Zurezurê

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Gostaria de agradecer à Misty por me incentivar, animar e acima de tudo amar essa história muito mais do que deveria ser permitido à alguém. Neste capítulo temos Ebisu, Malik e mais pudim!

Lição 7: Quando magos lutam, as coisas

tendem a ficar complicadas!

Las Noches é o estabelecimento mais conceituado de toda a Cidade Mágica. Seu estilo único é uma mistura de restaurante com boate, o que atrai magos e djinns vindos de todas as partes. A mescla de boa culinária com doses de diversão é o que concede a esse lugar um quê de especial. Ele possui dois andares. No primeiro fica o restaurante, um lugar regado ao som de violinos com mesas rústicas de madeira espalhadas por todo o salão, o seu telhado é feito inteiramente de vidro. No segundo andar está a boate, um lugar escuro, iluminado por globos de luz multicolorida. Apesar da escada de acesso levar ao segundo andar do restaurante, os dois lugares estão muito distantes um do outro e são interligados apenas por uma passagem mágica, que faz parecer que estão perto, quando na verdade não estão. É nesse andar que a diversão começa.

Mas nesta noite em especial, a diversão começaria no primeiro andar...

— Ebisu, o que foi? — Watanuki a chamou, surpreso com a sua reação.

Ela mais uma vez o ignorou, para ele, estava novamente no mundo da lua. O Mago dos Ventos não sabia, mas ela havia achado o seu alvo. Diante de seus olhos estava Malik, sentado com os seus companheiros em uma das mesas no centro do salão. Seu coração estava acelerado. O ódio em seu interior clamava por sangue. Ebisu não podia mais esperar, então partiu correndo em direção ao seu inimigo, com o chão de granito estalando sob os seus pés.

Sentado a mesa, Malik conversava com os seus amigos, alheio ao ataque que vinha em sua direção. No momento ele estava rindo de algo que Dexter havia dito. Com a velocidade de um predador, Ebisu surgiu ao seu lado, balançando o bastão violentamente. Foi quando ele percebeu, mas já era tarde demais. Um som engasgado de carne sendo esmagada ecoou e um esguicho de sangue caiu sobre a mesa, tingindo a toalha branca de vermelho. Os membros da família se levantaram bruscamente, cada um segurando a sua faca e o seu garfo, e empurrando suas cadeiras para trás. Uma mescla de espanto e horror estava estampado em seus rostos.

Malik havia sido atingido! Ebisu foi efetiva em acertar o Rei Vermelho, porém, quando o bastão estava prestes a tocar a sua cabeça, ele o bloqueou com o antebraço esquerdo. O preço disto foi a inutilização do seu braço. O objeto o acertou em cheio, o osso torceu para dentro, até que se rompeu, a sua ponta rasgou a carne do braço e o tecido da sua roupa. Malik sufocou o próprio grito de dor. Seu braço ardia, como se estivesse sendo queimado por magia, mas nem mesmo um som de dor foi solto. Ele não daria este prazer ao seu agressor.

Mesmo com o braço quebrado, ele o forçou na direção oposta, o que fez Ebisu recuar, saltando alguns metros para trás. Neste momento todos já haviam processado o que ocorreu, e seus olhos estavam postos sobre Ebisu. Aquilo foi um tanto chocante. Eles não viam aquela garota fazia três anos, e agora ela surgiu do nada e quase acabou matando o seu líder. Aquilo era algo inadmissível!

Todos naquele restaurante olhavam horrorizados, embora alguns djinns observassem com uma espécie de satisfação.

— Malik! Você está bem? — Juri perguntou, desviando o olhar de Ebisu.

— Eu estou bem, não se preocupe.

— Ótimo. — Ela voltou o seu olhar para a garota. — Então deixe que eu a mate para você.

O sangue que escorria do braço fraturado começava a gotejar sobre o chão.

— Isso não será necessário — Malik disse ao segurar o braço com a destra e torcê-lo, fazendo o osso entrar. Aquilo gerou uma dor descomunal, mas a única coisa que fez, foi contorcer um pouco o rosto, devido a dor que sentia. — Eu estou em perfeitas condições.

— Esqueça, Malik — interveio Shinji. — Você não pode mais usar magia com esse braço.

— Um braço será mais do que o suficiente para me proteger — Malik proferiu ao olhar fixamente para Ebisu.

A garota o encarava com um olhar de ódio, o mesmo que havia lançado a ele três anos atrás. Em meio a isso, um sorriso sádico fora disparado, exibindo sua satisfação por tê-lo machucado. Entretanto, uma certa preocupação começava a assombrá-la. Ebisu bem sabia que havia agido impulsivamente, e agora teria que lidar com isso. Não seria tão difícil derrotar Malik naquele estado, mas se os outros intervissem, as coisas se complicariam. Ela não tinha medo de morrer, mas se isso acontecesse antes de matar Malik, nunca conseguiria cumprir a promessa que fez a si mesma.

— Inacreditável... — Watanuki falou de onde estava, sem acreditar direito no que havia presenciado. — Essa garota é maluca! Me arrependo de ter dito que a protegeria... — findou coçando a cabeça.

— Faz tanto tempo, não é? — Malik perguntou a Ebisu, enquanto tirava o seu casaco e o jogava sobre a mesa.

— Sim, faz tempo desde que você fugiu, deixando tudo para trás, covarde! — Todas as palavras de Ebisu estavam repletas de escárnio.

— Ora, vejo que ainda está brava. Ainda não me perdoou pelo que tive que fazer com o seu namorado?

— Eu nunca o perdoarei, seu monte de lixo podre! — furiosa, ela gritou.

— Você não passa de uma ignorante. Se soubesse o que estava acontecendo, não teria esse pensamento até hoje.

— Deixe de falar besteiras. Por que tinha tanto medo dele? Era só pelo fato dele ser o Rei Branco? Ou você o odiava por ele ser humano? O único humano que vivia nesta maldita cidade, você fez questão de eliminar, se nem ao menos se importar com o que ele valia e representava para as outras pessoas! Por causa do seu egoísmo ele foi morto, Malik. Por isso eu nunca o perdoarei! Na Noite do Massacre ele foi levado de mim! E agora, eu o levarei!

— Irritante! — Hanako vociferou do lugar onde estava. — Faz três anos e você ainda está se lamentando por causa daquele fracassado? Não me faça rir. Arranje um namoradinho novo e pare de encher o nosso saco!

— Cale a boca, vadia maldita. Não está na hora de você pegar alguma doença de algum mago com o qual vai se deitar? — Ebisu proferiu a encarando.

— Desgraçada, eu vou te mostrar! — Hanako saltou por cima da mesa e investiu contra ela.

Ebisu viu perfeitamente quando a mão de sua oponente avançou contra o seu rosto, então girou para a esquerda, assim desviando-se do golpe e desferiu um chute em direção ao estômago de Hanako. O ataque a atingiu em cheio, fazendo com que a garota cuspisse saliva misturada com sangue. Para completar, Ebisu a segurou pelo pescoço com a mão direita, e como uma espécie de alavanca, a jogou sobre a mesa que estava do outro lado, que se partiu com o tremendo impacto. Hanako ficou caída, gemendo de dor, enquanto Ebisu se recompunha e voltava a sua atenção para Malik.

Nesta etapa, a maioria dos clientes do primeiro andar começavam a sair do restaurante, somente alguns poucos haviam ficado. A maioria deles djinns, que presenciavam o espetáculo com prazer.

— Hanako, você está bem? — Dexter perguntou.

Após alguns segundos ela se levantou, com a mão sobre as costelas esquerdas.

Asuka apenas suspirou.

— Claro, mas as minhas costelas já eram — Hanako explicou. — Eu cai de mau jeito.

— Me parece que foi arremessada — Dex respondeu de modo debochado.

— Cale-se!

— Escute, garota... — Malik começou a dizer.

— Vamos dar o fora! — Watanuki surgiu repentinamente com energia mágica brilhando em suas mãos.

Ele abaixou-se e disparou lufadas de ar, que atingiram as pernas de todos os magos da família, assim os deixando no chão. Em seguida segurou Ebisu pela mão e correu com ela em direção a uma das grandes janelas de vidro.

— O que está fazendo? — ela perguntou, irritada.

— O que eu disse que faria, te protegendo.

— Eu não preciso de proteção! Eu vou acabar com ele!

— Não me faça rir! — Eles estavam próximos da janela. — Você não pode derrotá-lo em um local fechado. É suicido enfrentá-lo aqui! Lembre-se da magia dele.

Watanuki estava se preparando para quebrar o vidro, quando a janela fora bloqueada por uma parede de areia.

— Droga... — o garoto de cabelos azuis resmungou.

Watanuki olhou ao redor, todas as saídas haviam sido bloqueadas, inclusive as escadas que davam acesso ao segundo andar. Não havia mais como sair de lá. A situação havia ficado do jeito que estava tentando evitar que ficasse. Desta forma estava mais difícil de fugir, o que significava que seria inevitável ter que enfrentá-los. Ele poderia tentar romper o bloqueio, mas sabe-se lá o que poderia acontecer.

— Ótimo! — Ebisu desvencilhou-se de Watanuki. — Agora estamos presos e no mesmo ponto que estávamos antes. Grande ajuda! Dá próxima vez não se meta, Watanuki! Eu já poderia tê-lo matado! — Ela andava em direção à Malik e aos outros.

Após um longo suspiro Watanuki falou:

— Eu vou ajudá-la, se não há outra forma.

— Não seja ridículo, você não tem nada a ver com isso!

— Eu disse que a protegeria, e farei isso, mesmo se eu tiver que ir contra o Rei Vermelho, além do mais, eu tenho vantagem sobre ele. Quer realmente descartar a pessoa que pode ajudá-la a matá-lo? Você é tão orgulhosa e irracional assim?

Ebisu não disse mais nem uma palavra, apenas moveu lentamente a cabeça para cima e para baixo, o que fez Watanuki entender que ela queria a sua ajuda. Então ele chegou ao seu lado e a acompanhou no caminho em direção aos seus oponentes, que já estavam em pé.

Shinji estava mais irritado que os outros, mas resolveu não interferir, sabia que essa batalha não era dele. Asuka e os outros fizeram o mesmo. Juri estava tremendo e exibindo um sorriso sádico, seu ódio por Ebisu era devastador.

— Vejo que resolveram voltar — observou Malik.

— Eu disse para não destruírem o lugar — comentou Asuka. Hanako se apoiava nela. — E é exatamente o que farão! Bem, se não se importam, eu estou indo, preciso cuidar dessa desastrada — Asuka cutucou a costela da irmã com o cotovelo, o que a fez gemer de dor. — Isso é para você aprender a não ser impulsiva.

Com o indicador, Asuka apontou para trás por sobre o ombro. Uma espécie de fumaça vermelha saiu de seu dedo, e aos poucos foi tomando forma, até que se tornou uma porta, que quando se abriu, mostrou que através dela estava a mansão de Malik. As duas passaram pelo objeto, que ao se fechar, se tornou fumaça e desapareceu em pleno ar.

— Precisamos conversar — disse Malik.

— Não há o que dizer — respondeu Ebisu. — Vamos acabar logo com isso. Nada do que você disser mudará alguma coisa!

— E se eu te contar a verdade e os meus motivos?

— Eles não me interessam!

— Aquele humano não era tão comum!

— Cale a boca!

— Você não o conhecia!

— Eu o conhecia melhor do que você! Pare de tentar sujar a imagem dele!

Novamente Ebisu investiu contra Malik, mas desta vez ele estava preparado. Usando a sua magia ele criou uma parede de areia entre eles, que bloqueou o bastão da garota. Em seguida o bloqueio começou a mover-se. Quando ela se deu por conta, já estava presa com ele dentro de uma esfera de areia.

Shinji, Juri e Dexter se afastaram e sentaram-se em uma mesa que havia ali perto. Caso as coisas ficassem perigosas, eles interviriam.

— Agora vamos conversar — declarou Malik.

— Pare de tentar me enganar, droga!

Antes que algo mais fosse dito, a esfera fora alvejada por projéteis de ar comprimido, o que fez com que a estrutura se desfizesse. Ebisu recuou, ficando ao lado do seu novo amigo.

— Eu não o perdoarei por tentar sujar o nome dele!

Ebisu avançou mais uma vez e Malik ergueu mais uma parede de areia, só que dessa vez Watanuki lançou uma lufada de ar que atingiu o bloqueio e o desfez. Ebisu saltou e desferiu um chute em direção ao seu oponente, passando pela parede que se desfazia. O Rei Vermelho, surpreso, bloqueou com o antebraço direito. Ebisu o usou como apoio e saltou por cima dele. Ao aterrissar, agachou-se, girou e desferiu um ataque com o bastão na altura do seu joelho, com a intenção de quebrá-lo; porém Malik foi mais rápido e saltou, caindo com maestria sobre uma das mesas do restaurante.

— Eu desejo apenas falar com ela — Malik disse ao olhar para Watanuki. — Não preciso de você.

Malik apontou a mão aberta em direção ao garoto. Um grande disparo de areia foi feito. Mesmo tendo vantagem contra a areia, essa quantidade era demais para que Watanuki pudesse anular, então ele acabou sendo levando pela onda, que avançou com fúria até a parede, que foi destruída com o impacto. Um leve tremor pôde ser sentido pelos magos que ali estavam.

— Watanuki! — Ebisu gritou, mas não recebeu resposta alguma.

— Ele durou menos que esse pudim — Dexter comentou. Ele, Shinji e Juri estavam comendo pudim, na mesa onde se encontravam.

Ebisu sentia vontade de matar Malik naquele exato momento, porém sentiu que deveria ir atrás de Watanuki, afinal, ele havia entrado naquela batalha por sua causa. Ela não conseguia entender o motivo dele tê-la ajudado, mas sentia-se grata. Mas quando ela foi correr, sentiu um enorme peso, e quando olhou para baixo, surpreendeu-se ao ver que os pés estavam cobertos de areia.

— Você não sairá dai — Malik afirmou, ao se aproximar dela. — E agora eu lhe contarei os meus motivos.

Ebisu estava furiosa, mas decidiu ouvi-lo. Ela entendeu que Malik não lhe queria fazer mal, mas sim, apenas lhe contar a sua versão da história. Talvez essa fosse a melhor forma para ela se manter viva. De qualquer forma, quando tivesse uma brecha, ela atacaria com tudo que tinha.

— Anda logo, então! — ela vociferou.

— Pois bem, — Malik começou — não deve ser do seu entendimento, mas existem pessoas se movendo pelas sombras dessa cidade. Não sei bem o que desejam, mas querem mudanças. Elas querem uma revolução! Eu como Rei Vermelho, devo me preocupar com isso, não acha? E foi o que fiz. Me preocupei e fui investigar.

— E onde o Kin entra nisso tudo? Está tentando me dizer que ele era uma dessas pessoas?!

— O quê? Não, de forma alguma. Quando disse que não o conhecia e nem sabia quem ele era, estava me referindo que como o único humano e Rei Branco, ele tinha muito poder e status nessa cidade. Ele poderia gerar uma revolução sozinho. Claro que haviam muitas pessoas de olho nele. Ele só não foi morto antes, porque os Mage Hunter disseram que levariam para a Forgotten Souls qualquer um que tentasse feri-lo. Mas claro que isso não impediu algumas pessoas.

— Como você, por exemplo! — Ela estava se segurando para não atacá-lo.

Malik ignorou o comentário e prosseguiu.

— Desse modo o Rei Branco se tornou uma arma em potencial, que poderia ser usado para o bem ou para o mal. Eu só queria proteger as pessoas que eram importantes para mim, então o Massacre teve que iniciar. E o verdadeiro motivo dele ter morrido foi porque...

Um estrondo vindo do alto interrompeu Malik. Uma lança de vento arrebentou o teto, desceu com fúria e destruiu o chão do segundo andar, avançou até que atingiu o chão entre Malik e Ebisu. Lufadas de ar foram lançadas para todos os lados, o que os derrubou. A garota agora estava livre. Watanuki surgiu ao seu lado e a pegou no colo.

— Watanuki! — ela falou surpresa.

— Por que essa cara de espanto? Pensou que eu estava morto? Vamos dar o fora daqui.

Uma rajada de ar fora lançada sob os pés de Watanuki, o que o lançou para cima. Eles passaram em grande velocidade pelo buraco que fora aberto no teto. Malik pensou em atacá-los, mas seria um desperdício. Aquilo não resolveria nada, e tinha a total convicção de que aquela não fora a última vez que vira Ebisu.

— Desgraçados...! — Malik falou irritado. — Vocês acabaram com todo o pudim!

Notas finais
Como Ebisu e Malik reagirão após esse encontro? Isso e muito mais nos próximos capítulos de Zurezurê! PS: Identifiquei que a história esta tendo diversos acessos, se você está lendo, por favor, deixe um review, ele é muito importante, mas caso tenha vergonha de opinar de forma explicita, me mande uma mensagem dizendo o que achou. Isso vai me fazer muito feliz e deixar ainda mais motivado. Até a próxima!