Zona de Guerra
22 Capítulo 22 – Sentido, porque essa é a verdade
Notas iniciais
— Garrett era seu irmão? — Bella perguntou calmamente.
— Sim, ele era. E assim como todos que eu amava, eu o perdi. — Declarou, caminhando em direção a porta.
— Edward, não. — Ela pediu, fazendo com que ele parasse. —Por favor, não vai. — Acrescentou fazendo com que ele a olhasse.
— Por quê?
— Porque eu amo você. E porque eu quero acertar as coisas. Já tem tanta coisa entre a gente. E eu... — Ela ia continuar, mas ao se mexer, sua costela a machucou, fazendo com que ela gemesse de dor. Preocupado com ela, ele se aproximou.
— Talvez essa não seja a melhor hora para conversarmos. Você precisa descansar.
— Não. Eu preciso de você. — Respondeu com a voz embargada. —Eu sei que não é justo te pedir isso, porque quando você me pediu para ficar, eu te deixei. — Acrescentou com os olhos cheios d’água. Edward nunca havia visto esse lado de sua garota. Sempre foi forte e determinada. Aquelas lágrimas em seus olhos verdes eram uma novidade para ele.
— Eu não vou a lugar nenhum, Bella. Nunca mais quero te deixar. — Indagou se sentando ao lado dela e ela rapidamente agarrou sua mão.
— Eu sei que deveria ter esperado, mas você sabe que paciência nunca foi meu forte. E eu sabia que existia alguma coisa, para que você abominasse tanto a ideia de ir para a guerra. Nunca imaginei que fosse isso.
— Garrett e eu éramos inseparáveis. Ele era meu irmão. Não biológico, mas isso nunca fez diferença. Éramos família. Defendíamos um ao outro.
— Ele não é seu irmão biológico? — Bella perguntou. Dessa vez, deixaria que ele contasse a história.
— Não. Quando minha mãe estava grávida, foi uma gravidez de risco. Junto com o meu nascimento, minha mãe perdeu a capacidade de ter outros filhos.
— Eu sinto muito. — Lamentou e ele apertou sua mão.
— Quando eu tinha seis anos, decidi que queria um irmão. Era apenas uma criança, não entendia que minha mãe não podia ter outros filhos. Na época eles já cogitavam a ideia da adoção, mas tinham medo do que eu poderia sentir.
— Acharam que sentiria ciúmes?
— Sim. Mas então, eu mesmo pedi um irmão. Minha mãe ficou eufórica. Fomos até o orfanato. A ideia era adotar um bebê, pelo que me lembro.
— Um bebê?
— Sim. Minha mãe queria aquela sensação de novo. Fraldas e mamadeiras. E então ela viu o Garrett. Eu não me lembro muito bem de como ele era, mas tenho uma foto. Ele tinha quatro anos na época. Era magro e baixo. Quase desaparecia no meio das outras crianças. Mas minha mãe o notou.
— Então vocês o adotaram?
— Demorou um tempo pelo que me lembro. Mas sim, ele veio para nossa casa. Sempre fomos inseparáveis. Ele implicava com a cor do meu cabelo e eu porque ele sempre foi magricela. — Enquanto Edward falava do irmão, Bella pôde ver que lágrimas se formavam em seus olhos.
— Vocês se alistaram juntos?
— Não. Eu fui primeiro. Depois do meu primeiro ano, decidi seguir carreira. Estava há dois anos e meio no quartel, quando ele chegou.
— Seus pais devem ter ficado orgulhosos.
— Estávamos indo bem. Garrett estava com duvida se devia ou não seguir carreira. Era uma escolha dele. Eu não quis me envolver. Mas aí recebemos uma ligação que mudou tudo.
— O que aconteceu? — Ela perguntou, mas ele se manteve calado, olhando para o nada. — Edward? — O chamou, fazendo voltar a si, e limpar uma lágrima que escorreu por seu rosto.
— Era natal. Meus pais haviam decidido viajar. Os dois filhos no exército. Eles saíram em uma lua de mel. — A essa altura, Edward abraçava o próprio corpo. Bella queria consola-lo, mas seus ferimentos a impediam.
— Edward?
— Houve um desvio de rota. O piloto errou as coordenadas. O avião foi atingido. Os japoneses não se importaram que fosse um vôo comercial. Que eram civis. Tudo que eles viram, foi a bandeira americana. Eles não tiveram a mínima chance.
— Edward... Eu... Eu sinto muito. Eu nunca imaginei.
— Então estávamos sozinhos. Nunca ficamos tão unidos, quanto naquela época. Mas algo havia mudado. Garrett não era mais o mesmo. Não parecia meu irmãozinho. Ele era frio. Pelo menos em batalha. Eu era o único com que ele conversava. Até...
— Até? — O incentivou, mas as palavras pareciam chumbo em sua boca.
— Até a Garcia aparecer.
— Ela foi noiva do Garrett, não foi?
— Não! Ela foi uma namorada. Quer dizer, eles iam... Eu não sei mais. — Argumentou confuso, e Bella afagou seus cabelos.
— Está tudo bem. — O tranqüilizou, afagando seus cabelos.
— Depois disso ele pareceu voltar ao normal. Parecia meu irmãozinho outra vez. Então fomos designados para aquela exploração.
— Aquela em que...
— Sim. — A interrompeu. — Ele estava confiante. Confiante demais. Deixou sua guarda baixa por um segundo. Quando o inimigo se aproximou. Ele estava um andar abaixo de mim. Eu atirei contra o soldado, chamando a atenção para mim. E em retribuição o desgraçado atirou na minha perna. Garrett o matou.
— Foi esse tiro que te impediu de continuar?
— Foi. Eu caminhei mais alguns quilômetros, mas logo não conseguia mais me mover. Foi quando Garrett viu a criança. E o resto você já sabe.
— Eu sinto tanto, Edward. Ninguém deveria passar por isso. Ninguém. —Tentou conforta-lo.
— Depois disso eu voltei para a base. Fizeram um funeral e uma cerimônia. Garrett foi enterrado junto aos meus pais. Um tempo depois uns amigos me convenceram a sair. Me distrair. Foi quando eu a conheci.
— Sofia. — Bella disse olhando para baixo. Sabia que mesmo que ele a amasse, jamais esqueceria a antiga namorada.
— Eu não estava interessado, mas ela insistiu. Começamos a conversar, então a chamei para sair. Eu precisava... Me concentrar em outras coisas que não envolvessem o quartel.
— Você se apaixonou. — Ela completou e ele assentiu sem olha-la.
— Perdidamente. Não sabia que pudesse existir um amor mais forte que aquele. Não até conhecer você. — Respondeu esfregando o rosto. — Em todo caso, você também sabe o que aconteceu.
— O acidente de carro. Você também a perdeu.
— Entende agora, por que fui tão relutante em amar você? Todos que eu amei, morreram. Eu soube desde muito jovem, como era amar e perder. Por que faria isso novamente? O mais inteligente seria afastar você. Mas eu não consegui. E então você resolveu que queria ir para a guerra.
— Então você teve medo de me perder. Como perdeu todos a sua volta.
— Sabe, depois que você ama alguém. Que se apaixona tão desesperadamente, sabe o que a ideia de perder essa pessoa faz com você? Sua cabeça começa a pensar em todas as possibilidades. Uma pior do que a outra. Até que você não agüenta mais e decide fazer alguma coisa.
— Como tentar me impedir. — Argumentou. — Você teve medo de me perder. Medo de ficar sozinho outra vez.
— E agora você sabe a verdade.
— Edward? —O chamou, mas ele não conseguia olha-la. Se sentia fraco. Completamente vulnerável. — Olha para mim. — Pediu. —Por favor. —Suplicou e ele levantou os olhos.
— Eu vou deixar você descansar.
— Não. Olha para mim. — Pediu e ele a olhou. — Você não Vai me perder. Eu nunca mais vou deixar você. —Indagou acariciando seus cabelos e ele fechou os olhos, apreciando seu toque. — Não precisa mais ter medo. Eu amo você. — Sussurrou, mas os analgésicos começaram a fazer efeito e ela se sentia cansada.
A conversa havia deixado ambos esgotados. Edward beijou sua testa e se levantou.
— Não vai, não. — Pediu, com os olhos fechados.
— Se eu dormir aqui, posso te machucar. Estarei na sala. Eu prometo. —Declarou e ela assentiu, se entregando ao sono.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~
Ao chegar na sala, havia um travesseiro e uma coberta no sofá. Beua havia deixado para ele.
Edward caminhou até o sofá, se preparando para deitar. Era bom ter se livrado daquele peso. Tantas mentiras e segredos. Era bom ter finalmente alguém para conversar. Alguém que não olhasse com penas.
Ele se deitou, fechando os olhos, mas antes de adormecer, pesou em todos que havia amado e perdido, e tentou se convencer que Bella nunca estaria nessa lista.
Tudo estava escura a sua volta, ele apenas ouvia as vozes, mas não eram apenas vozes. Ele as conhecia.
— Garrett? — O chamou, reconhecendo a voz do irmão. Mas seus olhos ainda estavam escuros.
— Tudo vai ficar bem, querido. Está tudo bem agora.
— Mãe? —Perguntou se virando, tentando chegar até onde as vozes estavam, mas continuava cego. — Cadê vocês? — Gritou.
— Você sabe onde nós estamos, Edward.
— Sofia? É você? — Perguntou desnorteado pela falta de visão. —Por que não consigo ver? — Grunhiu esfregando os olhos.
— Você nos amou, meu filho.
— Pai?
— E então nos perdeu.
— Eu não consigo enxergar! Por que não consigo enxergar? —Gritou caindo de joelhos.
— Mas ainda falta alguém. — Dessa vez foi a voz de Victor que soou. Estava carregada de maldade e Edward permanecia cego.
— Não!
— Chegou a vez dela, Cullen.
— Não, por favor! –Implorou esfregando os olhos. –Bella? — A chamou desesperadamente. Então algo molhou seus olhos e ele voltou a enxergar, mas preferia ter continuado cego. Bella estava caída e Victor segurava a faca, cravada em seu coração.
— Não! — Rugiu
— Ah!! —Edward acordou sobre saltado com seu sonho e também com os gritos que vinham do quarto de Bella e. Se levantou rapidamente, mas se deparou com Beau. Ele tinha cara de sono, mas não parecia surpreso com os gritos.
— O que está acontecendo? — Questionou enquanto iam em direção ao quarto.
— O mesmo de toda noite. Os pesadelos dela.
— Ela tem tido pesadelos?
— Todas as noites desde que voltou. Bella! — A chamou, enquanto a puxava pelo braço.
— Não! Eles não! — Ela continuou gritando, deixando Edward cada vez mais assustado. Até que Beual finalmente a acordou.
— Está tudo bem, priminha. Você está em casa agora. Nada vai te machucar. — Sussurrou enquanto acariciava seus cabelos. Aos poucos a respiração dela voltou ao normal, enquanto Edward a olhava.
— E-Edward? — Gaguejou o chamando, mas ele continuava estático.
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