Zombie Apocalypse

4 Capítulo Três


— O meu pai acabou de chegar em casa do trabalho e está morrendo de dor de cabeça. – Ela disse inquietante, completamente comovida e estressada. – Quando eu encostei nele, senti que seu corpo estava quente, e eu estou apavorada. Será que isso tem a ver com as milhões de notícias que começaram a sair desde ontem? Li muitas delas na internet, e a situação parece estar terrível!

— Ele pode ter pego uma gripe. – falei para acamá-la. – Ou pode só estar estressado por causa de um longo dia de trabalho, nunca se sabe. Já pensou em levá-lo ao hospital?

— É lógico. Ele só nega, nega e nega. Ele disse que não quer dar trabalho para nós, e que é por isso que ele só quer deitar e ficar descansando por um tempo. Jully, desculpa vir até aqui interromper a sua consulta, mas eu ia me sentir muito mais tranquila se a minha melhor amiga estivesse do meu lado enquanto meu pai está tão doente. Por favor.

— Você sabe como minha mãe é. – comentei. – Ela não vai pagar Jack se ele não ficar perto de mim durante todo o período estabelecido. – Levantei as sobrancelhas. – Pena que ela não está em casa, né, Jack? – Sorri.

— É que por ser um homem justo, cumprirei o combinado mesmo sem ela tem consentimento. – rebateu, também com um sorriso. – Você se incomoda de eu ir com Jully até sua casa, Allison?

Eu dei um olhar significativo para ela, mas ela não pareceu se importar. Foi logo aceitando antes de sequer cogitar a ideia, já que provavelmente foi pega pelos olhos hipnotizantes de Jack.

Ainda bem que ela morava perto, a não mais do que dois quarteirões da minha casa. Chegamos rápido porque fomos correndo, pensativos. O que aconteceu com o pai de Allison teria sido a mesma coisa que causou o troço do noticiário? Não, eu acho que não...

— Pai. – Ela bateu na porta do quarto dele e entrou. Nós encontramos a mãe dela debruçada no corpo dele, talvez descansando em suas próprias lágrimas. – Você tem visitas. Jully está aqui.

Eu me aproximei dele e nem sequer esperei que ele abrisse seus olhos para tocar seu braço. Eu pude sentir os meus dedos ferverem, por isso dei dois passos para trás. Localizei o termômetro e imediatamente o coloquei para medir a sua temperatura.

— Jully, já sabemos que ele está com febre. Medir o quanto não fará diferença nenhuma...

— Não custa nada ver a gravidade disso. Uma prova concreta.

— Eu sou médico, posso tentar ajudar. – Jack propôs.

— Você é um médico fracassado, e não vai encostar um dedo nele. – cortei, procurando manter o fragmento de raiva que surgia dentro de mim. – Allison, é melhor você tentar tirar esse casaco do seu pai para ver se a febre abaixa. E tente acordar sua mãe.

— Tudo bem. – assentiu.

O termômetro apitou e eu me movi rapidamente para retirá-lo. Eu franzi as sobrancelhas de imediato.

— Ali... – eu murmurei. Ela me olhou no mesmo segundo. – Eu acho que tirar o casaco dele não vai funcionar. Ele precisa ir para um hospital agora. Ninguém fica com 42ºC e não vai ao médico.

— Eu disse que posso tentar ajudar caso ele não queira ir para... – Jack começou.

— Jully, ele acabou de voltar do trabalho. – Allison repetiu.

— Eu sei, e daí?

— Esqueceu? – ela perguntou. – Ele é secretário. De um hospital.

Balancei a cabeça. Isso significava mais do que ela imagina! Como eu pude deixar essa informação de lado? Idiota. Idiota! A vida dele estava correndo perigo, e para ele não querer simplesmente pedir para alguém medir sua temperatura, ele certamente estava escondendo alguma coisa.

— Allison, eu disse que tirar o casaco não...

— Isso é uma mordida? – Jack perguntou com o queixo caído.

Eu olhei para o braço do homem e arregalei meus olhos. A mãe de Allison se levantou com olhos inchados e se levantou cambaleante. Eu a cumprimentei, mas não obtive uma resposta. Ela foi em direção à janela e observou o mundo afora. Apesar de ser uma cena tão rápida, ela puxou toda a atenção para ela e fez com que aquilo se tornasse lento e pesado.

— É complicado... – sussurrou. – Vocês andaram vendo as notícias que não param de sair? Parece que está realmente acontecendo.

— O que você quer dizer com isso, mãe?

— Encoste seu rosto no peito do seu pai e escute as batidas do coração dele. – disse pacientemente. – E note que você não capta qualquer som.

— Ali, não. – eu a impedi, lançando-a para longe assim que observei um dedo do homem supostamente falecido se mover. – Ele não está tão morto quanto parece.

— Você está enlouquecendo? – Jack quis saber, franzindo suas sobrancelhas e criando um ar de distância entre nós. – Não existe um meio termo, ou se está vivo ou se está morto.

Assim, sua expressão mudou quando o homem começou a se mover. A sua esposa, entretanto, manteve-se olhando para o horizonte de sua janela, não se preocupando em olhar para trás mesmo com o clima tenso que nos envolveu. Allison quis chegar perto, mas eu não permiti. Algo dentro de mim me impulsionava a crer que era perigoso, talvez um instinto ou coisa parecida.

— Jully, é o meu pai. Ele não me faria mal!

Ele levantou seu rosto, denunciando os olhos brancos. As linhas tenebrosas da mordida começaram a inchar, ressaltando-a. Minha reação não foi outra – sem pensar duas vezes, corri para fora e mandei, com a voz forçada, que todos me seguissem. Depois de deixá-los por si só, eu voltei rapidamente e espiei o quarto no mesmo segundo em que o homem que eu outrora conhecia atacando a sua mulher sem qualquer vestígio de pena.

Engoli em seco e parti.