Zombie's Hunters

8 Damn, he's perfect. And I hate to admit it.


Notas iniciais
Desculpem pela demora.

-Eu menti pra vocês — eu disse a Cachinhos na floresta.

-Sobre o que? — ele perguntou me olhando.

-Sobre Johanna


-Ouviram isso? — Lucas perguntou. Paramos para escutar.

-Rápido, pra baixo dos carros — eu disse arrumando o pé da minha moto e agarrando Johanna assim que me dei conta do barulho dos antropófagos se aproximando.

Me enfiei em baixo de um carro com a mão na boca de Johanna, a impedindo de gritar.

Alguns zumbis passaram por nós, porém acabaram sentindo o nosso cheiro. Puxei Johanna para fora.

-Fica atrás de mim — eu disse a ela.

Lucas e Ísis se encontravam do outro lado. Ísis tinha um taco de Basebol e Lucas uma pistola. Acertei uma flecha em um dos zumbis do lado deles. Havia tantos zumbis que não notei que Johanna se separou de mim, também não notei que minhas flechas estavam no mico.

Olhei para trás e vi Johanna correndo de um zumbi. Do outro lado da rodovia, algo parecido ocorria com Ísis.

Eu só tinha uma flecha, a minha faca eu dei a Lucas. Tinha que pensar rápido.

Atirei a flecha.

Salvei Ísis, no momento em que o zumbi mordeu Johanna.


-Você só podia salvar uma delas — Cachinhos disse — Não foi sua culpa.

Me escorei numa árvore e escorreguei até sentar no chão.

-Eu fui egoísta. Salvei Ísis porque sabia que não poderia viver ao lado da Johanna sabendo que a minha melhor amiga morreu por causa dela.

Ele sentou no meu lado e limpou uma lágrima com o dedo indicador.

-Não foi sua culpa ok? — sorri de canto.

-Obrigada Cachinhos — olhei para ele e só então eu vi o quão verdes eram os olhos dele.

Os cachos dele balançavam sob a touca, por conta do vento gelado inglês. A camiseta dos Ramones parecia ter sido fabricada exclusivamente para ele.

Porra, ele era lindo. Por que eu não tinha reparado nisso antes? Desviei a atenção para seus lábios.

Ele se aproximou de mim e delicadamente colocou uma mecha do meu cabelo para trás. Olhou novamente em meus olhos e me beijou.

Partimos o beijo por falta de ar, já que infelizmente somos humanos e precisamos de oxigênio. Cachinhos sorriu, ainda com nossas testas coladas.

-Eu queria fazer isso desde a primeira vez que eu te vi — ele disse, sorri.

-Eu... — comecei, mas fui interrompida por uma gota de sangue na minha mão.

Olhei para cima e abafei um grito com minha mão.

Um corpo humano (humano, não zumbi) estava pendurado na árvore.

-Mas que porra é essa? — Perguntamos juntos para nós mesmos.

Então, do nada, tudo ficou escuro, e a última coisa que senti foi o impacto do meu próprio corpo no chão.


-Cléo, eu entendo que esteja chateada comigo... — Scott disse no treino, pela milésima vez

-Chateada? — o interrompi — Você mentiu pra mim. Fingiu ser meu amigo, pra eu me encontrar com meu pai. Me fez acreditar em você. Eu não to chateada com você. Eu estou irritada, furiosa, e todos os sentimentos ruins possíveis com você.

-Bom, você me dirigiu a palavra pela primeira vez hoje, é um começo — ele disse sorrindo.

Ele passou na frente do alvo e eu atirei a flecha, que passou a centímetros dele.

-FICOU MALUCA? — ele gritou — PODIA TER ME ACERTADO! — dei de ombros.

-Srta. Smith, não irei aceitar esse tipo de comportamento delinquente em minha aula -Srta. Edwards disse. Dei de ombros mais uma vez — Esse é seu melhor? Um dar de ombros?

-Não Srta. Edwards, meu melhor é mirar pra acertar.

-Bom, nesse caso terei que tomar providências — ela disse.

-Não precisa — entreguei o arco e a aljava- eu já to vazando — peguei minha bolsa e saí, os deixando com cara de bunda me acompanhando com os olhos até a saída.

Saí andando pelo campus atraindo o olhar das vadias que sempre me encaram. Um dia eu ainda pergunto se elas perderam o cu na minha cara.

Encontrei Ísis e andei até ela. Ela estava em baixo de uma árvore lendo.

-Fui expulsa — eu disse depois de sentar ao lado dela.

-Por quê? — ela perguntou sem tirar os olhos do livro.

-Porque atirei uma flecha em Scott — respondi como se dissesse "porque comi feijoada e fiquei com gases"

-Você o quê? — ela perguntou alto fechando o livro bruscamente e me olhando, o que fez todo mundo olhar para nós.


Acordei e senti que estava amarrada. Olhei em volta e não fazia a mínima ideia de onde eu estava. Um galpão talvez. Eu ouvia o barulho dos zumbis num armário na minha frente.

Vi que Cachinhos estava amarrado também, nas minhas costas.

-Cachinhos? — O chamei, rezando que ele me respondesse e que não estivesse morto.

-Cléo? Você acordou? — ele perguntou, suspirei aliviada.

-Não, eu to sonâmbula.

-Pode segurar o sarcasmo? Grato — balancei a cabeça em negação.

-Foi mal.

Foi aí que o cara abriu a porta e entrou na sala. Me controlei para não gritar. Por um milésimo de segundo, imaginei que fosse um pesadelo (e, sinceramente, desejei que fosse), mas pela dor forte que sentia na cabeça, vi que não era um sonho, era realidade.

-Scott? — perguntei.

-Quase — ele respondeu — John, gêmeo dele. A menos que você acredite em fantasmas, já que vocês mataram meu irmãozinho. Bom, não importa porque eu farei bem pior com vocês.

-Ah, quer dizer então que filha da putice é coisa de família? — perguntei irônica.

-Cléo! — Cachinhos exclamou.

-Olha só, que engraçadinha, vou me lembrar disso depois — ele se aproximou pegando no meu queixo — Quem é esse? Namoradinho é?

-Não te interessa — respondi e dei uma mordida forte nele. Ele gritou.

-Filha da puta, ficou irritadinha? — perguntou.

-Mano, solta o Cachinhos, ele não tem nada a ver com isso, a culpa foi toda minha, a ideia foi minha — eu disse a John.

-O quê? Cléo! Eu tive tanta culpa quanto você! Não vou a lugar nenhum sem você.

-Aww, que lindinhos. Tão....Patético. Infelizmente não me interessa de quem foi a culpa. Vou fazer os dois desejarem nunca ter ido àquele mercado — ele saiu da sala.

-Cachinhos, me escuta. Tem uma faca no meu coturno.

-Como vou pegar uma faca no teu coturno?

-Com as mãos? — perguntei irônica — Desculpa — eu disse arrependida.Ele saiu de trás de mim — eu devia aprender a ser menos idiota com as pessoas.

Ele desamarrou o cadarço e tirou meu coturno. Ainda amarrado virou o coturno, deixando a faca cair. Pegou-a do chão e cortou a corda.

-Eu gosto de você idiota — ele disse no meu ouvido, cortando minha corda. sorri — também gosto quando você sorri, gosto do jeito como resolve as coisas, gosto quando você tem sempre o plano, e espero, sinceramente que tenha um agora — sorri novamente.

-É, eu tenho. Eis o plano.

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