Zona de Guerra
23 Capítulo 23 - Sentido, porque pesadelos não são sua exclusividade
Notas iniciais
— Quando eu conseguir me soltar daqui... — Bella grunhiu, se debatendo, mas era inútil.
— Acho que não nesta vida, querida.
— Eu não sou a porra da sua querida! — Rosnou puxando a corda com mais força.
— Acho que é hora deixar ela um pouquinho mais mansa. — O homem declarou com um tom de divertimento. — Tirem o capuz! —Ordenou e um dos capangas obedeceu.
Os olhos de Bella já estavam adaptados a escuridão. Quando o capuz foi removido, a luz a cegou.
— Acho melhor ficar mais calminha, querida. — O general inimigo voltou a sibilar, mas dessa vez, Bella não tinha resposta. A visão a sua frente era chocante demais.
— Não... — Sussurrou ainda estática. A sua frente havia cinco cadeiras. Mas não eram as cadeiras que prendiam sua atenção. Eram as pessoas sentadas.
— Oh sim! — Respondeu sorridente, caminhando a primeira cadeira. Sam estava amarrado e havia hematomas em seu rosto, que sangrava. Ele estava desacordado, assim como todos os outros.
— Seu filho da... — Rugiu, tentando arrebentar as cordas, mas era inútil.
— Acho bom medir suas palavras. Não quero ter que causar mais estragos. — Indagou seguindo para a próxima cadeira.
— Tenente! Acorde! — Gritou, mas ela também estava desacordada.
— Essa aqui foi difícil de pegar. Demos sorte, sabe? Foram dois de uma vez. — Acrescentou com um sorriso diabólico.
— Beua! Não! — Rugiu, lutando contra as próprias lágrimas.
— Sim! O priminho! Ele é mais esperto do que parece. —Comentou acendendo a luz que iluminava a próxima cadeira.
— Alice! — Bella a chamou desesperadamente, mas assim como os outros, ela permanecia desacordada. Além do desespero ela sentia raiva. Mas no meio de tudo isso, ainda conseguia raciocinar. Alice não tinha como estar ali. Era um pesadelo. Tinha que ser.
— Então, querida? Está com medo agora? — O general questionou, fazendo Bella se virar.
— Não! Isso é apenas um sonho. Nada aqui é real. — Respondeu e o general começou a rir.
— Acha que é um sonho? Vamos ver então. — Comentou seguindo para a próxima e última cadeira.
— Edward!
— Se é apenas um sonho, então não pode machucar, não é? — Perguntou sacando uma faca. — Acorde! — Exigiu, socando o rosto do capitão, fazendo com que ele acordasse.
— Não... —Sussurrou, mas o general não parecia disposto a parar.
— É apenas um sonho, não é, querida? Não vai machucar. —Respondeu sorrindo e esmurrando o rosto de Edward, que finalmente despertou atordoado.
— O que? — Edward perguntou atordoado, olhando ao redor. —Bella? — A chamou, puxando as próprias cordas, mas não conseguia se soltar.
— Sua garota disse que é apenas um sonho, Cullen. Então acho que isso não vai doer. — Indagou com a maldade carregada na voz.
— O que você... — Perguntou, mas a dor da faca rasgando seu abdômen, o impediu de concluir a frase. Seu grito de dor, fez com que a expressão de Bella se transformasse em horror.
— Não! — Ela gritou, tentando mais do que nunca se libertar, mas o general continuou rasgando a pele. — Não, por favor! Pare! Ele não! Por favor, não!
— Não era apenas um sonho, querida? — O general gritou, tentando soar mais alto que os gritos desesperados de Edward.
— Não, por favor! — Gritou perdendo a voz até que Edward apagou.
— Bella!
Ela ouviu uma voz chama-la, mas não conseguia se concentrar. Nada mais importava. Até que abriu os olhos e encontrou o olhar de seu primo, tentando acalma-la.
— Está tudo bem, priminha. Você está em casa agora. Nada vai te machucar. — Sussurrou enquanto acariciava seus cabelos. Aos poucos a respiração dela voltou ao normal, enquanto Edward a olhava.
— E-Edward? — Gaguejou o chamando, mas ele continuava estático.
Aquilo estava sendo demais para ele. Seu próprio pesadelo e agora os dela. Por que ela não havia contado? Quando pediu que ele dormisse com ela, nunca lhe ocorreu que fosse por medo de dormir.
Sufocado por seus pensamentos, Edward deu a volta, saindo do quarto. Nada que ele dissesse seria de ajuda para ela naquele momento.
Depois de alguns minutos, Beau apareceu na sala. Edward permanecia sentado, com o rosto entre as mãos. Ainda pensando em seu pesadelo.
— Ei! — Beua o chamou, mas ele o ignorou. —Ai, cara! — Voltou a chama-lo, dessa vez o empurrando levemente.
— O que você quer?
— O que eu quero? Quero que me explique por que fugiu daquele jeito. Ela precisa de você. Pensei que se soubesse dos pesadelos, teria a decência de se manter por perto para conforta-la! — Ralhou irritado.
— Acontece que eu não tenho como fazer isso!
— Não seja idiota. Apenas sua presença faria isso.
— Por que ninguém me contou sobre os pesadelos? —Questionou o olhando.
— Teria feito diferença? Você teria fugido mais rápido? Ou nem teria aparecido aqui? — Beau perguntou em um sussurro grave. Estava irado, mas ainda sim, não queria que Bella acordasse.
— Sabe que eu não faria isso! — Rugiu se levantando.
— Então pare de agir como um covarde!
— Seu... — Indagou agarrando Beau pela gola da camisa.
— Acho que não entendeu, Edward. Eu não sou um de seus soldadinhos. Você não me assusta. Acho que é hora de pensar em alguém além de você.
— Além de mim? —Sibilou.
— Olha, eu sei sobre seu passado e sinto muito, cara. Mas a Bella precisa de você. Eu também tenho minhas próprias merdas, mas abriria mão delas em um piscar de olhos se a Dani estivesse na situação que a Bella está.
— Você não sabe o que está dizendo. Não tinha o direito de contar a ela. Eu deveria ter feito isso.
— Se tinha a intenção, por que não fez? —Questionou.
— Isso é mais complicado do que você pensa, garoto. Estava tudo sob controle — Sussurrou o soltando.
— Estava? — Então você não estava tendo pesadelos quando ouviu os gritos dela? — Questionou, deixando Edward mudo.
— Não sabia que tinha ouvido.
— Todos estão sob muito estresse nesses últimos tempos. Pesadelos não são exclusividade da Bella, tão pouco seus. — Declarou fazendo com que Edward baixasse a cabeça. — Acho que vocês tem que conversar. Vocês tem muito o que resolver. Esse monte de merda que aconteceu, deveria unir mais vocês. Não separar.
— Tem razão. — Sussurrou cansado.
— E além do mais... Espera! Você disse que eu tenho razão? — Perguntou surpreso.
— Disse. — Declarou pegando o travesseiro e se dirigindo ao quarto.
— Espera! Aonde você vai?
— Começar a arrumar essa merda toda. Não posso e nem quero mais me afastar dela.
— Bom saber. — Beau comentou se dirigindo ao próprio quarto.
*~*~*~*~*~*
Ela se mexia inquieta, quando ele a puxou contra o peito, o mais gentil que pôde.
— Pare com isso! Pare! — Ela gritou, abrindo os olhos. Edward a observava com uma expressão de dor. — Você está aqui.
— Pode dormir. — Sussurrou acariciando seu rosto. — Eu estarei aqui quando você acordar.
Sua mão segurava a dele com força. Com medo que aquilo fosse apenas mais um sonho e ele desaparecesse.
— Bella. Eu lamento sobre as coisas que você viu. Ninguém no mundo deveria passar por isso. E lamento ter mentido para você. E ter tentado te afastar. — Sussurrou, mas ela continuou olhando para baixo. Como se olha-lo nos olhos, pudesse machucar.
— Foi tão fácil para você ir embora. —Comentou ferida. — Eu recebi alta tem quinze dias. E você nunca veio aqui. Nenhuma vez.
— Me afastar de você foi a coisa mais difícil que eu já fiz. E se você não me chutar agora — comentou sorrindo —, prometo que não saio do seu lado. — Declarou acariciando o rosto dela.
— Tudo bem por aqui? — Beau perguntou colocando a cabeça para dentro do quarto.
— Sim. — Bella murmurou se arrumando na cama. E nesse momento, Beau apontou dois dedos para Edward. No sinal universal de tô de olho em você. E saiu do quarto.
— Acho que ele não confia muito em mim. Depois de tudo que eu fiz você passar. — Edward indagou, enquanto brincava com os cabelos dela.
— Eu sei. — Respondeu.
— E você? — Questionou a observando. Em seu rosto não haviam expressões. Não haviam sinais. — Honestamente eu espero que sim. Porque não consigo mais ficar longe de você.
Make You Feel My Love — Adele
When the rain
Quando a chuva
Is blowing in your face
Está soprando no seu rosto
And the whole world
E todo o mundo
Is on your case
esta em sua mala
I could offer you
Eu poderia oferecer a você
A warm embrace
Um abraço caloroso
To make you feel my love
Para fazer você sentir o meu amor
When the evening shadows
Para fazer você sentir o meu amor
And the stars appear
E as estrelas aparecem
And there is no one there
E não houver ninguém lá
To dry your tears
Para secar suas lágrimas
I could hold you
Eu poderia segurar você
For a million years
Por um milhão de anos
To make you feel my love
Para fazer você sentir o meu amor
Ao ouvir essas palavras, Bella fechou os olhos e deitou no peito dele.
— Devagar, Bella. Vai se machucar.
— Quieto. — Mandou e ele sorriu.
Com cuidado, ela se ajeitou em seu peito e os braços dele rodearam-na . Ela se sentia em casa novamente. Edward beijou o topo de sua cabeça e em instantes, ambos adormeceram.
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