Zoera do Destino.
11 Pós-treta: Arrogância.
Notas iniciais
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Sabe aquele momento que você se arrepende até por ter nascido? Pois é, eu realmente me sentia nele.
– Nós não a achamos em lugar algum. – Ouvi a voz da Yumi, secretária da escola, soar preocupada. – Arme simplesmente sumiu.
– Procure novamente. – Mei ordenou.
– Nós já procuramos em cada canto da escola amiga, não há mais o que fazer. – Yumi respondeu cansada, mamãe deixou um longo suspiro escapar.
– Obrigada Yumi, qualquer coisa me avise. Está liberada. – E a porta se fechou. Me encolhi ainda mais, se é que era possível, em cima da cadeira que dava de frente para a mesa da diretora.
– Você ultrapassou qualquer tipo de limite que poderia existir. – Olhando a mulher a minha frente eu pude perceber que ela estava ali como minha mãe e não como minha diretora. E eu temia isso.
– Mãe tenta me entender... – Fui interrompida sem nem ao menos demonstrar que eu estava arrependida.
– Tentar te entender?! Você deu um soco na sua amiga! Não é qualquer pessoa minha filha. É a Arme! A garota que te conhece desde criança. – Eu odiava admitir, ela estava certa. Porém...
– Ela me humilhou na frente de todos! – Tentei me defender.
– E você Mari? – Questionou rapidamente. – Você bateu naquela que sempre te defendeu! Agora se ponha no lugar dela; levar um soco da melhor amiga na frente de uma sala cheia não deve ser nem um pouco humilhante. – Abaixei a cabeça sentindo meus olhos lacrimejarem. – Espere até a hora do intervalo e você verá o verdadeiro inferno que essa escola se tornará. – Ela estava totalmente certa e eu me sentia um lixo. – Vou ter que marcar uma reunião pra saber como irá ficar sua situação com a escola. – Ela revirou em alguns papeis em cima da mesa. Me sentei rapidamente na cadeira observando a mulher a minha frente.
– Você não vai me...
– Expulsar? – Seus olhos azuis me encararam. – Isso é o mínimo dos problemas. – Arregalei os olhos. – O que aconteceu hoje pode ir parar na polícia. Eu posso me incomodar muito se alguém fizer uma denúncia.
– Arme não faria isso...
– Quem garante? Ela nunca pensou que você bateria nela e olha o que aconteceu... – Engoli em seco. – Mas também há os professores.
– Não tem porque os professores quererem me denunciar. Eu sou uma ótima aluna, nunca os desrespeito. – Tentei argumentar. Mamãe riu com sarcasmo.
– Você acha que eles gostariam de dar aula para uma marginal? – A encarei incrédula.
– Você sabe que eu não sou uma marginal! – Me exaltei ofendida.
– Mas está se tornando uma. – Jogou um papel nas minhas pernas. Era o meu histórico escolar. Observei as anotações desse mês. – Olha quantas vezes você visitou minha sala desde o inicio das aulas.
– Cinco vezes.
– Seis vezes, incluindo essa, em menos de 30 dias de aula.
– E o que isso tem haver com o motivo de eu estar virando uma “marginal”? – Questionei, ela me entregou outro histórico escolar. Franzi o cenho lendo o nome escrito na folha. – Jin Kaien? – Virei minha atenção pra ela.
– Nem o aluno mais bagunceiro dessa escola tem tantas vindas na diretoria quanto você. – Me tocou outro papel. – ... Nem o mais marginal.
– Lupus Wild... – Murmurei. — ... Aqui diz que ele já foi pego até fumando na escola. – Li o pequeno relatório. – Como eu posso ser mais marginal do que ele? – Me enfureci, Mei não podia estar falando sério.
– Ele não se meteu em nenhuma discussão nesse meio tempo de aula, muito menos bateu em alguém. – Ela concluiu enquanto eu colocava os históricos em cima da mesa. – O que aconteceu com você Mari? – Ela diminuiu o tom de sua voz. – O que aconteceu com a minha menina? – Respirei fundo.
– Eu não sei mãe. – Fui sincera. – Desde que Sieghart entrou nessa escola tudo mudou. – Afirmei, ela me olhou confusa.
– O que você sente por ele? – Estranhei a pergunta. A curiosidade estampando seu rosto.
– Como assim?
– O que você sente por Ercnard?
– Eu sinto ódio! – Me levantei da cadeira após alguns segundos tentando raciocinar uma resposta. – Por que? Porque ele não pode ser igual aos outros alunos dessa escola e simplesmente abaixar a cabeça para mim?! – Me encarou surpresa. – Ele é o único que não se importa pelo fato de eu ser sua filha!
– E você gosta disso.
– Não. Eu não... – Eu tive vontade de me matar ao notar que aquilo não era uma pergunta, mas sim uma afirmação. – Vocês estão cegos. – Ri pelo nariz, cansada desse assunto.
– Ninguém está cego. – Balancei a cabeça em discórdia e virei minha atenção para o quadro na parede.
– Imagina. – Ironizei.
–... Eu não vou discutir isso com você. Não aqui. – Agradeci mentalmente por sua breve desistência.
– Então eu já posso ir para casa... – Murmurei mal-humorada enquanto pegava minha bolsa na cadeira.
– Você não pisa nessa escola até a próxima segunda-feira. – Coloquei a bolsa sobre os ombros, soltando uma risada irônica.
– Uma semana de férias. – Levantei os braços como sinal de comemoração em uma brincadeira sarcástica.
–... Agora some daqui! – Entregou uma autorização para eu poder sair no portão.
– Como quiser. – Foi a última coisa que eu falei antes de sair da sala. Assim que fechei a porta, dei de cara com quem eu menos queria ver no mundo.
– A gente precisa conversar...
– Não, a gente não precisa.
– É bem provável que eu me foda por sua causa. – Fez uma pausa. Continuei andando não me importando com seu comentário. -... E você vai falar comigo sim! – Me virou de frente para ele.
– Eu já disse que não quero falar com você! — Gritei para logo após ter minha boca tampada pela mão de Sieghart.
– Cala boca! — Resmungou. Mordi seu dedo. — Sua cade...!– Segurou o grito me encarando furioso. Permiti que um sorriso malvado estampasse meu rosto enquanto ele sacudia a mão.
– Você iria falar o que mesmo? — Coloquei a mão na orelha fingindo não ter escutado o que ele iria dizer. O moreno segurou a sua mão machucada e me encarou.
– Sabe Mari... Eu pensei que você era diferente. — Meu sorriso morreu ao ver sua expressão de desapontamento sobre mim. — Você parecia legal, mesmo quase tendo me matado no início. — E não, eu não aguentava aquele olhar pela terceira vez seguida em menos de um dia.
– Você não entende.
– Não, quem não entende algo aqui é você. — Virei o rosto para o lado. — Eu não estudo a muito tempo aqui Mari, porém eu vejo que vocês três são muito próximas, e que é Arme que defende vocês na maioria das vezes. — Respirei fundo tentando inutilmente não deixar com que o nó se refizesse em minha garganta.
– Está enganado. — Olhei para Sieghart.
– Estou? — Questionou. — Pois bem... Quem defendeu Amy do seu ataque?
– Amy estava errada, ela não poderia ter feito isso comigo!
– Quem Mari? — Ignorou minha explicação exigindo a resposta.
– Arme...
– Quem se preocupou com Amy na festa da Rey?
– Arme...
– Quem defendeu a Amy lá no refeitório?
– Arme...
– Você viu? Ela está sempre por perto.
– Elá sempre está perto da Amy! — Tentei argumentar. Ele mexeu a cabeça em negação.
– Aquela coisa rosa sabe se defender por acaso? Ela consegue quase matar alguém no primeiro dia de aula?
– Quando falam do Sasori ela é capaz de tudo. Acredite!– Sorri me lembrando dos chiliques de Amy ao ver alguém xingando o ruivo.
–... Tudo bem... Mas você jura que Arme nunca te defendeu? — Eu iria jurar, porém odiava o fato dele estar certo.
~~
Eu estava desenhando uma borboleta no caderno quando senti algo bater contra minha cabeça. Eu realmente não me lembro como era o menino ou até como ele se chamava, mas eu me lembrava da gargalhada dele e dos outros amiguinhos idiota dele após a bolinha de papel ter acertado em cheio minha cabeça. O menino fez um sinal com a mão para que eu pegasse a bolinha caída no chão e assim eu fiz. As palavras escritas em canetão preto estavam em a toda folha, elas diziam:
" Feiosa. Quatro olhos. Esquisita. E.T."
Meus olhos se encheram de água. Eu odiava ser diferente. Eu era a única a usar óculos dentro daquela sala, a única a ter um olho totalmente diferente do outro(a tal heterocromia).
– Olha, a feiosa tá chorando! — O garoto gritou chamando a atenção da turma. O dedo indicador apontado para mim. — O choro tá em 3D! — Brincou com o fato de eu usar óculos. Todos riram.
– Hey! — Uma menininha do outro lado da sala gritou se levantando. — Olha só para você... Com essas orelhas de elfo! — A turma explodiu em gargalhadas, incluindo eu.
– Do que você está rindo quatro olhos? — Se voltou furioso para mim. Parei de rir e tomei a decisão mais radical que eu havia feito na minha vida(até aquele dia). Enfrentar aquele garoto idiota.
– De você, orelhudo! — E novamente a turma caiu na gargalhada.
– Já chega todos quietos! — A professora ordenou. — Vocês tem atividades para fazer. — A menina que havia me defendido veio se sentar ao meu lado, já que não se havia ninguém ali. — Oi! — Ela sorriu largando seu material na classe ao lado. — Meu nome é Arme, qual é o seu? — Questionou curiosa.
– Me chamo Mari. — Respondi com certa timidez. Ela sorriu. — Porque você está aqui?
– Porque quero conhecer melhor minha mais nova amiga!
~~
–... E então Mari... Arme nunca te defendeu? Nunca enfrentou ninguém por sua causa? — Voltei meu olhar para o moreno.
– O que você quer com isso Sieghart?! Quer me deixar pior do que eu já estou? Quer fazer com que eu chore na sua frente por ter cometido o pior erro da minha vida?! — Gritei sentindo o gosto salgado das lágrimas em minha boca. — Pois você conseguiu!! — Solucei passando a mão pelo rosto.
– Eu quero que você veja Mari que ninguém é de ferro; nem mesmo Arme que sempre defendeu vocês e nem mesmo você que se diz tão forte. — Franzi o cenho não entendendo onde ele queria chegar. -... Você só se importa consigo mesma. Nem sequer pensou em como Amy está ou onde Arme está. — Suspirou. -... Ou sequer pensou como eu estou após ter sido envolvido numa aposta idiota. — Arregalei os olhos com a afirmação de Ercnard. — Você não é o centro do mundo.– E foi com essas palavras que ele beijou minha testa e me deixou ali; sozinha, atordoada.
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