Zona de Guerra
18 Capítulo 18 - Sentido, porque você não tem limites
Notas iniciais
— Vocês tem cinco minutos para explicar o que foi aquela palhaçada que eu presenciei lá fora.
— Esse idiota me atacou! — Victor declarou enquanto segurava a bolsa de gelo sobre o olho, que por sinal estava bastante inchado.
— Você vai me punir, capitão? — Sam perguntou, mas não demonstrava nenhum remorso pelo que havia feito.
— Não vai negar, soldado?
— Não. Eu realmente soquei esse merdinha. Mas acredite, ele mereceu.
— Pode sair, Becker. — Edward ordenou.
— Que providencia vai tomar? — Questionou mantendo seu queixo erguido.
— Se fosse da sua conta, você saberia. — Ralhou. — Agora saia!
Mesmo contrariado, Becker se levantou e caminhou até a porta. Seu sorriso era tão grande que poderia ser visto até de costas.
— Desembucha, Sam! — Edward grunhiu esfregando os olhos.
— Eu bati nele, essa é a história.
— Por que bateu nele?
— Isso importa? — Questionou cruzando os braços.
— Somos amigos, Sam. Eu sei que provavelmente esse merdinha mereceu a surra, mas sem um bom motivo, não poderei te ajudar.
— E se eu contar o motivo, quem vai precisar de ajuda será você. — Edward respirou fundo, passando as mãos no cabelo.
— Foi por causa dela.
— Eu sei que vocês terminaram e...
— Ela terminou. Por mim, ainda estaríamos juntos.
— Você não tem lidado muito bem com isso, não é? — Perguntou ao notar os círculos arroxeados que estavam em baixo dos olhos do capitão.
— Isso não importa. Agora, comece a falar.
— Apenas se prometer não fazer uma estupidez. — Declarou, fazendo Edward revirar os olhos.
— Eu estou esperando! — Rebateu.
— Becker a cercou no dormitório. Ela não me contou os... detalhes. Eu estava voltando para o dormitório quando ouvi a conversa de Bella com a tenente.
— Que conversa? E o que quer dizer com a cercou no dormitório? — Questionou com a voz tingida de raiva. Como aquele filho da puta pôde pensar em tocá-la.
— Ele não conseguiu nada. Assim que ele tocou o rosto dela, Bella torceu seu braço. — Aquela foi a gota d’água. Edward afastou a cadeira bruscamente, se levantando, mas Sam se colocou em sua frente.
— Onde você vai? — Perguntou mesmo sabendo a resposta.
— Você sabe onde eu vou.
— Não, você não vai.
— Eu vou apenas torcer uma outra coisa. O braço não é doloroso o bastante.
— Não! Você não vai. — Sibilou, fazendo com que Edward saísse do transe com a surpresa.
— Como disse? Quem você pensa que é para me dar ordens, soldado?
— Você não está na minha frente como capitão nesse momento. Agora você é meu amigo. Eu sei que você quer muito chutar a bunda daquele cara agora. Foi o que eu tive o prazer de fazer. Mas sabe o que me motivou a fazer? — Questionou e Edward continuou a observá-lo.
— Becker disse que Bella está aqui apenas porque vocês estão juntos. Quer dar razão à ele? Faça isso. Vá até lá e acabe com a raça dele. Mas o que aconteceria então? Bella seria conhecida por ser uma garotinha que todos querem proteger, você seria proibido de ir conosco para Síria, e Bella estaria sozinha lá.
— Isso...
— Valeria a pena para você? — Questionou, enquanto Edward o encarava. Ninguém, além de Bella, falava com ele daquela maneira.
— Está bem. Mas quando voltarmos...
— Eu vou pessoalmente ajudá-lo a fazer com que Becker lamente sua existência. Eu prometo. — Sam declarou sorrindo diabolicamente.
— Ótimo. Agora saia.
— Se serve de consolo, ela também está mal com o término. E fala sempre em acertar as coisas antes da viagem. Nós partiremos daqui algumas horas, talvez dê tempo.
— Eu acho que não, garoto. Ela tomou a decisão dela. Mas eu também tomei a minha. — Disse, voltando sua atenção para os papéis em sua mesa, enquanto Sam saia.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~
Um dos oficiais começou a chamada. Estavam quase todos dentro do caminhão. Eles seguiriam até o aeroporto e pegariam o vôo até seu destino.
— Preciso da sua ajuda. — Edward sussurrou antes que Sam entrasse no caminhão.
— O que é? — Perguntou prontamente.
— Quando o oficial chamar o nome da Bella, preciso que responda por ela. — Declarou, fazendo com que Sam o olhasse confuso.
— Eu não estou gostando disso.
— Não precisa gostar, garoto. Apenas responda a chamada.
— E por que a Bella não responde?
— Porque ela não estará dentro desse caminhão.
— Olha, eu admito que acho que ela não está preparada, mas isso que você vai fazer...
— Eu não posso perdê-la. A tenente garante que ela está pronta, mas ela está errada! Haverá outra chance.
— Edward... — Sam sussurrou, mas era tarde.
— Apenas responda a chamada. Eu serei o último a entrar. Deixei um bilhete com a chave para que a tenente a encontre.
— Chave? Que merda você fez com a minha amiga, Cullen? — Questionou se exaltando.
— Quieto! Eu ainda não fiz nada. Vou trancá-la no meu dormitório. É o único a prova de som.
— Se ela conseguir sair de lá antes...
— Não vai. Ela tem uma chave, mas não acho que ela a carregue por aí.
— Isso não vai prestar. — Sam declarou balançando a cabeça.
— Apenas responda a maldita chamada. — O capitão respondeu, saindo em direção aos dormitórios.
Ele caminhou e parou logo que a viu.
— Ei. — A chamou.
— Capitão. — Bella respondeu nervosamente. Não haviam conversado desde a última briga. Ela queria resolver tudo antes de viajar, mas talvez ele não estivesse pronto.
— Sério? Vai usar essa formalidade comigo?
— Bem, fora do quarto é o que você é.
— Então você tem que seguir minhas ordens? — Perguntou com um sorriso torto, fazendo-a corar.
— Bem, sim. — Ela respondeu sorrindo e mordendo o lábio.
— Então ordeno que você fique. — Sussurrou, fazendo com que o sorriso dela morresse.
— Edward, já conversamos sobre isso.
— Não. Você disse que não é uma boneca e não precisa da minha proteção. Acontece que eu não a vejo como uma boneca. Você é boa, Bella. É uma garota durona. E eu amo essa parte de você. Nunca pense que quero mudar isso.
— E por que é tão difícil aceitar minha decisão? — Questionou ferida.
— É difícil porque eu sei o que vai acontecer...
— O que pode acontecer. — Ela o corrigiu e ele revirou os olhos.
— O que vai acontecer. Talvez você entenda se eu usar uma analogia.
— Uma analogia? — Perguntou incrédula.
— Sim. Imagine os animais. Imagine um bando de leões e apenas uma ovelha entre eles. Se outro grupo de leões se aproximasse, quem você acha que eles atacariam?
— Então está dizendo que sou como uma ovelha entre os leões? Fraca e indefesa? Puxa, Edward, obrigada. Deixou as coisas bem claras para mim.
— O que? Não! Espera...
— Já chega! Eu queria que nos entendêssemos. Mas não vejo como isso vai acontecer. Eu tenho que entrar naquele caminhão. Essa ovelha aqui deu muito duro para estar aqui.
— Bella, isso... Eu... Fica! To pedindo. Não me obrigue a fazer isso! — Suplicou segurando seu braço.
— Isso o que? — Questiono confusa. — Olha, Edward, nós temos que ir.
Ele respirou fundo e foi atrás dela. Ela não mudaria de ideia, mas ele também não.
— Eu espero que possa me perdoar. — Sussurro se abaixando.
— O que você... Ah! — Soltou um gritou quando ele a jogou sobre os ombros.
— Eu estou fazendo isso por você, Bella.
— Edward, me coloca no chão! Eu tenho que responder aquela chamada e entrar no caminhão.
— Não. Você tem que ficar aqui. Segura. — Declarou indo para seu dormitório.
— O que vai fazer? — Perguntou quando ele a colocou no chão e segurou a maçaneta da porta.
— Você não pode ir. Haverão outras oportunidades, mas essa? Essa não é a melhor delas. Eu amo você e sou egoísta, porque não posso te perder.
— Edward, não se atreva a...
— Eu sinto muito. — Respondeu fechando a porta e a trancando dentro de seu dormitório, que era a prova de sons.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~
Ela andava de um lado para o outro, pensando em uma solução.
— Cullen, eu não estou brincando! Abra essa maldita porta! — Rugiu esmurrando a porta, mas não ouviu nem um som do outro lado.
Ela voltou a se movimentar e procurar algo que pudesse derrubara aquele obstáculo. Havia uma cadeira de madeira no canto do quarto. Teria que servir.
Ela ergueu a cadeira e a arremessou contra a porta, usando toda a força que tinha. A cadeira se partiu, mas a porta não se moveu nenhum centímetro.
— Merda! — Vociferou.
Olhando em direção as janelas, procurava outra saída dali. Qualquer saída. Mas para seu azar, o dormitório de Edward era diferente. As janelas pareciam ser como as dos porões. Grandes o bastante para passar a luz do sol, mas pequenas demais para uma pessoa.
Ela estava presa. Edward acabara de tirar dela a chance de realizar seu maior sonho. Aquele era o cativeiro perfeito. E ela já teve sua chave.
— A chave! — Gritou, correndo para o outro lado do quarto. — Por favor, não tenha encontrado. — Rogou.
Na noite que eles haviam reatado, estavam tão afoitos para saciarem seu desejo, que assim que Bella entrou no quarto, Edward a puxou para a cama, fazendo com que derrubasse sua chave. A chave que ele havia lhe dado.
Se abaixou tateando, mas não encontrava nada.
— Qual é? — Continuou procurando, mas parou ao sentir algo frio entre os dedos. — Encontrei!
O mais rápido que pôde, ela correu em direção a porta, tentando destrancá-la. Ao ouvir um click da tranca, seu coração acelerou, mas dessa vez era de raiva.
— Eu vou arrancar sua cabeça, Cullen! — Declarou correndo em direção ao caminhão, que partiria a qualquer momento.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~
— Droga! Eu não tive nada com isso. — Sam se defendeu.
— Do que você...? — Edward perguntou ao ouvir assovios vindo de suas costas.
Bella vestia uma a regata branca, extremamente colada. Seus cabelos estavam jogados para o lado, como se ela tivesse passado as mãos nele várias vezes. Suas bochechas estavam coradas. Ela nunca esteve tão linda, mas era para permanecer em seu dormitório. E diferente dos olhares de alegria que os marmanjos a sua volta distribuíam, seus olhos transmitiam outra coisa. Raiva.
— Eu sabia que não ia prestar.
— Como ela saiu? — Edward questionou enquanto ela chegava cada vez mais perto. Seu olhar para ele era mortal.
— Eu não sei, mas eu avisei. É a Bella. A garota que enganou a todos. É claro que ela conseguiria sair. E pela cara dela, você está com problemas.
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