amor o suficiente para nós dois
4 Capítulo 4
Notas iniciais
1. “Você precisa se lembrar do seu lugar, Tom. Você é só um sangue-ruim, que não tem o direito de me dizer o que eu posso ou não fazer.” Você grita um dia, durante uma discussão particularmente violenta, sua testa sangrando porque ele jogou um livro na sua direção momentos antes. Vocês tem uma relação estranha, próxima demais para serem considerados apenas amigos; pelo menos, é isso o que todos dizem. O que as pessoas dizem não importa. Você nunca quis ser amigo dele, para começar. Você sempre quis ser dele. Mas ele parece ter outros planos — que incluem você, sempre incluem você, mas não da forma que você deseja. E isso lhe enfurece. Porque ele sabe que você não pode viver sem ele, sem suas ideias, sem sua direção. E por saber disso, ele lhe usa como a um peão — só que você, você ainda tem sentimentos. Por mais que ele finja que você não passa de um objeto inanimado.
2. “Tom, por favor, já chega.” Fazem dois meses que ele não fala com você. Suas tentativas de pedidos de desculpas foram ignoradas; seus presentes foram jogados fora; você foi considerado insuficiente. E é tudo sua própria culpa. Você sabe, é claro que sempre soube, que ele é demais para você — para qualquer pessoa, na realidade. Ele brilha de uma forma inumana (desumana) e seu trabalho, seu único trabalho, era admirá-lo e garantir que sua luz nunca se apagasse. Mas você, por outro lado, sempre foi apenas humano, e é claro que desejou mais do que tudo ter aquela luz para si, para fazer com ela o que você quisesse… Mesmo que fosse apagá-la, para que ninguém, nunca, soubesse o quão bonita ela é. Talvez, você se pega pensando numa noite, talvez ainda dê tempo de fazer isso.
3. “Eu faço tudo por você, Tom. Não importa o que seja.” Você tem a sensação que tudo pelo que passou (a dor, o medo, a solidão), tudo foi orquestrado por ele; pra lhe lembrar qual era o seu lugar. Você é o Comandante, mas ainda assim está sob a autoridade dele. Seu exército, suas táticas, tudo, tudo vem das mãos dele e vai para as mãos dele. Seu trabalho não é liderar; seu trabalho é acreditar na liderança e nos ideais daquela pessoa. E mesmo quando essa liderança falhar, é seu dever garantir que ele saia ileso. Porque aquela luz, aquela luz que lhe impressionou tanto — impressiona tanto — não poderia se extinguir nunca. Mesmo que, para garantir isso, você precise sofrer. Sua dor não é nada se significar que, no fim, ele vence.
4. Para falar a verdade, você nunca soube o que ele deseja vencer. Qual é a guerra que ele trava tão diligentemente. Mas isso, também, nunca lhe importou. “O que você quiser,Tom. O que você quiser, eu vou conseguir.”
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