amor o suficiente para nós dois
3 Capítulo 3
Notas iniciais
“Tom, pelo amor de Deus, homem, entre na casa!” eu digo, abrindo mais a porta. Tom está parado na entrada, as costas muito retas, suas mãos em punhos. “É só um passinho. Venha, garoto!”
“Não fale como se eu fosse um cachorro.” Ele responde, finalmente entrando, sua boca pressionada em uma linha fina. Eu rio, minha voz mais alta do que havia planejado ecoando pela sala vazia.
“Você já foi na minha casa diversas vezes antes, não entendo o porque da timidez repentina.” Comento, fechando a porta atrás de nós. Tom resmunga algo, suas costas viradas para mim. “Desculpe, não entendi.”
“Aquilo era diferente. Era sua casa, e não nossa casa.” Ele repete, ainda sem me olhar. Eu sinto o rosto esquentar. Suas palavras eram verdadeiras mas, por alguma razão, eu me senti embaraçado. Talvez fosse assim que ele estivesse se sentindo momentos antes.
“Bom, ainda não é nossa casa. Quero dizer,” Eu completo rapidamente quando Tom se vira com olhos arregalados. “Legalmente, é nossa. Apenas que precisamos mobiliar e viver aqui para tornar ela realmente nossa.”
Dessa vez, Tom é quem ri. Ele olha em volta, para as paredes amarelas iluminadas pela luz que entrava através das janelas.
“É meio assustador,” Ele murmura de repente, uma mão na nuca enquanto seus olhos encaram o chão. “Estar aqui, com você. Sinto como se… Estivesse olhando um abismo onde vou me jogar.”
Eu me aproximo, meus dedos estirados para tocar seu rosto.
“Eu esperava palavras mais bonitas, sabe. Tipo ‘eu vou transformar esse lugar no nosso lar’ ou algo assim.” Eu o abraço, recostando meu rosto em seu ombro. Posso sentir as vibrações em seu peito quando Tom mais uma vez ri.
“Você sabe que eu não sou do tipo que fala isso,” Tom fala, e eu suspiro. Claro que eu sei. E eu o amava por isso, também. “Mas eu vou fazer o possível para… Que você nunca fique sozinho. Aqui ou onde quer que esteja.” Ele completa. Sinto um aperto no peito e minha visão fica turva por causa de lágrimas repentinas.
“Muito injusto, me pegar desprevenido.” Eu sussurro, escondendo o rosto em seu pescoço. Ele ri outra vez, e um pensamento me ocorre enquanto levanto o rosto para beijá-lo.
Nossa casa vai ser sempre cheia de riso.
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