Zombie War
15 Capitulo 15 - O silêncio
Notas iniciais
Estávamos na estrada a cerca de duas horas, o silêncio ainda reinava entre nós, Emily já dormia, e acho que Andrew também. O carro já estava chegando ao final de seu tanque, e eu sabia que tinha que achar um posto rápido. E foi o que fiz, depois de cerca de quase dez minutos, eu avistei um posto ao longe.
– Vou parar ali para pegar gasolina, o tanque esta acabado! – anunciei.
– Pode ser perigoso, vou com você! – disse Mike.
– Eu vou também. – falou Evan que já carregava a sua arma.
Estacionei devagar e assim que o fiz, já pude observar dois zumbis que rondavam o local, os mesmos assim que nos viram vieram correndo em direção ao carro.
– Pode me emprestar sua faca? – estendi minha mão a Emily, ela me entregou prontamente, voltando a fechar os olhos em seguida, como se não tivesse nada a temer.
Saí do carro e dei um chute bem na barriga do primeiro errante que veio correndo em minha direção, ele caiu e enquanto se debatia com dificuldade para levantar, o segundo veio correndo para me atacar, passei por ele como um torreiro por um touro, ele seguiu correndo até cair na calçada, era incrível a falta de coordenação dessas coisas. O primeiro já quase se levantava, quando eu pisei em sua garganta e finquei minha faca em seu crânio.
– Precisa de ajuda? — exclamou Evan já indo em direção ao segundo zumbi que ainda estava deitado de costas no chão.
Ela não teve nenhuma dificuldade, pisou nas costas do bicho para certificar que ele não se levantaria e também cravou sua faca em sua cabeça. Mike então saiu do carro.
– Vamos pegar o que precisamos e cair fora. – disse o asiático indo em direção ao porta-malas do veiculo. – Me dê a chave.
Tirei a chave e lhe joguei, rapidamente ele abriu o compartimento e apanhou dois galões que eu nem mesmo sabia que estavam lá.
Voltei para dentro do carro e dirigi até estar próximo de uma das bombas, ainda com porta-malas aberto, decidi que era melhor que ficar abrindo e fechando, já que logo os galões retornariam para ali.
Coloquei a bomba no carro, e esperei que a gasolina começasse a sair, o que aconteceu.
– Eu vou dar uma volta, pra verificar o perímetro. – disse Evan já indo em direção para onde fica o caixa.
Logo o tanque estava cheio e nada de Evan voltar.
– Traga os galões até aqui, por favor. – eu pedi e Mike obedeceu.
– Aqui. – disse ele dispondo os galões sobre o carro, e eu os enchi.
– Devíamos ir ver se Evan esta bem. – disse Mike indo em direção onde ela estava e eu fui atrás.
Chegamos e ainda se mantinha o silêncio tudo estava meio revirado.
– Evan! – chamei.
– Aqui! – ouvi uma voz atrás de mim e uma mão tocar meu ombro, o que me fez saltar e soltar um grito um tanto histérico.
– Calma, sou só eu. – disse ela já rindo, juntamente com Mike.
– Não pode chegar por trás desse jeito. – eu disse pousando a mão em meu peito e sentindo meu coração disparado pelo susto.
– Já terminamos podemos ir? – falou Mike ainda rindo.
– Claro. – me mantive sério para parecer ofendido com a risada dos dois.
Mas, a verdade é que estava morrendo de vergonha.
Foi quando uma errante surgiu de trás das bombas. Foi tudo muito rápido, em um segundo Evan estava rindo e no outro tento sendo ombro abocanhado por aquela que um dia foi uma mulher.
– Ahhhhh... – ela gritou de dor.
Eu me aproximei e cravei minha faca na cabeça do zumbi, que caiu sem vida ao chão. Tirei minha camisa e envolvi o braço de Evan.
– Merda! – disse já vendo aonde isso ia parar.
– Eu não vi de onde aquela vadia veio. – disse ela segurando o pano contra a sua ferida.
– Vamos voltar para o carro, antes que aconteça mais alguma coisa. – disse Mike se aproximando da mulher e tentando envolver sua mão em sua cintura no intuito de ajuda-la a andar.
– Eu estou bem. – ela disse tirando a mão do asiático.
Seguimos para o carro e quando nos aproximamos, vimos Andrew e Emily já do lado de fora do dele, suas expressões era preocupadas.
– Ela foi mordida. – anunciei com um pouco de frieza.
– Eu estou bem. – ela completou autoritária, e comecei a temer que ela realmente acreditasse naquilo.
– Voltem para o carro, vamos sair daqui. – ditei e todos obedeceram.
Entramos e Mike correu e se sentou na frente.
– O que esta fazendo? – questionou a morena indignada.
– Vou ficar na frente. – ele respondeu.
– É o meu lugar.
– Não interessa não vou ficar lá trás com a zumbi.
– E eu posso ficar?
– Eu não sou zumbi. – se manifestou Evan.
– Alguém quer dirigir? Eu não me importo de ficar atrás. – tentei encerrar a discussão.
– Não, tudo bem... – disse Emily já entrando atrás. — Seu medroso!
Gritou a ultima parte no ouvido de Mike, o que foi quase cômico.
Então assim fiquei eu na frente novamente no volante, Mike no lugar que antes era ocupado por Emily, e a mesma no seu. Evan continuava no seu mesmo lugar atrás de mim na janela, e Andrew atrás de Mike, igualmente no mesmo lugar.
– Espera! – gritou o asiático me assustando.
– O que foi? – me virei para ele, estranhando a sua reação.
– Os galões! – saiu do carro, e apanhou os objetos que estavam bem em cima do motor do carro, o que tornava ridículo eu mesmo não os ter notado, fora o porta-malas ainda aberto.
Ele foi rápido, apanhou e guardou, batendo o compartimento de malas com força, possivelmente para ter certeza que estava fechado. Assim que ele retornou ao carro, eu arranquei.
E o silêncio voltou a reinar entre nós.
– Quer que eu limpe a sua ferida? – disse Emily quebrando o silêncio depois de alguns segundos.
– E vai limpar com o que? Cuspe? – respondeu Evan ácida.
– Tem razão. – a morena voltou a se recostar no banco se dando por vencida, quase deu pena de seu desconforto, afinal só estava querendo ajudar, não merecia ser tratada com grosseria.
Evan gemeu, e logo em seguida soltou um longo suspiro pesado. Não tardaria para se transformar, seu rosto já tomava aspectos pálidos. Eu a observava pelo retrovisor.
Eu poda ver Mike se encolhendo em seu acento de medo, estava me impressionado com o tamanho de seu medo, afinal era claro para todos que se transformaria, mas obviamente morreria antes o que nos possibilitaria mata-la antes que se transformasse.
– Pare o carro. – gritou Evan me assustando e fazendo pisar no freio com agressividade.
Assim que parei, ela abriu a porta em desespero e praticamente saltou para fora do veiculo. Todos saíram em seguida.
Ela estava de joelhos, com as mãos no estomago, parecia sem ar.
– Calma. – eu disse me aproximando e pousando a minha mão em seu ombro.
– Eu não aguento isso, não suporto a dor. – eu observava as lágrimas começarem a correr em sua face.
– Eu queria poder fazer algo. – deixei sair pela boca, a melhor coisa que me veio á mente.
– Você pode, me mate. – me olhou, as orbes molhadas e um tanto avermelhadas, indicando que estava mesmo chorando.
– O quê? Eu não posso. – respondi de imediato, já sentindo meu coração pulsar em angustia só pela ideia.
– Disse que queria fazer algo, então faça. – sua voz era suave, em uma quase uma ordem.
– Evan... – comecei, mas fui interrompido.
– Eu faço! – anunciou Andrew se manifestando pela primeira vez em horas.
– O quê? – me levantei.
– Deixa ele, me mate Andrew, por favor! – ela parecia fora de si, como se seu maior medo estivesse para se tornar realidade.
– Podemos mata-la quando estiver para se transformar, assim que morrer pela mordida. Não precisa ser assim. – eu argumentei.
– Não! Eu não posso aguentar a dor. – ela gritou, estava mesmo fora de si.
Ela pegou sua arma, e a ajeitou embaixo do próprio queixo.
– Pare! – ordenei.
Mas foi em vão, a bala saiu do cano da arma de forma rápida e voraz.
Ela tirou a própria vida.
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