Notas iniciais
Hey, aqui está mais um para vocês ^^
Enjoy!

POV Eleanor Edwards

Eu ainda fungava de vez em quando, graças ao choro. A cena que havia visto horas atrás era horrível, e não saía da minha cabeça, não importava o quanto eu tentasse. Alex ainda me abraçava, o que estava me ajudando muito naquela hora. Ele tinha quase o mesmo cuidado comigo que o meu irmão tinha...

David... O medo de pensar que alguma coisa pudesse ter acontecido a ele me corroia por dentro. Ele era minha família, tudo o que restou dela, e perdê-lo seria o fim pra mim. Senti Alex se desfazer do abraço e tentar se levantar, com certa dificuldade, graças a sua perna.

–O que vai fazer? –perguntei

–Vou sair daqui. –ele respondeu

Mesmo no breu do local, pude ver seus olhos verdes faiscando de raiva. Ele se segurou nas grades acima de sua cabeça e pôs força nas mãos, tentando puxá-las... Sem sucesso. Seus músculos se contraíam com a força que ele fazia para tentar quebrar a grade. Suas feições se contorciam de dor, talvez por causa da perna.

–Você vai se machucar! –alertei

Ele pareceu não me dar ouvidos e a força em suas mãos pareciam aumentar cada vez mais. E, como num milagre, uma parte da grade cedeu, abrindo um buraco na cela grande o bastante para que passássemos. Ele sentou-se por um instante, pressionando a perna machucada e logo depois sorriu.

–Hora de sair daqui, garota. –ele disse e me olhou

Sorri de volta e o ajudei a levantar. Ele apoiou as mãos na parte que não havia sido quebrada da grade e saiu do buraco sem dificuldade nenhuma. Não posso dizer o mesmo sobre mim. Minha força não era grande, e meus braços tremeram quando eu tive de sustentar o peso do meu corpo para sair. Quando consegui fazer tal proeza –com uma pequena ajuda de Alex- olhei ao redor.

O que meus olhos podiam ver era um chão feito de metal que passava por entre todas as celas que existiam ali. As paredes eram sujas, cheias de mofo e lodo graças a infiltração que havia ali. Aqui em cima, o cheiro parecia pior. O odor de sangue seco, suor, mofo, pessoas em decomposição, entre outras coisas incomodavam minhas narinas. Devagar, Alex me levantou e segurou minha mão para que eu o seguisse. Não sei o por que, mas corei ao sentir a mão dele segurar a minha daquele jeito.

Ele me guiou pelo escuro, mancando graças a perna, até uma porta de metal. Com um pouco de força conseguiu abri-la e eu tive de fechar meus olhos graças a luminosidade que entrou. Quando meus olhos conseguiram se acostumar, eu sorri. Finalmente a saída, mas o rosto sério de Alex deixou claro que não era o fim ainda...

***

POV Gretel Elena Sulivan

A noite havia chegado e a chuva caía forte. Todos haviam ido se abrigar nos carros, mas eu estava embaixo da coberta do que antes deveria ser um salão de beleza. Os pingos grossos caíam em minha frente e as gotículas vinham em direção ao meu rosto me trazendo uma sensação refrescante.

Minha mente estava longe, se bem que eu não sabia em que eu estava pensando. Fui interrompida do meu transe por uma figura grande correndo na chuva vindo em minha direção. Ia pegar minha arma, achando que a tal figura era um zumbi, mas parei assim que vi quem era. Sam Winchester.

Ele chegou ao meu lado ofegante pela corrida e com as roupas molhadas. Era até engraçado o estado em que ele se encontrava, mas, como sempre, preferi continuar séria.

–Está muito frio aqui... Por que não vai para um carro? –ele perguntou

–Estou bem aqui, obrigada. –falei e voltei a encarar a chuva

Sam se sentou ao meu lado e me encarou.

–Você não é muito sociável, não é?

Dei de ombros sem nem olha-lo. Ele deu uma risada fraca e olhou a chuva comigo. Sam estava perto de mim e pude sentir o cheiro dele entrar pelas minhas narinas. Esse cheiro com o de terra molhada fazia uma boa combinação, tenho que admitir...

Mas uma outra coisa invadiu minha cabeça. Estávamos tentando ir para a cidade onde estaríamos seguros, mas eu tinha um péssimo pressentimento sobre isso. Parecia que ir para lá ia dar em confusão. Mas o mal pressentimento se misturava com a vontade de ir para lá encontrar alguma coisa... Essas duas coisas tomando conta dos meus sentimentos pareciam me fazer mal. Respirei fundo e virei o rosto em direção a Sam.

Só então percebi que ele estava me fitando. Os olhos verdes dele encaravam os meus com uma certa curiosidade no olhar. Virei o rosto instantaneamente e ele fez o mesmo. A chuva a nossa frente parecia não dar trégua, os respingos continuavam a vir no meu rosto, e a sensação da água gelada da chuva batendo na minha pele estava começando a me dar um certo frio.

–Vamos para o carro... –falei me levantando e vendo Sam arquear uma sobrancelha para mim

***

POV 3ª Pessoa

O homem corria pelos corredores apressado. Seus cabelos estavam molhados graças a chuva e em sua face havia estampada uma expressão de puro ódio. Ele bateu em alguns guardas enquanto fazia seu caminho apressado. Ao chegar onde queria, deu de cara com a porta sala das celas entreaberta. Terminou de abrir a porta e correu pelo chão de metal, ignorando os odores que faziam seu nariz irritar-se. Chegou na cela que desejava e encontrou um grande buraco nas grades e a cela completamente vazia. Suas narinas se dilataram de raiva e ele soltou um grito de reprovação.

–Eles vão morrer... –foi o que disse antes de correr porta afora

***

POV Alex Smith

Havíamos conseguido sair da cela, mas todos aqueles corredores não nos ajudavam a conseguir achar a saída tão desejada. Já era noite e chovia, pelo que pude ver nas janelas em que passávamos.

Por que não saímos pela janela? Simples: estávamos em um prédio de pelo menos 40 andares e, a julgar pela altura, estávamos em um dos últimos. As luzes brancas ainda irritavam minha visão, agora acostumada com a escuridão, e eu corria sem rumo, tentando achar escadas.

Eleanor segurava minha mão fortemente, olhando para trás toda hora para ver se alguém havia nos seguido. Minha perna latejava de um jeito que qualquer outro já teria caído no chão para se contorcer de dor... Mas eu só faria isso quando estivesse livre deste lugar.

–Como vamos sair daqui? –Eleanor perguntou

–Não sei... –falei por fim

Segurei a mão dela mais forte e voltei a me apressar pelos corredores. Ao virar um corredor, eu senti tanta felicidade que seria capaz de pular se minha perna não doesse tanto. Havia uma escada a nossa frente. Duas para ser mais exato, uma subindo –o que queria dizer que não estávamos no ultimo andar- e outra descendo.

Eleanor sorriu ao ver a escada também, mas minha felicidade se esvaiu ao ouvir barulhos de passos pesados vindos em nossa direção. A empurrei na minha frente para que descesse e eu fui atrás, se algum de nós dois fosse pego por eles, que fosse eu e não ela. Minha perna doeu mais enquanto descia as escadas apressadamente.

Continuamos correndo e o barulho de passos parecia ficar mais alto a cada passo. Nós não iríamos conseguir... Com certo esforço, cheguei mais perto de Eleanor.

–Corra, o mais rápido que puder! –disse tentando não deixar minha voz soar muito alta

Ela olhou para minha perna e logo depois olhou para meu rosto.

–E você? –ela perguntou

–Se eu for pego, não pare de correr. Volte para o seu irmão... –respondi

Ela me olhou uma ultima vez e pude jurar que vi lágrimas em seus olhos. Continuamos a correr para salvar nossas vidas, mas Eleanor foi mais esperta... Ao chegarmos em um certo andar, ela entrou por uma porta qualquer e eu a segui. Ao passar pela porta, havia um elevador no andar.

Os sons de passos ficaram mais altos e fomos para o elevador, pedindo com todas as forças que conseguíssemos fugir a tempo. E assim foi. Assim que as portas do elevador fecharam, o som da porta pela qual havíamos entrado foi ouvido, mas era tarde para eles. Eu olhei para Eleanor e ela para mim e demos um abraço, felizes da vida.

Minha perna, agora que havia parado, doía como nunca, mas não era hora de me lamentar... Não ainda.

–Estamos quase lá... –falei com a voz fraca graças a dor

Ela assentiu com a cabeça.

–Obrigada... –ela disse

–Por...?

–Por não ter me deixado para trás... –ela completou

–E por que faria isso?

Assim que falei aquelas palavras, vi as bochechas dela corarem e ela abaixou a cabeça, olhando para o chão. Sorri com aquilo.

As portas do elevador se abriram no térreo do prédio. Eu segurei a mão de Eleanor e corri pelo salão cheio de pessoas. Elas estavam bem vestidas e nos olhavam com curiosidade. As portas da frente entraram em meu campo de visão, e então, estávamos livres. O ar puro encheu meus pulmões enquanto corríamos na chuva forte e fria da noite.

Eleanor sorriu e fomos em direção a algumas pequenas casas que tinham as luzes acesas... Luzes acesas? Só então meu cérebro processou a informação. Pessoas em todos os lugares, sem zumbis a vista...

–Three Rivers... –murmurei enquanto parava de correr

Eleanor também parou e me encarou curiosa. Essa era a cidade em que estaríamos seguros... Mesmo no escuro da noite, consegui ver um muro de no mínimo uns 20 metros que cercava os arredores da cidade.

–Alex... Temos que sair daqui. –Eleanor me acordou dos pensamentos

Sacudi a cabeça e voltamos a correr até as casas, com o barulho de gritos vindos dos guardas que saíam do edifício.

Notas finais
Rewiens?