Zona de Guerra
16 Capítulo 16 - Sentido, porque eu sou uma garota, afinal
Notas iniciais
— Ta aqui, priminha. Tudo que me pediu. — Beau declarou entregando a Bella uma mochila.
— O que é isso? — Edward perguntou se aproximando e tentando descobrir o que havia dentro da mochila.
— Minhas coisas. — Respondeu fechando a mochila e a jogando sobre as costas. Ele arqueou a sobrancelha e ela sustentou seu olhar.
— É isso, gente! Eu fiz minha parte. — Beau declarou se aproximando da porta. — Se precisar de mais alguma coisa, ligue para a anãzinha. Estarei em certo dormitório e não pretendo sair tão cedo de lá. — Acrescentou balançando as sobrancelhas, fazendo com que Edward e Bella revirassem os olhos.
— Vai me dizer o que tem aí? — Questionou novamente.
— São minhas coisas, Edward. Agora que todos sabem que sou uma garota, não tenho porque me vestir assim. — Indagou apontando para as próprias roupas.
— Assim como?
— Com essas camisas largas e essa bandagem estúpida.
— Eu gosto dela. —Respondeu se aproximando.
— Não, você gosta de tira-la. É completamente diferente.
— Você não precisa de roupas novas. Usamos uniformes aqui. — Declarou, fazendo-a suspirar.
— Foi por isso que pedi ao Beau. A tenente Garcia já me arrumou novos uniformes. — Respondeu abrindo sua mochila novamente. — Agora pode me dar licença? Quero me trocar.
— E por que eu tenho que sair? Não tem nada que eu não tenha visto. — Respondeu arqueando a sobrancelha e sorrindo torto.
— Porque se você ficar, sei que eu vou tirar as roupas, mas não irei vesti-las. Agora saia! — Pediu o empurrando em direção a porta.
— Você sabe que eu sou seu superior, certo?
— Não no quarto, querido. — Rebateu e ele sorriu largamente. Nunca se acostumaria com esse espírito rebelde dela.
Depois de colocá-lo para fora do quarto, Bella olhou para o interior de sua mochila, sorrindo para o que havia dentro. Se lembraria de agradecer a tenente outra hora.
Edward caminhava de um lado ao outro do galpão fechado. Haviam alguns soldados treinando. Apenas aqueles que iriam para a Síria. E Bella seria um deles. A porta foi aberta e ele se virou, sentido seu mundo rodar.
— É ela? — Um dos soldados perguntou e o outro assoviou, fazendo Edward se virar rosnando. Bella caminhava em direção ao meio do pátio, mas a luz que vinha de fora não mostrava seu rosto. Apenas seu corpo.
Ela vestia uma regata branca, que era o uniforme, mas diferente das que costumava usar, essa era bastante colada. Outra coisa que havia mudado eram seus seios – que antes escondidos – agora estavam bastante aparentes e levantados.
Edward a olhava com a boca aberta, quando ouviu uma voz ao seu lado.
— É melhor fechar a boca antes que babe, capitão. — A tenente disse, se divertindo com a cara que Edward fazia.
— Capitão. — Bella o cumprimentou batendo continência. —Tenente.
— Descansar, soldado. — A tenente respondeu, enquanto Edward continuava de boca aberta, a observando.
— Algum problema, capitão? — Bella perguntou ao perceber que ele não desviava o olhar.
— Que porra é essa? — Rugiu passando as mãos pelo cabelo.
— Quieto, Cullen! — A tenente o advertiu. — Não quero escândalos. Isso não será bom para ninguém.
— Quieto, porra nenhuma! — Rebateu sustentando o olhar da tenente. Não havia mais divertimento ali, havia apenas a fúria por estar sendo desafiada. — Você a ajudou com isso? Que merda é essa?
— Você não entendeu, capitão. — Indagou o chamando por sua patente, para que soubesse que não estava brincando. — Eu mandei que se cale. Como sua superior, exijo respeito e obediência. — Edward trincou o maxilar e se calou. Mas em seus olhos, a fúria mal contida permanecia. Apenas esperando o momento certo para ser libertada.
— Comece a correr, Bella. O capitão e eu temos alguns pontos a serem esclarecidos aqui.
Bella assentiu e correu para junto dos rapazes, que a olhavam abismados.
— Qual o seu problema? — A tenente questionou. — Quer estragar tudo que ela conseguiu?
— O meu problema? Olhe para ela! Ela está vestida como...
— Como uma garota? — O interrompeu. — Você pode ser namoradinho dela dentro dos dormitórios, mas fora deles você é um capitão e ela um soldado. Ou quer que ela seja expulsa de uma vez? — Questionou e ele abaixou a cabeça.
Desde que soube que ela seria enviada para Síria, sua cabeça já havia pensando em mil maneiras de impedi-la ou ajuda-la.
— Você quer. — Ela afirmou. — Você não a quer na guerra, quer?
— Eu não sei nada sobre isso. Não sou eu quem decide.
— Mas se fosse? O que decidiria?
— Ela não está pronta! — Rugiu, mas ao olhar para o lado, voltou a sussurrar. — Ela não deveria ir.
— Você acha que ela não é boa o bastante, mas está errado.
— E se eu não estiver? O quanto isso pode custar?
— Se você tentar impedi-la, ela vai odiar você. — Indagou.
— Esse é o ponto. Ela estaria viva para me odiar! — Rebateu erguendo o queixo.
— Seja lá o que está planejando, esqueça, Cullen.
— Eu não disse que estava.
— Conheço as pessoas. Sei quando tem intenções escondidas. Agora, é o seguinte, estou encarregada de treinar esses soldados antes de serem enviados. Você pode ficar e me ajudar a dar o melhor treinamento que eles, e como isso, quero dizer ela também. —Acrescentou apontando para Bella, que se aquecia. — Ou pode sair e ficar andando de um lado para o outro. O caso é...
— Ela vai para a Síria. — Edward resmungou emburrado, mas assentiu.
— Assim é melhor. Só preciso ver uma coisa no meu dormitório, mas logo eu volto. Dê continuidade ao aquecimento, depois vamos treinar o combate corpo a corpo. Já formei as duplas. — Acrescentou, saindo pela porta e o deixando com uma carranca.
Ao entrar no dormitório para pegar sua caderneta que havia esquecido, a tenente sentiu seu corpo sendo puxado. Com seus reflexos aguçados, ela virou o corpo, torcendo o braço do agressor contra as costas.
— Solta! Solta! Solta! — Beau pediu choramingando e ela o largou.
— O que você tem na cabeça, seu idiota? Eu podia ter quebrado seu braço.
— Como eu ia imaginar que você faria isso? — Questionou massageando o braço.
— É o que eu normalmente faria com alguém que tenta me agarrar.
— Eu não tentei agarrar você. — Rebateu. — Talvez um pouco. — Admitiu. — Mas como eu ia imaginar que você iria tentar quebrar meu braço?
— O que faz aqui? Pensei que tivesse ido embora.
— Não. Eu me escondi no dormitório da Bella. — Respondeu sorrindo e mostrando sua covinha. Ele era adorável quando queria. E isso mexia com a tenente. Ninguém nunca exerceu tanto controle sobre ela quanto Beau exercia.
— E resolveu entrar aqui?
— Eu queria continuar o que começamos ontem.
— E quem disse que eu quero continuar? — Questionou e ele se aproximou e a puxou contra seu corpo. A tenente se virou tentando torcer o braço dele novamente, mas dessa vez ele estava preparado. Beau agarrou os pulsos dela e a girou, prendendo-a entre seu corpo e a parede.
— Eu não sou um completo idiota, sabia? — Sussurrou em seu ouvido, mordiscando a orelha da tenente, fazendo sua pele se arrepiar e os pelos de sua nuca se eriçarem.
— Só meio idiota, certo? — Rebateu passando por debaixo de seu braço, tentando escapar. Mas as sensações que ele causava a deixaram zonza por um instante. Beau a puxou novamente, colando seu corpo no dela. Mostrando a ela exatamente como ela o deixava.
— Eu sei brigar, querida. Assisti Rambo, sabia? — Respondeu e ela sorriu. Nem se importava em ser chamada de querida. Não se fosse por ele.
— Acho que temos tempo de terminar nossa pequena brincadeira. — Declarou e ele libertou os pulsos dela. As mãos da tenente foram até a nuca de Beau, o trazendo para mais perto.
— Tem alguém te esperando? — Beau perguntou entre os beijos. Ele a ergueu com os braços e a carregou para a cama.
— Sim. Por isso, menos papo e mais ação! — Rebateu enquanto ela envolvia sua cintura com as pernas.
— Sim, senhora. — Respondeu com um sorriso nos lábios, a jogando no colchão e cobrindo o corpo dela com o seu.
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— Solta ele, Edward! — A tenente ouviu gritos ao se aproximar do galpão. A brincadeira com Beau havia demorado mais do que o planejado, mas havia valido a pena. Pelo menos até ouvir os gritos e ver a roda se formando.
— Capitão, você vai quebrar o braço dele! — Um dos soldados gritou, mas ninguém se atreveu a toca-lo.
A tenente se aproximou apressada soando seu apito, fazendo com que todos saltassem e se afastasse. Então ela pôde ver o que causava o tumulto: Edward estava montado nas costas de um dos soldados e torcia seu braço nas costas.
— O que você pensa que está fazendo, Cullen? — A tenente rugiu, fazendo com que ele a observasse. — Solte-o! — Exigiu.
Edward sabia que seu tempo havia acabado. E que se sofresse punições e seu plano falhasse, ele não seria enviado com Bella. Então resolver soltar o soldadinho tarado. Por enquanto.
— Você está bem, Erick? — A tenente perguntou preocupada.
— Meu braço! Qual o problema dele? — Perguntou tentando se levantar.
— Levem-no até a enfermaria. Cullen? Aqui! Agora! — Exigiu e ele caminhou para perto dela, como se nada tivesse acontecido.
— Sim?
— Qual é a porra do seu problema? Por que estava torcendo o braço do garoto? — Questionou.
— Eu estava ensinando uma lição para aquela ameba.
— Como lutar em uma guerra utilizando apenas um braço? Porque não estava se saindo bem.
— Estava ensinando que não se deve tocar uma garota contra sua vontade! — Rebateu, alterando sua voz.
— Então é por causa dela?
— Ele tentou toca-la.
— Você o viu fazer isso? Ela te disse que ele fez? — Exigiu saber.
— Não... — Negou envergonhado. Ele não precisava que ela dissesse. Ele mesmo havia visto. Ele havia visto, certo?
— Não?
— Não, eu apenas...
— Argh! — Grunhiu irritada. — Já chega! Fora daqui! —Vociferou.
— O que? Não pode me expulsar. — A lembrou. Apesar de tudo, ele ainda era o capitão ali.
— Já o expulsei. — Rebateu esfregando as têmporas.
— Mas... — Edward tentou argumentar, mas sua crise e ciúmes havia estragado tudo.
— Escute bem, Edward. — O chamou pelo nome, fazendo com que se calasse. — Eu sei que você a quer viva. E para isso ela precisa de treinamento. E com você aqui, tumultuando? Isso não irá funcionar.
Edward suspirou e assentiu. Sabia que ela tinha razão. Ao olhar para Bella, ele via como ela estava irritada com sua cena de ciúmes.
Sempre havia sido tratada como uma garota indefesa. Isso não devia acontecer ali dentro. Não precisava que a defendessem. E era exatamente isso que Edward havia feito. Erick e ela estavam apenas treinando e ele interpretou tudo errado. Ela podia ser uma garota, mas ali era um soldado. E apenas os melhores soldados iriam para a Síria. E ela treinaria o bastante para se assegurar que seria um deles.
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