Zombie War
17 Capitulo 17 - Reencontro
Notas iniciais
Ela se virou, seus olhos verdes se encontraram aos meus. E por um segundo, meu mundo... Parou!
Tudo parecia estar em câmera lenta, ela olhou para mim e suas orbes pareceram saltar de surpresa; pude ver o olhar confuso de quem nos cercava, pois afinal a única a quem eu contei sobre Lucy (Anne), estava morta.
– Meu deus! – ela veio correndo e me deu um abraço apertado. – Achei que estivesse morto.
Sentia suas lágrimas molharem meu ombro desnudo.
– Eu achei que você estivesse morta. – a abracei forte de volta. – A vi ser arrastada para fora do carro.
Nada respondeu por alguns instantes, só me abraçava.
– Pelo Kevin, ele me salvou, eu gritei porque achei que fosse algum zumbi, mas no fim não era. – quebrou o silêncio, acho que tentava colocar os pensamentos no lugar, como eu.
Ficamos alguns instantes naquela mesma posição, até Lucy se voltar para Kevin.
– Você disse que ele estava morto. – gritou, sua voz era uma mistura de ira e indignação.
– Eu achei que estava. – respondeu com a expressão mais relaxada.
Eles tinham alguma coisa.
– Você disse que sentiu o pulso dele, e viu que ele estava morto. – rebateu.
– Eu não consegui chegar ao pulso dele, estava tudo revirado, e ele estava desacordado.
– Você mentiu. – ela gritou.
– Eu tentei chegara á janela que ele estava, mas não consegui quebra-la. – o rapaz se defendia, parecia agoniado, por aquela incrível reviravolta do destino.
Ficamos todos em silêncio, Lucy estava de costas para mim, então eu não podia ver a sua expressão.
– “Amor”. – eu disse começando a me dar conta, Lucy se voltou para mim.
– O quê?
– Você o chamou de “amor” quando saiu da cabana. – fiz um gesto com as mãos.
– Eu... – parecia não ter resposta.
– Faz cerca de sete, talvez dez dias que nos separamos. – sentia minha voz sair arranhando a minha garganta, de tão alto que gritava.
– Eu achei que estivesse morto. – ela argumentou, confirmando a minha desconfiança.
Olhei para o chão, me sentia humilhado. Me lembrei de Emily, eu a havia beijado... Mas, em nenhum momento comecei um relacionamento com ela, ou me permiti começar a ama-la.
– Talvez seu amor, não fosse tão grande como dizia. – disse voltando a lhe olhar nos olhos, abaixei o tom, estava magoado.
Dei meia volta, ainda com os olhares de todos sobre mim, e fui até o carro. Entrei me sentei e pousei a cabeça sobre o volante.
Eu queria chorar, eu precisava chorar. Mas, sabe quando a magoa de alguma forma fica presa na sua garganta, causando uma dor física. Me permitir chorar naquele momento, parecia fraqueza. Eu havia recuperado quem eu julgava ser o amor da minha vida, e perdido em menos de alguns minutos.
Eu não havia dado chance para ela se explicar e a confusão na minha cabeça era quase maior que a sensação de traição. Eu olhei naqueles olhos, mas era como se não fosse mais a mesma pessoa.
Não sei bem quanto tempo passou, mas sei que deve ter sido mais de uma hora.
A porta do carro no lado do carona foi aberta, Emily entrou.
– Quero ficar sozinho. – ditei friamente, esperando que ela compreendesse a minha posição.
– Eu entendo que esteja se sentindo traído, eu ouvi aquela sua conversa com a Anne naquela noite lembra? Você disse que ela era o amor da sua vida. – seu tom de voz era triste.
– Aonde quer chegar? – a fitei esperando uma resposta rápida, não estava me sentindo bem, muito menos com paciência pra ficar de papo, com quem quer que fosse.
– Você a ama, ela estava confusa achando que você morreu. – estranhei, porque a morena estava defendendo Lucy? Ela mais do que ninguém sabia como uma traição podia machucar.
– Ela me trocou, em pouco mais de uma semana. – argumentei.
– Você me beijou. – percebi seu rosto corar levemente.
– Foi diferente! – me defendi, já não a encarava mais.
– Bom... – ela parecia não saber o que dizer, quase podia sentir magoa em seu tom.
– O que sugere que eu faça? – questionei com a expressão mais relaxada, não sabia mais o que eu sentia.
Senti suas mãos tocarem e levantarem meu queixo, ela me fez lhe encarar.
– Não pode virar as costas para mulher que á pouco tempo você julgava amar. Eu sei o que é ser traído, eu sei como é a sensação de dor e humilhação. Mas, mesmo sendo difícil, converse com ela. Tente entender, mesmo que não possa. – seus olhos continham algumas lágrimas.
Ela tinha razão, mas olhar naqueles olhos e perceber que mesmo depois de tanto tempo ela ainda sentia aquela dor pela traição, me fez sentir pena de mim mesmo.
– Depois de tanto tempo ainda doí? – expressei meus pensamentos.
– Eu não o amo mais, se é isso que quer saber. O que mais machuca não é ter sido trocada, pra ser honesta senti mais falta da Anne como amiga do que dele. – soltou uma risada fraca — o que mais doí é a traição, ser apunhalado pelas costas entende?
– Entendo. Acha que eu deveria conversar com Lucy?
– Eu tenho certeza que sim. – seu sorriso agora era maior, senti meu coração se aquecer.
– Obrigado. – sorri de volta.
A vi sair do carro e respirei fundo saindo também logo em seguida.
Caminhei em direção ao acampamento, como era quase a beira da estrada, eu não tardei a chegar. Lucy estava em pé encostada a uma arvore fitando o chão, seu olhar se levantou bem devagar e ela tinha muitas lágrimas molhando sua face.
– Podemos conversar? – eu disse chamando a atenção de todos os presentes ali que permaneciam em um grande silêncio.
– Claro. – ela se desencostou da arvore e veio em minha direção.
– Vem. – disse dando costas, esperando que ela me seguisse.
Foi o que fez, assim que eu entrei novamente no carro, ela entrou logo em seguida.
– Eu passei três dias seguidos, só torcendo para que você estivesse viva... Quase me arrependo agora! – vi seu choro se tornar mais intenso.
– Eu não queria, no começo eu relutei, e sei que só dez dias pode parecer pouco tempo... Mas, aconteceram tantas coisas nesse pouco tempo. – sua mão veio até meu ombro.
Ficamos em silêncio por alguns minutos.
– Emily me disse para tentar entender, mas eu não posso.
– Ela é sua amiga? – questionou e eu podia jurar que senti ciúme em seu tom.
– E muito. – respondi dando um pequeno sorriso.
Ficamos em silêncio, eu esperei Lucy voltar vagando sozinho por três dias, a minha promessa a ela era a minha única razão de continuar, parecia tão estupido agora, a única coisa que eu sentia era o gosto amargo de traição.
– Você esta apaixonada por ele? – perguntei, mesmo sabendo que a resposta faria mal ao meu coração.
– Eu não sei, foi tão pouco tempo, mas...
– Você me amou em menos tempo. – eu disse soltando uma risada cansada, e ela sorriu.
– Eu ainda te amo. – seu sorriso sumiu, e ela me fitava séria.
– Não sei se consigo acreditar em você. – fui sincero, me sentia muito magoado.
Sua mão tocou de forma singela minha face, seu rosto se aproximou do meu bem devagar. Ela uniu nossos lábios em um beijo fraterno, sem pressa, sem intensidade, sem língua.
– Eu não sei o que fazer. – ela disse soltando meus lábios, mas ainda com seu rosto muito próximo ao meu.
Eu não sabia o que responder, e nem o que sentir, eu ainda sentia algo forte ela, mas agora simplesmente não parecia a mesma coisa.
– Porque esta sem camisa? – se afastou, passando a mal em meu peito, me causando um pouco de excitação.
– Uma amiga foi mordida e eu envolvi minha camisa em sua ferida. – respondi, retirando a sua mão e colocando em seu colo.
– É melhor voltarmos. – ela disse voltando a me olhar nos olhos.
– É melhor. – concordei.
Saímos do carro.
– Vou pedir a Kevin que lhe dê uma camisa. – disse enquanto caminhávamos.
E vê-la dizer seu nome, fez meu coração doer.
– Tudo bem.
Voltamos e todos estavam conversando, sentados em duas grandes arvores tombadas, próximas às cabanas. Lucy cumpriu com o que disse e pediu a Kevin uma camisa para mim, ele praticamente correu para pegar, acho que se sentia em divida com ela e comigo. Poucos segundos depois que entrou na cabana, saiu com uma camisa em mãos e jogou pra mim, eu a vesti rápido.
Me sentei com os outros, os fiquei observando conversar, sem querer me envolver.
Foi quando alguns zumbis surgiram por trás das arvores, e logo depois deles ainda mais.
– Corram. – gritou Kevin.
E foi o que eu fiz, corri em direção a Emily e a puxei pela mão.
Chegamos já perto de nosso carro, vi Sam e Kaio surgirem atrás de nós, seguidos por Andrew e logo atrás Lucy... Eu havia esquecido Lucy?
Logo um grito feminino se foi ouvido, e alguns zumbis começaram a sair da floresta. Ataquei um deles com a faca de Emily, e Kaio os outros.
E foi assim, enquanto mais zumbis saiam da mata, Kaio os finalizava com muita facilidade, me chamando atenção para sua habilidade. Eu tentava ajudar, cheguei a matar dois, mas ele parecia nem precisar. Logo os errantes pararam de surgir, e um grande silêncio se foi ouvido.
Eu arfava de cansaço.
Sam, Emily, Lucy e Andrew estavam próximos ao meu carro.
– Vamos pai! – uma voz se era ouvida, vindo da mata.
Kevin surgiu arrastando o pai com certa dificuldade, o senhor chorava muito, e logo entendi que o grito era de Marta e que provavelmente havia sido morta, o que era uma pena, pois parecia ser uma boa pessoa.
– Cadê o Mike? – eu disse olhando em volta.
Todos olharam em volta. Mas, ele não estava ali.
Fui floresta adentro, e foi quando o encontrei no chão desacordado. Também vi o corpo de Marta, caído próximo a uma arvore não muito distante, havia muito sangue a seu redor.
Mike não estava sangrando, então o joguei nas costas, e rumei para fora da floresta, decido a sair daquele lugar.
Fale com o autor