Zombie Heart
1 Epílogo
Notas iniciais
Maddison Haverstom
Nunca fui uma garota claustrofobica, mas acho que depois de tanto tempo confinada passei a ser. Estou deitada na minha cela, paredes e chão de metal frio, sem janelas, eu tremo, mas o ar é quente apesar de tudo. Estamos à muitos metros abaixo do solo. Supostamente protegidos dos zumbis, mas na verdade acho que deveriam nos proteger contra nós mesmos – os humanos – sim, nós somos os verdadeiros monstros. Dispostos a tudo para alcançar seus objetivos, mesmo se para isso tiverem que passar por cima de algumas "cabeças". Estou tão entretida em meus pensamentos que não ouso a porta sendo aberta, aposto que vão me levar para mais estudos ou sessões de tortura.
– Srta.Haverstorm, recomponha-se! – é apenas mais um dos guardas da corporação. Levanto minha cabeça devagar, e pisco tentando me acostumar com a luz do corredor que entra pela porta – O conselho me ordenou buscá-la
– Para que dessa vez? – pergunto ironicamente – Tratamento de choque, entrar em máquinas estranhas, testes de aptidão... Ou talvez só me espetar com aquelas agulhas de 20 cm que ele tem?
– Na verdade, já terminaram com você – começo a tremer mais forte
– Terminaram comigo? Como assim? – minha ficha cai. É claro que já terminaram comigo, sou um experimento e nenhum dos testes que fizeram em mim deu o resultado esperado. E agora que já me mostrei falha e incorrigível, os cientistas vão me descartar. Simples não? Jogar fora o que não presta, para fazer um novo.
– Apronte-se, estamos indo para sua execução em 5 minutos – o guarda da de costas – Darei um tempo para se despedir de tudo – e fecha a porta
Eu não posso morrer, não assim, não desse jeito. Eu não quero morrer! Queria dizer que tenho por quem lutar, alguém além dessas paredes que espera pela minha volta e eu não possa decepcionar. Tem meu irmão gêmeo, Derek, mas não acho que ele esteja vivo. A verdade é que eu tenho medo de morrer e enfrentar o desconhecido. "Cale a boca você não vai morrer Maddison!" digo para mim mesma, "E quem disse que você vai conseguir passar por todos os guardas e ainda subir o elevador que leva até a saída? Você não é capaz, aceite isso!" outra voz sibila para mim, "Só vou saber do que sou capaz se tentar". A porta se abre bruscamente, eu levo um susto grande o suficiente para aumentar minhas tremedeiras.
– Acabou seu tempo! Me acompanhe Srta.Haverstorm! – eu me levanto, a corrente que prende meu pescoço á parede de metal da cela é liberada. Passo meus dedos gelados nos hematomas roxos e verdes em minha clavícula. Estou em um estado de torpor, meus ouvidos estão tampados com pressão, cada passo que eu dou ecoa em minha cabeça, eu não consigo fazer nada além de seguir o guarda pelos corredores iluminados até a sala onde executam todos os outros experimentos mal sucedidos.
Até que um alarme soa, seu som alto me tira do estado de torpor, vejo pessoas correndo e gritando por todos os lados, o guarda que estava me escoltando sumiu de vista. E é aí que eu corro também. Assim que dobro o primeiro corredor vejo zumbis comendo um cientista desafortunado que foi ao banheiro na hora errada, da para ver o papel higiênico pendurado em seu sapato. Continuo correndo até achar o elevador, quando entro nele aperto o botão "A1" ou Ala 1. Assim que a porta se abre sinto o frescor da brisa de outono, e o cheiro de carne podre. O zumbi que antes comia a secretaria se vira para mim, seus olhos cinzentos encontram os meus, e antes que eu possa apertar algum botão ele me morde um pouco acima da coxa. Um grito estrangulado sai de meus lábios, minhas cordas vocais doem, eu chuto a cabeça do zumbi, ele cai para fora do elevador e antes que possa se recompor eu bato minha mão em punho no teclado dos andares. A porta se fecha de novo e eu desabo no chão.
Eu não sei quantos andares o elevador já desceu, não consigo pensar em nada além da dor da mordida que lateja e faz todo meu corpo latejar também, eu me recuso a olhar para a ferida, mas parece péssima, minha camisola branca está molhada com sangue fresco. Me sinto tão frágil que um simples movimento com os dedos parece que vai me quebrar em milhões de pedaços. Minha cabeça parece estar sendo mergulhada em óleo fervente de tanta febre. O elevador está parando, vejo um monte de pontos pretos na minha visão, eu não vou aguentar por muito tempo. A porta se abre, vejo um corredor destruído e chão cheio de cardáveis. Só duro o suficiente para ver Theodore – um dos cientistas – de joelhos ao meu lado, levantar uma seringa com uma substância azul dentro, e depois apago.
[...]
Fale com o autor