Zombie Heart

2 Capítulo 1: Família Brightside


Notas iniciais
Desculpem a demora! Prometo ser mais rápida... Ou vou tentar huehuehue

Maddison Haverstorm

Acordo no banco de trás de um carro, suprimo um grito quando vejo o cadáver dilacerado do motorista do carro, ele parece morto a pouco tempo já que ainda não começou o processo de decomposição. Não me lembro de ter conseguido fugir da Zombie Corporation, eu fui mordida por um zumbi no abdômen antes de conseguir fugir. Agora sou um deles? Passo os dedos ao longo do meu cabelo loiro, ele está sujo e oleoso. Mas não é para menos, nem me lembro qual a última vez que tomei um bom banho.
Tento recordar mais sobre o que aconteceu no dia da minha execução, tenho uma vaga lembrança de ver Theodore com uma seringa injetando um líquido azul em mim, antes de ser comido vivo por zumbis. Theodore é o único amigo que fiz na Zombie Corporation, apesar de ser um cientista, ele não queria meu mal, nós até podíamos conversar normalmente sem ele ficar me olhando estranho ou fazendo anotações de tudo que eu falava em sua prancheta.

Olho para baixo, continuo com a mesma camisola daquele dia, com uma grande mancha de sangue seco. No meu abdômen a mordida do zumbi ainda permanece exposta e não tem cara de que vai cicatrizar algum dia. Está feia, parece até aqueles efeitos especiais de filmes feita de maquiagem profissional... Pelo menos não está mais sangrando. Fecho os olhos e abaixo a camisola, nunca fui uma garota de estômago forte.


Sinto fome, muita fome. Vejo que as chaves do carro ainda estão conectadas a partida. Passo para o banco da frente. Com cuidado abro a porta, tiro o cinto de segurança do motorista e jogo ele no asfalto. Ligo o carro, a gasolina está consideravelmente cheia, dou partida e dirijo até o mercado da cidade mais próxima.

[...]

Eu encho o carrinho de todas as delícias possíveis, desde salgadinhos à refrigerantes, mas não sinto apetite por nenhuma delas, mesmo morrendo de fome.

– Vamos Maddison, você precisa comer! – abro um salgadinho e jogo alguns direto para minha boca. A ânsia de vomito é instantânea, me forço a cuspir tudo – Qual o problema comigo? – minha voz ecoa pelo supermercado vazio

Mesmo não conseguindo comer nada eu pego algumas mochilas na sessão de camping e encho-as com todos os suprimentos que preciso, peguei tanta coisa que mesmo se eu comece o que eu comia normalmente antes do apocalipse daria para passar dois meses tranquilamente. Consigo um cinto, algumas facas e uma adaga de colecionador, é uma réplica exata de Katoptris, a adaga de Helena de Troia. Saio do mercado e coloco todas as mochilas no porta-malas, só deixo Katoptris comigo no banco da frente para poder me defender rapidamente caso precisar – e espero que não precise – sigo em frente.

[...]

A noite cai rapidamente, eu ainda sinto muita fome, mas não sei mais o que comer. Já tentei de tudo, meu estômago rejeita qualquer coisa que eu levo à boca. Paro o carro no acostamento de uma estrada qualquer, por enquanto a estrada vai ser meu "lar". Uso a luz da lua para olhar mais uma vez para o mapa que peguei no supermercado, ainda não tenho uma rota pronta, sei que Atlanta caiu, eu e minha família tentamos ir para lá quando prometeram ser um lugar seguro. Grande erro. Foi nesse dia que a Zombie Corporation pegou meu pai e minha irmã mais nova, Molly.

Ouso o som de cascalho sendo quebrado, meu primeiro instinto é tocar em Katoptris que está presa em meu cinto – ouso de novo, dessa vez esta mais perto – olho pelo retrovisor, um vulto está se aproximando, me agacho às pressas para de baixo do banco. Eu deveria estar com medo, não sei se o que estou sentindo é medo, está mais para ansiedade. Cinco minutos se passam, nenhum outro barulho é ouvido. Volto a me sentar no banco, olho para os lados mas não vejo nada além de escuridão. Na janela atrás de mim duas mãos batem desesperadamente no vidro.

– Socorro, por favor! – ligo a lanterna, é um cara de mais ou menos meia idade, ele tem um corte na testa e poeira por todo o corpo – Me ajuda!

– O que aconteceu? – grito para ele conseguir ouvir mesmo com as janelas do carro fechadas

– Eu estava em uma resistência, no começo éramos entre 40 pessoas, mas a cada dia íamos diminuindo. Hoje pela madrugada um grupo enorme daqueles bichos veio e matou todos, minha família! – o homem começou a chorar. Pode parecer insensível, mas não consigo me sentir triste por ele – Só sobrou eu.

– Sinto muito, não há nada que eu possa fazer – respondo

– Sei que você tem bastante comida e munição aí dentro, é melhor você sair do carro, por bem... Ou por mal – ele tira a arma de dentro da calça e aponta para minha cabeça

– Você não seria capaz, não com os zumbis a solta por aí

– Ah, seria sim! Todos os zumbis do mundo podem ouvir, eu não vou me importar. O bom de não ter mais ninguém que eu ame vivo é que eu não tenho mais fraqueza. Nada nesse mundo que pode me machucar... Mas e então loirinha, vai descer ou não? – destravo o carro, levo as mãos tremulas até minha adaga – Ótimo, até que foi... Fácil...

– Concordo – respondo, o homem cai morto como um saco de batatas. Vou até ele, retiro Katoptris presa em seu peito e finco em sua cabeça. Vejo o sangue vermelho vivo em meus dedos, a fome me volta com força total, dessa vez mais forte e feroz. Me levanto assustada com as ideias que estão passando pela minha cabeça. Eu preciso de carne, eu quero carne. Olho para outro lugar que não seja o corpo do cara no chão.

– O que está acontecendo comigo? – sussurro inaudível, tento pensar em algo que não seja essa minha fome por carne humana me consumindo de dentro pra fora. Me concentro no som da minha respiração... Mas que respiração? Meu coração deveria estar a milhão agora, mas isso também não está acontecendo. Estou histérica ao invés de assustada, se o que eu estou pensando estiver certo... – Não, não pode estar! – olho de novo para o sangue vermelho vivo em minhas mãos, e depois disso, não vejo mais nada além de escuridão.

[...]

Já é de manhã, estou dentro do carro, dou graças a deus por aquilo não passar de um pesadelo. Olho para a paisagem devastada fora do carro, suprimo um grito quando vejo o corpo do homem de ontem jogado no mesmo lugar. Mas diferente de ontem o corpo está todo dilacerado, como se um zumbi o tivesse pego durante a noite.

Eu fiz isso? Uma angústia enorme surge em minha garganta, parece que comi cola pura e estou sufocando. Tenho uma vontade desesperada de gritar quando reparo no meu estado físico pelo retrovisor: roupas manchadas de vermelho e boca cheia de sangue seco. Eu sou um monstro!

Então é isso que continha na seringa de Theodore? Uma fórmula para me transformar em um zumbi racional que tem a sede por matar e fica se remoendo de culpa depois? Eu preferia ter morrido aquele dia na Zombie Corporation do que me tornar esse monstro.

Como não percebi antes? Eu estou morta.

Abro a porta do carro e acabo caindo com tudo no chão, não sinto a dor do impacto. Me levanto com dificuldade. Agora que percebi ser um zumbi estou prestando mais atenção no que mudou em mim, já percebi que não tenho batimentos ou respiração, consigo ver e ouvir muito melhor que antes. Mas o que estou sentindo agora é diferente de tudo que já senti antes, não sei explicar, só sei que... Tem alguém vindo! Corro para dentro do carro o mais rápido que eu posso, não quero arranjar problemas novamente. Dou partida no carro e aperto forte o acelerador.

Olho pelo retrovisor e tenho impressão de ter visto Derek, meu irmão morto, saindo de dentro da mata. Acho que estou alucinando, só posso estar, preciso estar, Derek morreu, não quero começar a virar uma louca que vê gente morta.

[...]

Paro em um bairro qualquer, a vegetação praticamente dominou o lugar. Vou até uma casa de dois andares simples e meio velha, a tinta amarela das paredes descascadas e a madeira do piso da entrada esta toda podre. Testo a maçaneta, que já está aberta. Estou procurando roupas e sapatos para o meu tamanho, não posso continuar com essa roupa cheia de sangue. Sinto a presença de alguém no andar de cima. Penso em recuar, mas antes de me mexer um tiro vindo do alto da escada acerta um vaso ao meu lado.

– Morra zumbi infeliz! – do corredor do andar de cima aparece um garoto de mais ou menos 13 anos, cabelos loiros cor de areia e olhos cor de âmbar. Ele desce correndo as escadas apontando uma espingarda para minha testa. Não consigo pensar em nada para dizer. O garoto me encara de um jeito que ninguém nunca me encarou, não sinto raiva no olhar dele, é outra coisa, a coisa que o faz largar a espingarda.

– Você errou seu babaca! – uma criança surge do corredor, a cópia idêntica do mais velho, mas ao invés do cabelo loiro, ele tem os cabelos pretos como piche – Tyler! Por quê não está atirando nela? Tyler! – o adolescente continuou parado, com o mesmo olhar estranho

– Me empresta essa arma então seu marica, tudo eu! – o som da espingarda sendo recarregada ecoa pelos meus ouvidos me causando arrepios. Ele mira em mim.

– Não atirem! Não quero machucar vocês, eu juro! – nunca imaginei que imploraria piedade à uma criança algum dia

– Você não é um zumbi – disse a criança – O que quer aqui?

– Pensei que estivesse vazia, só quero tomar um banho e trocar de roupa – eles me olharam como se esperassem que eu dissesse mais alguma coisa – Meu nome é Maddison.

– Sou Peter, esse marica que não sabe atirar é o Tyler! – disse o pequeno – Somos irmãos, mas eu puxei o lado bonito da família

– Claro que puxou, está estampado na sua cara – respondeu Tyler com sarcasmo, Peter devolveu mostrando a língua para o irmão. Não me aguentei e ri, tinha até esquecido o som agradável da minha risada.

– Tem um banheiro aqui em baixo, pode usar ele, eu vou pegar as roupas da minha irmã para você usar, tenho certeza que ela não vai se importar. Mostra pra ela o banheiro Peter! – Tyler saiu correndo eufórico, achei tão fofo ele estar sendo receptivo comigo. Já Peter, parecia ter medo de mim, ele me olhou como se eu fosse uma conta matemática que ele não consegue resolver.

– É... É aquela porta ali! Vou ver se o Tyler precisa de ajuda... – e saiu correndo

[...]

Banho de água fria, foi isso que eu tomei. Peter deixou a roupa em cima do vaso sanitário – jeans e camiseta – nada de mais. Ouso alguém lá fora abrindo a porta e batendo três vezes com o pé no assoalho, como um código. Permaneço em silêncio, como se, quem quer que seja não note minha presença.

– Katerina! – gritou Peter – Tyler! Katerina chegou! – ouso passos apressados descendo as escadas, me aproximo da porta para poder ouvir melhor

– Graças a Deus vocês estão bem! Mal posso esperar para mostrar as coisas que eu achei! – a voz dela soa como uma melodia, calma e doce – Mas me conte sobre vocês, o que fizeram de bom enquanto eu estava fora? Alguma coisa que eu deva saber? – recuei alguns passos, é como se ela pudesse sentir minha presença lá

– Nada de mais – respondeu Tyler – Não é verdade Peter?

– É! Ninguém está escondendo nada de você, por quê a gente faria isso?

– Vocês são péssimos mentirosos, e o pior de tudo é que nem tentam disfarçar! – ouso a batida acelerada do coração dos dois, mentes trabalhando em conjunto para uma resposta que não piore a situação em que se encontram. Seja lá quem for essa Katerina é muito esperta – E então? Vão me dizer logo o que estão escondendo ou vou ter que arrancar a verdade de vocês?

– A gente quebrou a regra número quarenta e seis – respondeu Peter

– Onde está? – Katerina soou apreensiva

– No banheiro.

[...]

Notas finais
COMENTEM! Eu perdi o capítulo dois hoje quando sem querer apaguei das minhas notas então me deem tempo para escrever de novo okay? Obrigada
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.