Zombie War
6 Capitulo 6 - Lágrimas de sangue
Notas iniciais
A noite passou rápida, acho que Anne e os outros dois estavam tão cansados que nem conseguiram se levantar para os seus turnos, e eu e Emily simplesmente ficamos a noite toda em silêncio, teria sido uma situação estranha, talvez tenha sido para ela... Mas, eu me senti bem, o silêncio era tudo que eu precisava depois de me recuperar de uma crise pânico, desespero, tristeza... Chame como quiser. Num momento durante a noite, Emily me surpreendeu ao se aproximar e se ajeitar no meu ombro, acabou dormindo, coisa que eu nunca conseguiria fazer, primeiro por ser estar sentando, e segundo por medo de morrer comido por aqueles monstros.
O dia já começava a raiar e logo já se podia sentir um leve calor pelo sol fraco que surgia no horizonte, apesar de ser tão cedo já o ambiente estava muito quente.
– Bom dia! – exclamou Kaio atrás de mim, o que me fez assustar.
– Bom dia! – eu retribui o cumprimento e o som de nossas vozes fizeram a morena acordar.
– Vamos aproveitar que ainda esta cedo, vou acordar as garotas. – continuou ele voltando para dentro.
– Esta bem. – eu disse assim como Emily me levantando.
– Tivemos sorte que não surgiu nenhum errante durante. – disse a morena.
– É tivemos...
Ficamos em silêncio até que os outros surgiram.
– Bom dia. – eu cumprimentei. – Dormiram bem?
– Na medida do possível. – disse Anne sorrindo.
– Pra onde vamos agora? – questionou Kate.
– Vamos pegar estra... – mas, antes que eu pudesse terminar a sentença, vários errantes foram surgindo na nossa frente.
Vindo por trás do estabelecimento que estávamos parados em frente vários monstros iam surgindo um a um, ficamos todos parados por alguns segundos, até que os ruivos sacaram as suas armas e começaram a atirar.
– Fica atrás de mim. – eu disse para Anne e Emily que obedeceram ao comando.
A minha arma tinha poucas balas, então minha única tática era correr, e matar os que se aproximassem demais.
Emily tomou a frente da nossa pequena fila, e atacou um dos errantes com sua faca afiada... Havia me esquecido que ela estava armada.
– Cuidado. – vi Anne gritar e quando me virei, um zumbi saltou sobre Kate que caiu ao chão lutando com o mesmo.
Ela tentou segurar o rosto do monstro longe de si, tentei andar em sua direção, mas vários zumbis começaram a atacar ao mesmo tempo, atirei nos que estavam mais próximos, enquanto Emy usava a sua faca.
– AAAAAHHHHHH –ouvi o grito feminino e estridente cortar os gemidos que até então reinavam sobre o silêncio.
Kate havia sido mordida, não conseguiu segurar, e ninguém chegou nela a tempo para resgatá-la.
– NÃÃÃOOOO... – vi Kaio gritar.
Ouvi seu choro sofrido atrás de mim, enquanto voltava a minha própria luta. Podia imaginar o que ele estava sentindo, quase podia ver a noite em que meu anjo foi tirado de mim. Senti meus olhos se humedecerem, mas conseguir segurar o choro, eu continuaria firme, eu seria forte desta vez.
Mas, de repente, um tiro foi ouvido... Nada demais eu pensei no primeiro momento.
Até ver a expressão que se formou no rosto de Anne.
– Ai meu deus! – disse Emily, e eu finalmente me virei.
Kaio havia acabado de se matar, atirou contra a própria cabeça e agora tinha o corpo devorado por errantes famintos. Senti uma pontada no peito. Anne se aproximou dele e finalizou os errantes que estavam distraídos com seu mais novo prato.
A loira pegou a mochila de ambos os ruivos, logo todos os monstros estavam finalmente sem vida ao chão.
– Vamos! – exclamou Emily me puxando pelo braço para longe.
Anne estava atrás de nós, e então corremos. Muito rápido pela estrada deserta.
O apocalipse é cruel, não só com o físico, que deixa sem agua e comida por dias, mas principalmente com o emocional e o psicológico.
A dor de ver alguém que você ama muito morrer na sua frente, não é pequena e eu sei bem disso, mas se matar é admitir que sua vida nunca foi o motivo de você ainda aguentar mais um dia nesse inferno. Kaio sempre teve a irmã como única razão para continuar lutando, e eu achava que isso também em relação á minha amada que eu igualmente vi morrer, ele não suportou as lágrimas de sangue.
Depois de corrermos alguns minutos, começamos a andar novamente, o silêncio predominava.
– Vocês estão bem? – eu disse olhando as moças nos olhos, enquanto elas tinham o olhar fixo no caminho, como se estivessem assustadas.
– Sim. – responderam em uníssono.
Depois disso, o silêncio voltou a reinar entre nós. Continuamos andando até que ao longe, observamos um carro parado, com as portas abertas, parecia abandonado.
– Vamos até lá. – exclamou Emily o óbvio.
Andamos até o carro e por sorte não havia nenhum errante por perto, nos aproximamos e vimos que o estava até em bom estado, apesar de estar muito sujo de sangue. E por incrível que pareça estava com as chaves na ignição, eu tentei e funcionou, não deveria estar ali por muito tempo.
– Acho que gastamos a nossa sorte por uma vida! – eu exclamei sorrindo.
Entramos no carro e fomos em direção ao norte, em direção a algo que não estávamos preparados.
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