Zona De Perigo
1 Macarrão instantâneo para zumbis.
Olá. Sou Jack, tenho 15 anos, moro em São Paulo.
Hoje é dia 1 de Fevereiro de 2050. Mas minha história não começou hoje. Vou começar desde aquele dia.
Era 5 de Janeiro quando tudo começou. Eu estava em casa preparando o almoço. Macarrão instantâneo como sempre.
– Você deveria comprar mais comida pai. — eu encarei-o. — Seus olhos cansados davam a ele dez anos a mais. Ele era policial, dormia em média duas horas por dia.
– Não seja fresco garoto. É oque temos para hoje. — ele se sentou a mesa, esperando eu terminar.
Ele vestia o uniforme. Como meus pais eram separados, ela estava sempre amassada e suja.
– Terminei.
Me sentei a mesa, e servi nós dois, e comemos em silêncio. Ao terminar, deixei a louça suja na pia, teria que lavar a noite mesmo. Meu pai foi indo para a viatura, enquanto eu apaga as luzes. Antes de desligar a TV, ligada no jornal, fiquei intrigado ao ver '' NOTÍCIA URGENTE. '' Não deve ser nada demais, imaginei.
Entrei na viatura, oque era normal pra mim. Seguimos até a avenida, para ir até a delegacia. Estava tudo normal, até atropelarmos um homem.
– Pai! Mas que merda você fez?!
– Acalme-se, vou descer e ver se ele está bem.
Ah, claro pai, você estava a 80km por hora, é claro que ele está bem.
Meu pai desceu do carro, e foi até o homem. Ele parecia bem, estava sentado. Vi meu pai se aproximando, e o homem indo até ele. Oque tava acontecendo ali?! O homem tentou morder meu pai, que atirou em sua cabeça.
Meu pai voltou correndo, entrou no carro e acelerou.
– Pai?! O que aconteceu?! O que ele tentou fazer?!Mas que bosta é essa?!
– Filho, aquela coisa não é humana. Tinha olhos vazios, cheiro de carne podre.
Fiquei em silêncio, assustado. Já tinha visto coisas parecidas com aquela num filme, e em alguns jogos. Mas de verdade? Isso era estranho. A parte que eu não gostaria de descrever, foi meu pai atropelando pelo menos 50 daqueles. Havia carne, tripas, e pedaços de cérebro sobre o carro. Isso foi nojento.
Chegamos na delegacia, ela estava toda fechada, não parecia ter alguém lá. Meu pai abriu o portão de ferro, e entramos. Lá dentro, policiais com roupas esquisitas e armas em mão pareciam bolar um plano.
– É seu filho, Mclain? — um policial mais velho olhava pra mim, como se eu fosse uma criança em perigo.
– Sim. Precisamos mante-lo á salvo.
– Todos nós aqui queríamos salvar nossos filhos, família. Livre-se dele, vai ser apenas um peso para nós.
Meu pai parecia bravo, ele puxou o homem pelo braço e foram conversar. Eu poderia ser útil sim. Mesmo com pouca idade, eu poderia matar alguma daquelas coisas. Eu acho.
Me sentei um pouco, e esperei. Estava quase dormindo quando ouvi gritos, tiros, e vários outros barulhos.
– FUJA GAROTO!FUJA! ELES ESTÃO AQUI, CORRA! — um policial passou por mim correndo.
Não esperei segunda ordem, peguei o cabo de uma vassoura, e estava pronto para luta.
Vi meu pai batendo em um zumbi, queria ajuda-lo. Corri até ele, e dei uma vassourada no zumbi, acertando a cabeça. Ele estava morto, novamente. Meu pai estava sangrando, oque era mal sinal. Talvez ele tivesse sido mordido, ele viraria uma daquelas coisas? Apoiei meu pai nos meus ombros, e segui até o carro.
– Pai, você está bem? Você pode andar?
– Jack, me solte. Me deixe aqui. Procure sua mãe, ajude ela. Quando encontrar ela, vá ao aeroporto e mostre a eles esse cartão. — ele me entregou um cartão de identificação, com vários números e um código de barras.
– Não posso te deixar aqui pai... — eu estava prestes a chorar, isso não podia ser sério.
– Vamos filho. Não vou durar muito. Pegue minha arma, corra. Fuja filho. Eu... — ele estava cuspindo sangue. — amo vo...
Ele começou a tremer, e eu soltei-o. Corri para o carro. As chaves ainda estavam lá. Liguei o carro, e segui atropelando alguns zumbis. Não importa oque significava, eu precisava honrar meu pai de alguma forma.
Olhei para a arma, sim, eu também te amo pai.
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