Zombie Apocalypse
5 Capítulo Quatro
Ponto de vista: Allison.
— MAS QUE MERDA É ESSA? – Eu me ajoelhei numa parte qualquer da rua após cansar da correria. Estávamos mais próximas da escola do que da casa de Jully, de qualquer jeito, então eu não queria voltar. – Vocês viram... Vocês viram os olhos do meu pai?
— Eu tinha razão. – Jully virou para Jack, sem qualquer sinal de cansaço. Ela era uma pessoa muito esforçada que treinava para qualquer tipo de situação, e isso me surpreendia. Ela era um exemplo perfeito de alguém que nunca saía da linha. Acho que por ter vindo de uma família em que os pais não lhe davam atenção a não ser para xingá-la e criticá-la lhe deu forças, impulsionando-a a ser a melhor.
Jully e eu tínhamos alguns segredos. Nós éramos melhores amigas desde crianças, por isso compartilhávamos certas coisas. Pelo menos eu. Ela era muito fechada, e eu só sabia alguns deles porque ela deixava vazar algumas pistas das quais ela jamais se perdoou. Quando descobriu que eu estava entendendo o que ela escondia, ela foi aprimorando suas técnicas de mentira e atuação. Mesmo agora, eu não acho que ela me considere alguém tão confiável quanto eu a considero. Mas isso nunca me ofendeu.
— Deixe-me recuperar o fôlego, tá bom? – Jack falou ofegante. – E depois a gente discute sobre isso.
— Quero ver você me pedir desculpas, cachorro. – Jully revirou os olhos com aquele brilhante ar de autoridade que ela tanto gostava. – Não sei se vocês notaram, mas a pessoa tem que morrer para virar um deles.
— Escuta. Essas coisas não existem. Não tem como eles estarem se levantando depois de mortos, não tente transformar adicionar ficção aos fatos.
— Você acha que a mãe da Ali estava deitada lá no peito do marido só para chorar as mágoas? Você não viu que ela estava ficando louca? – perguntou. – Ela estava tentando resgatar o som da batida do coração dele. Ele já havia morrido quando chegamos.
— Isso é impossível. Se é que ele morreu, foi depois de que fugimos.
— Vocês podem, por favor, mudarem essas palavras? – esbravejei, com os olhos cheios de água. – Não interessa que uma doença tenha contaminado o meu pai e tomado o seu corpo, que ele tenha morrido antes e depois, ele ainda é – ou era – o meu pai e eu simplesmente não consigo ficar bem escutando essas coisas!
Jully mordeu os lábios, talvez segurando um pedido de desculpas. Era raro vê-la se desculpar, mesmo que tivesse a culpa. Por isso eu aprendi a saber o que certas expressões dela significavam, e eu podia ver que a intenção dela não era me magoar. Mas isso definitivamente não tinha sido o suficiente para se desculpar.
— Sinto muito. – Jack se ajoelhou do meu lado e pegou minhas mãos. – Sei como deve estar sendo difícil para você.
Se ele não fosse bonito, eu provavelmente já teria discretamente o impedido de tocar em mim, mas eu não podia fazer nada quanto àquela fraqueza por homens mais velhos.
— Jully, você voltou para o quarto depois que corremos. – eu comentei. – O que você viu?
Ela hesitou.
— Nada. – disse. – Vamos voltar para minha casa.
De repente, escutamos um grito vindo ecoando do nosso colégio. Como não era época letiva, ele estava praticamente vazio. Jully não disse nada, apenas correu para lá e pulou o muro – coisa que ela havia feito diversas vezes –, mas que nós não éramos capazes. Eu olhei para Jack, balancei a cabeça e corri para o portão mais próximo.
— Trancado. – Coloquei as mãos na cintura, tomando distância. – Aqui temos mais apoio, acho que dá para pular.
Nós o fizemos e chamamos o nome de Jully, esperando a resposta que não veio. Tive um pouco de medo que ela estivesse com problemas, por isso procurei em todos os cantos, sempre com Jack me seguindo.
— A gente devia se separar e procurar por ela. – sugeriu, mas algo interrompeu: um segundo grito. – Por ali! – apontou.
Encontramos uma mulher desconhecida em uma sala completamente bagunçada, onde um homem a segurava com força. Eu ia entrar, mas uma mão veio por trás e segurou o meu ombro. Eu pensei que havia sido Jack me segurando, o que me deixaria nervosa, mas como virei e encontrei o rosto de Jully, eu me acalmei.
— É perigoso. – ela sussurrou. – Você não quer se ferir. Vamos embora.
— Como você pode estar virando as costas para ela? – perguntei soberba. – Olhe só o que ele está fazendo a ela!
A mulher tropeçou e gritou novamente, e eu não consegui me segurar. Tirei a mão de Jully e bati na porta uma única vez.
— O que é que você pensa que está fazendo? – Eu pude sentir a raiva passando pela minha garganta juntamente com a minha voz.
Os dois viraram seus rostos para mim, e eu me arrependi assim que notei que os olhos do homem estavam tão brancos quanto os do meu pai. Eu senti um arrepio pelo meu corpo que me induziu a caminhar para trás lentamente, principalmente quando vi marcas de sangue em seus dentes e em sua roupa. Eu não sabia o que tinha acontecido, mas também não estava com curiosidade para saber.
— Me ajudem... – sussurrou a moça. – Por favor.
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