Zurezurê

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Mais um capítulo de Zurezurê. Alguém quer me dar um presente? Então deixe um comentário. Por menor que seja já vai me incentivar e tirar aquela sensação que eu tenho de que sou um louco escrevendo coisas pra ninguém -q

Lição 5: Se após três anos alguém ainda lembrar de você,

é porque não é um completo inútil.

— Seja bem-vindo, Malik-sama! — disseram os subordinados no momento em que entrou na mansão.

Malik era um jovem adulto. Trajava uma camiseta branca com alguns dizeres irônicos, calça larga preta que era presa no tornozelo e chinelo. Assim se vestia o líder da maior organização de magos existente. Sua barba estava por fazer e o seu cabelo vermelho estava despenteado. Quando o seu nome é proferido, muitos sentem o medo penetrar em seu coração. Logo pensam que se trata de um velho mago de mil anos. Mal sabem que é um jovem mago com vinte e um. Mas a sua idade não deve ser comparada com o seu poder, que é devastador.

— Eu estava com tanta saudade de vocês! — Malik declarou jovialmente, em meio a risos.

— Nós também! — os servos declararam ao cercá-lo e abraçá-lo.

Todos os seus subordinados vestiam a mesma roupa. Um uniforme que ia dos pés à cabeça. A vestimenta era toda fragmentada, como se tivesse sido feita de retalhos. Aqueles homens eram magos de baixo nível, incapazes de vencer uma batalha contra um mago comum. Rejeitados por todos por serem “quase humanos”. Malik os acolheu sem pensar duas vezes. “Magos são magos e ponto final. Não devemos rebaixar uns aos outros. Devemos sempre nos manter unidos”, é o que diz. Mesmo sendo desprezados por todos, essas pessoas tiveram espaço na maior organização de magos, sendo tratados com dignidade. Malik os ama como irmãos. Por este motivo também é amado por eles.

— Três anos se passaram — um homem falou, enquanto descia do segundo andar da mansão pelas escadas de granito escuro — e você não mudou nem um pouco.

Shinji é um jovem de cabelos loiros arrepiados e olhos azuis. Ele vestia um terno totalmente branco com uma camisa preta por baixo. Apesar da sua pouca idade, este garoto é um dos membros mais poderosos da família e, com certeza, é um dos que Malik mais confia.

Aquela voz despertou a atenção do líder, que lançou o olhar em direção ao sujeito.

— Então ai está você! — disse ele sorrindo. — Aposto que ficou vadiando na minha ausência.

— Não tive tempo para vadiar, estava limpando a sujeira.

— Eu não deixei tanta coisa assim para limpar.

— Não é só a sua. Existem muitas pessoas sujando essa cidade.

Em uma fração de segundo a expressão de Malik passou de alegre para preocupada. Ele observou o que o mago disse e logo respondeu com um “conte-me mais”. Os outros membros sentiram que o clima festivo havia sido cortado, então aos poucos foram se afastando. Malik apenas coçou a cabeça.

— Pessoal, me deem licença.

— As coisas mudaram desde quando você partiu — disse Shinji. — Esta cidade nunca foi lá muito segura. Mas agora as pessoas morrem o tempo todo.

Os dois estavam conversando no escritório. Malik estava sentando em sua confortável cadeira, enquanto por cima da mesa de madeira observava Shinji largado no sofá.

— O que acha que aconteceu?

— Acho que o Massacre foi o gatilho para tudo isto. Depois daquilo e do seu desaparecimento, tudo virou uma bagunça. A morte daquele humano gerou alguns eventos bem desagradáveis. Alguns magos queriam se tornar os novos reis da cidade. Você tinha que ver. Nunca matei tanto quanto naquela semana — Shinji contou sorrindo. — Talvez a morte do Rei Branco e o desaparecimento do Rei Vermelho tenham bagunçado as coisas.

— Pelo visto você protegeu bem a família.

— O que mais eu poderia fazer? E você sabe, eu adoro essas matanças.

— Sim, eu sei. Tivemos alguma baixa?

— Cinco dos nossos morreram.

— E o culpado?

— Ainda está vivo. Não sabemos exatamente quem seja, mas temos suspeitas de que seja a garota que estava com o humano na noite do Massacre.

— Ah, sim. Eu me lembro dela.

— Quem não lembraria?

— Você se lembra com perfeição daquela noite?

— Bem, quase tudo.

— Eu me lembro que a magia daquela garota é incrível, mas não me lembro qual o tipo dela — Malik afirmou, com o olhar perdido na estante de livros que ficava à sua esquerda.

— Quando eu penso nisso, só vem escuridão à minha mente, não importa o que faça. Eu não consigo me lembrar.

— Certo. Acho que teremos que confrontá-la novamente para descobrir. Espero que não demore. — Malik se levantou, indo em direção à porta. — Por ora vamos dar uma volta pela cidade. Quero ver como estão as coisas e quero que todos saibam do meu retorno. — Seu sorriso demonstrou divertimento.

Shinji sorriu ao ver o olhar sinistro em sua face. Aquela era a expressão que Malik fazia quando estava de mau humor. Aquela era a face do seu chefe, do mago de elite capaz de sobrepujar uma cidade inteira. Se algo atravessasse o seu caminho, seria feito em pedaços.

— Apenas olhando não dá para afirmar que as coisas mudaram — comentou Malik, andando pelas ruas da Cidade Mágica, observando as construções.

As pessoas que o viam, ficavam paralisadas. Comentários de “o Rei Vermelho voltou eram comuns”.

— Então espere a noite cair.

— Falando em noite. Las Noches ainda existe? Se alguém acabou com isso, eu ficarei bem mau humorado.

— Relaxa, ainda está lá. Terminaram de reformar uns meses atrás.

— Certo, então é isso! Vamos falar com o pessoal, nós vamos hoje a noite ao Las Noches!

— É isso ai! Você voltou com tudo! — Shinji falou empolgado. — Pena que irá morrer. As garotas vão matá-lo quando descobrirem que você saiu para dar uma volta sem nem falar com elas. — Shinji se divertia só de imaginar a cena.

— Hm, deixe que eu cuido disso — Malik falou com os olhos fixos no céu azulado. — Sinto falta delas. Na verdade de todos nós juntos. Mal posso esperar por hoje a noite.

— Malik, seu idiota! — Uma mulher declarou ao apontar um dedo para o seu chefe.

— É sempre bom ver você, Asuka — Malik falou com tom de deboche.

Asuka é uma bela mulher de cabelos negros e olhos de um verde profundo. No momento ela vestia uma camiseta vermelha que era no mínimo dois números maiores que ela, e um abrigo cinzento. Seus pés descalços tocavam o carpete cor de vinho da sala de estar. Sua pele profundamente branca dava um ar espectral a ela, como se pertencesse a outro mundo.

Shinji apenas observava a conversa com um sorriso sádico.

— Não banque o engraçadinho! — ela falou furiosa.

— Não estou bancando.

— Tch! Então você é idiota mesmo!

— Ei, por que toda essa fúria? — Malik indagou.

— E ainda por cima pergunta o motivo? Você sabe o quanto a Juri gosta de você, e então você volta depois de três anos sem dar notícias e de repente sai para dar uma voltinha sem nem ao menos falar com ela?

— Bem, eu precisava me acalmar — ele falou, desviando o olhar.

— Espero que já tenha se acalmado. Para a sua sorte ela não acordou ainda, então vá falar com ela!

— Tá bem! Tô indo! — Ele se afastou de Asuka. — É nessas horas que eu me pergunto quem é o chefe — resmungou, enquanto subia as escadas.

No segundo andar é onde fica os dormitórios. Um corredor com diversos quartos. É nessa área que estão os aposentos de todos os principais membros da família. São seis quartos ao todo, três de cada lado. Malik parou em frente a porta de madeira do quarto de Juri. A visão daquilo fez sentir-se um pouco nostálgico. Foi impossível não se lembrar dela. Aquela garotinha de 14 anos — essa era a sua idade quando a viu pela última vez. Teria ela mudado muito? Também fora inevitável lembrar de como ela entrou para o grupo. Foi a última, mas com certeza a mais devota. Se Shinji e os outros eram capazes de morrer por ele, Juri faria isso sem exitar e ainda por cima com um belo sorriso. Isso era algo que não o agradava muito.

Quando o chefe bateu à porta pela primeira vez ela se abriu um pouco, e só agora ele percebeu que ela estava aberta. Aquilo parecia ser uma extraordinária coincidência.

— Ela deixa a porta entreaberta sempre — Asuka disse ao parar ao seu lado. — Ela disse que esse seria o sinal de que não o esqueceu e também que ficava com medo de você ver a porta fechada e ir embora por não querer incomodá-la. Nas palavras dela você é “a pessoa mais gentil que eu conheço”.

— Ela disse isso? — ele perguntou, deslizando os dedos suavemente pelos detalhes entalhados na porta.

— Disse. Ela o ama de verdade, Malik. Sei que somente a vê como uma irmã, mas por favor, tenha cuidado. Não destrua o coração dela. Não é mais como à três anos atrás em que você apenas dizia “você é uma criança”. Ela já é quase adulta. Nunca conseguiu sentir nada por ninguém além de você. Tudo que ela faz é por você. Ela se tornou uma usuária de magia incrível, apenas para poder impressioná-lo.

— Você acha que eu fiz mal a ela? — Os olhos de Malik haviam perdido o brilho. Não podia-se mais ver o verde, apenas escuridão. — Acha que foi um erro tê-la colocado na família, mesmo sabendo dos seus sentimentos.

— Você é mesmo idiota. — Asuka sorriu ao colocar o braço sobre os ombros do seu amigo. — Ela não tinha absolutamente ninguém. Foi você quem a tirou das trevas, talvez por este motivo ela o admire. Se não fosse por você, ela não teria uma vida, então pode ser por isso que resolveu dedicar a sua vida à pessoa que a salvou.

— Você tem razão, Asuka. Eu sou um idiota. — Malik sorriu, desta vez verdadeiramente. — Obrigado. E me desculpe pelo que fiz.

— Está tudo bem. Shinji me contou o que aconteceu. Agora eu vou lá para baixo e você, não fuja mais. — Asuka deu-lhe um beijo na bochecha antes de deixá-lo sozinho.

Com um lento rangido a porta se abriu. Então, Malik voltou seus olhos para a cama, onde Juri estava deitada. O pensamento de que ela parecia uma frágil boneca de porcelana passou pela sua mente, mesmo sabendo que isso não era verdade. Aquela garota era uma assassina quando queria. Ele ao mesmo tempo estava curioso, pois se há três anos Juri já era extremamente poderosa. Qual seria a sua força atual?

A garota estava esparramada sobre a cama. Seu cabelo dourado estava preso em duas maria chiquinhas. Ela vestia apenas uma regata cinza e uma calcinha branca. Malik quando a viu desta forma sentiu vergonha e pensou em sair, mas sabia que se Asuka descobrisse, poria um fim à sua vida. A visão da garota, de certa forma, o surpreendeu. Agora Ela possuía o corpo de uma mulher. Muito diferente dos traços infantis que Malik se lembrava.

— Bom dia — ele falou ao se aproximar da cama.

Aos poucos os olhos da garota se abriram. Quando ela finalmente despertou e se deu por conta de que Malik estava ali e a observava, rapidamente sentou sobre o colchão e puxou o lençol sobre si, deixando apenas o rosto de fora. O mago riu com a cena.

— Ei, do que você está rindo? — ela inquiriu. Sua cara de sono apenas o divertia ainda mais.

— Nada. É só que você parecia tão adulta, mas não mudou nem um pouco. — Ele afirmou e logo sentou-se na cama ao seu lado.

— Não é verdade. Muitas coisas aconteceram. Eu não sou mais aquela garotinha.

— É, me falaram isso. Você agora é uma das mais poderosas integrantes da família.

— Sim. Eu devia isso a você.

— Você não me deve nada, Juri. — Malik colocou as mãos sobre os joelhos. — Não quero que fique conosco porque acha que deve algo a mim. Quero que fique porque gosta daqui. Não a salvei para que me servisse. Esse pensamento é repugnante! Eu fiz aquilo para que fosse livre, e é exatamente o que você é, livre! Livre para fazer as suas escolhas. Livre para agir da maneira que quiser.

— Agir como eu quiser?

— Sim, quero que faça o que tem vontade. Não se preocupe com a minha opinião. Se você fizer algo de errado, eu vou brigar com você, mas logo depois estará tudo bem.

— Se é assim, tudo bem... — Juri murmurou. — Eu jurei a mim mesma que não faria isso. Mas se é dessa forma que pensa, que se dane!

— O quê? — Malik virou seu rosto para ela.

Juri deixou a coberta cair sobre o seu colo. As suas mãos puxaram a cabeça de Malik para mais perto, e então ela o beijou. Seu coração bateu em um ritmo acelerado. Ela esperou por três anos pelo seu retorno. Havia prometido que não o beijaria, mas no fim, suas palavras a incentivaram. Mesmo que ele não soubesse, foi o que disse que a motivou a fazer o que fez. E mesmo que ele não gostasse e brigasse com ela, ficaria tudo bem. Afinal, foi o que ele disse.

— Seja bem-vindo! Eu senti a sua falta — ela declarou com a sua boca encostada na dele.

Notas finais
O que aconteceu no passado entre Malik e Juri? E o que acontecerá no Las Noches? Isso e muito mais nos próximos capítulos de Zurezurê!