todas as regras, alguns passes e posições dos jogadores. Pela primeira vez, o garoto que viveu trancafiado numa fazenda, estava fazendo amigos. Realmente se destacará entre os outros meninos. Quando estavam prestes á fazer um gol, teve uma dor de cabeça repentina. As cores da paisagem pareciam mudar, todas passando para uma cor azul-escuro, como pontos que deviam ser ignorados. Ele se voltou para os outros garotos. Alguns tinham uma coloração azul vivo, e outros estavam brilhando em vermelho. Em seguida tropeçou e caiu.Os Amigos se aproximaram, sua visão voltando ao normal.

-O que aconteceu? Você tropeçou sozinho!-alguns riram e o ajudaram á se levantar.

-Eu vi coisas estranhas. Tudo mudou de cor.Eu vi tudo escuro, e vocês brilhavam-disse Desmond, com a mão na cabeça- Isso é normal, certo?

Os garotos negaram, assustados. Sabiam que quando acontecia isso com alguém, é por que ficara muito tempo no sol. Levaram-no para casa do fazendeiro, com a intenção de lhe dar um copo d’água. Mas eles estavam errados. Desmond estava começando a se sentir diferente dos outros, e um mal-pressentimento lhe veio á cabeça. A verdade por trás deste fenômeno só lhe seria mostrada 13 anos futuro. Mas até este momento, já teria se esquecido.