Zona de Guerra
15 Capítulo 15 - Sentido, porque você não manda aqui.
Notas iniciais
O major se dirigia até o pátio com os soldados, quando um dos oficiais comunicou que havia alguém no portão. Um rapaz havia sido pego pulando um dos muros
— O que foi?
— Um rapaz foi pego tentando pular o muro.
— Pulando o muro?
— Não exatamente pulando. O moleque estava com uma escada. — O soldado acrescentou sorrindo.
— Ele foi preso? — Questionou e o soldado assentiu. — Leve-o para minha sala. Eu resolvo assim que fizer o anúncio.
— Acho que vai querer vê-lo primeiro, senhor.
— E por que acha isso, garoto? — Perguntou impaciente. Será que todos queriam atrasa-lo hoje?
— Por que revistamos o sujeito e no documento dele consta uma coisa bem interessante.
— E o que seria?
— Ele se chama Beaufort Swan
— Só pode ser brincadeira. — Grunhiu.
Completamente furioso, o major se dirigiu até sua sala, onde Beau o esperava.
— Olá. — O rapaz o cumprimentou. Sua voz tentava soar leve, mas seu nervosismo era visível.
— Você é Beaufort Swan?
— Essa é uma pergunta muito pessoal. Depende de quem quer saber.
— Eu quero saber, rapaz. — Grunhiu. — Quero saber também como podem haver dois Beaufort Swan. Um no pátio junto com os outros soldados e o outro aqui, bem na minha frente.
— Essa é uma pergunta muito simples. Eu sou o cara errado. — Declarou erguendo as mãos. — Eu peguei os documentos do meu amigo Beau por engano. No final de semana ele foi me visitar, então trocamos as carteiras sem querer.
— É mesmo? Então se esse documento é dele — perguntou tomando o documento das mãos de um dos soldados —, como explica sua foto nele, garoto? — Acrescentou impaciente. Estava cansado de ser feito de bobo.
— Somos muito parecidos. — Beua respondeu simplesmente.
— Parecidos?
— Praticamente gêmeos.
— Me cansei dessa brincadeira. Eu não sei o que vocês pensam que estão fazendo, mas isso acaba agora. Jackson! — Chamou um dos soldados. — Vou dar a essa garota uma chance de se entregar. Se ela não cooperar, apareça com esse garoto.
*~*~*~*~*
— Algum problema, major? — Edward perguntou quando viu James olhar para a fila onde os rapazes estavam. Ou onde quase todos eram rapazes.
— Eu acredito que sim. E tem a ver com um de seus soldados. — O major disse e Edward empalideceu aos poucos.
Aquilo só podia ser um pesadelo. Edward sabia que era estupidez, entendia que era o sonho dela, mas era muito arriscado, ele sempre deixou clara sua opinião a respeito. Era perigoso demais. Havia as noites de sexo que tinham juntos e aquilo realmente fazia valer a pena o risco, mas agora? Agora vendo o major estudando-a com os olhos em fenda? Respirou fundo, sinceramente, não sabia mais o que pensar daquilo tudo.
Bella estava prestes a cavar um buraco e se enfiar dentro dele. Suas pernas gritavam “corra, sua louca, salve-se quem puder” e em sua mente era essa a imagem que ela tinha de si mesma, correndo como uma covarde. Mas uma parte de seu cérebro (uma parte que realmente era bem louca, senhoras pernas), lhe ordenava que permanecesse ali, pois tudo estava sob controle... só que não, suas pernas diziam enquanto tremiam.
— Algum deles saiu da linha, major? — Perguntou tentando manter a firmeza na voz enquanto James caminhava em direção aos rapazes, medindo cada um deles, e parando em Bella.
— Eu diria que sim, capitão. Na verdade, acho que esse soldado nem viu que existia uma linha.
Jesus Cristo, é agora. Bella estava perdida, já era, game over, fim da maldita linha que ela não viu que existia.
— Acho que não entendi, major. — Edward respondeu e James começou a chegar cada vez mais perto.
Por alguns momentos ela refletiu em como Edward estava sendo fofo se fingindo de inocente, mas James era conhecido por farejar mentiras de longe, então, é, Edward, você não foi tão brilhante dessa vez. Mas ela ainda continuava o achando um fofo.
— Mas acho que logo vai entender. Senhor Swan! — Ele vociferou fazendo Bella ficar ainda mais reta. Podia sentir o suor se acumulando em suas costas. Era agora. Ela seria pega e desmascarada na frente de todos. Podia sentir os olhares de Edward e Sam em cima dela, mas pensar nisso não a ajudaria em nada.
— Sim, senhor! — Disse batendo continência e pelo canto do olho pôde ver Edward engolir seco.
Ela seria pisoteada, humilhada, dilacerada! Ele tinha vontade de puxá-la pela mão, a deixando o mais longe possível do major.
— Um passo a frente. — Ele ordenou e mesmo com as pernas bambas ela obedeceu.
— Sim, senhor. — Respondeu com a cabeça levemente abaixada. Ela estava corada e não precisava de mais coisas para se complicar.
— Seu nome, soldado. — Ele rugiu, fazendo os pelos de seu corpo se eriçarem.
— Beaufort Swan, senhor.
— Esse é mesmo seu nome soldado? — Ele voltou a perguntar e Bella percebeu que ele estava mais perto. Perto demais.
— Si-sim, senhor. — Respondeu tentando parecer firme, mas estava falhando miseravelmente.
— Major... — Edward o chamou.
— Ainda não terminei, Cullen. — O major respondeu, fazendo Edward se calar e travar o maxilar.
O capitão odiava ser oprimido daquela maneira.
— Quero seu nome, soldado. Agora! — Ele sibilou estreitando os olhos negros na direção dela. — Ou isso vai acabar bem pior. — Ele sussurrou a última parte.
— Beaufort Swan, senhor. — Respondeu com mais firmeza, ainda insistindo na mentira. Ela estava completamente ferrada, mas não conseguia admitir a verdade. Admitir que era uma garota só complicaria mais as coisas. Para todo mundo.
— Isso poderia ter sido mais fácil. — Ele respondeu lhe dando as costas e ela relaxou. E foi um grande erro, por que seus problemas não tinham terminado. Ela estava fodida e sabia disso. — Todos os soldados! — Ele rugiu. — Sem camisa! Agora! — Ordenou e ela congelou.
Ele sabia do seu segredo e estava prestes a desmascará-la.
Rapidamente ela viu todos os soldados vestindo apenas as bermudas e os coturnos para todos os lados, enquanto ela continuava paralisada.
— Está surdo, Swan? — O major perguntou. Ele sabia que havia a pego. E ela ainda não conseguia mover nenhum músculo. Ele voltou para perto e Bella respirou com dificuldade. — Algum problema, senhor Swan? — Perguntou frisando bem o senhor.
— Na-não, senhor. — Respondeu tremendo.
— Major...
— Quieto, Cullen. — Disse erguendo apenas a mão no ar, em uma ordem clara para que ele se calasse. — E então, Swan? O que está esperando? — Ele perguntou e Bella respirou fundo. Não tinha escolha.
Segurou a barra da camisa, ainda tremendo. A mentira havia acabado e não havia mais nada que ela pudesse fazer.
— Swan... — Edward disse ainda sem acreditar que ela faria aquilo.
Sua mão ainda estava na barra da camisa e ela tremia já revelando sua barriga e o começo da bandagem quando ele gritou frustrado.
— Argh, pelo amor de Deus, Swan. Cubra-se. — O major disse se virando. — Você! — Rosnou se virando e apontando para Edward. — Há quanto tempo sabia disso?
— Major, eu não sei... — Edward tentou defender-se.
— Não sabe o que? Que o senhor Swan é na verdade senhorita Swan? — Perguntou sério, fazendo todos rirem, pensando que era alguma piada e Edward e Bella tiveram a decência de abaixar a cabeça.
Mal sabiam como major James estava certo.
É. Bella realmente estava fodida.
— E então, Swan? Eu estou esperando.
— Senhor, eu não sei...
— Argh! Tragam o garoto! — Rugiu e Bella olhou por cima dos ombros de James. Ao ver quem o soldado trazia, sentiu o chão sobre seus pés desaparecer.
— Ai, ai, ai! Vai com calma. — Beau reclamava enquanto o soldado o levava em direção à todos eles.
— Então, Isabella, ainda não sabe sobre o que eu estou falando? — Bella empalideceu enquanto Victor sorria.
— Bella, eu não queria... — Beau começou, mas foi interrompido.
— Calado, rapaz. — O major o repreendeu. Bella podia ver o arrependimento nos olhos do primo.
— E então, Swan? O que tem a dizer? — Questionou e Bella respirou fundo, arrancando seu boné e dando um passo a frente.
— Vejo que Becker já conversou com o senhor, major. Você tem razão. Eu sou uma garota, mas também sou tão boa quanto seus rapazes. E a única razão pela qual eu tenho me passado pelo meu primo, é que seu quartel não me aceitou das primeiras vezes que tentei entrar.
— Você sabia disso, Cullen? — Questionou e ele assentiu. Bella havia pedido que ele negasse, mas ele nunca se acovardaria desse jeito.
— Sim, major. E como ela já provou, é melhor do que grande parte dos rapazes aqui. Caso contrário, o senhor não teria a escolhido para servir na Síria.
— Isso está fora de questão. Ela será enviada para casa.
— Eu discordo, major. Como sua superior, sua decisão não será acatada. — A tenente Garcia declarou, se fazendo presente.
— Como é? — Perguntou confuso.
— Você me ouviu, major. Ela já se provou. Não será enviada para casa porque é uma garota.
— Não tem autoridade para isso, tenente.
— Está me questionando? — Semicerrou os olhos e James engoliu seco. Sabia bem que não era inteligente deixar aquela mulher com raiva.
— Não. Mas a menina quebrou regras. Por Deus, ela se passou por um garoto! — Gritou, jogando as mãos para o alto.
— Não me importo com essas regras, major. O que me importa é ter gente da minha inteira confiança na linha de fogo. Se ela for mandada para casa, quem irá substituí-la? O Becker?
— Bem...
— Aquele rato não deveria estar mais aqui. Que tipo de soldado traí seus companheiros? Chantageia seus superiores? E isso é apenas uma parte da podridão desse garoto.
— Eu já considerei esses fatores, tenente. — James respondeu baixando a cabeça. Sabia que ela estava certa.
— Eu aposto que sim. Essa garota vai continuar aqui. — Declarou, fazendo Bella e Edward sorrirem.
— Eu acho que isso deve ser discutido.
— Não há o que discutir. Ela ficará aqui e será enviada até a Síria, junto com os outros escolhidos.
— Tenente, isso não.... — Edward começou, mas foi interrompido.
— Quieto, Cullen. Você acha que essa garota é frágil e delicada, mas ela não é. — Disse se aproximando de Bella. — Vejo muito de mim em você, garota.
— Obrigada, tenente.
— Agora que tudo foi esclarecido, o major irá dizer a lista de...
— É... Eu não quero atrapalhar esse momento lindo, mas alguém pode pedir pra esse cara soltar meu braço? — Beua pediu, fazendo com que a tenente notasse sua presença.
— O que está esperando, soldado? Solte-o!
— Eu já posso ir agora? — Perguntou querendo sair o mais rápido possível de lá.
— Ainda não. Não terminei com você. — A tenente disse piscando um olho em sua direção e Beua sorriu maliciosamente.
— Como eu dizia, o major irá dizer a lista de escolhidos para essa missão na Síria. Os selecionados terão um duro treinamento. Separado, antes de serem enviados. Estão dispensados.
Ela começou a se afastar, mas Edward foi atrás dela.
— Tenente... — Edward começou a falar, mas ela ergueu a mão para que se calasse.
— Eu nem quero ouvir a choradeira, Cullen. Tenho certeza de que é contra o envio da sua garota, mas ela é boa. E esse é o sonho dela. Vai mesmo impedi-la de vive-lo?
— Eu não quero impedi-la. Apenas acho que ela não está pronta.
— E eu acho que você está errado. Ela é boa. Vai se sair bem. — Respondeu olhando para Bella, que praticamente fuzilava Becker com os olhos. — Becker por outro lado... Se eu fosse ele, dormiria de olhos abertos essa noite. Vá falar com ela, Cullen. Antes que você faça alguma estupidez que se arrependa.
— Sim, senhora. — Respondeu batendo continência.
— Agora eu posso ir? Estão todos indo. — Beau declarou praticamente choramingando.
— Ainda não. Como disse, não terminei com você. Venha. Você e eu temos muito o que conversar.
— Temos? — Perguntou confuso.
— Temos que terminar aquela conversa da noite no bar. Garanto que James não irá nos atrapalhar dessa vez. — Sussurrou se aproximando. Ao notar que o pátio estava vazio, ela olhou para os lados e mordiscou o lóbulo de Beau, fazendo-o estremecer.
Se afastou rapidamente e saiu rebolando em direção ao seu dormitório, enquanto Beau a olhava de queixo caído.
— Você vem ou não, soldado? — Perguntou e ele assentiu correndo. Ele não era um soldado, mas quem se importava?
Fale com o autor