Zombie War
18 Capitulo 18 - A resistência do Norte - Parte I
Notas iniciais
O sol já se punha no horizonte e as estrelas já começavam a se mostrar, o vento fresco que logo se tornaria frio batia forte contra meu rosto, devido à janela do carro aberta.
Mike estava no bando de trás, com a cabeça sobre o colo de Emily, e Andrew estava ao meu lado na frente, e eu obviamente no volante. Seguíamos o carro dirigido por Kevin, rumo a algum lugar que eu desconhecia. O carro não estava com muita velocidade, para que pudéssemos andar no mesmo “passo”.
Estávamos em silêncio. Eu havia pedido a Emily para verificar Mike, se certificar que ele não havia sido ferido por algum errante, e ela executou a tarefa bem até demais, levantando e abaixando todas as vestes do mesmo, para chegar à conclusão de que ele não estava mesmo mordido.
Observei o carro da frente diminuir devagar até parar, fiz o mesmo. Vi que ele havia parado próximo a uma placa, os vi descer do carro, também repeti o movimento. Eu andei em direção a eles, e observei que Sam pousou um mapa sobre o capo do carro, enquanto Kaio e Kevin pareciam discutir para onde ir.
– É uma cidade pequena, mas provavelmente toda transformada. Estaríamos caminhando para a morte. – dizia Kaio assim que cheguei perto o suficiente.
– Podemos ir para o norte. – eu disse e os dois trouxeram seus olhares até mim, e me fitaram.
– Por quê? – Kaio questionou com a face inexpressiva, sem desviar seu olhar de mim.
– O líder de uma resistência que eu estava, disse que lá tem outra resistência.
– E porque não ficou na primeira resistência? – desta vez foi Kevin quem questionou.
– É uma longa história. – me limitei a dizer.
– Não vejo uma saída melhor! – afirmou Kaio totalmente voltado para Kevin, ignorando a minha presença.
– Tudo bem então. – arfou Kevin.
– Já esta anoitecendo, não seria melhor achar um lugar provisório para passar a noite? – Sam se manifestou, eu nem mesmo me lembrava de que ele estava ali.
– É perigoso dirigir anoite. – concordei.
– A um casebre não muito longe daqui, fica na beira da estrada, dá pra chegar lá antes que escureça muito, e passar a noite. – disse Kevin dobrando o mapa.
– Como sabe disso? – perguntei.
– Descobri a algumas semanas enquanto buscava suprimento.
Dei costas e rumei até meu carro, assumindo o volante novamente, e seguindo o carro da frente assim que o mesmo arrancou. Não demorou a chegarmos ao casebre, que era realmente bem acabado e pequeno, além de perigoso por ficar a beira da estrada, mas infelizmente também era tudo o que tínhamos.
Saímos de nossos respectivos carros e rumamos para lá, entramos todos, decididos de que se alguém ficasse do lado de fora, poderia chamar a atenção de algum errante, e consequentemente de outros. Mike havia acordado, reclamando muito de uma forte dor de cabeça, e ainda muito grogue entrou na casa velha, mal o fez e já deitou ao chão e voltou a seu estado de falta de consciência.
– Uns dormes enquanto outros vigiam. – ditei e todos concordaram.
Decidimos que Eu e Lucy seriamos os primeiros a vigiar, Kevin tentou protestar, mas a loira logo o cortou, acho que só queria conversar mais comigo. Não tardou muito para que os outros estivessem dormindo.
Estávamos sentados próximos à porta, enquanto o resto se dispunham deitados no chão frio, pois nem cama havia ali.
Senti a mão fria de Lucy tocar o meu rosto, me tirando de meus devaneios, estávamos próximos, seu sorriso era pequeno.
– Senti tanto a sua falta! – sussurrou.
– Eu também senti. – devolvi o sorriso.
– Porque as coisas não podem ser simples para nós?
– Talvez seja o nosso destino, ser complicados. – soltei uma risada baixa.
Seu sorriso se tornou maior.
– Você me ama? – ela me perguntou, e eu me espantei.
– Eu nunca parei de amar. – respondi, pouco antes de senti-la selar nosso lábios em um beijo, desta vez mais intenso, permiti que sua língua invadisse a minha boca, a puxei pela cintura colando ainda mais nossos corpos.
Emily – A morena surgiu em minha mente, mas eu tratei de espantar aquele pensamento para longe.
O gosto era diferente da ultima vez que a beijei assim. Quando nossos rostos se separaram, ela voltou a alisar meu rosto.
Talvez nosso amor não tivesse mudado talvez esse reencontro fosse a nossa segunda chance. A abracei forte, sentindo a sua respiração quente próxima ao meu pescoço, ela me abraçou de volta. Senti seu cheiro doce, aquele que eu tanto senti falta. Nos separamos, quando Kaio e Sam anunciaram que era a vez deles vigiarem, fui me deitar então, com uma sensação de confusão no peito.
A manhã chegou, e logo estávamos prontos para partir, todos entraram em seus carros e seguimos viajem. Minha mente esta confusa, afinal eu e Lucy ainda poderíamos ter uma chance? E porque no momento em que eu estava com ela eu pensei em Emily?
– Acha que ir para o norte é uma boa ideia? – me voltei para Emily, que agora estava ao meu lado no banco da frente, enquanto Mike já acordado, mas ainda com muito dor de cabeça, estava sentando no banco de trás, ao lado de Andrew.
Ela não me respondeu, fitava o horizonte, na posição em que estava eu nem mesmo podia ver a sua expressão.
– Não ouviu? – insisti.
E novamente não obtive resposta. Desisti, e segui o trajeto em silêncio, estranhando a atitude da morena.
Depois de algumas horas finalmente chegamos a um lugar que aparentava ser um grande prédio, o que chamava a atenção porque em volta não havia nada, somente a estrada que passava bem na sua frente. Vi o carro a frente parar, e fiz o mesmo. Todos, sem exceção desceram dos carros.
– É aqui? — perguntei.
– Parece, vamos verificar. – respondeu Kevin, já andando em direção aos portões do estranho local.
Todos o seguíamos até a porta metálica, que parecia mais a porta de um elevador, definitivamente ali era a resistência. Havia um botão, semelhante a uma campainha, a tocamos.
Depois de alguns minutos e muita insistência, da parte de Kevin que parecia impaciente.
– Não tem ninguém. – conclui.
Mas, foi quando a porta se abriu. Mas, não havia ninguém lá.
– Devemos entrar? – perguntou Lucy.
– Não temos nada a perder. – concluiu Kaio
Adentramos, e assim que todos passaram a porta se fechou atrás de nós. Seguimos por um longo corredor escuro, podia se sentir um cheiro forte, não soube distinguir o que era, parecia algo podre. Foi quando o corredor acabou, no final dele havia o inicio de outro, fomos até lá e avistamos várias portas uma ao lado da outra, lembrando mais um corredor de hotel, ou um hospício.
Me aproximei de um das portas, e do nada um grande estrondo se foi ouvido atrás dela, como se alguém se debatesse contra a madeira. Dei um passo para trás com o susto, e notei que a face de todos era de puro terror.
Foi quando um senhor de jaleco, surgiu no fim do corredor, era difícil ver com muito clareza a sua face, devido a pouca claridade do local.
– Bem vindos à resistência do norte. – ele disse abrindo um grande sorriso.
E por alguma razão, senti um frio me correr á espinha.
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