Yu-Gi-Oh! Rise - Bonds
11 Ventos de mudança
Foi como se tudo tivesse congelado…por um só e singular momento
O vento, a noite, tudo parou, como se sequer estivessem estado em movimento alguma vez
Como viver em uma foto, pelo que só podia ser descrito como um átimo de segundo.
A sensação de que seu corpo estava anos luz à frente de seus olhos, que sua mente estava milênios luz a frente de seu corpo, como se aquele momento tivesse visto os próximos minutos, dias, quem sabe semanas, seu pensamento viajando no tempo e deixando seu corpo para trás.
Cayel se levantou da garupa da moto, que se encontrava tão congelada quanto o tempo ao seu redor, como uma cena em pause de um filme de ação
Olhou ao seu redor, via estranhas partículas azuis que não pareciam afetadas por aquele estranho estado, muito pelo contrário, viajavam lentamente, atravessando o chão onde pisava e até mesmo seu corpo, indo em direção aos céus
Cayel — O…O que foi que aconteceu aqui?
Ele foi até May, para ver se o rapaz também estava vendo aquilo, mas assim como todo o resto ele não se movia
Cayel — O mundo simplesmente parou? E eu não…
Não muito distante, uma figura veio se aproximando, trajada com roupas de pilotagens foscas, escuras, com um capacete da mesma cor
Atravessava as partículas azuis que subiam aos céus, até finalmente ficar na linha de visão de Cayel.
Cayel — Você…você é o Speed Ghost! Caramba, isso é um sonho?! Cara eu não acredito nisso, deve ser um sonho! — Disse ele entusiasmado
Ghost — Infelizmente isso não é um sonho, garoto, o que você vê não poderia ser mais real.
Cayel — Você…não tá falando sério, não é?
Ghost — Neste exato momento e instante, estamos em um estado fora do tempo, e eu preciso aproveitar cada segundo que tenho aqui.
Cayel — Mas…o que isso quer dizer? Vou ficar preso aqui para sempre?
Ghost — Tudo que você vê e toca agora está se desfazendo, se prestar atenção ao seu redor, poderá ver como as coisas estão se retorcendo fora da sua linha de visão.
Cayel — O que isso quer dizer? Onde você quer chegar? — Perguntou ele, confuso com toda aquela conversa
Ghost — O que você está prestes a vivenciar são efeitos da interferência temporal em sua realidade, os momentos que você viverá daqui para frente jamais aconteceram em qualquer instância do espaço tempo.
Cayel — Espaço tempo…interferência temporal? Nada disso faz sentido.
Ghost — O tempo é extremamente volátil, qualquer alteração nele gera efeitos em cadeia com consequências inimagináveis, mas essa alteração é a última esperança que nos resta — Ele ficou frente a frente com Cayel, com centímetros de proximidade, olhando o rapaz de cima — Eu não posso fornecer todas as respostas para você ainda, eu não possuo tempo suficiente para fazer isso. Há muito mais em risco do que se pode imaginar ou compreender, mas este é o meu esforço para que possa proteger o futuro.
As partículas começaram a se mover mais rapidamente, o cenário ao redor começou a se retorcer mais rapidamente.
Cayel — Ei, espera! Proteger o futuro? O que você quer dizer com isso? — O rapaz buscava uma explicação, enquanto as coisas não podiam fazer menos sentido em sua mente.
Ghost — Quando for a hora certa, nos encontraremos novamente, Cayel Fujiwara — Ele se virou de costas, caminhando da direção de onde havia vindo inicialmente
Cayel — Não! Espera! — Cayel tentou agarrar o corpo dele, mas sua mão o atravessou completamente
Como se realmente fosse um fantasma.
Ao seu redor, parecia como se a paisagem começasse a rachar, e se quebrar.
Cada rachadura mostrava um momento diferente de sua vida, o mais intrigante sendo momentos aos quais ele sequer se recordava, porque não havia vivido nenhum deles.
Como dizem…sua vida passa diante de seus olhos no momento que precede a morte, mas neste caso eram momentos de uma vida que sequer viveu ainda, isso por que ela ainda havia de ser vivida.
Uma última rachadura se abriu, onde viu uma cena peculiar, qual sentiu que deveria viver
De seu próximo encontro com Speed Ghost, naquela mesma rodovia de duelos.
Com a última rachadura feita, o local estava completamente inundado de memórias , e com um estalar de um relógio, na passagem de um único segundo naquele estranho lugar
. . .
Tudo entrou em colapso
. . .
Cayel — AAAAAAAAH! — Levantou-se assustado, como se tivesse o pior pesadelo de sua vida, olhou desesperado pelos cantos, tentando saber onde estava.
Assim que sua mente se acalmou por um momento, e seu fôlego voltou a si, ele finalmente teve noção.
Cayel — Eu vim parar…no hospital?
Uma pequena sala, as paredes pintadas de branco.
Ao seu lado, monitor de batimentos cardíacos, eletrodos em seu peito, um apoio móvel com um recipiente de soro, conectado a seu braço esquerdo.
O aroma do lugar era estranho, uma mistura de fresco com produto químico de limpeza, não era lá muito confortável
Cayel — Por que…eu vim parar aqui?
Do lado de fora da porta, pode ouvir duas vozes se aproximando rapidamente, ficando cada vez mais altas.
? — Ei, calma aí! Não chega entrando assim, nem sabemos se podemos entrar! — Dizia uma delas.
? — Eu não me importo, sai da minha frente! — Respondeu a outra
Cayel — Parece que tem alguém brigando pelo vist… — Antes que terminasse sua frase, a porta se abriu, muito para sua surpresa — Espera…Isac, Susie? O que fazem aqui?
Isac — Cara, eu juro que tentei impedir ela de entrar aqui agora…pelo menos você tá legal, que alívio — Isac disse às pressas, enquanto fechava a porta.
Susie — O que estamos fazendo aqui? Seu idiota! Você veio parar no hospital, o que mais acha que estaríamos fazendo aqui?
Cayel — Eu não sei…tem bastante razões para as quais… — Ele foi grotescamente interrompido antes de terminar sua fala
Susie — Não, não começa com os comentários bestas, a coisa aqui é séria! — Pelo tom de sua voz, era perceptível que estava bem irritada.
Cayel — T-Tá…só se acalma um pouco…tá tudo bem, não vê?
Isac — Cayel, você tá recebendo soro intravenoso, acho que isso é o contrário de bem…fora que…tem umas…como que eu explico…seu braço tá com gaze.
Neste momento, Cayel olhou para seu braço direito e confirmou que, realmente, ele estava em partes coberto com a faixa curativa
Cayel — Caramba…eu não tinha visto.
Susie — O que te deu na cabeça Cayel? Você tem ideia do quão todo mundo estava preocupado por causa dessa…dessa…idiotice?
Cayel — A gente está falando do mesmo assunto aqui? Por que, o que eu estou muito perdido neste momento, que culpa eu tenho nisso?
Susie — Toda! Você vive tomando atitudes idiotas, e agora conseguiu se superar de vez! — Exaltava-se, irritada.
Cayel — Eu só fui dar um passeio com o May, ele me convidou, eu só fui fazer algo que eu gosto, eu não tinha como saber que seja lá o que aconteceu, aconteceria.
Isac — Você não sabe o que aconteceu então?
Cayel — Eu não tenho a menor ideia, a última coisa que me lembro é…depois que chegamos na rodovia, tudo que me lembro é que eu acordei aqui, agora.
Isac — Segundo o noticiário, uma explosão enorme aconteceu onde você estava, seguida de diversas outras, foi tão grande que deu pra ver da sua casa, jogou tudo pro ar, uma enorme nuvem de chamas e fumaça.
Cayel — Explosão? Mas…espera…e o May? Cadê ele?
Susie — Será que dá pra se preocupar um pouco com você pra variar?
Isac — Perguntei dele na recepção, ele acordou de madrugada ainda, agora está dormindo, está bem.
Cayel — Caramba…que alívio…
Susie — Que alívio? — Esse foi o estopim para a garota, que bateu suas mãos com força contra a cama do rapaz — Você podia ter morrido! Você não está entendendo Cayel?!
Isac — Susie, pega leve, ele deve ter acabado de acordar, a cabeça não deve estar muito legal.
Susie — Urgh! Vocês dois são um bando de idiotas! É isso que são! Um bando de idiotas! Já cansei de perder meu tempo com vocês! — Ela virou de costas, caminhando até a porta, saindo do quarto e fechando-a com força.
Isac — Ignora ela cara…os nervos estão à flor da pele, e ela já não andava muito calma ultimamente.
Cayel — Eu entendo, é melhor deixar ela esfriar a cabeça antes de tentar conversar, mas sei que ela só disse algumas coisas da boca pra fora — Ele se sentou na cama, ficando frente a frente com Isac.
Isac — Você não lembra de nada mesmo? Na hora que tudo explodiu?
Cayel — Eu não vi nenhuma explosão…pra falar a verdade eu sequer sei o que eu vi direito
Isac — Imagino…mas falando sério, seus pais estão mega preocupados.
Cayel — Cara…nem me diga, não quero nem imaginar.
Isac — Sua mãe ficou pior que a Susie…é muito bom saber que vocês estão bem, ainda que você esteja com essa coisa no braço. Mas é como a Susie disse, a gente chegou a pensar que algo pior pudesse ter acontecido…mas que bom que não aconteceu
Cayel — Tudo vai ficar bem cara, eu vou sair daqui e em alguns meses vamos estar rindo à toa disso, você vai ver…(Pra falar a verdade, acho que eu não poderia estar mais confuso agora…)
Os dois amigos continuaram conversando um pouco, apenas para ter certeza de que Cayel estava bem, que não teria nenhuma recaída ou algo parecido.
Ainda era de dia, Cayel então procurou saber quanto tempo havia passado no hospital
Cayel — TRÊS DIAS!? NÃO É POSSÍVEL!
Isac — Estou te falando, é por isso que todo mundo estava tão preocupado, você tava apagado por três dias.
Cayel — Vocês ficaram aqui nesses três dias, esperando eu acordar?
Isac — Mais ou menos, eu costumava sair no horário do almoço e voltar à noite, pra ficar aqui. Mas a Susie passou pelo menos dois dias inteiros aqui já, até chegou a dormir aqui, inclusive levou algumas advertências por conta do horário de visitas.
Cayel — Advertências? Por que?
Isac — Bem, o horário de visitas aqui costuma ser mais estrito, afinal é o maior hospital de Neo Domino. Acontece que ela entrou aqui de dia e ficou…até a hora que as enfermeiras vem checar os pacientes, ela fez isso por dois dias, e agora estávamos quase sendo impedidos de vir pra cá.
Cayel — Então isso explica a discussão de vocês mais cedo?
Isac — É bem por isso mesmo, estava tentando convencer ela a esperar, mas ela simplesmente veio com tudo e quis entrar.
Cayel — Quanta confusão…
. . .
Algumas horas depois, após avaliação médica, foi decidido que Cayel poderia deixar o hospital no dia seguinte, mas que teria de retornar ao hospital em alguns dias para remoção da gaze.
Haviam sido apenas queimaduras leves.
Passada mais uma noite no hospital, era hora de retornar para casa no dia seguinte.
Foi acompanhado de sua mãe, sequer uma palavra foi dita na volta, a parte das perguntas sobre como ele estava se sentido.
Assim que chegaram em casa, sentaram-se lado a lado no sofá.
Cayel já sabia que aquela seria uma conversa difícil.
Allie Fujiwara — Eu não tenho palavras pra expressar o quão grata eu estou que você está bem, filho. Ouvir aquelas notícias…nunca havia ficado tão desesperada assim antes — Eram lentas palavras, ditas dessa maneira para que fossem evitadas lágrimas.
Cayel — Eu entendo mãe…você deve ter ficado muito preocupada.
Allie Fujiwara — Mais do que eu já fiquei antes na minha vida inteira…mas você está aqui agora, está a salvo, de volta em casa, e isso que importa.
Cayel — Então…não vai ter bronca?
Allie Fujiwara — Filho, eu não conseguiria brigar com você em uma hora dessas, ainda que sim, eu normalmente teria razões para te dar um sermão, essa situação é algo novo pra mim. E mais do que brigar com você, você estar bem é mais importante para mim.
Cayel — Ah mãe, obrigado. Desculpa pelo susto, eu juro que não era minha intenção.
Allie Fujiwara — Sei que você jamais faria algo assim…mas o que realmente me preocupa são as pessoas que te fariam fazer algo assim.
Cayel — Mãe, ninguém me obrigou a fazer nada, foi só um convite.
Allie Fujiwara — Um convite de um estranho.
Cayel — Ele não é um estranho, é amigo meu e do Isac, ele é uma pessoa muito responsável.
Allie Fujiwara — Então como deixou algo assim acontecer? Andando em velocidade tão alta, sem segurança alguma!
Cayel — Ele é piloto…ou já foi, mas ele não tem culpa, nenhum de nós tinha como saber que aquilo iria acontecer — Ele tentava se explicar
Allie Fujiwara — Mas aconteceu Cayel! E eu quase te perdi! — Ela levantou o tom de voz, ficando entristecida ao fim da frase — Eu quase te perdi meu filho, o desespero que eu senti quando te vi daquele jeito…isso é o pior pesadelo de qualquer mãe — Lágrimas saiam de seus olhos, quais ela delicadamente limpava.
Cayel — Não chora mãe…
Allie Fujiwara — Escuta, filho… — Ela limpava as lágrimas — Eu conversei com o seu pai, e nós dois decidimos que seria melhor se você fosse morar com ele, será mais seguro, lá é menos movimentado, menos perigoso…e ele conseguirá olhar você melhor do que eu consigo atualmente aqui.
Essa informação atingiu o pobre coração do rapaz como uma bala
Cayel — Não…isso é exagero…você não está falando sério não é?
Allie Fujiwara — Infelizmente, eu estou sim…vai ser melhor pra você, ficar longe de qualquer influência desse lugar, dessa gente perigosa, desse esporte de velocidade.
Cayel — Mãe, eu não posso fazer isso, não é justo! Ninguém aqui é má influência…todos os meus amigos estão aqui em Neo Domino…o meu sonho está aqui!
Allie Fujiwara — Cayel Fujiwara, por favor não torne isso mais difícil do que já está sendo.
Cayel — Eu não posso fazer isso, de jeito nenhum! Está tudo bem, foi só um…foi só um acidente! Não é justo fazer isso comigo, não é justo fazer isso com ninguém! — Ele tentava de todo jeito convencê-la de que aquilo era loucura
Allie Fujiwara — Essa decisão já foi tomada! — Disse ela em voz firme — Assim que realizar a próxima visita ao hospital, iremos nós dois para a Cidade Capital, e você ficará por lá…eu sinto muito, mas vai ter que se despedir dos seus amigos.
Cayel subiu para seu quarto, desacreditado.
Aquelas palavras
Aquelas palavras foram o suficiente para que Cayel perdesse o sorriso que sempre teve no rosto
Ele sentou em sua cama, seu olhar distante, quase vazio
A sensação gelada em seu peito, ao perceber que não havia outra escolha ali, não haveria outra saída, não havia outro jeito
Em breve, tudo que ele conhecia
Todos que ele conhecia
Teriam de ser deixados para trás
Por causa daquele incidente
Cayel — Isso não pode estar acontecendo…nada disso está acontecendo… — Disse para si mesmo, em negação
Seus pensamentos, que dificilmente andavam ordenados, agora estavam em descontrole completo
Lembrou-se do que viu naquele estranho momento, que mal sabia se podia chamar de sonho, das palavras que lhe foram ditas
Cayel — Por que eu…por que agora…
Aquele seria um longo dia
Longo e doloroso dia
. . .
De volta em sua residência, no conforto de seu quarto, Susie deixava suas emoções extravasarem
Susie — Por que eu ainda me importo…honestamente, é como lidar com uma criança! — Dizia ela, ainda levemente irritada — Vai ver o conceito de perigo não existe naquela cabeça vazia dele, por isso ele fala e faz tantas bobagens.
Sentou-se em sua cama, ainda indignada, respirou fundo e deixou que o ar saísse devagar de seus pulmões
Susie — Ele poderia nem estar aqui agora…poderia ter…ido para sempre….
Palavras difíceis de serem ditas, carregadas pelo peso da emoção extrema que acompanhou aquela linha de pensamento
No fundo de sua mente, os estranhos sonhos ainda perturbavam seus pensamentos, especialmente o último que teve.
A imagem remanescente do que poderia ter sido uma tragédia maior, quase como uma profecia que quase se concretizou, foi uma realidade assustadora de sequer considerar real
E desde então veio sendo assim
Sensações estranhas
Sentimentos confusos
Medo
Memórias ardentes das quais não lembrava todos os detalhes, mas lembrava de todas as emoções
E naquele momento, ao ter a realização de que seu amigo poderia não ter tido o mesmo destino, o mesmo sentimento de desespero preencheu seu peito
Uma solitária lágrima desceu de seu olho esquerdo, qual ela limpou antes que caísse no lençol de sua cama
Susie — Droga…por que tudo isso tem que me acontecer a essa hora…por que comigo…
Deitou-se, contemplando o teto
Susie — Mas tudo vai acabar bem…não vai?
Esperava uma resposta, ainda que não tivesse a quem escutar sua pergunta, senão si mesma
E ela não conseguia dizer com toda certeza a própria resposta que queria ouvir
Susie — Acho que eu estou ficando maluca…
. . .
Mal havia começado a entardecer, a cidade estava em silêncio completo
A grande explosão havia deixado todos os olhos atentos e ouvidos em alerta, e os cidadãos com medo preferiram ficar em suas casas até saberem o que havia acontecido
As semifinais do WRGP haviam sido interrompidas, uma vez que o acidente havia ocorrido nas proximidades do estádio.
A polícia estava trabalhando como nunca, realizando uma perícia para tentar saber o que havia acontecido
As rodovias, vazias, circulação proibida até segunda ordem
E sob a visão de uma cidade vazia, e uma eterna gratidão por só ter saído de um acidente tão grande com um braço lesionado, May contemplava o sol pela porta de sua garagem, que agora estava fechada para os negócios.
Um momento antes, um momento depois
Poderia ter sido a diferença entre a vida e a morte
Uma decisão de milissegundos, um tempo de reação sub humano em uma situação de sobrevivência
Seus olhos sequer identificaram o que havia visto naqueles poucos momentos que antecederam o acidente
Mas seu corpo se lembrava, vagamente.
De longe na rua via uma figura familiar, com passos lentos
Era a segunda testemunha de sua aventura.
May — O que faz aqui rapaz? Já foi liberado do hospital?
Cayel — Já sim, nessa manhã, e você pelo visto também foi — Cayel veio a encontro de May, ambos frente a frente na porta de sua oficina
May — Nada além de algumas feridas e impactos, ainda estou cem por cento.
Cayel — May, o que aconteceu ont…naquele dia…exatamente, você se lembra?
May — Se eu me lembro? Cara, do nada alguma coisa explodiu, a estrada atrás de nós foi jogada no ar, tivemos sorte de termos sido arremessados para longe e não ficado na área de impacto.
Cayel — Entendo…e a moto?
May — Vai precisar de uns bons consertos novamente…parece que foi demais pra ela…mas diga, o que te traz aqui a essa hora?
Cayel respirou fundo
May suspeitava que havia algo errado ali, especialmente pela postura do rapaz
E suas suspeitas logo se confirmaram verdade.
Cayel — Eu vou ter que me mudar…por conta de tudo que aconteceu.
May — Ah não…cara…
Ele sabia que no fundo, tudo aquilo acabava se tornando consequências de uma escolha sua, de levar a moto para passeio naquela noite, de chamar o rapaz para dar uma volta
May — Eu sinto muito…droga…isso tudo é culpa minha
Cayel — Não tinha como saber que aquilo ia acontecer, ninguém tinha. Mas minha mãe não quis saber, eu devo partir daqui a um…dois dias no máximo.
May — Me desculpa amiguinho…justo agora que você parecia estar começando a seguir o seu sonho.
Um breve silêncio desconfortável tomou o ar, até que Cayel teve a coragem de fazer um pedido.
Cayel — May, eu quero te pedir um favor.
May — Claro, só dizer.
Cayel — Eu não sei quanto tempo eu vou ficar fora, mas eu vou voltar, eu prometo que vou voltar. E nesse dia, eu quero que você me ensine a pilotar, do mesmo jeito que você pilota
Ainda que estivesse triste, aquela fala foi feita com toda a determinação que Cayel conseguia juntar, naquele momento tão confuso
Era o pedido mais genuíno que poderia fazer
May — Te ensinar a pilotar como eu piloto…tem certeza? — Perguntou ele, não que não quisesse oferecer ajuda, mas tinha de reafirmar se havia mesmo escutado aquilo, dadas as circunstâncias.
Cayel — Quando estive na garupa daquela D-Wheel eu pude sentir que é aquilo mesmo que eu quero. Mas um dia quero ser eu quem vai pilotar ela, poder ser mais rápido que o vento…poder escrever meu nome nele.
May olhou para Cayel, e por mais que soubesse que aquela ideia era maluquice, não podia negar.
Ele via um pouco de si naquele garoto, e também gostaria de ver ele alcançando seus próprios sonhos
May — Vai ser um prazer te reencontrar no dia em que você voltar, e poder te ajudar a realizar o seu sonho.
Cayel — Eu queria não ter que partir em primeiro lugar, mas não posso escolher nada.
Cayel estendeu a mão para May
Cayel — Eu nem saí ainda, mas mal posso esperar pelo dia que vamos nos ver de novo, May.
May apertou a mão de Cayel firmemente
May — Se cuida, colega.
Cayel — Você também.
Após soltar o aperto de mão, Cayel se despediu, ainda havia outros lugares que teria de passar, e esses seriam mais difíceis ainda de visitar.
. . .
Isac a pouco havia recebido uma mensagem de Cayel, e esperava na porta de sua casa pelo seu colega
Algo lhe dizia que não era boa coisa, como um sexto sentido, ou sua própria intuição.
Cayel havia recentemente voltado para casa, e dificilmente mandava qualquer mensagem, o costume era apenas aparecer na casa do colega, ou se encontrarem a caminho da escola.
Não demorou muito para que Cayel chegasse na casa de seu amigo, e já dava para ver de longe que sua expressão não era das melhores.
Isac — Eai cara, como você tá? Os médicos te liberaram mais cedo do que eu esperava.
Cayel — Acabou que não tive nenhum ferimento muito sério, tirando aquelas ataduras no braço, mas ainda tenho que voltar lá para remover elas.
Isac — Entendi, então tá se sentindo bem mesmo?
Cayel — Como se eu estivesse novinho em folha — Ele fazia um esforço, para que a situação tivesse a mesma leveza de todas as vezes que sempre estavam juntos
Isac — Menos mal…mas então, qual o assunto da vez?
Cayel — Então…não sei nem por onde começo…
Isac — A coisa tá feia, não tá?
Cayel — Sim.
Isac — Quão feia?
Cayel — Extremamente feia.
Isac — Caramba, sua mãe deve ter ficado uma fera.
Cayel — Ela foi até que muito compreensiva, não levei nenhum sermão, mas levei coisa pior.
Isac — Pior que um sermão? O que aconteceu? — Ele perguntou, curioso.
Cayel — Ela e meu pai decidiram que vai ser melhor se eu for morar com ele na Cidade Capital…
A expressão na face de Isac já dizia muito mais do que qualquer palavra poderia expressar
Isac — O que!? Tá falando sério?
Cayel — Infelizmente eu estou Isac.
Isac — Tem que ter algum outro jeito…não tem nenhum outro jeito Cayel? Isso é muito…cara, tudo que a gente viveu tá aqui.
Cayel — Eu vou ter que ir embora de Neo Domino em alguns dias, ela não quis nem me escutar…eu vou ter que me despedir de tudo que eu conheço pra ter que ir morar com meu pai em outro lugar que eu nunca vi.
Isac — (Cayel…que droga…)
Cayel — Foi muito bom ter passado todos esses anos com você Isac, a gente fez muita coisa, não foi?
Isac — Põe muita coisa nisso, só esse ano quase encontramos um fantasma.
Cayel — Também duelamos juntos contra dois gêmeos ricos
Isac — Vimos muitos duelos do WRGP
Cayel — Muitos filmes
Isac — Conhecemos um mecânico habilidoso
Cayel — Que também foi piloto de corrida
Isac — O May era piloto de corrida? — Perguntou, confuso
Cayel — Sim, fui descobrir ontem.
Isac — Isso é demais!
Cayel — Não é? Você tinha que ver ele pilotando cara
Novamente aquele silêncio desconfortável preencheu o ar, nesse momento difícil.
Isac — Eu vou sentir muito a sua falta, Cayel.
Cayel — Eu também vou amigão, mas eu prometo que vou voltar!
Isac — Quando você voltar, vou estar aqui te esperando, pode ser?
Cayel — Claro, tá combinado!
Eles deram um aperto de mão, seguido de um meio abraço, com tapinhas nas costas
Isac — Quando chegar lá, manda notícias, me conta um pouco sobre como são as coisas lá, beleza?
Cayel — Pode deixar, vamos manter contato
Isac — Até Cayel, se cuida lá.
Cayel — E você se cuide aqui.
Eles desfizeram o abraço, voltando a ficar frente a frente.
Cayel — Antes de eu ir, também tem uma coisinha que eu quero te pedir.
Isac — Claro…o que seria?
Cayel então chegou bem próximo, sussurrando seu pedido para Isac.
Isac — Você vai fazer isso mesmo? Cara não sei se é uma boa ideia.
Cayel — Acho que desse jeito vai ser melhor, só me promete que não vai falar nada disso pra ela, beleza?
Isac — Bem, acho que é o mínimo que eu posso fazer.
Cayel — Muito obrigado Isac, agora é hora de me despedir dela.
Isac — Boa sorte.
Cayel — Obrigado.
Cayel se despediu de seu amigo, que o viu ir embora da porta de sua casa
A despedida era triste, amarga, mas o jeito de Cayel, unidos a sua promessa, fizeram com que Isac sentisse um pouco de conforto
Não estaria perdendo seu amigo para sempre, só por algum tempo
Algum tempo indeterminado
. . .
Susie estava deitada em sua cama, tentando dormir, mas sem sucesso
Não estava cansada o suficiente para conseguir cair no sono como queria, nem disposta o suficiente para sair da cama
Ouviu então uma leve batida na porta de seu quarto, que já foi o suficiente para que abrisse os olhos novamente.
Susie — Pode entrar
A porta foi aberta, era a mãe de Susie
Miriam Izinski — Susie, querida. Tem visita pra você.
Susie — Visita pra mim? Quem é?
Miriam Izinski — É o filho da Allie, seu amiguinho Cayel.
Susie — O Cayel tá aqui?! Por que? — Ela levantou a cabeça de seu travesseiro
Miriam Izinski — Ele me disse que precisava conversar com você, mas não me disse o porquê.
Susie — Cabeça oca, poderia ao menos ter me mandado uma mensagem…pode pedir pra ele vir aqui, por favor.
Miriam Izinski — Tudo bem, mas vê se ajeita um pouco essas coisas, sua cama tá uma bagunça.
Susie — Eu vou mãe, pode deixar.
Miriam fechou a porta, Susie se sentou na cama, apoiada na cabeceira
Não muito tempo depois, Cayel bateu na porta, e Susie pediu para que ele entrasse.
Susie — Sabe, eu apreciaria muito mais se você apenas mandasse uma mensagem na próxima vez, e não interrompesse o meu descanso — Disse ela, com leve arrogância.
Cayel — Olha, se estou atrapalhando eu posso voltar mais tarde, não é problema — Disse ele, recuando de volta para a porta
Essa não era a resposta que ela esperava
Susie — Agora que já está aqui…o que você quer? Por que está aqui?
Cayel — Eu estou aqui pra me despedir, Susie.
Em algum lugar dentro de si, essas palavras a machucaram.
Susie — C-Como é que é? Do que você tá falando Cayel?
Cayel — Eu vi uma oportunidade, longe daqui, que vai me permitir alcançar o meu sonho, e eu vou correr atrás dela — Disse ele, de maneira enfática, determinada.
Susie — Você…você tá ficando doido da cabeça por acaso Cayel? Você estava num hospital, por conta de toda essa baboseira, e a primeira coisa que faz quando sai é querer voltar pra ela? O que você pensa que está fazendo? — Já não mais arrogância, agora dizia aquelas palavras estando irritada, por escutar o que estava escutando.
Cayel — Eu não posso deixar essa oportunidade passar Susie, pode ser tudo que eu tenho, pode ser a minha chance!
Aquelas palavras, mais que absurdas, soavam completamente irracionais
Susie — Tudo que você tem?! Então quer dizer que eu…que Isac não somos nada pra você? — A situação só ia piorando.
Cayel — Não foi isso que eu quis dizer Susie. Vocês são muito, muito importantes para mim…mas…
E essa foi a gota d’água
Susie — Mas? Mas não tão importantes pra você pedir uma opinião antes de decidir algo? Mas não tão importantes pra só deixar de lado?
Cayel — Susie, não é…
Susie — Não, nada de mas Cayel, agora você quem vai me escutar aqui — Ela interrompeu ele, grosseiramente — Por muito tempo eu tive que aturar essas suas ideias idiotas, mas isso aqui já é demais. Você não pensa nas coisas que faz, você não cresce, é imaturo, inconsequente!
Cayel — Susie, por favor, olha…
Susie — Você está sempre vivendo no mundo da lua, onde nada importa, a não ser esse seu sonho idiota e o que quer que ele possa te levar a fazer, você não escuta nada que não seja conveniente pra você. Você ainda parece aquele mesmo garoto que era a cinco, seis anos atrás, mas agora você deveria ter pelo menos um pouco de vergonha na cara! — Ele foi mais uma vez interrompido.
Cayel — Susie, me escuta…
Susie — Não Cayel, eu não quero te escutar! Não quero escutar qualquer que seja a desculpa esfarrapada que você vai tentar falar, melhor ainda, me poupe dela, ok? Se veio aqui para falar sobre isso, é melhor que vá embora de uma vez, e leve esse sonho idiota com você, pra bem longe de mim!
A raiva e frustração na voz dela eram mais que evidentes, mais que isso, aquelas palavras foram desferidas pessoalmente.
Foram duras palavras de se escutar, que só tornaram a difícil situação ainda mais cruel. Mas a essa altura ela já não iria querer ouvir mais nada que ele tivesse a falar, então ele apenas desistiu e respirou fundo
Cayel — Foi um prazer, Susie. Se cuide — Ele retirou seus óculos e limpou os olhos, virou-se de costas e saiu pela porta, fechando-a em seguida.
Talvez em sua cabeça daquele jeito seria mais fácil, só não imaginava que seria tão doloroso.
Cayel agradeceu a mãe de Susie pela recepção, e saiu pela rua, sem muito rumo.
. . .
Ele caminhou, caminhou, e caminhou mais um pouco
Eram muitas coisas a se pensar sobre
Tanto que apenas o distraíram o suficiente para ele perceber que andava sem rumo algum
Acompanhado das ruas, vazias como nunca
Decidiu sentar-se em um banco próximo, e contemplar um pouco a paisagem
Afinal seria uma das últimas vezes que poderia fazer aquilo.
Mas sua solitária estadia logo mais foi interrompida, por uma visita no mínimo inusitada.
Aria — Cayel Fujiwara?
Era Aria, estava atrás do rapaz, e pelo tom de sua pergunta, genuinamente surpresa de ver o rapaz aqui.
Cayel — Aria? — Ele se virou, confirmando que era ela — O que você faz aqui?
Aria — Te pergunto a mesma coisa, o que te trás ao centro comercial? Não tem nada aberto aqui hoje. — Disse ela, olhando o rapaz nos olhos
Cayel — Centro comercial?
Ela gargalhou brevemente
Aria — Parece perdido.
Cayel — Ah, não, eu sei onde é o centro comercial…só não me toquei que estava aqui ainda.
Aria — Não neste sentido, pelo seu olhar parece estar perdido em seus próprios pensamentos.
Cayel — Sério? Você conseguiu ver isso só de olhar no meu olho? — Perguntou ele, curioso.
Aria — Existem certos maneirismos que eu conheço bem, Cayel. Mas diga, o que é que te aflige?
Ela se sentou ao seu lado, naquele banco, naquela rua vazia.
Cayel — Olha…pra ser bem sincero, muitas coisas…mas a maior delas é que eu vou ter que sair de Neo Domino.
Aria — Sair? E qual seria a razão?
Cayel — Eu acabei me envolvendo em um acidente, e agora estou sendo obrigado a me mudar por causa dele.
Aria — Entendo…e por isso estava perambulando pelas ruas?
Cayel — Não, é que eu tive que me despedir de algumas pessoas, e quando terminei…bem eu não tinha muito pra onde ir.
Aria — Normalmente este lugar estaria cheio de pessoas ocupadas, carros transitando, mas hoje dada a ocasião está completamente vazio, por isso inclusive pude te ver aqui embaixo.
Cayel — Você também estava andando por aí?
Aria — Não, estava no escritório de meu pai, resolvendo alguns assuntos.
Cayel — Ah…verdade, esqueci disso…
Ela fechou seus olhos, deu um breve sorriso no canto de seu rosto e deixou o silêncio pairar no ar, por alguns momentos
Aria — Você me surpreende, Cayel Fujiwara, consegue ser imprevisível e muito interessante ao mesmo tempo.
Cayel — Não é a primeira vez que me chamam de imprevisível, mas de interessante…isso sim é a primeira vez.
Aria — Desde aquele dia em que duelamos a primeira vez, na escola, você me vê e me trata como se eu fosse uma pessoa qualquer, como um de seus amigos.
Cayel — E por que não faria? Somos amigos afinal de contas, não?
Aria — Achei um pouco estranho a princípio, já que naquele duelo fiquei ofendendo você e seu amigo por muito tempo, mas depois dele, quando você veio me cumprimentar, e eu vi que não deu a mínima para o que havia acontecido antes…devo admitir que me surpreendeu muito.
Cayel — Não entendo por que não faria, assim que o duelo acabou, não tem por que ficar com rixas ou mágoas.
Aria — Como filha de grande empresário, a maior parte do tempo nunca havia conhecido alguém que me tratava por quem eu era, somente por quem meu pai era, ou pelo que eu tinha…até ter que duelar com você, e ainda você vejo que você, genuinamente, continua me tratando do mesmo jeito.
Cayel — Bem, eu não faço a menor ideia de quem seu pai é, e fazia muito menor ideia de quem você era antes do duelo…pra ser sincero eu até tinha esquecido de novo até você me lembrar. Então no fim das contas eu só conheço você, do jeito que eu vejo na escola.
Aria — O jeito que você pensa é intrigante, mas eu não poderia ser mais grata por ele. Ainda sim, é uma infelicidade que você tenha que partir, estava no aguardo que pudéssemos duelar mais uma vez antes disso.
Cayel — Infelizmente não vai dar…mas eu vou voltar um dia, não sei se ainda vai querer duelar comigo, mas pelo menos estarei aqui.
Ela retirou uma caneta e um pedaço de papel de seu bolso, anotou algumas coisas e entregou para Cayel
Cayel — Um…o que é isso?
Aria — É meu número, para que entre em contato, caso precise de alguma coisa.
Cayel — Obrigado, espero não precisar de nada, mas obrigado mesmo assim.
Aria — Espero que possamos nos encontrar nos caminhos da vida novamente, ansiarei seu retorno.
Cayel — Valeu, também espero que possamos nos encontrar algum dia, por aí.
De certo modo, ainda era a mesma garota que havia conhecido naquele dia, mas agora mais receptiva, menos arrogante, e igualmente aristocrata.
Aria — Agora preciso voltar para o escritório, darei a notícia de sua saída a meu irmão.
Cayel — Poxa, verdade…fala que eu mandei um oi…ou um tchau nesse caso.
Aria — Sem problemas, darei o seu recado. Se cuide, Cayel.
Cayel — Você também, Aria.
Para além dos planos, aquela foi também uma despedida, que não estava planejada, e que de certo modo não foi tão difícil
Mas ainda sim, uma despedida, de alguém que havia conhecido a não muito tempo.
Só precisava agora voltar para sua casa, já havia andado longe demais sem sequer ter percebido.
O clima nunca esteve tão ameno
Tão silencioso
Mas ao mesmo tempo tão inquieto
Como esteve hoje em Neo Domino.
Como se nem mesmo os céus quisessem chorar pela sua despedida
. . .
Agora já era Quinta-Feira
Neo Domino voltava a funcionar, quase uma semana depois do estranho incidente.
Não sabiam o que havia causado ele, mas disseram que a cidade estava segura
E que todos podiam retomar suas vidas novamente
Na rodoviária, Cayel , Isac e sua mãe, Allie, esperavam o próximo ônibus que sairia de Neo Domino.
Ela, relutante, por saber que teria de ficar longe de seu filho, ainda que aquela fosse a melhor decisão…ao menos em sua cabeça
Ele, triste, vendo Neo Domino uma última vez ser iluminada pelo pôr do sol, do que seria a última imagem que ele teria da cidade onde cresceu.
Se lembrava também das palavras que havia dito e escutado
De May
De Isac
De Susie
Neo Domino era uma cidade cheia de história e riquezas, das quais ele guardaria sempre em sua memória.
. . .
E para aqueles os que deixamos para trás, ficam também as nossas lembranças
Sejam elas boas
Ruins
Ou confusas
Dos que agora tinham novas promessas a manter, esperando um dia futuro
E daqueles que queriam distância
Por que a despedida nunca é doce, para alguns ela é amarga, para outros agridoce.
E conforme o ônibus chegou na rodoviária, Cayel olhou uma última vez para a grandiosa cidade
Seus olhos lacrimejantes, quais brevemente limpou
Não queria deixar aquela ser sua última impressão
Se despediu de Isac uma última vez
Subiu no ônibus, e deixou seu adeus momentâneo
Seguindo outros ventos
Ventos de Mudança
Rumo a lugares desconhecidos
Seu ônibus então partiu
Marcando de vez sua saída
. . .
Mas havia feito uma promessa
E daquele dia em diante estaria determinado em cumpri-la
Independente do que acontecesse
Cayel — (Não me esqueça, Neo Domino. Até o dia em que eu volte)
. . .
Fale com o autor