Zombie War

16 Capitulo 16 - Choque


Notas iniciais
Esse capitulo traz o inicio de uma reviravolta que poderá mudar tudo... Boa leitura!

O silêncio parecia ainda mais ensurdecedor. O corpo de Evan estava jogado ao chão, havia muito sangue e até alguns miolos, no chão e em minhas roupas.

Sentia o coração disparado, a boca seca, as mãos tremendo, e as muitas lágrimas molhando meu rosto. Estava em choque.

Senti um toque suave no ombro, e logo em seguida o corpo de Emily ser pressionado contra o meu em um abraçou forte. Meus braços estavam tão fracos que nem consegui retribuir o gesto.

– Vamos! – a voz da morena era calma e suave.

Ela me guiou até o carro e me sentou no banco de trás, me sentia um inútil. A vi tomar o volante e assim que Mike e Andrew retornaram ao veiculo, ela arrancou. E diferente das outras viagens agora Andrew não estava no banco de trás, e sim na frente.

Coloquei minha cabeça para trás e deslizei no banco, meus joelhos estava contra o banco da frente e apesar de ser alto pude sentir o estofado tocar a minha nuca, fechei os olhos e respirei tão fundo que até senti meu peito se mover com o ato.

Fechei os olhos, e como em todas ás vezes que fiz isso, caí no sono rapidamente e comecei a sonhar.

(...)

Sentia o sangue escorrendo de algum lugar da minha face e molhar o meu rosto, levantei os braços ainda sentindo uma forte dor em todo meu corpo, acordei e logo percebi onde estava, olhei para o lado e não encontrei Lucy. Meu coração doeu.

Eu precisava sair dali.

Comecei a bater na janela em uma tentativa falha de quebrar a mesma, logo percebi que o botão de abaixa-la ainda podia estar funcionando, e por sorte estava, abri a janela e soltei meu cinto com uma faca que tinha cintura.

Eu podia ver com muito mais claridade agora, e apesar da dor eu não havia quebrado nada, me abaixei e peguei a minha mochila na sucata que um dia havia sido meu carro, eu o achei no apocalipse, mas estava tanto tempo comigo que já o considerava meu, peguei também a minha arma, e por incrível que pareça nem o corpo devorado de Lucy e nem o zumbi que causou a tragédia podia ser vistos, estranhei, mas por causa de minha angustia pessoal, decidi não me importar.

Saí andando decidido a chegar ao acampamento e contar a devastadora verdade ao senhor Daves e a Kaio, eu sentia uma vontade enorme de chorar, mas me segurava muito para ser firme na hora de lhes informar.

Nem sei bem por quanto tempo andei, só sei que finalmente cheguei depois do que pareceram ser algumas horas, me sentia bem melhor e as dores deveriam ser só do baque já que eu quase não sentia mais nada. Me espantei com o que vi, muito gemidos eram se ouvidos ao longe, característicos de uma horda, as coisas estavam todas reviradas, nosso acampamento era no começo da floresta, o que nos deixava exposto e ao mesmo tempo próximos de uma fácil fuga, já que ficávamos acampados bem ao lado do carro.

Foi quando eu avistei o pior, Senhor Daves nunca receberia a noticia lancinante da morte de sua filha, pois igualmente a Kaio, estava morto.

Seus corpos estavam dilacerados no chão, possivelmente causado pela horda que eu já ouvia se afastar, eu havia saído com Lucy para buscar suprimentos, e infelizmente nem Kaio nem senhor Dave tinha uma arma, o que nunca fora problema antes já que eu e Lucy sempre voltávamos rápido, fora que só tínhamos aquela arma, desde em um acidente já no apocalipse Kaio jogou nosso carro em um lago e junto com ele quase todas as nossas armas, com exceção daqui eu carregava na cintura, por pouco não saímos todos vivos.

Me joguei de joelhos no chão, e chorei.

(...)

Acordei assustado com um forte impacto que fez meu corpo bater com força contra o banco da frente. Aparentemente havíamos batido em outro carro.

– Que merda! – exclamou a morena ao volante, já saindo do carro.

Notei que meu supercilio sangrava, e doía muito também. Eu podia ouvir uma discussão no lado de fora do veiculo, como um bom diplomata que sou, saí.

– O que esta acontecendo? – senti um frio que fez minha pele arrepiar, afinal ainda estava sem camisa, devido ter entregado a minha a Evan.

– Esta vendo machucou meu amigo. – Emily gesticulou apontando a ferida em meu rosto.

– Eu sinto muito mocinha, mas talvez você devesse aprender a dirigir. – disse o home provocador, e aquilo estava parecendo mesmo uma briga de transito.

– Parem com isso! – gritei chamando a atenção.

– Me desculpem por isso. – uma mulher de cerca de cinquenta anos disse surgindo atrás do homem, que também aparentava ter a mesma idade.

– A culpa não foi nossa. – argumentou o senhor, visivelmente irritado.

– Escutem, nós sentimos muito, e se não houve nenhum dano que impossibilite os carros de andar, não vejo proposito nessa confusão, certo Emily? – a olhei de forma reprovadora, e ela revirou os olhos, mas acenou.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, só nos encarando desconfortáveis e sem graça, até que o homem do outro carro se manifestou.

– Vocês parecem ser boas pessoas. – começou o senhor já mais calmo. – Porque não se juntam a nós no nosso grupo.

Sugeriu, e a mulher pareceu de pleno acordo já que um sorriso orgulhoso se formou em seus lábios.

– É sério? – se pronunciou a morena com a sobrancelha arqueada.

– Sim, nosso grupo não é grande, mas vocês parecem ser boas pessoas, e todo ajuda é bem vinda. – completou ele sorrindo.

– Nós aceitamos! – disse sem nem mesmo olhar para Emily, Mike e Andrew permaneciam dentro do carro, com medo ou não ligando para o que acontecia do lado de fora do carro.

–Eu quase esqueci, eu sou Marta e esse é George. – disse a senhora, apertando a minha mãe e logo em seguida a de Emily.

– Emily, Jake, Andrew e Mike. – respondeu a morena apontando cada um de nós.

– Tudo bem então, entrem no carro de vocês e nos sigam. – ditou o velho dando costas e voltando ao seu veiculo.

Emily entrou no carro praticamente no mesmo momento que eu, ela na frente e eu atrás.

– Que ideia foi essa de aceitar se juntar a eles? – ela disse me olhando com indignação.

– Juntar a quem? – se manifestou Mike e Andrew em uníssono.

– Um senhor perguntou se queríamos nos juntar ao grupo dele. – respondi.

– Não sei se é uma boa ideia. – começava a falar o asiático, mas a buzina do carro do senhor nos fez o encarar.

Logo em seguida Emily me encarou parecendo ainda em duvida.

– O que temos a perder? – a encarei de volta, ela parecia sem resposta.

Bastou poucos segundos para ela se ajeitar no banco do motorista e manobrar o veiculo o posicionando atrás do, do senhor.

Assim que ele arrancou, ela também o fez.

– Seu rosto esta sangrando. – disse Andrew, e eu toquei minha testa, me dando conta do quanto um ferimento no supercilio fazia sair sangue.

Ele me encarava, e de repente tirou um lenço do bolso e me entregou. Estranhei a atitude gentil, e retribui o gesto com um “obrigado” tímido. Logo o sangue estancou.

Não tardou para que chegássemos ao acampamento que não ficava muito fundo na floresta, e sim quase na beirada da estrada, estranhei a similaridade com meu antigo acampamento. Saímos dos carros e caminhamos em direção ao acampamento.

Assim que chegamos, reparei em todos que estavam ali, dois homens fortes e altos e mais um mais magro, e por fim uma voz feminina que na hora que eu ouvi, imaginei já a conhecer. Havia três cabanas dispostas ali, e a mulher parecia estar dentro de uma delas.

– Esses são Kaio e Sam. – começou a mulher as apresentações, apontando um dos homens fortes, o que tinha a pele morena e traços latinos, e em seguida um homem branco e magro – Eles são namorados. – sussurrou a ultima parte como se desse um aviso.

– E esse é Kevin nosso filho. – disse o senhor apontando orgulhoso o outro home forte que tinha os cabelos muito claros e a expressão muito séria.

– Quem são esses? – disse o rapaz loiro, não parecia nada contente com a nossa presença.

– Nós o encontramos na estrada, são boas pessoas. – disse a mulher em um tom que parecia uma ordem.

– Oi. – disse o rapaz mais magro e branco, sua voz era anasalada – Prazer sou Samuel, mas podem me chamar de Sam.

Ele sorria e apertou a mão de cada um de nós. Os outros dois homens ficaram simplesmente lá parados nos encarando com as expressões ainda fechadas.

– Não ligue para eles, são só mal encarados. – brincou Sam arrancando algumas risadas de nós.

Foi quando a mulher que estava dentro da cabana saiu... Não sei descrever em palavras o que eu senti, susto, agonia, alivio, alegria... Quando eu vi aquela loira de costas eu sabia que não podia ser outra pessoa.

– Amor olha... – começou ela a falar sem nem mesmo me notar ali, se dirigindo a Kevin.

– Lu-lucy? – minha voz saiu falha, eu já sentia as lágrimas molharem meu rosto.

Ela se virou, seus olhos verdes se encontraram aos meus. E por um segundo, meu mundo... Parou!

Notas finais
Ela retornou dos mortos???? É claro que não, mais esclarecimentos no próximo capitulo. Beijos e se puder deixe o seu review para motivar a autora.