Notas iniciais
prompt: tom e abraxas pós primeira vez?

“Tom?” Abraxas sussurrou, sua voz quase inaudível. “Você dormiu?”

O jovem esperou alguma resposta do amigo, algum indicativo que ele ouvira a pergunta, mas nada veio. Abraxas apurou os ouvidos, tentando distinguir o padrão da respiração de Tom e descobrir se ele adormecera de fato. Temia até mesmo se movimentar na cama e acordar o outro, por isso permanecia impassível.

“Não.” A resposta de Tom veio após um longo momento, sobressaltando Abraxas

“Ah, bom!” Ele comentou simplesmente. O jovem beliscou o próprio braço diante de sua resposta idiota. “Você… Está com frio? Posso pegar uma coberta, se quiser.” Abraxas tentou novamente.

Ainda que fosse uma noite de verão, uma brisa suave adentrava pela sacada que Abraxas esquecera de fechar, e os dois jovens estavam cobertos apenas por um fino lençol.

“Não, estou bem,” Tom disse, e o outro pode sentir seu dar de ombros movimentando a cama. “A não ser, é claro, que você esteja com frio.”

“Eu? Não, eu não.” Abraxas respondeu rapidamente, engolindo em seco.

Mais um longo momento de silêncio se seguiu. O jovem moveu o pescoço, olhando ao redor e notando pela primeira vez que o quarto se encontrava praticamente imerso na escuridão, ainda que a luz da lua fizesse seu melhor iluminar os garotos à cama.

Abraxas agradeceu mentalmente à escuridão, já que essa impedia que Tom o visse corar cada vez que pensava no que haviam feito.

Obviamente que essa não fora a primeira vez de Abraxas Malfoy. Ele fora iniciado em sua vida sexual cedo, fora desejado cedo, desejara cedo… Mas nunca como ele desejou Tom. Nunca sentira por ninguém o que o outro lhe fazia sentir. Admiração, necessidade, lealdade.

Talvez amor.

Definitivamente amor.

“Você está calado.” Tom comentou de repente, e Abraxas sentiu o outro se virar na cama para lhe encarar. Lambeu os lábios, mantendo seus olhos fixos no teto decorado, seus dedos se enrolando no lençol de linho que ele oferecera para trocar momentos antes.

“Eu estou sonolento…” Abraxas comentou, se forçando a dar um sorriso enquanto observava Tom pelo canto dos olhos.

O jovem não podia ler sua expressão, mas a pífia luz lunar foi suficiente para notar como os cabelos de Tom, normalmente tão bem arrumados, lhe caiam suavemente pela fronte. Como sua pele parecia brilhar mais pálida do que nunca.

“Você está olhando o teto, praticamente sem piscar, já faz uns 10 minutos. Isso não é sono.” Tom replicou, sua voz séria.

“Ah? Ah, sim. Hum, bom, é.” Abraxas gaguejou, tentando encontrar palavras para fugir daquela situação. Para falar sobre seus sentimentos. Para não falar sobre seus sentimentos.

Nada veio.

Abraxas Malfoy não conseguia trabalhar — não conseguia pensar — sobre pressão. E Tom Riddle era muito bom em pressionar pessoas.

“Esqueça,” Tom continuou, passando um braço ao redor de Abraxas, que pode sentir a risada do outro reverberar suavemente em seu peito. “Se está com sono, vamos dormir.” Ele completou, fechando seus olhos.

Abraxas não se atreveu mudar de posição, temendo que Tom pudesse se afastar. Pudesse ir embora.

“Vamos.” Falou suavemente, um sorriso se abrindo em seu rosto contra sua vontade.