Zombies, Bitch!!!!
2 Promessa
Notas iniciais
— Amanheceu! Enfim! Nós já podemos ir procurar por eles, Peach! – Daisy havia se levantado, não queria mais permanecer naquele lugar.
— Procurar por quem? – perguntou Kelsey.
— Antes de chegarmos aqui, garota, nós acabamos encontrando um rádio em um carro, chiando, Peach foi até ele e o pegou. Era uma transmissão – respondeu Mario.
— Um homem, Chris, se eu não me engano, dizia para que todos os sobreviventes fossem para Carson City, Nevada. No momento nós estamos perto de Sacramento, falta mais um pouco para conseguirmos chegar lá.
— É, chegaríamos mais rápido se não parássemos por um boom tempo em um lugar – Daisy pegou a lança feita de madeira que estava no chão, era um cabo de vassoura quebrado. — E se eles tiverem chuveiro? Vai ser ótimo!
— Vocês tem alguma arma pra mim? – perguntou Kelsey.
— Não, só conseguimos um machado, e essa arma que está com Mario, nós pegamos elas quando passávamos por uma pequena fazenda – disse Peach, segurando o machado. — Mas talvez nós consigamos algo no meio da rua., um taco de basebol seria o mais fácil. Nós encontramos dois na nossa viagem até aqui, mas ambos estavam quebrados.
— Vocês tem algum veículo? Seria bem mais rápido se fôssemos em um.
— É óbvio que seria mais rápido! Nós tínhamos um, mas deu a louca na Peach, e ela tacou o machado nele descontroladamente! – reclamou Daisy
Peach encarou Daisy.
— Vamos – disse ela, seriamente.
Peach foi na frente, com Kelsey logo atrás. Mario e Daisy continuavam juntos, ao lado das duas. Eles passaram pela bagunça do supermercado, e observaram o lado de fora pela porta de vidro, que estava interditada com alguns objetos para que as criaturas não entrassem de noite. No terraço do supermercado havia vários carros estacionados, alguns virados, outros quebrados, entre eles, estavam as criaturas. Elas vagavam sem rumo, cambaleando de um lado para o outro.
— Tem 13 no total, nós não vamos conseguir, Peach – falou Daisy, mas Peach continuou em silêncio, observando tudo. — Peach! Você me escutou? Nós não vamos conseguir, são muitos!
— Cala a boca, por favor – Daisy observou com raiva a garota, e a obedeceu, ficando em silêncio. — Eu acho que tem uma rota de fuga.
— Mas nós ainda temos que matar alguns se quisermos pegar um dos carros – falou Mario, coçando seus cabelos escuros.
— Kelsey, você sabe ligar um carro sem as chaves? – perguntou Peach.
— Sei.
— Ok, você vai dar pra essa garota que mal conhecemos uma tarefa importante, é isso mesmo? Vai confiar nossas vidas a ela? Sério, Peach? – Daisy reclamou novamente.
— Você entra no carro, e liga, enquanto nós distraímos eles – Peach ignorou a garota.
— Ok.
Peach abriu a porta lentamente. Daisy bufou e foi logo atrás. Todos estavam do lado de fora, procurando não serem notados. Estava quente, a pele de Peach já estava suada. Não sabia se era o nervosismo. Ela firmou o machado em sua mão, e correu junta de Kelsey até um dos carros que haviam ficado estacionados, Peach e Mario vinham logo atrás. Alguns já haviam percebido eles. Peach ultrapassou Kelsey, que estava na sua frente, e tacou a lâmina do objeto que estava em suas mãos na cabeça da criatura, sangue espirrou para todos os lados, o objeto ficara cravado, Peach levou sua perna ao corpo do morto, e o empurrou com um chute.
Estavam quase lá. As duas havia chegado na calçada. Peach olhou para trás, havia escutado o tiro da arma de Mario. Ela sabia que ele não deveria ter apertado o gatilho, disse a ele que nunca apertasse se não fosse uma situação realmente complicada. Estava ficando realmente nervosa, em segundos aquele lugar estaria cheio deles. Chegaram no veículo. Kelsey tentou abrir a porta, mas estava trancada. Peach mandou que a garota se afastasse, e em seguida levou o machado até a janela de vidro do veículo, quebrando-a. Kelsey se aproximou novamente, colocou sua mão dentro do veículo, e abriu a porta.
— Rápido!
Kelsey entrou no carro e sentou-se no banco do motorista, se abaixou e abriu o compartimento dos fios. Peach continuou em frente ao veículo, matando todos aqueles que se aproximavam, enquanto Daisy e Mario tinham dificuldades de chegar até o carro. A garota loira teve de se afastar e ir ajudar os dois que ainda estavam um pouco longe. Chegou de surpresa por trás das criaturas e as atingiu na cabeça. Mario tacara sua escopeta na cabeça de um, e Daisy cravara sua lança de madeira na cabeça de outro.
— Vamos! – falou Peach.
Os três foram correndo até o carro, quando chegaram, havia um, com a carne podre, roupas rasgadas, e soltando um líquido branco pela boca, tentando pegar Kelsey, que estava dentro do veículo. Peach o puxou, jogando-o no chão, e Mario destruíra seu crânio logo em seguida.
— Já acabou? – perguntou Daisy. — Por favor, diga que já terminou de fazer essa merda!
— Já – Kelsey encarou a garota, com raiva, e abriu ainda mais a porta para que todos entrassem.
A garota de cabelos marrons foi a primeira a entrar, seguida por Mario, e por último Peach. Mario e Daisy ficaram no banco de passageiro, e Peach ficara do lado de Kelsey, no banco da frente. A garota se preparou, e colocou o veículo para andar. Enfim haviam deixado o supermercado. Não sabia como conseguiria encontrar Ren e Kishan, esperava que ambos estivessem nesse lugar almejado por Peach e os outros. Se não estivessem, provavelmente perderia a pouca esperança que ainda que lhe restava. Dirigindo, percebeu que aquilo já não era mais seu mundo, era o inferno, ele havia vindo para a terra. Haviam alguns carros estacionados, mas também haviam alguns destruídos, jogados contra prédios, que estavam todos abandonados. Havia pessoas caídas no chão, algumas com os miolos estourados, outras simplesmente comidas, restando apenas um pouco de carne junto a seus ossos. Uma cena a surpreendeu quando estava quase deixando a área urbana, um homem, ele se colocou no meio da pista, pedia ajuda, estava fugindo das criaturas que o perseguiam. Mas Peach notou a mordida em seu braço, e disse para que Kelsey apenas continuasse.
— Como você acha que é esse lugar? – perguntou Kelsey, ainda dirigindo, já estava ficando noite.
— A Resistência? Acho que é um lugar calmo, tranquilo, com muros inquebráveis, pessoas fortes, armadas e prontas para qualquer problema, uma salvação para nós. E se eles tiverem um cientista? E se eles estão realizando pesquisas, procurando uma cura para isso tudo? Eu mal espero para ver como é lá.
— Você acha que seus pais estão lá? Algum conhecido, um amigo?
— Minha mãe morreu, e meu pai também, eu tinha 16 anos, meio que me acostumei a viver sozinha. Afinal, nunca estive sozinha, Mario é meu amigo faz muito tempo, assim como a Daisy, só que quanto a ela… eu meio que tive alguns problemas. Eu já lhe contei que eu ia me casar com Mario, certo?
— Uhum.
— Ela não queria que isso ocorresse, dizia que ele não era o homem certo pra mim. Isso que eu vou contar aconteceu três dias antes dessas criaturas surgiram. Eu ia me casar com o Mario, meu amigo de infância, nós mesmos dissemos um ou outro, que, se não se apaixonássemos por ninguém até eu ter 20 anos, nós iríamos nos casar, ter filhinhos, e viver felizes para sempre. E isso ia ocorrer. Mas como eu já disse, Daisy não queria, dizia que eu ainda teria muitos anos de vida, muito homens para conhecer, e que Mario era uma escolha errada e precipitada.
— Mas ele é bonito – Kelsey olhou para o retrovisor e viu o homem forte e bonito com a cabeça virada para trás e com Daisy em seu colo, ambos dormiam.
— O dia do casamento estava chegando, e Daisy tentou me convencer com vários e vários homens. Ela não conseguiu, e ela acabou fazendo uma escolha precipitada. Eu estava trabalhando, e já havia chegado no meu apartamento, subi as escadas, e ao se aproximar da minha porta, eu escutei gritos. “Não, não, não, não pode ser!” pensei. E quando abri a porta, eu a vi com ele, no tapete da minha sala. Você deve pensar no que eu fiz…
— E o que você fez?
— Eu expulsei ela da minha casa, e antes disso eu a dei um tapa. Conversei com Mario, e disse que estava acabado, ele insistiu com os planos, insistiu que ainda devíamos casar, mas não, não depois daquilo. Foi ele que lançou a proposta de continuarmos amigos, mas isso não funcionou, quando eu o via, eu me afastava, nas festas, eu tentava ficar o mais distante possível. E no dia do desastre nós decidimos acabar com isso, ver se conseguiríamos voltar a ser como antes. Fiz o mesmo com a Daisy. Ela me ligou chorando um dia depois do ocorrido, dizendo que estava arrependida e que não tinha culpa. Encontrei os dois no meu apartamento e tivemos uma conversa. Foi aí que eu descobri que os dois ficaram juntos depois do meu rompimento com ele. Ok, eu não ligava mais, mas eles ao menos deviam ter me contado... Eu quase me descontrolei, quase expulsei Mario do apartamento, e pulei em cima de Daisy. Mas decidi manter a calma e aceitar tudo. Os dois eram os meus melhores amigos, nunca, nunca conheci uma pessoa tão dolce e engraçada quanto o Mario, e uma pessoa ignorante, e ainda assim, alegre, como a Daisy. Concertamos tudo. E foi aí que escutamos o som de vidro sendo quebrado. Fui até a varanda e vi que estava acontecendo um tumulto na rua. Nós três descemos, e vimos tudo começar, ali, na rua. Nos escondemos dentro de carros, e decidimos ir ao supermercado principal, onde podíamos encontrar alguém, onde podíamos ficar salvos. Nós encontramos o machado e a escopeta em uma loja de armas que ficava perto do meu apartamento, e a lança da Daisy foi feita com o cabo de uma vassoura quebrada. Ela não queria uma arma, disse que nós a defenderíamos, e foi aí que eu me descontrolei. Nós discutimos no carro. Daisy disse que não queria morrer, e que se fosse preciso, usaria eu e Mario como escudos. “Sério que você disse isso?” eu falei. Eu era a melhor amiga dela, e ele era o namorado dela, e ela simplesmente nos disse que nos usaria como escudo! E ela soltou um “Eu sou bem mais importante que vocês dois juntos!”.
Kelsey escutava assustada a história da garota, não acreditava que Daisy havia feito e dito tudo isso que ela contara.
— Tivemos sorte que estávamos em uma rua tranquila, com árvores ao redor, e poucos carros parados. Eu saí do veículo, e ela também, Mario tentou nos impedir, mas nós continuamos. Ela falou mais um monte de idiotice, fazendo com que eu ficasse com ainda mais raiva. Vi alguns zumbis andando até nós e aproveitei para descontar a minha raiva neles. Cortei-os sem pensar em quem eram, se eram boas pessoas, se tinham uma família. Vi seus sangues serem jorrados contra o meu rosto e a cabeça, e entranhas deles serem esparramados no asfalto. Depois que eu os matei, ela reclamou, depois que eu salvei ela! Ela reclamou por eu ter salvo ela! Eu soltei um grito e fiquei tacando o machado no nosso carro até estar cansada o bastante para parar. Mario pegou o machado e o carregou, ele também me guiou a outro carro enquanto me acalmava, foi aí que ouvimos a transmissão.
— Vocês poderiam ter usado o mesmo, você só atingiu o capô e quebrou o vidro.
— Eu acabei atingindo o tanque, e com o vidro quebrado nós não teríamos segurança caso quiséssemos dormir – fez-se silêncio por poucos segundos até que Peach voltasse a contar sua história. — Bem, nós seguimos nesse carro novo até a outra cidade, e quando a gasolina acabou, nós fomos a pé até o mercado, foi aí que encontramos você nos chamando no meio da rua.
— Eu cheguei a pensar que vocês moravam por ali, em algum dos apartamentos… – disse Kelsey, com um sorriso.
— Não – Peach sorriu de volta. — Bem, acho que devemos parar um pouco, dormir. Estaciona ali, entre aqueles dois carros.
A garota estacionou, tentando não fazer barulho algum.
— Os vidros estão fechados, e eu acho que eles resistem, só não faz barulho e tenta dormir, estamos seguros – Peach se colocou de lado no banco, quase que deitada, com as mãos sobre a bochecha, tentando se fazer um travesseiro. A garota loira olhou para Kelsey, que havia se virado para o outro lado, e pôde escutar os pequenos fungos que a garota fazia. — Nós vamos encontrar eles dois, Kelsey, eu prometo.
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