No limiar da noite, as rodovias de duelo encontravam-se vazias, os duelistas que uma vez popular aquele lugar estavam amedrontados, assustados pelo fantasma que perambulava a cada quilômetro de asfalto daquelas ruas.

Silencioso como a noite, veloz como o vento, preciso como uma águia

Em meio a todo esse silêncio, em um dos pontos mais altos da rodovia, um sujeito observava Neo Domino de cima, suas luzes piscantes e letreiros brilhantes que iluminavam o céu, contemplando seus próprios pensamentos enquanto descansava, apoiado em sua moto.

? — (Esse lugar anseia por uma nova vida, essa cidade anseia pelo novo, e eles anseiam pelo momento perfeito…) — Mirou o semblante nas estrelas que compunham o céu, podia jurar que uma delas cruzava os céus como um cometa — (Essa é a única oportunidade que eu tenho pra fazer isso dar certo, se eu falhar…perderemos muito mais do que podemos arriscar, não posso falhar, não agora)

Deixou o vento banhar seu corpo, enquanto respirava o ar fresco da madrugada, preparando-se para o que ainda estava por vir

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O tempo passa como o vento, e quando menos se esperava lá iam horas, dias e até semanas.

As massas saiam para trabalhar, os letreiros iam se apagando, as ruas enchiam-se de carros e o brilho alaranjado do sol refletia das janelas dos inúmeros arranha-céus daquela cidade

O ar tinha aroma de progresso, com um toque de tecnologia

As pessoas estavam ansiosas, visto que o estádio de Neo Domino teria hoje sua primeira partida das semifinais do WRGP, os ingressos estavam esgotados, o público não falava de outra coisa

O WRGP já havia começado a duas semanas, e essa edição estava batendo recordes graças aos acontecimentos pré-campeonato

Era o último campeonato de muitos duelistas consagrados do cenário, a ascensão de novos campeões, e mais importante e misterioso, a aparição de um sujeito misterioso, que abalou a cerimônia de apresentação e desde então quase não foi visto

Como um fantasma, veloz e misterioso, que perambula pelas rodovias de duelos a noite, em busca de duelistas a altura de seu desafio

Ou assim diziam os contos

Era alguém que todos queriam saber quem era, mas ninguém conseguia alcançar

Ninguém realmente sabia os seus motivos

Mas não faltavam aqueles que tentavam descobrir, com suas próprias teorias

O que se sabia era que essa noite seria uma para ficar na memória, por diversas razões.

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Com as mãos sujas de tinta, os óculos de proteção sujos e a pistola de tinta no chão, May estava contemplando a obra de arte que estava em sua frente

May — Finalmente, pronta…que vislumbre

Ali em sua frente, reconstruída peça por peça, a Duel Runner que ele havia achado no ferro velho e trago para a garagem, qual havia reconstruído e refeito o motor, a suspensão, e até mesmo um pouco da carroceria

Com um novo jogo de pneus, painel nítido e o mais importante e impressionante, um chip modificado funcional do código fonte da Speed World I, aquela era uma relíquia do tempo que foi deixada para ser esquecida, e agora estava de volta a vida, quem sabe muito além do que esteve em seus dias de glória.

May — Que orgulho…só que eu sei de alguém que também ficaria extremamente orgulhoso de ver isso aqui…vou mandar uma mensagem pro garoto daqui a pouco…

Ele removeu os óculos de pintura, contemplando mais uma vez aquela máquina

May — Motor a combustão de 600 cilindradas, freios a disco, pneus semi pista, direção com assistência elétrica, 103 cavalos de potência, uma verdadeira maravilha…e ainda sim não é suficiente para chegar aos pés daquela coisa…cara aquela duel runner deve ser de outro mundo

Ele sentou-se no chão, pensando alto

May — Um motor completamente silencioso, elétrico, deve ter mais de 200 cavalos, sem faróis de iluminação, pneus pista ou semi pista, chassi aerodinâmico…teria que ser de fibra de carbono, caso contrário seria pesado demais para fazer manobras tão rápidas…algo assim sequer deveria existir, é como uma utopia da engenharia automotiva, e seja lá quem pilota aquilo é um completo lunático.

Largou a pistola de pintura no chão, removendo os óculos sujos em seguida

May — Ainda sim, tem algo muito estranho em toda essa história, nos mínimos detalhes…um veículo tão moderno, tão rápido, silencioso…não parece coisa desse mundo. Além de tudo ele ainda tem permissão de duelos, aquele veículo com certeza não é homologado mas tem acesso a Speed World II…por que alguém faria algo assim?

Vai saber

Ele deu de ombros, deixando a linha de pensamento se esvair

Foi até a porta da oficina, e quando se deu conta já era tarde, havia virado a noite na oficina sem ter percebido, podia jurar que haviam sido apenas alguns minutos, via os holofotes do estádio iluminando os céus, e os dirigíveis cruzando o céu, anunciando o evento da noite.

May — Esse pessoal tem grana pra gastar…caramba… — Contemplou a grande aeronave no céu, não podia dizer que a vista não era bonita — Se vai ter duelo hoje, significa que as rodovias vão estar vazias, vai ser o cenário perfeito pra levar aquela obra prima até o seu limite. Mas antes disso, preciso de um banho, estou banhado em tinta e graxa.

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De longe, nos majestosos arranha-céus, três figuras olhavam o horizonte, os holofotes do estádio cruzando o céu e iluminando a noite escura, suas posturas rígidas e olhares afiados condizem com seu porte físico, ou o que podia ser observado quando contempladas suas sombras

? — O que você está insinuando? Localizou nosso alvo? — Perguntou o mais alto deles, sem olhar para os demais.

? — Sim, mas seu poder não despertou, ainda precisamos esperar o evento zero para poder extrair sua força — Respondeu o segundo, que estava sentado a beira do arranha-céu

? — Então de nada adianta, precisamos que o evento crítico ocorra…não devemos perder ela de vista até que aconteça, está claro?

? — A grande questão é quando ele vai ocorrer…não podemos esperar aqui para sempre, nossa presença neste local não é bem vinda — Pontuou o segundo, demonstrando o incômodo com aquele cenário

? — Nossos registros deste tempo tão distante à muito já foram apagados, viemos pela data mais próxima. Mas se tivermos de esperar, devemos plantar nossas raízes aqui, e nos tornar parte deste lugar, assim construiremos esforços para tornar o nosso plano realidade. — Disse o terceiro, que estava mais atrás, de pé, a olhar os holofotes no céu.

? — Não deixaremos que arruinem nosso futuro uma segunda vez

E assim que os holofotes iluminaram o topo do grande edifício, já não havia mais nada lá, haviam desaparecido com o vento

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Em outra parte da cidade, acompanhando o presente e celebre evento que seriam as quartas de final do WRGP, Cayel e Isac estavam reunidos a frente da televisão, esperando os grandes duelos começarem.

Isac — Vamos lá, mais uma vez então — Ele coçou a garganta, olhando avidamente para um pedaço de papel com algumas anotações — Salgadinhos?

Cayel — Estão aqui.

Isac — Uma porção de doces e balas?

Cayel — Confere

Isac — Refrigerante, suco e água?

Cayel — Na geladeira

Isac — Copos?

Cayel — Temos alguns copos no armário, vão servir

Isac — Cobertores e travesseiros?

Cayel — Bem aqui — Ele puxou seu travesseiro do sofá, apertando-o para checar sua maciez — Bem macios.

Isac — Tudo certo então, temos tudo que vamos precisar para ver o duelo de hoje sem interrupções.

Cayel — Cara essa noite vai ser demais, esse duelo decide o primeiro finalista do campeonato, vai estar todo mundo duelando o máximo que podem! — Empolgado, ele demonstrava todo seu entusiasmo, acompanhar seu esporte favorito era um de seus hobbies favoritos.

Isac — Pode apostar que estarão, é incrível como esse parece ser o ano em que teremos o melhor WRGP de todos.

Cayel — E vai, não se lembra? Dois dos três duelistas do Northern White Stars disseram que estão perto de se aposentarem, Axel e Elise, é capaz que essa seja a última vez que os vejamos. Além do que, os United Speed Duelists estão se desfazendo depois desse campeonato, eles só vieram para cá para poder ter sua última partida contra seus rivais. Por isso que tem que ser a NWS e a USD na final, já imaginou o quão intenso seria?

Isac — Pra falar a verdade…eu meio que tinha esquecido mesmo. Então quer dizer que ano que vem já não vamos ter nenhum nome conhecido duelando?

Cayel — Nope, não vai sobrar ninguém…vai ser o fim do Riding Duel que conhecemos.

Isac — Acho que não é pra tanto também Cayel, só estão trazendo novos duelistas, pra modernizar o jogo.

Cayel — É…mas e se nenhum deles for bom igual os antigos?

Isac — Já vimos o Daniel duelar, ele duela muito bem e é novo no cenário.

Cayel — Tá, mas ele é um integrante de um time, não é o time todo, fora que quase não tivemos times conhecidos nesta edição, poxa vida, mal mal só a NWS e os USD.

Isac — Teremos que esperar a próxima edição para poder tirar nossas conclusões, até lá, a gente aproveita enquanto pode.

Cayel — Verdade…tem toda razão.

Isac — Aguenta aí que eu só vou no banheiro, se o duelo começar você me grita, ok?

Cayel — Pode deixar, vai lá.

Isac então saiu da sala, indo em direção ao banheiro, ficando somente Cayel, frente a frente com a televisão.

Cayel — Agora é hora de sentar aqui e esperar começar o duelo, hoje sem interrupção algum… — E antes que pudesse concluir sua frase, foi interrompido, seu telefone estava tocando — Às vezes parece que é proposital…independe de quem seja, já vou logo falando pra ligar depois.

Ele foi até seu telefone, e atendeu a chamada

Cayel — Alô? Pois não?

May — Cayel, garoto, como vai?

Cayel — May? Opa, tudo certo, e contigo?

May — Tudo certo também. Aqui, tá muito ocupado agora? Por que eu acabei de arrumar aquela Duel Runner e tô afim de dar uma volta.

Cayel — Bem May, eu sinto muito mas hoje tem WRGP e… — Ele ia respondendo quase instantaneamente, até realmente se tocar do que May havia dito

May — Ah sim, sem problemas então, eu deixo pra um outr… — Foi então que ele foi drasticamente interrompido

Cayel — CALMA CALMA CALMA LÁ. Eu não tinha escutado direito, tá falando sério? — O tom da sua voz já havia mudado completamente.

May — Estou sim, mas pode deixar pra outro dia, sei que você deve querer ver o duelo ao vivo.

Cayel — Nananinanão, o duelo pode esperar, você tá brincando? Isso aqui é muito mais importante pra mim.

May — Tem certeza? Não quero interromper seu fim de semana.

Cayel — Que nada, não se preocupa com isso. Onde que eu te encontro?

May — Na oficina mesmo, vou estar te esperando lá, beleza?

Cayel — Combinado, te vejo ai em alguns minutos.

May — Mas são uns trinta minutos de caminh… — Cayel havia desligado o telefone.

Cayel — É WRGP, eu sinto muito mas hoje é você quem vai ter que esperar — Ele se levantou rapidamente, indo até a porta, até que esbarrou em Isac.

Isac — Vai sair? Aconteceu alguma coisa? O duelo já vai começar, esqueceu?

Cayel — Então Isac, como que eu explico isso aqui…o May me ligou e me disse que vai dar uma volta na D-Wheel hoje, tipo, agora, e me chamou pra ir com ele…então eu acho que vou me atrasar um pouquinho pro duelo.

Isac — Tá falando sério? Ele terminou ela? Até que foi rápido.

Cayel — Não se importa se eu for, não é amigão?

Isac — Não…com uma condição — Cayel já estava quase colocando o pé pra fora, quando ouviu a objeção

Cayel — E qual seria?

Isac — Que a minha volta também esteja garantida pra próxima vez.

Cayel — Ah, isso eu te prometo, pode deixar!

Isac — Aproveite e tome cuidado!

Cayel saiu às pressas pela porta, zarpando em direção a oficina.

Isac — Parece que sonhos se tornam mesmo realidade, ainda que dentro de uma oficina…mas agora é hora de ver como estão os competidores.

Isac se sentou no sofá, pegando um travesseiro e um cobertor, preparando-se para o grande duelo.

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Na oficina, uma das baias ainda estava aberta, mesmo fora do horário de serviço, enquanto May esperava por Cayel. Usava um uniforme de pilotagem, que já apresentava muitos sinais do tempo, mas que ainda servia muito bem, ao seu lado tinha seu velho capacete, que ficava na estante da oficina, já bem manchado de tinta, mas com o visor bem limpo.

Cayel chegou rapidamente, apoiou-se na porta baia, notável que estava bem ofegante.

May — Cayel, chegou rápido.

Cayel — É…eu meio…eu…urgh…me dá um segundinho…pra respirar — Dizia ele, com pausas enfáticas entre cada palavra, recuperando o fôlego.

May — Não se preocupe, não estamos com pressa.

Cayel — Muito…obrigado…caramba eu nem sabia…que conseguia correr tanto — Ele começou a regular a respiração, recuperando o fôlego aos poucos — Essa é uma…roupa de piloto?

May — É sim, está meio velha, mas nada que atrapalhe muito.

Cayel — Achei que só pilotos profissionais tivessem vestimentas desse tipo, é cheia de patrocínios — Por fim, recuperou seu fôlego

May — Antes de ser mecânico eu era piloto de corrida, esse era meu uniforme na época.

Cayel — Uau, caramba, isso é demais! Ganhou muitas corridas?

May — E como, eu tinha muito talento, venci alguns campeonatos, alguns dos troféus na estante são deles.

Cayel entrou na oficina, observando as prateleiras do local

Cayel — Nunca tinha reparado neles, essa oficina é como um museu da sua carreira então?

May — Pode se dizer que sim, só não fiquei com minha antiga moto — Ele riu um pouco — Faz parte do contrato.

Cayel — O que te levou a largar as corridas e virar mecânico, May? — Perguntou, curioso.

May — Sabe, quanto mais tempo eu passava correndo, mais eu percebia que eu não gostava de correr em si, nem da competição, nem dos prêmios. O que eu gostava mesmo era de sentir o peso da moto, toda a força da aceleração, ouvir o motor funcionando…então eu deixei o time, sai do cenário, e com uma parte do dinheiro que ganhei eu abri essa oficina, onde trabalho até hoje.

Cayel — E você não sente falta, sei lá, do vento no rosto ou da adrenalina?

May — Às vezes eu sinto saudades, mas passa com o tempo. Só que hoje vou poder matar um pouco dessa saudade, então o que me diz, já recuperou seu fôlego?

Cayel — Pode apostar que sim

May — Vai ter um capacete pra você lá dentro, pode ir primeiro, eu tenho que fechar a porta primeiro.

Cayel — Beleza!

Cayel foi adentrando a oficina, indo até a garagem na parte de trás, enquanto May fechava a porta da garagem pelo controle remoto

Alguns minutos depois, um poderoso e intimidador ronco de motor pode ser ouvido, conforme a garagem traseira se abriu, e uma moto veloz como um raio zarpou pela estrada, rumo às rodovias de duelo.

Aquela sensação, mais veloz do que qualquer um, sentir o vento cortante contra seu corpo, a adrenalina da velocidade correndo pelas suas veias enquanto seus olhos podiam apenas acompanhar o que acontecia em um estado de êxtase absoluto, prédios passando em milésimos de segundo, como se o próprio tempo já não fosse mais nada

Nesse momento Cayel percebeu que era aquilo que havia sonhado por tanto tempo, e agora estava realizando parte de seu maior sonho, graças a um novo amigo que fez em suas muitas desventuras diárias

Mas era mais do que só sentir o vento contra seu corpo, não, era muito mais, era sobre se tornar um com o vento, sentir não era suficiente.

Era ser o piloto, não o passageiro, era ser o maior, estar no topo

Era sobre escrever seu nome no vento, para ser carregado para sempre na história.

Agora mais do que nunca estava convicto de que tinha de realizar esse sonho, e perseguir qualquer oportunidade que o levasse a ele.

Essa era uma noite para ficar na memória, com palavras que ele sequer conseguiria tirar de sua boca, fosse pela sensação anestesiante, fosse por que não dava pra ouvir nada que não fosse o vento.

Mas aquilo ainda não era o melhor que podia sentir, May estava prestes a entrar na rodovia, e lá teria toda a liberdade do mundo para levar a moto ao seu potencial máximo.

Onde nada mais importa

Onde os problemas desaparecem

A limítrofe entre passado e futuro, onde o presente se torna um mero estado da mente

Vivendo cada quilômetro intensamente

Até a linha de chegada

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? — (Essa é a minha deixa…minha única chance)

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Em sua casa, Susie se encontrava inquieta, ainda que não conseguisse saber exatamente o porquê

Susie — Que saco! Por que eu não consigo dormir? Eu estou exausta.

Mexia pela cama, tentando encontrar alguma posição confortável para repousar, mas sem sucesso algum

Susie — Não tem absolutamente nada para fazer, sequer terei aula em pelo menos dois dias, meu quarto está limpo, o que mais resta pra eu me preocupar? Pelo amor, eu só quero descansar hoje

Reclamava consigo mesma em voz alta, em seguida encobria o rosto com o travesseiro, mas sem sucesso. Por fim, sentou-se na beirada da cama, irritada com sua situação.

Susie — Por que esse tipo de coisa tem que me ocorrer em pleno fim de semana…

Ela abbriu seus olhos e viu que estava bem de frente para sua escrivaninha onde repousava a miniatura que havia ganho de Cayel, a pequena Bruxa da Rosa Negra, e nesse momento sentiu como se tivesse encontrado o foco do que lhe afligia.

Susie — É sério isso? De tanta coisa para estar preocupada, eu estou preocupada justo com ele?

Que ridículo…se bem que eu fui grosseira com ele ontem…mas ficar com a consciência pesada por conta de algo tão banal assim? Que seja, se for para me deixar dormir vou resolver isso agora.

Susie pegou seu celular e redigiu uma mensagem para Cayel

Susie — E…pronto, agora é só esperar aquele idiota responder e está resolvido meu problema

Deixou o celular na escrivaninha, ao lado da miniatura, e ficou esperando a mensagem de resposta.

E esperou

Esperou

Bons minutos se passaram

Nem sequer um sinal

Susie — Fala sério, nem ele demora tanto assim pra responder uma mensagem, deve ter caído no sono…ridículo. Mas isso aqui deve acordar ele.

Pegou seu celular novamente, rapidamente, discando o número dele e iniciando a ligação.

E o telefone chamou

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E chamou

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Parecendo que demorava décadas para concluir a ligação

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Por fim, acusou que o número discado estava fora de área.

Ela respirou fundo, antes de suspirar, sem acreditar naquilo

Susie — Ok, pra mim já chega, por hoje é só, eu vou ficar deitada aqui até eu cair no sono, independente de quanto tempo demore

Pôs novamente o celular na escrivaninha, deitando e encobrindo-se para dormir

Mas não conseguia descansar, na verdade agora parecia ainda mais inquieta do que antes.

Susie — Não acredito que eu vou fazer isso…

Ela levantou-se da cama, calçou seu chinelo e foi caminhando em direção a porta.

Por fim saiu pela rua, indo em direção a casa de Cayel, que ficava a alguns quarteirões de distância.

Seria uma breve caminhada

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Ouvindo uma batida, deixou a televisão de lado para poder atender a porta, não podia se surpreender mais com quem havia encontrado

Seis

Isac — Susie? — Confuso, perguntou Isac, vendo ela em sua frente.

Susie — Isac? O que você faz aqui? — Perguntou ela, igualmente confusa.

Isac — Eu pergunto a mesma coisa…o que te traz aqui essa hora?

Susie — Cadê o Cayel? Ele não responde nenhuma mensagem, não atende o telefone, eu preciso falar com ele.

Cinco

Isac — Ah, chegou cedo então.

Susie — Por que? Onde ele se enfiou?

Isac — Ele saiu junto do May, estão dando uma volta na D-Wheel que ele terminou de construir.

Susie — Ele saiu junto de quem? Quem é esse rapaz?

Quatro

Isac — Não se lembra? É o mecânico que ficamos amigos, ele ligou pro Cayel mais cedo e chamou ele pra dar uma volta, devem estar nas rodovias agora.

Susie — Esse garoto tem problema por acaso? Andar de moto com um estranho?

Isac — Ele só é um estranho pra você, o rapaz é muito legal, Cayel passa lá ao longo da semana pra jogar conversa fora…mas o que você quer falar com ele? Posso dar o recado quando ele voltar.

Três

Susie — Não precisa…eu mesmo falo com ele, pode deixar.

Isac — Ele não deve demorar muito, quer esperar aqui enquanto isso?

Susie — Não precisa, vou voltar pra casa, depois volto aqui.

Isac — Não é problema, além do que a rua está vazia, podemos acompanhar você depois que ele chegar.

Dois

Susie — É, isso seria bom

Isac — Entra aí.

Um

Por um momento, toda cidade ficou em silêncio, do canto do olho era possível ver um brilho que começava a se concentrar no horizonte

Como uma zona de colisão, um sinalizador

E quando a energia colidiu em seu ponto de contato

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Uma explosão foi ouvida

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Seguida por outra

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E outra

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Todas em sequência

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Por fim, uma explosão maior, desta vez bem visível, que soltou uma corrente de chamas para o céu

As explosões ocorreram no setor leste da rodovia, que ficava próxima do estádio de duelos de Neo Domino

Tudo isso em menos de três segundos

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Isac e Susie olharam em horror aquela tragédia que havia acontecido a frente de seus olhos, no distante horizonte da cidade

E por mais que não quisessem, naquele momento, consideraram o pior

De longe era possível escutar as sirenes dos caminhões de bombeiros e ambulâncias, que iam até o local do acidente

“N-Não…Não!”

Essas foram as palavras que ecoaram pela rua.

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