Zoera do Destino.
10 Separando o inseparável.
Notas iniciais
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–... Cara eu não sei, pode ser que realmente elas tenham apostado algo sobre você... Mas quem garante? — Lass nunca havia falado tanto em sua vida como nos últimos trinta minutos.
– Você.– Falei sem me importar em olhar para o albino ao meu lado. — Pode deixar de paranoia, foi você mesmo que me falou sobre essa aposta. — O tom irritado se fez presente em minha voz. Aquela garota não perdia por esperar. Passamos pelo enorme portão de ferro indo em direção aos armários da escola.
– Você quer me foder.– Lass bufou. O ruivo gargalhou com o seu desespero.
– Relaxa cara... — Jin riu colocando a mão sobre o ombro do velhinho. -... Porém conhecendo o teu amigo aqui...
– Só seu, amigos não fodem os outros. — Interrompeu o ruivo que apenas riu, assim como eu, da reclamação de Lass.
– Qual foi o dia em que eu te fodi?– Perguntei com falsa inocência. O velho me deu o dedo. Ri.
– Como eu ia falando... Conhecendo seu amigo aqui, eu diria que ele adoraria se vingar. — Jin retomou o assunto. – Então Sieghart, como você irá se vingar? — Questionou após chegarmos aos armários.
– Uma aposta.
– Ah pelo amor de Deus!– Lass resmungou pegando alguns livros.
– Uma aposta? — Jin me observou confuso, ignorando os baixos murmúrios do albino.
– Sim. Nada melhor do que uma aposta para se vingar de outra! — Sorri travesso já tendo um plano em mente.
– Que poético! — O ruivo riu tirando sarro da minha cara. Bateu a porta do armário e me fitou. — E como vai ser a aposta? — Cumprimentou um cara do time de futebol, que pelo o que eu me lembrava ser Ryan.
– Eu aposto que até o final do ano a Marizinha estará caidinha pelo gostosão aqui! — Lass bateu com a mão na testa em reprovação enquanto Jin gargalhava ao seu lado.
– Impossível. — Jin afirmou. Me encostei no armário. — A Mari? — Assenti. — Eu duvido.– Colocou as mãos no bolso.
–... Ninguém resiste ao meu charme.– Brinquei passando as mãos pelo cabelo. Eles riram. — Mas sério... Aposto uma bateria novinha com você que até o final do ano a Avatar vai estar comigo. — Os olhos dourados do ruivo se iluminaram.
– Zuo! — Segurou minha camiseta. — Não se brinca com o coração de um baterista desse jeito.
– Eu sei. — Afastei o ruivo de mim. — E eu não estou brincando.
–... E se eu perder? — Semicerrou os olhos desconfiado.
– Se você perder eu ganho aquela guitarra... — Ele arregalou os olhos.
– Aquela?– Sussurrou. Assenti.
– Lass! — Uma loira sorridente passou por nós junto com Elesis e Holy.
– Lire. — Assentiu. Puxei o celular do bolso evitando falar com Elesis. Ela queria muito mais do que algumas ficadas e bem... eu não queria isso. As três passaram por nós indo até o final do corredor. Avistei Mari, Arme e Amy chegando em seus armários. O celular de Lass apitou, fazendo com que o idoso pegasse ele de dentro do bolso.
– Depois você me conta qual é a daquela loira. — Ele apenas assentiu não prestando a miníma atenção no que eu havia dito, ele mantia os olhos fixados no celular assim como o ruivo, que esticava o pescoço para ver algo no celular de Lass. — E você...– Dei um tapa na barriga de Jin. Ele me encarou bravo. — Apostado? — Questionei. Ele murmurou um "ok" emburrado. Caminhei até o final do corredor após ver o grupinho de Elesis sair dali. Uma Arme irritada passou por mim com Amy em seu encalço.
–... Eu vou acabar com a raça daquele veado! — Gritou. Segurei o riso prevendo Lass chegar com olho roxo na sala. Amy passou por mim correndo, tentando inutilmente parar Arme. Observei Mari mais a frente.
"Hora de agir"
Fui até a azulada que erguia a mão para abrir seu armário, porém fui mais rápido impedindo que ela concluísse sua ação.
– Qual é a sua garota? — A raiva me atingiu em cheio assim que vi seus olhos. Eu tinha raiva por ela nem sequer se importar comigo, se importar com a minha popularidade. Tinha raiva dela ser a única que não se importava com a minha presença, de ser a única a não implorar pela minha atenção. E, principalmente, raiva de ela ter me apostado.
– Como assim?– Demonstrou confusão.
– Não tá lembrada da aposta Marizinha? — Ela arregalou os olhos. — Ou será que eu vou ter que te lembrar?
♦
– Arme pelo amor de Deus, não viaja! – Amy parou na minha frente tentando me impedir.
– Não viaja?! Eu vou arrancar o crânio daquele idiota! – A rosada me encarou apavorada.
– Você vai? – Recuou um passo.
– É modo de falar Amy. – Ela respirou aliviada. – Mas se eu pudesse eu arrancava!
– Tenta se acalmar. – Pediu. Cruzei os braços emburrada.
– Tentar me acalmar? Você viu o que ele fez? Você viu?! – Questionei revoltada.
– Olha... Ver eu vi... – Sorriu amarelo.
– Não foi só você Amy, todo mundo viu. – Coloquei as mãos no rosto.
~~
– Você viu o vídeo do Lass beijando a Arme?
Um garoto mostrou o celular para outro. Fechei os olhos e respirei fundo.
– A Arme? – O outro sorriu empolgado. – Que sortudo!
~~
“Realmente Lass era muito sortudo... Sortudo por ainda estar vivo!”
–... Arme... – Amy tentou.
– Eu vou matar ele! – Empurrei Amy para o lado e sai correndo que nem uma louca pelo corredor.
– Arme espera! – Amy gritou.
– Seu velho desgraçado! – Berrei ao avistar aquele idiota junto com Jin no final do corredor. Lass se virou rapidamente.
– O que você...
– Eu vou te quebrar! – Pulei em cima dele, o albino acabou se desequilibrando e caindo de costas no chão.
– Sua louca, quer me matar do coração?! – Tentou me empurrar, coloquei minhas pernas cada uma ao lado de seu quadril ficando em cima dele.
– Não só do coração, mas de todas as formas possíveis! – Apertei seu rosto com a mão direita enquanto retirava o celular do bolso do casaco com a mão esquerda. – Você viu isso? – Perguntei furiosa mostrando o vídeo para Lass.
– Arme você tá de saia, olha as calcinhas amiga! – Amy avisou enquanto se aproximava. Arregalei os olhos.
– Pode deixar que eu te ajudo. – O sorriso malicioso invadiu seu rosto. Suas mãos foram em direção a minha bunda abaixando a saia. Minha respiração pesou e a vergonha tomou conta de mim.
– S-Seu tarado! – Gritei tentando sair de cima dele, mas acabei piorando ainda mais aquela situação. Enquanto eu tentava levantar, o albino se apoiou em minha perna e eu cai praticamente deitada em cima dele.
– Que pornografia! – Amy gritou rindo tapando os olhos com a mão, o que só fez minha vergonha aumentar. O hálito fresco de Lass batia em minha boca.
– Depois eu que sou oferecido... – Lass murmurou fazendo com que a raiva me atingisse em cheio novamente. Dei um tapa em seu rosto e me levantei rapidamente.
– Nunca mais toque em mim seu... Seu... Argh! – Puxei Amy pelo pulso e sai dali às pressas.
– Só quando você mandar amorzinho! – Gritou. Virei rapidamente, porém Amy impediu que eu fosse até o idoso.
– Se controla. Aquela posição já foi o bastante por hoje. – A moranguinho avisou. Apenas observei Lass acenar para mim.
– Eu ainda te pego seu filho da... – Amy tampou minha boca. – Mãe...! – Bufei. As pessoas me encaravam assustadas. – Sai da frente porra!
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– Do que você tá... – Ele me interrompeu enquanto me prensava contra a parede que ficava ao lado do meu armário.
– Não se faz de sonsa garota! – Explodiu batendo com a mão na parede.
– Baixa o tom para falar comigo idiota. – O encarei. Ele gargalhou.
– Eu sou o idiota? Eu?! – Riu sarcástico. – Você me aposta e eu que sou idiota.
– Eu não sei de que aposta você tá falando. – Tentei empurrar ele, mas o moreno não saiu do lugar.
– Você não vai sair enquanto não me explicar que aposta foi essa que você fez com a Amy. – Arregalei os olhos.
– Quem te contou? – Questionei rapidamente. Sorriu fechando os olhos.
“Sua idiota! Agora ele sabe que realmente há uma aposta. Idiota! Idiota!”
– Até que enfim a mascara caiu! – Falou com tanto ódio que eu fiquei com medo que ele fizesse algo contra mim. Outro estouro foi ouvido, porém desta vez, o alvo foi o armário ao lado, no caso o meu. O armário foi soqueado com tanta raiva que o ferro foi, minimamente, amassado.
– Foi uma brincadeira. Só isso! – O empurrei. A mochila que estava em seu ombro caiu após o empurrão. Ele respirou fundo. Ajeitei meu casaco.
– Só isso? – Me empurrou contra a parede novamente, dessa vez colocando seus braços ao lado de meus ombros. – Só isso?! – Seus olhos transbordavam raiva. – Quanto vocês apostaram Marizinha? – Me questionou deixando seu rosto próximo do meu.
– N-Nada. – Minha voz falhou. Fechei os olhos ao sentir seus dedos gelados segurarem o meu queixo.
– Você acha que eu sou retardado? – Tentei regular minha respiração, mas eu estava nervosa demais para isso. –... Se você fosse homem eu já teria te soqueado. – Afirmou.
– Então bate... – Murmurei contra seu rosto. – Bate Sieghart! – Ele se irritou. Fechei os olhos ao sentir o armário ser atingido.
– Eu não posso Mari... – Respirou fundo.
– Por eu ser mulher? – Encarei seus olhos prateados. Estávamos próximos de mais e eu temia que algo realmente acontecesse. Ele negou abaixando a cabeça.
–... Por ser você. – E se afastou aos poucos. Pegou a mochila que estava jogada e saiu sem nem olhar para trás. Minhas pernas fraquejaram e eu rapidamente coloquei as mãos na parede.
– Mas que droga Sieghart! – Gritei irritada, não duvidava que ele havia escutado. Coloquei as mãos na cabeça, percebendo só agora, o quanto eu estava ferrada.
[...]
Empurrei a porta da sala com preguiça e talvez com um pouco de raiva, já que teria que ver o rosto de Ercnard.
– Senhorita Ming, vejo que perdeu a hora. – Usou seu tom irônico antes de me deixar passar pela porta. Apenas bufei indo até a unica classe vazia da sala.
– Mas ganhei uma aposta. – Falei alto o suficiente para toda a sala escutar, joguei minha bolsa ao lado da mesa.
– Então já sabemos quem perdeu, né Amy? – O moreno me fitou com aquele maldito sorriso no rosto. A rosada abaixou a cabeça sem coragem para responder Sieghart.
– Era óbvio que ela iria perder a aposta para mim, só ela não percebeu. – Puxei a cadeira ainda encarando o moreno sentado a algumas mesas atrás de nós.
– Será que só eu estou curioso sobre o que vocês duas apostaram? – Colocou o lápis na boca e começou a balançar a cadeira.
–... Só uma aposta idiota... – Finalmente me sentei na cadeira, não quebrando o contato visual com o moreno. – Sobre pessoas idiotas. – Finalizei deixando um sorriso malvado escapar. Ele retirou o lápis da sua boca e começou a batucar com o objeto na mesa.
– Será? – Questionou usando o tom inocente em sua voz. Arrancou uma folha de seu caderno e a amassou. – Você pode matar minha curiosidade Amy?
– Não. – Ela respondeu me olhando pela primeira vez desde que eu havia entrado na sala.
– Eu só gostaria de saber sobre o que era a aposta.– Ignorei Sieghart prestando atenção apenas na rosada a minha frente. Ele tocou a bolinha de papel que estava em suas mãos na cabeça de Amy. –... Pois foi você que me disse que havia uma. – Sieghart sorriu vitorioso. Fechei os olhos me negando a acreditar nele.
– Amy me diz que não é verdade o que esse idiota falou! – Ela arregalou os olhos.
– Mari eu juro que foi sem querer. Eu não... – A interrompi.
– Sem querer?! – Levantei da cadeira com certa violência. – Eu não posso acreditar que você teve coragem de fazer isso comigo! – Apontei para mim. As duas se levantaram rapidamente.
– Mari nós iriamos te avisar! – Arme se manifestou pela primeira vez. Olhei incrédula para a roxinha.
– Até você Arme?! – Gritei furiosa.
– Calem-se! – O professor ordenou após ver o nível da discussão.
– Vocês duas me enganaram! – Gritei novamente ignorando a ordem do professor. – Suas mentirosas! – Amy me encarava com os olhos marejados.
– Cala a boca Mari! Você também errou, então não julgue Amy sem ao menos saber o que realmente aconteceu! – Arme gritou ficando de frente para mim.
– Meninas! – Amy chamou.
– O que realmente aconteceu?! – Repeti rindo. – Aconteceu que vocês duas são falsas e não sabem ficar quietas! Foi isso que aconteceu!
– Falsas? – Arme se aproximou. – Foi você que apostou com Amy, ninguém te obrigou! Se era uma aposta idiota sobre pessoas idiotas, porque apostou Mari? Você queria provar a si mesma que não estava afim desse idiota. – Encarei Arme abobada.
– Não coloque palavras em minha boca... – Falei entre dentes. Sieghart se levantou.
– Como é?! – O moreno questionou com os olhos arregalados.
– É a mais pura verdade Mari! Você não queria admitir...
– Arme... – Avisei fechando as mãos.
–... Mas tá na cara. – Riu com sarcasmo. – Você prefere acreditar nele do que em nós, isso só prova uma coisa... – Os meninos se aproximaram e alguns murmúrios eram ouvidos. O professor havia saído da sala para, provavelmente, chamar a diretora.
– Você não ousaria... – Murmurei encarando Arme.
– Parem! Por favor! – Amy implorava com os olhos cheios de lágrimas.
– Que quem ganhou a aposta foi Amy. – Respirei fundo. Eu e Arme nunca havíamos nos enfrentado, não desse jeito.
– Cala a boca Arme! – Avisei pela ultima vez não conseguindo mais controlar minha raiva.
–... Provando também que ela estava certa quando disse que você está apaixonada por Sieghart. – O silêncio reinou por alguns mínimos segundos até ser quebrado por um som. Arme virou o rosto com a força do impacto, seus cabelos caindo em seu rosto.
– Eu mandei você calar a boca. – Puxei meu braço que estava suspenso no ar. Meus dedos ardiam, porém os meus olhos ardiam mais.
– Sua idiota...! – Virou o rosto em minha direção mostrando a marca avermelhada em sua maça do rosto. Respirei fundo voltando ao normal. – Eu vou te matar! – Lass impediu que Arme me fizesse algo. — Me solta Lass! Me solta! – Começou a chorar enquanto se debatia nos braços do albino. Peguei minha bolsa que estava atirada no chão.
–... Arme e-eu... Me desculpa. – Coloquei a mão na testa me arrependendo de ter dado um soco em Arme. Caminhei rapidamente até a porta pensando apenas em sair dali e esquecer toda a burrada que eu tinha feito.
– Você não vai a lugar nenhum Mari. – Levantei a cabeça ao ver a pessoa a minha frente.
– Mãe?
Notas iniciais e finais poor favor! Obrigada ❤
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