”A viagem deve os ter deixado cansados e na seca...” -Pensei. “Até que uns são bem bonitinhos...” -Ri para eles e apertei o passo em direção ao salão de refeições, que estava abarrotado de gente. Tanto da realeza quanto de cavaleiros. Havia música e até algumas pessoas dançando. Muita gente bebendo e rindo. Meu lugar estava reservado ao lado de Arya. Andei até lá e me sentei. Vi a Rainha e a Senhora Stark em uma mesa de frente a todo o povo. A Rainha olhava para uma direção fixa. Olhei para essa direção. O Rei estava atracado aos beijos com uma das serviçais. Uma mulher gorducha e madura.

-Olá? -Arya me cutucou. -Estava falando com você.

-Me desculpe, Arya. O que dizia? -Comecei a comer.

-Você está vendo como aqui está lotado? -Sorriu abismada.

-Sim. Realmente. -Sorri para ela.

-Sabe, parece que Sansa vai se casar com o Príncipe Joffrey! -Uma das amigas de Sansa falou para mim felicíssima. Nesse instante, uma moça chega e cochicha no ouvido de Sansa, que apenas acena com a cabeça. Sansa se levanta e vai até a Rainha. As duas começam a conversar. A música era alta, então, não consegui ouvir nada. Voltei minha atenção à comida. Uma moça estava servindo vinho e pedi que enchesse minha taça.

-”Normalmente não bebo muito, mas hoje, é o dia... Isso não me está cheirando bem...”

Bran e Rickon deviam estar na cama por serem os mais novos. Robb conversava com alguns cavaleiros que estavam ao seu lado. Eles deviam estar se divertindo com os assuntos. Percebi que uma outra moça vinha em minha direção. Cochichou em meu ouvido:

-”A Senhora Stark quer que a senhorita vá até ela.” -Concordei com a cabeça e me levantei.

-Onde vai? -Perguntou Arya.

-Sua mãe deseja falar comigo. Fique aqui que eu voltarei já... -Respondi. Fui onde a Senhora Stark, Rainha Cersei e Sansa estavam. Decidi cumprimentar a Rainha primeiro, afinal de contas, ela era a Rainha...

-Sua Graça. -A reverenciei com elegância. Ela me examinou da cabeça aos pés e arqueou as sobrancelhas. Olhei para Senhora Stark. -A Senhora gostaria de falar comigo?

-Só queria apresentar-lhe a Rainha. -Falou. -Sua Graça, essa moça é uma convidada minha. Ela está morando em Winterfell e é uma promessa para o nosso mundo. -Sorri com isso.

-Como é seu nome? -Cersei perguntou-me.

-Agatha, Sua Graça. Agatha Mariz.

-Nunca ouvi esse nome. -Admitiu.

-Ela não é daqui, Sua Graça. Estamos convencendo-a a ficar. Já a vemos como uma filha. -Fiquei surpresa com o que ela disse.

-Bom saber. -Sussurrou. -Esse vestido. Foi você quem fez? -O olhou.

-Apenas o customizei, Sua Graça. -Respondi. Percebi que Sansa não estava gostando muito de perder as atenções. -Sansa é quem sabe tudo sobre costura. -Ela sorriu.

-Sim, eu percebi. -Cersei riu para a futura nora.

-Era só isso, Minha Senhora? -Perguntei a Senhora Stark.

-Sim.

-Então, com sua licença, Senhora, Sua Graça, mas, voltarei ao jantar e à companhia de Arya. — Sorri e fiz uma menção enquanto saía. Voltei para meu acento e comi mais um pouco. Sansa voltou para seu lugar e começou a conversar com suas amigas enquanto recebia e trocava olhares com Joffrey. Não consegui prestar muita atenção em nada.

-Ah! Ela é tão metida! -Arya cochichou para mim. -Já sei....

Arya começou a atirar comida em Sansa. Sua irmã, em resposta, não gostou nada de ficar suja em frente a corte e começou a gritar. Com um pedido da mãe, Robb tirou Arya de lá imediatamente. Como estava completamente sozinha agora, virei o copo de vinho e saí de lá. Fui tomar um ar fresco. Decidi ir ao lugar onde conseguia pensar melhor: o campo de treinamento dos garotos. Como todos estavam jantando, não vi ninguém no caminho de ida. Ouvi alguns murmúrios. Então que me escondi atrás de uma das pilastras.

-Você é Tyrion Lannister... irmão da Rainha? -Ouvi Jon.

-Meu maior feito. -Uma voz desconhecida respondeu. -E você é o bastardo de Ned Stark, não é? -Consegui localizá-los. Estavam onde costuma-se treinar lutas com espadas. O homem com voz desconhecida era um anão. Duende como Arya havia dito. Jon deu as costas a ele. -Eu o ofendi? Desculpe. -Jon olhou para ele. -Mas você é um bastardo. -Tyrion caminhou até ele em passos desleixados.

-Lorde Eddard Stark é meu pai. -Jon falou solenemente.

-E Senhora Stark não é sua mãe, o que faz de você, um bastardo. -Pausa. -Vou dar-lhe um conselho, bastardo. Nunca esqueça quem você é. O resto do mundo não esquecerá. Use isto como uma armadura, assim nunca poderá ser usado para feri-lo. -Deu-lhe as costas e caminhou no sentido contrário a Jon.

-Que diabos você sabe sobre ser um bastardo? -Jon perguntou em voz alta a ele. O anão loiro parou e voltou-se para Jon.

-Todos anões são bastardos aos olhos do pai. -Bebericou sua bebida e foi andando. Jon ficou parado. Fiquei observando Tyrion vir para perto de o lugar onde eu estava, que era rota dele para ir ao salão. Ele olhou em minha direção e deu um sorriso de canto.

”Ele me viu!” -pensei.

Jon voltou a luta com o boneco. Lutava com ferocidade e violência.

-Eu acho que ele já deve ter morrido depois daquele golpe violento no pescoço... -Pronunciei fazendo com que Jon desse um pulo para trás.

-Você me assustou... -Falou ofegante. Sorri e peguei a espada que ele havia deixado cair no chão. Ela era um pouco mais pesada do que aparentava.

-Sou boa com arco e flecha, mas com espadas, ainda tenho muito a aprender... -Ergui a arma e meu braço sentiu o peso dela tão abruptamente que quase deixei que ela caísse no chão.

-Tem de ter força para lutar com ela. É mais pesada do que parece.

”Avá... É mesmo?” -pensei. “Queria eu saber como se faz um revólver, porque aí, eu revolucionaria a história dos 7 reinos... “

-Eu percebi... -A levantei novamente e tentei acertar o boneco como Jon havia feito 5 minutos antes. Só que quando coloquei a espada para frente afim de que ela acertasse o alvo, o seu peso me fez desequilibrar e cair no chão. Jon começou a rir. Não uma risada qualquer. Uma risada super escandalosa. Fiz uma cara séria para ele. Ele então estendeu a mão para me ajudar. -Não teve graça. -Murmurei zangada enquanto limpava o vestido.

-Não.. Realmente não teve graça alguma. -Tentou segurar novamente o riso, então, mordeu o lábio. Foi muito fofo. Sorri balançando a cabeça e colocando as mãos sobre meus olhos de vergonha.

-Ok... Pode ter tido um pouco de graça... -Falei um pouco mais bem-humorada.

-Pois é... Espera... Tem pó no seu rosto. -Chegou mais perto e passou a mão levemente sobre minha face tentando tirar a sujeira. Nossos olhares se encontraram e um arrepio passou pelo meu corpo.

”Ahh. Qual é... você acha o Robb lindo e se arrepia quando o Jon encosta em você? Tá virado uma tarada?” -Não consegui me segurar e acabei com a distância em nossos rostos. Meus lábios tocaram os dele.

Notas finais
O que acharam? A Agatha estava certa em fazer isso com o pobre Snow? Comentem!