Zurezurê

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Curiosidade: Até esse momento eu não sabia bem qual magia dar ao Malik.

Lição 6: Pudim é uma delícia!

Isso é tudo que precisa saber.

Malik e Juri desciam as escadas que levavam à sala de estar, onde todos estavam reunidos. Um silêncio infernal se fazia entre eles. “Isto foi um erro. Não devemos mais tocar no assunto”, fora o que dissera e ela concordou. Shinji e Asuka estavam lá embaixo, acompanhados de um garoto que usava óculos, e uma garota de cabelo negro. Ele se chamava Dexter, era um mago habilidoso e grande amigo de Malik. Ele tinha os cabelos curtos e castanhos, olhos negros e pele clara. Vestia um terno negro com camisa branca. Hanako era a irmã mais nova de Asuka, uma bela jovem que tinha a pele tão alva quanto a da irmã e os cabelos tão negros quanto os dela. Ela vestia uma calça negra apertada, regata branca e uma bota marrom de cano curto.

Ambos são membros principais da família. Agora todos estavam juntos, todos o seis se reuniriam novamente.

— Ei, Dex! — Malik o chamou da escada, acenando.

— Olha só quem está ai. Como estavam as férias?

— Férias? É assim que você chama o meu afastamento? — Malik perguntou enfiando a mão nos bolsos.

— Dexter, rude como um gorila! — Hanako proferiu desdenhosamente.

— Você é a única que parece uma gorila raivosa, Hanako. Problemática como sempre. É demais pedir para ser como a sua irmã? — Dexter esboçou um sorriso cínico.

— Ei, cale a boca, monte de lixo! — ela falou o ignorando com os olhos.

Malik apenas sorriu para os seus amigos.

— Vocês não mudaram nada — foi o que disse.

— Não — Juri afirmou. — Nem um pouco. É a mesma coisa todos os dias. Só não me matei por que estava esperando você voltar.

— Você não poderia apenas ignorar?

— Não, é definitivamente impossível. — Juri não demonstrava expressão alguma.

— Ei, Malik. — Foi Shinji que o chamou. — Eu estava dizendo a eles onde iriamos. Todos gostaram da ideia.

— Oh, é mesmo? Fico feliz. Vamos nos divertir.

— E onde iremos? — Juri perguntou.

— Ao Las Noches — Malik respondeu.

— Hm, eu nunca fui lá. Não tinha idade naquela época, e depois perdi o interesse, mas hoje é diferente.

— Vocês parecem estar bem energéticos — Asuka comentou. — Por favor, não destruam tudo... como da última vez. — Seu olhar recaiu sobre Shinji.

— Ei! Pare de me olhar assim! Foi culpa do Malik que me desafiou a beber mais do que ele.

Asuka soltou um longo suspiro.

— Vocês farão tudo de novo, eu sei que farão. Só não machuquem ninguém, não quero que nenhum de vocês vá parar na Forgotten Souls.

— Não seremos tão radicais — Malik afirmou.

— Vocês sempre são radicais em excesso — Hanako interveio. — Isso que torna as coisas divertidas.

— Menos para aqueles que sofrem as consequências — Dexter observou.

— Pois, é... ainda bem que nós nunca somos essas pessoas. — Hanako abriu um largo sorriso.

— É bom ver que todos estão empolgados — Malik falou. — Não quero cortar o ânimo de vocês, mas preciso ir a um lugar.

— Eu vou com você — Shinji proferiu.

— Certo. Vocês fiquem aqui. Nós já voltamos.

— Beeeeeeeeem, então eu farei um pudim — declarou Dexter.

— Excelente — Malik falou, enquanto ia em direção à porta.

Juri ainda estava com cara de sono. Mal havia passado das dez. Para ela, estar acordada nesse horário era um tremendo sacrifício.

— Vou dormir — disse isso e subiu as escadas.

— Ei, chefe! — Ebisu esboçava um olhar de ódio. — O que esse babaca está fazendo aqui? — Ela apontou para Watanuki, que estava sentado em uma das mesas do restaurante com uma cara de bobo sorridente.

— Ele disse que foi rude com você e que queria se desculpar, então pediu permissão para poder ajudá-la, e como hoje tem uma entrega complicada, deixei que fizesse isso.

— Você é o pior.

— Encare isso como a sua punição por ontem ter ido embora mais cedo. — A face da vingança estava estampada na cara daquele sujeito.

— Cruel. Muito cruel. — Ebisu olhou mais uma vez para Watanuki, ele continuava sorrindo.

Mesmo contra a sua vontade ele a ajudou durante o dia todo. Começava a escurecer, estava na hora de fazer a entrega. Eles levariam um pedido ao Las Noches. O dono do lugar havia pedido por uma razoável porção de um dos pratos que era especialidade do Chefe de Ebisu. A dupla saiu do restaurante, cada um levava uma grande mochila nas costas que estava recheada com o prato especial.

— Ei, Ebisu, você ficou sem falar comigo o dia todo. Eu já me desculpei, então...

— Você fez a coisa mais imperdoável! — Havia frieza em sua voz. — Ficou falando sobre coisas que não sabe.

— E você me contaria se eu perguntasse? — ele a fitou com os seus olhos azuis.

— É doloroso falar sobre essas coisas. Mas é mais doloroso ainda guardá-las.

Watanuki ficou em silêncio. Queria dizer algo, mas ficou com medo de apenas piorar as coisas. O silêncio permaneceu por alguns minutos, até que ela o rompeu.

— A maioria das pessoas pensam que eu vivo em outro mundo. O fato é que as vezes tenho alguns fleches de memória que me fazem lembrar dele. Eu estou sendo bem modesta, tudo me faz lembrar dele.

— Do humano, você diz?

— Sim. Todos superaram a sua morte. Mas eu não. Não posso perdoar as pessoas que fizeram aquilo com ele. É por isso que eu os matarei.

— Foi na noite do Massacre?

— Isso mesmo. Nessa noite meus sonhos, ideais e vida mudaram completamente. Foi a partir desse evento que me tornei uma assassina.

— Entendo. Esse cara deveria ser alguém bem especial. A maioria dos magos odeiam humanos, por causa da guerra e tudo mais, mas não a ele. Todos parecem gostar dele.

— Sim — Ebisu sorriu com a doce lembrança do seu amado. — Ele era muito especial. Seu nome era Kin, caso você não saiba. Aquele foi o garoto mais gentil que eu conheci. Ele era assim com todo mundo. Ajudava a todos sempre que podia, por isso todos gostavam dele. Aquele maluco resolvia todos os problemas da sua forma e com apenas um taco de basebol. Por isso evito usar magia, é por causa dele. Eu sigo o seu estilo de vida.

— Uau! Ele deveria ser uma pessoa incrível. E Isso explica a sua insistência em não usar magia.

— Sim, ele era incrível, Watanuki.

— Gostaria de tê-lo conhecido.

— Agora é tarde demais... — a amargura retornou à voz de Ebisu.

— Você fala em vingança. Mas quem planeja matar?

— Aquele que ordenou o Massacre, o Rei Vermelho, Malik! — Sua mandíbula estava enrijecida devido à fúria que sentia.

— Você está maluca?! — Espantado, Watanuki olhou para ela. — Planeja matar o Malik?

— Foi o que acabei de dizer.

— Você está fora de si, garota! Acha que tem chances de sobreviver contra ele?

— Eu não pretendo sobreviver... Eu farei um ataque suicida se for preciso. Ele pode até me matar, mas eu o levarei comigo.

— Você está realmente maluca. — O olhar de Watanuki era de desaprovação.

— Você já perdeu tudo que tinha na vida alguma vez? Pois eu sim. Ele era tudo para mim. As pessoas tendem a não me entender, mas eu não ligo. Eu sei o preço que o Kin teve que pagar para me proteger, eu pretendo vingá-lo. Apenas isso! DROGA! Aos poucos todos esqueceram dele e do que ele significava! Todos tem tanto medo daquele desgraçado que preferem deixar para lá, mas eu não. Eu vou até o fim. Nem que para isso tenha que pagar com a minha própria vida... Essa será a minha última prova de amor.

— Ebisu, eu consigo entendê-la de certa forma. Mas me diga, teria alguma forma de eu impedi-la?

— Eu o mataria se tentasse.

— Então só me resta protegê-la.

— E por que faria isso, Watanuki? — Ebisu lançou um olhar cético a ele.

— Eu não sei... — Seu olhar estava distante. — Apenas parece que é o certo a se fazer.

— É certo tentar proteger alguém que mal conhece? Você ainda acha que sou eu a maluca?

— Eu acho que é certo eu tentar proteger alguém que merece. Alguém que parece estar certa. Alguém que foi vítima de uma crueldade. Eu não quero só a proteger, não faço isso por você. Mas acho que o Kin gostaria disso. Ainda que eu não o conheça, quero fazer isso por ele, que fez tanto pela Cidade Mágica, como você disse.

— Este pudim está delicioso! — Malik declarou abismado, com o pensamento de que estava comendo algo que não pertencia àquele mundo.

Ele estava sentado a mesa junto com os outros, que não conseguiram responder nada por estarem com a boca cheia de pudim.

— Fico feliz que tenha gostado — disse Dexter sorrindo. — Apenas não coma muito, ou não conseguirá aproveitar o jantar no Las Noches.

— Fique tranquilo — interveio Shinji. — Nada nos impedirá de aproveitar ao máximo, nem mesmo esse pudim delicioso... Delicioso de verdade... Cara, está muito gostoso... — Ele iria elogiar mais um pouco, mas não conseguiu conter a vontade de encher a boca com mais pudim.

— Isso só pode ter algum tipo de droga — Hanako falou com a boca cheia do doce. — Você não presta, mas isso aqui sim!

— Será que isso foi um elogio? — Dexter indagou, mas ninguém respondeu. Todos estavam ocupados demais.

A noite caiu. Malik e o seu grupo andavam em direção ao Las Noches.

Todos os homens vestiam ternos semelhantes, compostos por camisa branca, calça e casaco preto. Para completar eles vestiam sapatos sociais. As mulheres vestiam-se de formas diferentes. Asuka usava um longo vestido preto tomara que caia, que possuía uma abertura na lateral, assim deixando parte da sua perna direita a mostra. Havia um generoso decote; este detalhe conseguiu prender a atenção de Dexter e Shinji por longos segundos. Seus cabelos estavam presos em um coque com uma longa agulha o atravessando.

Juri não se achava linda ou sexy como Asuka, então se contentava em ficar bonita, e apenas isso. Nesta noite ela vestia uma camiseta branca com mangas longas e amarelas, um short jeans curto e tênis multicoloridos. Seus cabelos continuavam presos da mesma forma. Enquanto isso, Hanako continuava com o mesmo estilo de roupa, uma regata branca, calças apertadas de um tipo de verde-escuro e botas marrons de cano curto. Ela não estava nem ai para a sua aparência naquela noite, queria estar confortável e apenas isto.

Todos os principais membros da família estavam ali. Eles andavam despreocupadamente, enquanto jogavam conversa fora. Pouco antes de chegarem ao Las Noches uma voz ecoou:

— Parados ai!

Aquele sujeito e os seus dezenove companheiros estavam bloqueando o caminho, confiantes, afinal estavam em vantagem, tinham mais de três vezes o número do outro grupo.

— Você não está me reconhecendo? — Malik perguntou ao se distanciar do seu grupo e se aproximava do outro.

— Claro que estou. É por isso que arrancarei a sua cabeça. Todos o temiam, mas então houve o Massacre e você sumiu por três longos anos. Não deve ser tão forte quanto as pessoas dizem. Agora me dê a sua cabeça para que eu possa me tornar o Rei Vermelho!

— Se você quer a minha cabeça, por que não traz os seus amiguinhos até aqui e a pega? — Malik proferiu desdenhosamente ao fechar os olhos e enterrar as mãos nos bolsos da calça.

— Sua confiança o enterrará, Malik! — o mago inimigo bradou ao avançar junto com o seu grupo contra o Rei Vermelho.

Malik permaneceu parado, quando todos estavam próximos os seus olhos se abriram. Um brilho verde ardia em suas orbes, enquanto refletia a imagem de todos aqueles homens. Em poucos segundos toda carne fora dilacerada, cabeças foram decepadas, ossos arrancados e crânios esmagados. Os gritos de dor e horror daquelas vítimas ecoaram com uma intensidade fantasmagórica. Quando aquele show de horrores cessou, o que restou foram litros e mais litros de sangue espalhados pelo chão e paredes, pedaços de ossos enroscados com pedaços de carne estavam largados aqui e ali. As entranhas de todos aqueles homens misturavam-se no chão e suas cabeças estavam desfiguradas e empaladas nas paredes por ossos de seus próprios corpos. Em alguns poucos instantes aquela rua que aparentava normalidade se tornou um corredor dos horrores.

Os outros membros da família presenciaram a cena com uma admiração ímpar. Fazia tempo que não viam Malik. A sua magia havia evoluído muito. O Rei vermelho, agora estava mais poderoso e cruel do que antes.

— Shinji — Malik falou. — Não se preocupe em limpar essa bagunça. Isto ficará de exemplo para aqueles que quiserem tentar me roubar o posto de Rei Vermelho. Esses magos de quinta aprenderão da pior maneira que eu retornei. — A sua face exibia uma mistura de sadismo e crueldade. Esta era a face do Rei Vermelho!

Cerca de trinta minutos depois, toda a família estava no Las Noches, sentados em uma das melhores mesas, aguardando enquanto os seus pedidos eram feitos. Foi nesse momento que Ebisu e Watanuki entraram pela porta da frente, trazendo consigo suas gigantescas mochilas.

— Por que tinha que ficar tão longe? — Ela reclamou.

— Vai saber. — Watanuki deu de ombros.

— Trouxemos a encomenda — Ebisu falou ao metre do lugar. — Ele disse que espera que isso seja de grande utilidade para o seu chefe.

Onde os magos estavam jantando, alguma coisa engraçada fora dita, o que fez todos gargalharem, assim rasgando o silêncio daquele lugar. Instantaneamente Ebisu olhou em direção ao barulho. Seus olhos se arregalaram ao notarem que lá estava sentado a mesa o mago de cabelos vermelhos. Aquele que ordenou o evento que tirou a vida do seu amado. O Rei Vermelho, Malik!

Ebisu cerrou os punhos com tanta força que os seus dedos começaram a cortar as palmas de suas mãos. Sua mandíbula ficou rígida e seus olhos demonstrava o seu ódio. Ela repentinamente fora acometida por um turbilhão de emoções. Lembranças de três anos atrás surgiram na sua mente. Ela sentiu o ódio despertando, tão forte quanto o que sentiu naquela fatídica noite.

— Malik...! — Ebisu murmurou, ignorando completamente o que o metre e Watanuki diziam. — Eu vou matá-lo...!

Há três anos eu prometi que faria isso, mas você sumiu. Por ironia do destino nos encontramos ao acaso, então que seja neste lugar que nosso sangue seja derramado e nossas vidas perdidas, Ebisu pensou.

Notas finais
Ebisu encontra Malik! O que acontecerá à seguir? Isso e muito mais nos próximos capítulos de Zurezurê!