Zona de Guerra
17 Capítulo 17 - Sentido, porque nada pode me parar agora
Notas iniciais
Bella caminhou até o dormitório, onde sabia que teria a pior batalha de sua vida. Mas a situação havia passado dos limites. Ela amava Edward, mas havia chegado a hora; ela tinha que escolher.
Depois de uma batida, a porta se abriu e ele sorriu. Mas não havia emoções na face de sua garota. Ela parecia triste.
— Você veio. — Declarou, a puxando contra o peito e atacando seus lábios. Mas ela não correspondeu, o que fez com que ele a apertasse ainda mais e ela tentasse empurrá-lo.
— Não... — Bella murmurou, mas ele a ignorou, continuando a beijá-la. Cansada daquilo, ela o chutou, fazendo com que a soltasse o bastante para que se afastasse.
— Por que fez isso? — Questionou se levantando, mas quando se aproximou, ela tornou a se afastar, fazendo com que Edward recuasse, como se tivesse levado um soco no estômago.
— Eu precisava. — Justificou e ele se aproximou novamente, segurando suas mãos e indo em direção ao pescoço dela, porém ela o impediu. — Não. — Ordenou e ele estremeceu. Dessa vez ele acatou sua ordem e se afastou.
— Qual o problema? — Edward questionou acariciando seu rosto, mas seus olhos estavam baixos e sem vida. Então ele soube a razão pela qual ela estava ali.
— Não posso mais fazer isso, Edward. — Lamentou, respirando fundo e levantando os olhos. — Isso não está funcionando.
— Não. — Ele suplicou. Ela não podia deixa-lo. Não agora que ficariam finalmente juntos. — Por favor, Bella. Se é sobre hoje...
— É exatamente sobre hoje! — Ralhou, o interrompendo. — E eu sei que vai ficar cada vez pior. Você não quer que eu parta. —Acrescentou, esfregando os próprios olhos.
— Apenas por que eu preciso de você. Como nunca precisei! Isso é errado?
— Sim! Você não se ouve? — Questionou — Eu amo você, Edward. Mas quero fazer parte do seu mundo. Não quero ser o seu mundo. — Lamentou se sentando na cama.
— E se eu prometesse que vou me comportar? Mudaria de ideia?
— Você já mostrou que não é capaz de manter sua palavra.
— Eu tentaria se isso fizesse você ficar. — Rebateu se sentando ao seu lado.
— Eu entendo que tenha medo, Edward, mas esse é o meu sonho. — Justificou e ele abaixou a cabeça. — O que faria se a situação fosse inversa? Como se sentiria, se eu o impedisse de viver o seu sonho?
— Não me importaria! Contanto que estivesse com você! —Rugiu olhando para ela. — Por que está fazendo isso? Por que fez com que eu amasse você apenas para partir? Isso não é certo. É cruel! — Resmungou como uma criança.
— Eu não vou a lugar algum! É isso que você não entende. Eu nunca disse que o deixaria. É você que tem me afastado. — Retrucou. — Com essas crises de ciúmes. Com esse seu lado grosso e machista que quer me impedir de realizar meu sonho. É você que está me afastando.
— Eu nunca quis isso. — Fechou os olhos e se jogou aos pés dela. Seu rosto estava escondido nas pernas de Bella, quando ela sentiu algo molhar sua calça. Ele estava chorando?
— Edward? — O chamou, mas ele a ignorou. — Olhe para mim? — Pediu e ela acariciou seus cabelos, fazendo com que ele erguesse o rosto. E ela pôde ver lágrimas que desciam. Nunca havia o visto chorar. Mas não queria mais ver.
O olhando assim, ele não parecia mais aquele homem de 45 anos forte e destemido. Parecia um menino assustado. E ela era a razão disso.
— Eu não tenho direito de pedir isso, Bella. Sei que não. Mas eu sei como é lá fora. Eu já vi coisas! Não é como aqui! — Discursou enquanto ela acariciava seu rosto e ouvia atentamente suas palavras. — Coisas ruins podem acontecer e eu não serei capaz de protege-la. Não lá fora!
— Eu amo você! Amo mesmo. E é por isso que preciso que me ouça. — Pediu, acariciando seu maxilar. — Eu não sou uma boneca que você vai manter dentro de uma caixa. Eu sei que não pode me proteger quando estivermos lá, mas eu não preciso de sua proteção. — Declarou umedecendo os lábios.
— Mas... — Começou, porém ela tapou sua boca com os dedos.
— Eu amo você, Edward e se você me ama, precisa me deixar ir. Conhece o ditado: Se a ama, liberte-a? Se ela não voltar, é por que nunca lhe pertenceu? — Perguntou acariciando seu rosto. — Eu quero voltar para você, mas preciso partir primeiro.
— Você não vai voltar se uma bomba parti-la antes. — Retrucou amargurado.
— Você está sendo pessimista! — Vociferou se levantando da cama e indo em direção a porta. Estava cansada daquela falta de fé.
— É uma guerra, Isabella! Estou sendo realista! — Rugiu a seguindo. Ele havia tentado demonstrar suas emoções, com esperança de que ela ficasse, mas não havia funcionado.
— Já chega! Não posso mais fazer isso! — Gritou cobrindo os olhos. — Precisamos de um temp...
— Não se atreva a dizer essa palavra, Isabella! — A repreendeu, se aproximando.
— Isso não está funcionando, Edward! Não vê? Queremos coisas diferentes! E só estamos nos machucando! Isso tem que parar!
— E o que você vai fazer? Fugir? — Questionou com a voz carregada de sarcasmo.
— Não! Vou fazer o que já devia ter feito. — Rebateu se aproximando da porta. — Acabou, Edward.
— Não... — Sussurrou se aproximando, mas ela ergueu a mão, em um sinal claro para que se afastasse.
— Não! Eu não consigo mais lidar com isso. E eu preciso me concentrar no meu treinamento. Não serei capaz de fazer isso com essa bagunça emocional. — Justificou e ele olhou para o chão. Não haviam emoções em seus olhos. Estavam frios.
— Então é isso? Vai simplesmente terminar comigo?
— Você diz como se fosse fácil.
— Parece que você está se saindo muito bem. — Sorriu com escárnio.
— Por que é tão difícil entender? — Questionou. — Será melhor assim!
— Melhor? Melhor pra quem? — Rugiu. — Você... você está agindo como uma covarde! — Acrescentou apontando para ela. Ela arregalou os olhos, diante da afirmação cruel que Edward havia feito. O que fez com que ele se arrependesse na mesma hora por suas palavras.
— Eu vou fingir que não ouvi isso. — Retrucou, se virando e saindo do dormitório.
— Bella... — Ele a chamou, mas já era tarde. Ela já havia saído.
Ao chegar em seu dormitório, Bella se certificou de que não havia ninguém. Apenas Sam estava lá, mas eles eram amigos, então ela se permitiu afundar em sua cama e socar seu travesseiro, enquanto abafava seus gritos com ele.
— Ei! Qual seu problema? — Sam perguntou ao ver o estado que a amiga se encontrava.
— Vá embora! — Vociferou ainda se escondendo, mas em seguida sentiu um peso em sua cama e uma mão em seu ombro.
— O que aconteceu dessa vez? Não vou sair daqui enquanto não me contar.
— Eu mandei ir embora! — Rugiu mais uma vez, mas Sam apenas revirou os olhos enquanto afagava os cabelos dela.
— Não, porque: 1: Esse dormitório também é meu; 2: Você é minha amiga; 3: Parece muito chateada; 4: Eu disse que não saio até você me contar o que aconteceu; — continuou enumerando em seus dedos — e 5: Bem, não tem o 5, mas eu sempre gostei de números impares. — Acrescentou e ouviu uma risada escapar debaixo do travesseiro.
— Você não vai sair mesmo, não é? — Bella perguntou, levantando o rosto e o olhando.
— Ei! Não prestou atenção? Esse foi o número 4! — Retrucou cruzando os braços, fingindo estar chateado e ela suspirou.
— Nós terminamos. — Argumentou.
— Owh. Sinto muito. Términos são um saco. — Indagou e ela se virou, ficando de barriga para cima.
— Falar é fácil. — Rebateu.
— Ei! Eu terminei com a minha namorada mês passado.
— Eu sei. Desculpe.
— Nem toda garota quer um namorado que passa tanto tempo fora. — Acrescentou.
— Eu entendo seu ponto. E sinto muito pela Emily. Vocês vão se acertar. — Suspirou. — Mas devia ser mais fácil. Quer dizer, estamos juntos aqui. Não deveria ser tão difícil.
— Relacionamentos são como matemática, Bella. — Replicou, fazendo com que ela o observasse.
— Matemática? — Questionou.
— É. Se estiver fácil demais, está errado. — Respondeu e ela não pôde evitar sorrir.
— Você não existe. — Ela declarou. — Mas por um lado foi bom. Assim posso me concentrar.
— Então você realmente vai?
— É claro que vou! Foi para isso que vim para cá, Sam. Sempre sonhei com isso.
— Guerra? — Perguntou abismado.
— Não! Ajudar pessoas! É isso que faremos lá.
— Eu sei.
— Você vai declinar? — Ela questionou e ele negou rapidamente.
— E deixar você sozinha lá? Sem chance. — Retrucou a empurrando. — Agora levanta essa bunda daí, Swan! A tenente está nos esperando.
Ele declarou e ela respirou fundo, se levantando. Seu treinamento ia começar e nada iria para-la agora.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Duas semanas depois
Bella terminava de juntar suas coisas, já que eles embarcariam na manhã seguinte.
— E então, Swan...— Víctor cumprimentou, entrando no dormitório e fechando a porta atrás de si.
— O que quer aqui, Becker? — Ela rosnou em resposta.
— Ainda não tivemos a chance de conversar.
— E por que eu iria querer isso, seu idiota? — Questionou, mas ele a ignorou.
— Bem que eu sabia que tinha algo errado. Você era... delicada demais pra ser um cara.
— Vou perguntar de novo, Becker. O que quer aqui? — Vociferou, o observando.
— Pra que tanta hostilidade, querida?
— Primeiro, eu não sou sua querida. E segundo, acha que não sei que foi você que me entregou, seu grande...
— Cuidado com o que vai dizer. — A interrompeu se aproximando. — Eu falei com o major mesmo. — Admitiu. — Mas esperava te ver fora daqui.
— Não contava que a tenente ficaria do meu lado, não é, seu idiota?
— Não. Mesmo com aquela baboseira de garotas tem que se unir e blá, blá, blá.
— Isso deve ter acabado com seu plano estúpido, não é?
— Mas sabe, até mesmo o companheirismo entre garotas tem um limite. E o de vocês é o Cullen. — Disse, fazendo Bella paralisar.
— Não sei do que está falando. — Mentiu. A tenente já sabia do relacionamento deles e pareceu não dar a mínima, mas Victor não precisava saber disso.
— Não mesmo? Então você e o Cullen não fodiam? — Disse e ela o encarou.
— O que?
— Acha que eu não sei? Eu sei de muitas coisas. Sei que você e o Cullen se pegavam. Sei que a tenente tentou pegar ele, mas foi rejeitada. Quer dizer, olha pra ela... Como ele a rejeitou?
— Olha, Becker... — Ela tentou respirar fundo para manter o controle, quando ele a interrompeu.
— Se bem que se eu tivesse alguém como você na minha cama... — disse se aproximando e Bella ficou tensa — ... poderia pensar no caso. — Acrescentou acariciando o rosto dela.
Em uma giro rápido, Bella segurou a mão de Victor e a torceu contra suas costas, colando seu rosto na parede.
— Se tocar em mim novamente, eu vou quebrar cada um dos vinte e sete ossos da sua mão.
— Me solta, sua...
— Sua... — Torceu ainda mais seu braço, o desafiando a terminara a frase.
— Solta! — Implorou.
— Se você colocar suas patas no meu dormitório novamente, seu braço será a ultima coisa que eu vou torcer. — Sibilou o soltando.
Nesse momento, a tenente entrou no dormitório e pegou Bella torcendo o braço de Victor.
— O que aconteceu dessa vez? — Questionou cansada e Bella o soltou. — O que esse idiota fez agora? — Perguntou, fazendo com que Bella o soltasse.
— Ei! Eu não fiz nada! — Mentiu. — Não é minha culpa ela estar de TPM e instável.
— Eu vou te mostrar a instável, seu grande filho da... — Bella começou, partindo para cima dele, quando a tenente levantou a mão. O gesto fez com que ela parasse.
— Eu conheço você, Becker. Tenho certeza que fez alguma coisa.
— Sabe, Garcia, você não deveria tomar um partido aqui. —Retrucou, a olhando com desprezo. O sangue da tenente ferveu e ela respirou fundo para não quebrar o braço daquele verme. Ele não havia aprendido que não devia brincar com ela – ou seu temperamento?
— É tenente Garcia pra você, soldado.
— Sim, se-senhora.
— Eu vou te dar cinco segundos para sair da minha frente, seu moleque. — Sibilou. — Se eu chegar a zero e você ainda estiver na minha frente, esse seu nariz que você tem tão em pé, não ficará reto novamente, entendeu? — Ela sussurrou cada palavra e a cada palavra que saia de sua boca, um novo calafrio percorria o corpo de Victor. Esse era o poder que a tenente tinha.
Ele a encarou, até que ela começou a contagem, como havia prometido.
— Cinco, quatro, três... — Ao ouvir o três, ele já não estava mais a vista. — Rato. — Ela murmurou.
— Eu teria dado conta. — Bella replicou.
— Tenho certeza. Mas ai você responderia por agressão e isso poderia sujar seu histórico.
— Não que eu esteja reclamando, mas por que ficou do meu lado?
— Porque eu conheço os dois. E sei que ele deve ter feito alguma merda. — Respondeu simplesmente. — Agora comece a falar.
Bella pensou se contar a verdade seria o melhor. Não queria ser conhecida como uma menina chorona, que a cada problema, corria para a tenente.
— Estou esperando, Swan! — Questionou impaciente.
— Não importa. Vamos fazer um ultimo treinamento?
— Os outros vão. Você por outro lado, não sairá da minha frente até abrir o bico.
— Está bem! Ele tentou passar a mão em mim, eu torci o braço dele e disse que se me tocasse novamente eu quebraria cada um dos ossos da mão dele.
A tenente teria sorrido com a ameaça, se não estivesse tão chocada com o que Victor havia tentado fazer. Ela se virou, mas antes que avançasse mais, Bella se colocou em seu caminho.
— Saia. — Sibilou, mas ela não se deixou abalar.
— Não.
— O que foi que você disse? — A tenente questionou incrédula.
— Você não vai atrás dele. — Continuou.
— Eu vou apenas cumprir minha promessa sobre o nariz dele. — A tenente tentou desviar, mas Bella se manteve no caminho.
— Não! — Replicou. — Eu aprecio o que tem feito por mim, tenente, mas você não pode tomar minhas dores sempre! Se fizer isso, eu serei o que todos sempre disseram que eu era. Uma garota que quer estar aqui por capricho. Que na primeira oportunidade, me esconderia atrás de alguém.
Ela continuou a discursar enquanto a tenente apenas ouvia.
— E eu não serei essa pessoa. Ele tentou me tocar e eu já resolvi o problema. Duvido que tentará de novo.
— Está bem. — A tenente suspirou revirando os olhos. — Agora vá correr, Swan.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Edward estava no ginásio, onde havia um saco de areia pendurado. Seu corpo estava lá, treinando. Mas seus pensamentos sempre voltavam para a discussão daquela noite.
Mas dessa vez, outra pessoa ocupava sua mente.
Flashback On
— O que pensa que está fazendo, seu idiota? Vão explodi-lo se você sair! — Edward ralhou para o companheiro.
— Eu sei que estamos cercados, e quase sem munição. Provavelmente eu morra — continuou discursando —, mas tem uma criança naquele prédio! — Garrett respondeu.
— Eu vou com você! — Edward respondeu. — Somos parceiros, Mitchell.
— Eu sei disso, Cullen! Mas você não vai a lugar algum com essa perna. — Declarou apontando para a perna do amigo. Ele havia levado um tiro e mal se mantinha em pé.
— Você não vai sozinho! Não vou deixar. — Rugiu, tentando se levantar, mas sua perna não permitia.
— Que bom que não estou pedindo permissão. — Rebateu com um sorriso debochado, mas em seus olhos, Edward podia ver o medo.
Eles continuaram se olhando, até que uma bomba explodiu um prédio próximo. O tempo estava acabando. Garrett se abaixou até a altura em que Edward estava e com a mão no ombro do amigo, começou a falar:
— Você sempre foi melhor que eu, meu amigo. Sempre me ajudou e eu sou muito grato por isso. Mas é por isso que eu estou aqui. — Declarou mostrando ao redor. — Para ajudar pessoas.
— Garrett...
— Escute, Edward. Já chamamos reforços. Eis o que vai acontecer: Eu vou sair daqui, vou resgatar aquela garotinha e nós todos vamos para casa. Está bem? Eu admito que se não fosse por você, teriam chutado minha bunda mais vezes do que eu poderia contar, mas eu já sou grandinho. Eu não preciso da sua proteção, parceiro. — E com essas palavras, se preparou e correu em direção ao prédio onde a criança estava. O mesmo prédio que a próxima bomba atingiu, explodindo-o em pedaços, enquanto Edward apenas assistia.
E enquanto aguardava o reforço, só conseguia pensar nas últimas palavras do amigo: Eu não preciso da sua proteção, parceiro.
Flashback Off
Sua raiva era bastante clara. As correntes que mantinham o saco rangiam pela força que Edward usava. Ele simplesmente não conseguia parar. Seu cérebro estava queimando com tudo que pensava.
Continuou socando, enquanto se lembrava da briga com Bella. Ela era insanamente teimosa. Ele ainda na conseguia acreditar que ela havia terminado com ele.
— Não! Vou fazer o que já devia ter feito. — Rebateu se aproximando da porta. — Acabou, Edward.
A raiva e frustração que sentia, fez com que aumentasse a força de seus socos. Quando ele se lembrou de como foi fácil para o Becker derruba-la. E ele nem era tão bom assim.
Ela estava em vantagem, mas Victor lhe deu uma rasteira e socou uma de suas costelas fazendo seu ar sumir, junto com o de Edward, que desfez o sorriso.
Bella tentou puxar o oxigênio de volta para os pulmões e Victor se aproveitou disso para continuar aplicando golpes. Ele havia empurrado seu pé conta o peito dela. Bella ofegou, caindo no chão; ele continuou lhe chutando, enquanto ela se contorcia.
Ela não estava pronta! Simplesmente não estava. Seria tão difícil esperar um pouco mais? Edward se perguntou, enquanto socava o saco cada vez mais forte. As correntes tremiam e rangiam com a força que ele usava, mas ele não se importava. Nada mais importava.
Ele continuou a desferir os golpes, enquanto rugia a cada pancada. Nessa hora a tenente Garcia apareceu. Ela sabia que ele levava seus treinos a sério, mas não imaginava que pegasse tão pesado.
— Cullen? — O chamou, mas ele a ignorou, e continuou socando e gritando.
Seu tempo estava acabando e não havia nada que pudesse fazer. Ele só sabia que não podia perde-la. Não podia passar por aquilo que viveu anos atrás com seu parceiro. Não outra vez.
Mesmo depois de tanto tempo, as palavras de Garrett ainda soavam em sua cabeça: Eu não preciso da sua proteção, parceiro.
— Cullen? — A tenente voltou a chama-lo. Dessa vez mais alto para que escutasse. Mas novamente, foi ignorada.
Edward continuava a socar o saco de areia com toda suas forças, enquanto as lembranças ferviam sua cabeça. E então ele se lembrou das palavras dela:
— Eu não sou uma boneca que você vai manter dentro de uma caixa. Eu sei que não pode me proteger quando estivermos lá, mas eu não preciso de sua proteção.
— Edward? — O chamou pelo nome, enquanto se aproximava. Sabia que ele estava mal com a convocação de Bella, mas não imaginou que estaria nessa situação. Ela se aproximou dele e ao ouvir sua voz, seus golpes ficaram ainda mais fortes. Ela era a mulher que estava apoiando aquela loucura. A culpa também era dela.
Ele usava toda sua força por conta da raiva. E no pico de seu ataque, a corrente rangeu estourando. O saco voou a alguns metros e Edward caiu de joelhos, suado e ofegante.
A tenente se aproximou, tocando seu ombro e ficando em sua frente.
— Ei! Ficar assim não vai ajudar. — Ela declarou.
— Ajudar? — Questionou com escárnio. — Se quisesse tanto ajudar, Garcia, você a teria convencido a ficar! Você sabe o que vai acontecer. E será culpa sua!
— Ela vai ficar bem. — A tenente rebateu, fazendo com que Edward levantasse os olhos. Havia raiva ali. Mas também o medo.
— Assim como o Garrett? — Questionou com a voz carregada de raiva. — Ele estava indeciso sobre a ida. E você o convenceu! Ele era um boneco nas suas mãos. Todos são. — Continuou. — São apenas seus brinquedos. E quando você se cansa de brincar, apenas os descarta. — Acrescentou, fazendo com que a tenente o atingisse com um golpe certeiro.
Edward ainda estava atordoado com o golpe, quando a tenente se levantou.
— Você não sabe nada sobre isso. Nunca mais diga o nome dele, Cullen! — Vociferou. — Eu sinto muito que ela tenha te largado, mas isso não lhe dá o direito de falar sobre coisas que aconteceram. Garrett partiu porque ele quis. Porque nunca foi um covarde. Eu o amei. — Declarou, caminhando em direção a porta. — E se ele tivesse voltado, nós teríamos nos casado.
— Isso não... — Edward começou, mas foi interrompido.
— Eu não queria que ele partisse. Apenas não queria. Mas era decisão dele. E não minha. — Ela respirou fundo. Não lamentava o tapa que havia dado em Edward, mas entendia o que ele estava sentido. Ambos sabiam melhor do que ninguém como era amar e perder. — Assim como essa decisão é dela e não sua. — Acrescentou, caminhando até a saída e o deixando de joelhos.
~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Bella estava terminando seus últimos exercícios – eles embarcariam na manhã seguinte – quando ela ouviu os murmúrios.
— Vocês souberam do Cullen? — Um dos soldados perguntou e Bella começou a prestar ainda mais atenção a conversa.
— O que tem ele? Não tenho o visto muito.
— Ele está treinando separado.
— Ele vai com a gente amanhã. Por quê? — Sam perguntou ao perceber que Bella os observava de longe.
— Não sei, mas eu vi o que ele fez com o saco de areia. Fico feliz que ele esteja do nosso lado. — O soldado respondeu.
— Eu ouvi outros boatos. — Victor disse se aproximando da roda.
— Que boatos, Becker? Que ele vai chutar sua bunda de novo? — Sam perguntou, arrancando risadas dos outros soldados.
— Muito engraçado, Uley. — Eu ouvi que ele foi chutado. —Rebateu, fazendo Bella estremecer.
— É? E por quem, sabe tudo? — Outro soldado perguntou.
— Quem é a única garota por aqui, além daquela tenente intrometida?
— A Swan? Não! — Um dos soldados questionou surpreso. —Você está mentindo!
— Como acha que ela consegue se manter aqui? — Os soldados o olharam confuso e Sam estava a ponto de voar nele. Ele respirou fundo, tentando se acalmar. — Abrindo as pernas para ele, é claro! —Respondeu com desprezo e Sam perdeu toda a calma que havia juntado.
— Seu desgraçado! Você não vai falar dela assim, tá me entendo? — Questionou furioso. Aquele comportamento havia pegado todos de surpresa. Sam sempre havia sido um cara calmo e divertido, mas nesse momento estava apertando a garganta de Becker, enquanto os outros soldados tentavam o puxar para longe.
— Solta ele, cara! — Um dos companheiros pediu. Um apito soou, fazendo com que todos saltassem e Sam afrouxasse o aperto.
— O que vocês pensam que estão fazendo? — Edward questionou, enquanto Sam estava de pé e Becker continuava no chão. Ambos sem responder.
Ao vê-lo ali, tão perto, o coração de Bella se aqueceu. E sua vontade era de correr até ele e dizer que o queria de volta, que nada mais importava e que resolveriam suas diferenças.
— Estão surdos? — Rugiu. — O que pensam que estão fazendo?
— Esse idiota me atacou! — Becker respondeu, se levantando.
— Os dois na minha sala. Agora!
Edward respirou fundo, buscando controle. Podia sentir sua pele formigar com o olhar de Bella nele. Mas não havia nada que pudesse fazer. Ela havia tomado sua decisão.
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