Zombies, Bitch!!!!
3 Um Menino no Corpo de Um Homem
Notas iniciais
Estava quase amanhecendo, não aguentava mais fingir que estava dormindo. Todos os acontecimentos vinham à sua cabeça, não conseguia dormir, não conseguia pregar os olhos. Enquanto fingia dormir, escutou alguns encostarem-se levemente no carro. Tremia ao pensar nas possibilidades deles abrirem o vidro e conseguirem pegá-la. Tentava não chorar, não queria ser a garota fraca que não sabe fazer nada. Em seus pensamentos, sempre foi forte, e tentava mais que tudo, não ser a donzela em perigo (mesmo acabando sendo em alguns casos). Chorou sim, e desejou que Peach não tivesse escutado, mas ela escutou, e ainda a prometeu que achariam Ren e Kishan. Chorou ainda mais, mas logo cessou suas lágrimas e voltara a pensar nos bons tempos. E ficou pensando até agora.
Se assustou ao escutar uma das portas ser aberta silenciosamente. Se colocou em alerta, e olhou discretamente. Era Mario, o homem acabara de abrir a porta de trás. Pensou se deveria segui-lo, se deveria conversar com ele. Ela também abriu a porta e fechou com cuidado, tentando não acordar Peach, ou Daisy, que estava deitada no banco de trás usando o boné vermelho de Mario como travesseiro. Estava frio, e se abraçou, sua roupa não era exatamente adequada para o momento. Ela segurou seus cabelos, que insistiam em se embaraçar com o vento, e andou até onde Mario estava. Havia algumas das criaturas por ali, ela prendeu um grito, e tirou seus sapatos, queria se prevenir de um confronto. Ela continuou andando por entre os carros, escondida das criaturas.
— Mario? – sussurrou, o homem estava perto de uma árvore, urinando. — Oh, desculpa! – ela se virou.
— N-Não, tudo bem, quer dizer, não você me ver urinando, mas você ter me seguido – ele fechou o zíper e andou até ela, que continuava se abraçando.
— Você também não conseguiu dormir? – ela se virara, mas o homem colocara a palma de sua mão na boca da garota.
— Silêncio – ele apontou para um dos carros. — Vamos.
Os dois andaram até o veículo que não tinha nenhum deles ao redor. Mario abriu a porta e convidou a garota para entrar. Kelsey sorriu e entrou no veículo.
— Fica um pouco abaixada, se um deles nos ver, vai cagar com tudo, e fala baixo, acho que eles conseguem ouvir mesmo com nós dentro do carro.
Ele a observou por um tempo. Viu que ela estava com frio.
— Toma – ela tirou o casaco branco que o cobria, ficando apenas com sua blusa vermelha. — Eu encontrei ele nesse carro, pode usar – ele estava com a mão estendida para a garota, esperando que ela pegasse o objeto.
— Sério? O-Obrigado – ela pegou o casaco e o colocou. — Você não parece ser tão velho assim.
— Peach disse minha idade? – ele sorriu. — Mas eu sou velho sim, 26 anos, perto dos 30, e olha essa barba – ele passou os dedos pela barba em suas bochechas.
— Não tava conseguindo dormir? – perguntou ela.
— Não, só estava com vontade de urinar, mesmo. Eu e Daisy começamos a dormir mais cedo que você e Peach, mas Daisy tem um sono bem mais duradouro que eu. E eu também já não aguentava mais a cabeça dura dela no meu colo – o garoto se espreguiçou. — E você?
— Não consegui dormir, meus olhos não conseguiam fechar com o pensamento na minha cabeça de que tem essas coisas por aí.
— Quando eu era pequeno, eu lembro de não deixar meu irmão dormir por ter medo do escuro, sempre ficava com os olhos abertos, atento a todos os lugares do quarto, esperando que algo me pegasse.
— Você tem um irmão?
— Uhum, Luigi, também não sei se ele tá bem…
— Sinto muito.
— Não, não, não precisa – ele sorriu novamente. — Acho que ele sabe se cuidar melhor que eu no meio disso tudo. Nós dois éramos encanadores, e eu estava de folga no dia em que tudo aconteceu.
— Peach me contou tudo.
— Foi? – ele sorriu e abaixou a cabeça, envergonhado. — Acho que foi a pior coisa que aconteceu na minha vida inteira. Eu realmente queria casar com ela, mas me deixei ser… seduzido pela Daisy. Fiz de tudo pra que minha amizade com ela não fosse embora, não fosse jogada no vento. Ainda não sei se consegui isso.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo. Kelsey o observava, sabia muito bem os motivos pelo qual Peach gostava tanto dele. Ele era um garoto. Um garoto que ainda não sabia agir como homem, mesmo sendo um. Agia e aparentava como alguém de 17, 18 anos. Tímido, bonito, simpático. Também queria tê-lo como amigo, queria fazê-lo importante. Ele retribuiu o olhar e continuou a falar.
— Eu realmente me importo com ela, mas eu estou com Daisy, e, eu acho que ela só é irritante, ignorante, e chata, por não ter ninguém que se importe com ela. Depois que ela brigou com a Peach, ela não tinha mais ninguém, os pais dela vivem viajando, e seus outros amigos não estão nem aí pra ela. Foi aí que ela veio até mim, e eu aceitei, deixei que ela entrasse, afinal, eu tava um pouco, só um pouco, triste pelo ocorrido com a Peach. Acabamos fazendo coisas que amigos não fazem, e virou isso que é agora.
— Você estavam sozinhos e acabaram se entregando um ou outro, que era o que um tinha mais próximo do outro – lembrou-se do tempo em que ficara com Kishan apenas por tê-lo mais próximo que Ren, que estava distante.
— Sim, mas no momento não tem como voltar atrás, certo? Eu estou com a Daisy, e vou ficar com ela, até que ela mesma acabe com tudo, aí sim eu posso voltar a tentar ficar com a Peach.
— Eu ajudo – Kelsey sorriu, Mario sorriu de volta, e em seguida abraçou a garota, apertando as costas macias dela.
— Obrigada – ele disse.
Os dois ainda estavam abraçados quando escutaram um grande barulho. O som de hélices cortando o ar. Kelsey viu Peach sair do carro com o machado, e Daisy sair logo em seguida. Mario e Kelsey também saíram do veículo e observaram o céu. Havia um helicóptero no céu. Kelsey olhou para Peach e Daisy, surpresa, mas ficou com medo ao ver a garota de cabelos marrons, namorada de Mario, a encarar. As duas correram até Mario e Kelsey. Peach entregou a arma a Mario e pegou a mão de Kelsey, a encarando.
— Grite, ignore as criaturas, e grite o mais alto que puder!
Fale com o autor