Yu-Gi-Oh! Rise - Bonds
6 O mago das engrenagens
Segunda feira, um clima ameno e um tímido sol no céu, era o típico começo de uma nova semana em Neo Domino, os pássaros começavam a piar, os letreiros e luzes neons se desligavam, deixando a iluminação natural cobrir toda cidade.
O que não era convencional era o que havia ocorrido no dia anterior, a cidade ainda estava em choque com a recente aparição do que apenas se tratava de uma lenda, um rápido duelista que interrompeu a apresentação dos times do WRGP, e que como seu nome insinua, saiu como um fantasma sem deixar rastro algum.
Para a maioria isso virou o assunto do dia, nas portas das escolas, nos bares, até mesmo em espaços públicos e jornais, toda Neo Domino estava se perguntando quem poderia ser o Speed Ghost, e se questionam também se os duelistas do WRGP iriam aceitar o desafio dele, visto que era bem capaz que algo assim ocorresse novamente caso não aceitassem, ou no pior dos casos comprometesse o WRGP, o que é algo que gostariam de evitar.
Mas como de costume, assuntos como estes se resolvem com o tempo, e agora era hora de ir para a escola ou pro trabalho, dependendo da sua faixa etária, e hoje não seria diferente…Ou quem sabe fosse.
Na porta da escola, Susie esperava impaciente por Cayel e Isac, que estavam quase completamente atrasados para a entrada na escola
Susie — (Esses dois cabeças de vento, como eles conseguem se atrasar em uma segunda-feira?) — Ela suspirou — Eu deveria ser paga pra aguentar uma coisa dessas…
Olhou mais uma vez para as horas no seu celular, e vendo que já estava praticamente sem tempo, decidiu mandar uma mensagem para os dois, afinal não queria se atrasar por nenhuma razão besta. Logo após, pegou sua mochila e adentrou os portões, parte de si preocupada onde os rapazes poderiam estar, e a outra parte resmungando sobre o quanto são irresponsáveis.
Mas isso é algo que ela só iria descobrir bem mais tarde.
Isso porque no centro da cidade, Cayel e Isac andavam tranquilamente, dando prosseguimento a seus planos de localizar e desvendar o mistério por trás do Speed Ghost. Não bastaram apenas as milhares de teorias e planos malucos, o que muitos poderiam achar no mínimo peculiar para eles era só mais uma segunda-feira normal
Haviam ficado até tarde da noite planejando sua abordagem, e haviam decidido em uma ideia bem simples, visitar as maiores oficinas de customização de Duel Runners da cidade e perguntar sobre o Fantasma. Não era nenhum plano genial, mas foi o melhor que duas cabeças conseguiram pensar naquele momento, especialmente considerando que estavam tentando perseguir um fantasma motorizado a pé.
A primeira parada era na maior loja de customização que havia no centro da cidade, uma bela de uma garagem com muitas baias e diversas D-Wheels sendo mexidas, uma oficina licenciada conhecida como HKMax. Não só customizavam como também construíam peças por encomenda, o que poderia ajudar a conseguir alguma notícia acerca de Ghost, mas pela quantidade de pessoas na loja parecia que seria um pouco difícil conseguir qualquer informação, ainda assim não deixaram de tentar.
O máximo que conseguiram foram algumas conversas, nada que levasse os mais perto de seu objetivo, apenas conversas sobre os rumores, assim como clássicas lendas urbanas que circulavam o duelista, todos pareciam muito empolgados a respeito, ainda sim ninguém fazia sequer ideia por ali de quem seria o Fantasma da Velocidade
Com a primeira parada fora de cogitação, era hora de partir para a segunda, mais uma caminhada ao redor do centro da cidade em busca do próximo ponto de interesse, também uma oficina licenciada, mas essa tinha como foco maior nas carenagens das Duel Runners, ainda que realizassem trabalhos como tunagem de performance e melhorias aerodinâmicas, chamada de DL Official Runners.
Quem sabe fosse coincidência do destino, ou talvez um simples azar, mas a situação era praticamente a mesma da última oficina que haviam visitado, mas dessa vez a conversa foi apenas com os clientes, sequer conseguiram "interrogar" algum dos funcionários, visto que estavam todos trabalhando em uma área separada, fora do alcance de qualquer cliente.
Escutaram mais rumores e suposições, algumas bobagens aqui e ali, mas nada de novo no final das contas, consideravelmente derrotados foram caminhando até a praça da cidade, fazer uma última parada antes de irem até a última oficina, que ficava bem mais longe do centro.
Essa casual caminhada já havia sido longa por si só, com eles tendo andado pouco mais de 7 quilômetros ao redor da cidade, totalizando uma bela hora e meia quase só de caminhada, isso sem contar o sol radiante que vinha de cima, que ficaria ainda pior conforme o tempo passasse.
Sentaram-se então em um dos bancos cobertos da praça, para poderem revisar seu plano.
Isac — Não acredito que ninguém saiba de nada…essas são as duas maiores oficinas de customização da cidade e ainda sim ninguém tem nem um indício, se não eles quem mais poderia fazer uma moto daquelas? — Isac tentava raciocinar, para buscar uma resposta
Cayel — Será que foi ele mesmo quem construiu a própria moto? Isso explicaria o motivo de nenhuma oficina saber dele…ou talvez ele seja um duelista de Satélite, por mais que isso pareça bem improvável.
Isac — Um duelista de Satélite não teria acesso a algo assim, infelizmente só despejam lixo naquele lugar, então até para isso existe um limite para um milagre como uma D-Wheel, ainda que faça sentido com o fato de ele se manter oculto e com a identidade secreta, afinal se fosse qualquer duelista grande daqui estaria aproveitando a rodo toda publicidade, mas isso ainda não faz sentido…você se lembra da invasão na transmissão?
Cayel — Lembro sim, o que tem ela?
Isac — Os televisores, as luzes, tudo naquele lugar é controlado pela sala de controle, ou deveria ser, se for assim somente alguém com a chave poderia ter feito aquilo tudo
Cayel — Tá, faz sentido, mas qual o seu ponto nisso tudo?
Isac — Teria que ser alguém que trabalha para o estádio, não tem como ele ter entrado lá e desligado tudo muito e ter entrado no estádio em um intervalo tão pequeno, não teria como um Satelitano conhecer alguém lá de dentro, ou se conhecesse seria difícil isso acontecer, pensa só, quem que aproveitaria da atenção de um duelista de Satélite?
Cayel — Hum…me dá um minuto para eu tentar pensar em alguém, alguma coisa sai — Ele começou a se concentrar, tentando pensar em alguém
Isac — Parece que ele só estava jogando um monte de pistas, mas tudo só se embaralha ainda mais, uma coisa vai por cima da outra e no fim das contas ele não deixa rastro nenhum, ou se deixa nós não conseguimos nem ver.
Cayel — Bendita hora pra não ter uma licença de duelista, íamos conseguir ver ele de perto — Sem nenhum resultado, havia desistido de tentar pensar em alguém — Bem, tudo que nos resta é essa última oficina, depois disso voltamos pra casa
Isac — Uma oficina ainda mais distante, qual a chance de saberem alguma coisa?
Cayel — Eu não sei, mas eu sei que a terceira vez é sempre o charme, então não custa tentar — Ele se levantou, esperando seu amigo
Isac — Bem, nisso você pode ter razão, só dá pra saber quando a gente chegar lá.
Cayel — E para onde fica essa última oficina?
Isac — Vamos ter que andar até a zona norte, talvez uns quarenta minutos de caminhada de onde estamos agora.
Cayel — Bem, pelo menos caminhar faz bem pra saúde — Ele deu de ombros, e logo começaram a caminhar
Essa última oficina era algo a parte, ainda que fosse considerada uma oficina grande isso só ocorria por ser a única outra oficina que produzia partes personalizadas para Duel Runners, mas desta vez não era licenciada, se tratando de um negócio local, fora que a localização não ajudava muito no movimento.
. . . . . .
Após seus longos quarenta minutos de caminhada, eles finalmente haviam chegado ao que parecia ser o endereço da oficina, do outro lado da rua havia uma garagem não muito grande, com uma moto parada do lado de fora, não havia nenhum letreiro grande ou propagandas, só uma pequena placa que dizia "Bem vindo a May Works" pendurada na porta
Cayel — É esse aqui o lugar? Cara se a gente tivesse pensado tinha vindo aqui primeiro…é tipo uns dez minutos de casa — Ele estava ofegante, depois de ter caminhado tanto.
Isac — É…acho que empolgamos demais com as oficinas grandes que acabamos esquecendo das distâncias — Respondeu Isac, que também tentava recuperar seu fôlego
Cayel — Depois de hoje eu não quero caminhar por mais um bom tempo — Eles então atravessaram a rua, indo em direção a garagem, que aparentava estar vazia
Era um espaço bem organizado para o seu tamanho, havia um televisor na parede que passava o jornal, um sofá, diversas ferramentas e caixas de ferramentas, assim como um pequeno computador próximo a um elevador de veículos.
Cayel — Ô de casa! Tem alguém aqui? — Chamou ele, falando alto
Isac — Olá? Alguém por aqui?
Eles olharam ao redor, não escutaram nenhum barulho, muito menos nenhuma resposta.
Cayel — Será que saíram pro almoço?
Isac — Ainda não são nem onze horas da manhã, acho que ninguém almoça tão cedo assim.
Cayel — Pra ser sincero eu não reclamaria, toda essa caminhada me deixou faminto — O rapaz resmungou
Esperaram mais alguns momentos, chamaram mais algumas vezes, mas nada de uma resposta.
Isac — Acho que não demos sorte com essa aqui também, vamos voltar pra casa agora e planejar tudo de novo.
Cayel — Espero que não envolva nós dois caminhando metade da cidade novamente, por que eu não aguento, não sou maratonista, sou duelista, são duas coisas diferentes
Isac — Ainda que seja uma lógica muito trivial, tenho que concordar com você nessa, não tenho porte físico para esse tipo de coisa.
Assim que foram começando a caminhar, ouviram um barulho alto vindo do fundo da oficina, não dava para saber ao certo o que era, mas parecia muito o barulho de algo explodindo, o que assustou os dois garotos
Cayel — Então…você ouviu isso também, ou eu tô ficando maluco? — Perguntou ele, olhando para o amigo
Isac — Escutei sim…mas de onde veio esse barulho…se não tem ninguém aqui?
Novamente olharam ao redor, mas não havia nada além do vento junto deles, a oficina estava completamente vazia
Isso até que começaram a escutar passos, vindos da porta, onde assumiram ser o escritório, esses passos foram ficando cada vez mais altos e cada vez mais próximos, o que apenas assustou ainda mais os rapazes.
Cayel -~ Tem alguma coisa chegando perto, a gente tá frito
Isac -~ C-Calma, deve ter alguma resposta pra isso, quem sabe não seja um funcionário que está voltando do almoço.
Cayel -~ Mas não foi você quem acabou de falar que ninguém almoça a essa hora Isac
Isac -~ Cayel pelo amor de deus por que você só acha sentido nas coisas quando não precisa?
A maçaneta da porta começou a girar, a porta se abriu lentamente e de dentro dela saiu uma nuvem preta de fumaça densa, e de dentro dessa fumaça, uma silhueta completamente escura, carregando consigo aquela nuvem de fumaça.
Cayel e Isac — FANTASMA! — Os dois gritaram desesperados e em choque
Mas às vezes as melhores surpresas vem de lugares inesperados.
? — AH, FANTASMA, ONDE?!? — Disse a figura, saindo correndo de perto da porta para perto dos garotos
Cayel — AAAAAAA!!! — Ele gritou, por puro reflexo, antes de pensar por um breve momento — Calma, fantasmas não podem andar na luz do dia…não é Isac? — Ele olhou para trás, apenas para ver seu amigo já do outro lado da rua — Acho que isso é um sim
? — Tem razão…então por que estamos gritando? — Perguntou a silhueta
Cayel — Isso por que saiu alguma coisa daquela porta acompanhada de fumaça escura
? — Ah sim…faz sentido
.
.
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Cayel — Calma lá com quem que eu tô conversando? — Ele então virou-se para ver aquela mesma silhueta ali do seu lado, de pé, e ele simplesmente congelou.
? — Ah…isso aqui, só um momento — A silhueta então foi andando até uma pia próxima, onde começou a enxaguar seu rosto, revelando uma face adulta depois que seu rosto estava limpo, cabelos longos, amarrados e sujos de fumaça juntos de um óculos de segurança — Meu rosto só estava sujo, nada de mais
Cayel — Beleza, mas e o barulho da explosão?
? — Eu estava mexendo com uns eletrônicos lá atrás, tentando calibrar uma pistola de pintura e acho que não saiu bem como eu esperava
Cayel — Beleza, isso explica a fumaça e o rosto pintado, agora só falta o por que você não escutou a gente gritando por alguém aqui
? — Ah sim, equipamento de proteção, nunca é demais — Ele então retirou o abafador de sons que usava na orelha — Agora já foi tudo?
Cayel — Deixa eu pensar…É foi tudo sim — Ele então se virou de volta para Isac, que ainda estava do outro lado da rua — Ei Isac, é só um cara, pode voltar pra cá.
Isac — Beleza! — Respondeu ele, podendo ser ouvido bem baixo já que estava consideravelmente distante
? — Antes que eu me esqueça, bem vindos a May Works, o que os traz aqui hoje, precisando de alguma ajuda com sua moto? — Perguntou o adulto
Cayel — Bem, sim e não ao mesmo tempo, mas eu não sou a melhor pessoa com explicações, então só esperar meu amigo ali terminar de atravessar a rua que ele te explica tudo certinho, senhor…que eu não sei o nome.
? — Não precisa de senhor, não sou tão velho assim, pode me chamar de May, sou o dono da oficina
Cayel — May tipo…maio? — Perguntou o rapaz, um pouco curioso
May — Combina também, mas é por causa do nome e do sobrenome, Marcos Zeyher, mecânico a seu dispor.
Cayel — Bem…Cayel Fujiwara, duelista em todos os momentos, e ele é o Isac, aspirante a cientista
Isac — Você não é a melhor pessoa para dar descrições detalhadas Cayel, mas é quase isso, muito prazer Isac Virt.
May — Bem, seu amigo aqui me disse que você ia saber explicar o problema de vocês, e então, do que se trata? — Ele estava limpando a mão em um dos panos da oficina
Isac — Nós dois aqui estamos passando pelas oficinas da cidade que mexem com construção de peças customizadas, estamos em busca de qualquer pista pra tentar descobrir quem é o Speed Ghost
May — Speed quem? — Perguntou o rapaz, um pouco confuso
Cayel — Speed Ghost, o Fantasma da Velocidade
May — Não sei quem é
Cayel — O duelista que invadiu o WRGP
May — Nadinha.
Cayel — Que dirige uma D-Wheel preta camuflada e extremamente rápida.
May — Não tenho a menor ideia de quem seja
Cayel — Ok é surpreendente achar alguém que não saiba quem ele é.
May — Mas aí, o que que tem esse cara? — Perguntou o mecânico
Isac — Ele é meio que uma lenda urbana, estamos tentando achar ele, estávamos tentando ver se alguém das oficinas da cidade tinha mexido ou conhecia a D-Wheel dele.
May — Eu não me lembro de nenhum cliente com esse nome, mas se tiver alguma foto ou vídeo, consigo facilmente reconhecer um dos meus trabalhos.
Isac — Me dá um minutinho que eu vou procurar aqui… — Ele começou a procurar o vídeo na internet, usando seu celular
Cayel — Espera, então você também constrói D-Wheels?
May — Sim, por que a pergunta?
Cayel — É que tem uma moto parada ali na frente, achei que só fosse trabalhar com motos normais.
May — Eu trabalho de um a tudo se o assunto é motor, seja bicicleta ou avião…ok talvez eu tenha exagerado com o avião, mas acho que deu para entender.
Cayel — Caramba, então você é um duelista de velocidade?! — Perguntou ele, ainda mais animado.
May — Não, sou só mecânico mesmo, essa coisa de duelo é muito maluca pra mim.
Cayel — Mas…agora eu fiquei confuso, você constrói Duel Runners, correto?
May — Sim
Cayel — Então teoricamente você dirige Duel Runners também, correto?
May — Uhum
Cayel — Mas você não duela?
May — Não, não sei nadinha desse monstros de duelo, mas você pelo visto deve saber bastante.
Cayel — Sei sim
May — E também parece gostar muito de Riding Duels
Cayel — Gosto sim — Ele foi se animando
May — Então você deve pilotar uma D-Wheel, não é?
Cayel — Não, eu não tenho uma licença de duelista — Disse choramingando, todo o ânimo do rapaz atravessou o chão — Mas estou esperando a minha oportunidade para conseguir uma.
May — Pela quantidade de duelistas na cidade, é muito difícil conseguir essa licença?
Cayel — E como, tem muitos duelistas muito bons que querem pegar uma, são poucos que conseguem passar nas seletivas.
May — Ah, então vocês entram para um time?
Cayel — Mais ou menos isso aí, uma licença independente é muito cara
May — Parece show de bola, boa sorte nisso aí
Cayel — Valeu!
Isac — Aqui, achei um vídeo — Disse ele, reproduzindo o vídeo e mostrando para May
O rapaz então assistiu o vídeo pela primeira vez, vendo aquele veículo se mover extremamente rápido, deixando apenas seu rastro de luz, dava para ver em seus olhos que estava concentrado.
Isac — Essa é uma das suas motos? — Perguntou, com esperanças de finalmente conseguir uma pista
May — Não, nunca trabalhei em uma moto assim antes
Isac — De volta à estaca zero — Ele suspirou
May — Até por que, isso não é uma moto, é uma obra de arte! — Respondeu o mecânico, com entusiasmo.
Cayel — Então foi você quem construiu ela? — Perguntou o garoto, ainda mais entusiasmado
May — Não, não fui eu quem construí…não faço ideia de onde veio, mas essa moto não devia estar participando em duelos, não desse jeito.
Isac — O que quer dizer com isso? — Questionou Isac
May — Pra começar, é uma moto muito silenciosa, isso é um perigo em duelos de alta velocidade, e especialmente é um perigo nas rodovias de duelo, fora que ela não tem faróis, seja lá quem dirige essa coisa é um lunático, ninguém em plena consciência autoriza uma moto assim a participar de duelos de velocidade.
Isac — Pensando por esse lado, faz muito sentido, mas essa moto é apta a duelar, inclusive tem vídeos do Speed Ghost participando em duelos, é capaz que ele tenha construído a própria moto e de alguma forma burlado os requerimentos de segurança?
May — É o mais provável, toda d-wheel que eu modifico tem um chip de identificação, eles têm toda a identificação e diagnóstico do veículo, além do próprio duelista…quase como uma carteira de motorista, eles são feitos para funcionar exclusivamente com o programa do Speed World 2, se não tiver o chip, não tem duelo, se a moto não está em dia, não pode duelar…mas…
Cayel — Mas o quê?
May — Se o programa da Speed World 2 fosse modificado, uma exceção poderia ser adicionada. — Completou o mecânico, deixando o pano que enxugava as mãos de lado.
Cayel — Como você sabe disso?
May — Eu tenho uma D-wheel velha aqui na garagem, e quando digo velha quero dizer dos primeiros modelos, que ainda usa o Speed World 1, e como o chip dela já está desatualizado, ela sequer funcionava. Aproveitando que o programa é obsoleto eu fui tentar entender como funcionava, por curiosidade. Depois de alguns dias quebrando a cabeça eu consegui fazer uma versão modificada do programa, o que permitiu com que a interface de duelos dela pudesse ser reativada…
Os rapazes ficaram olhando para ele, com uma mistura de confusão e fascínio em suas faces.
May — Coisa de nerd, eu sei…mas funciona.
Isac — Então você também sabe modificar chips de duel runners mais novas?
May — Não, até por isso esse motoqueiro de vocês se torna uma surpresa. O software da Speed World 2 funciona virtualmente, na nuvem, para acessar ele por si só você teria que passar por dezenas, talvez centenas de camadas de seguranças, e até lá já seria pego facilmente, fazem alguns meses que um rapaz daqui foi preso por causa disso.
Isac — Então isso quer dizer que ele tem acesso a esse servidor de alguma maneira…ou sabe de alguém que tenha…mas qual poderia ser a ligação disso com o WRGP? Por que alguém iria tão longe assim e se arriscaria tanto?
May — Eu não faço a mínima ideia, mas se fosse arriscar, diria que não tem nenhuma relação com o campeonato.
Cayel — E o que te fez chegar nessa conclusão?
May — Bem, vamos lá… — Ele se sentou perto dos rapazes — Pelo que eu entendi até agora, aquela não é uma duel runner, é um outro tipo de moto, e de alguma maneira foi modificada para ser aceita nas regras do Speed World 2, então é provável que seja só alguém querendo chamar a atenção, como um grupo de hackers ou alguma coisa.
Isac — Se bem me lembro, quando ele invadiu a última transmissão, ele reclamou que existiam muitos talentos maiores lá fora, que não tinham atenção, depois disso ele desafiou os duelistas para um duelo na rodovia, para provar se eles eram mesmo merecedores…se bem me lembro foi exatamente isso.
May — Nesse caso…acho que minha teoria foi por água abaixo então…
Cayel — Estávamos pensando que pudesse ser algum ex-duelista que tem alguma briga com os times…ou alguém que não foi aprovado querendo se vingar da diretoria do torneio…algo assim.
May — Faz bastante sentido, mas pra saber é só perguntando o sujeito aí.
Isac — Isso se ele não se recusar a falar…acho que não vamos ser nós a resolver o mistério do Speed Ghost então, que coisa…
Cayel — Droga, tão perto e tão longe ao mesmo tempo…Não vai dar pra escrever nossos nomes no vento desse jeito. — Resmungo Cayel, deitando-se no sofá
May — Escrever seus nomes no vento? De onde veio isso? — Perguntou May, soltando uma pequena gargalhada.
Isac — É uma coisa que o Cayel vive falando, é sobre o sonho dele de ser Riding Duelist.
Cayel — É que eu quero ter meu nome eternizado na história dos duelos de velocidade, eu quero chegar no topo e sentir a adrenalina de duelar correndo pelas minhas veias em cima de uma D-Wheel!
May — Ei, esse é um belo sonho, espero que consiga chegar lá algum dia.
Cayel — Eu vou chegar lá, só não sei como ainda, mas eu vou.
May — Você é uma figura, cheio de confiança e bom humor, me lembra eu quando era mais novo — May falou sorridente — Bem, já que não pude ajudar vocês com suas investigações, posso pelo menos compensar de outro jeito.
Isac — Não se preocupe com essa investigação, era maluca demais pra dar certo mesmo, mas o que você sugere? — Comentou Isac, tanto ele quanto Cayel estavam com seus olhos vidrados em May.
May — Querem ver a D-Wheel que eu falei agora a pouco?
Cayel — TÁ BRINCANDO? É LÓGICO! — Seu nível de entusiasmo alcançou as estrelas, ainda que seu corpo estivesse grudado no chão.
May — Vem, vamos lá, vocês vão gostar, ela fica aqui no fundo da oficina — May chamou os garotos para irem com ele, atravessando a porta pela qual ele havia saído quando se esbarraram pela primeira vez.
. . .
Cayel — Eu não acredito…caramba isso aqui é um máximo! É mesmo uma Duel Runnner…eu estou vendo uma Duel Runner em pessoa! — Ele não podia conter seu ânimo, estando cara a cara com a moto.
A carroceria não tinha cor ainda, estava no metal puro, as rodas estavam encostadas na parede, os pneus precisando ser calibrados, mas o motor estava lá, em perfeitas condições, era como ver mágica sendo feita na frente dos seus olhos.
May — Eu quero começar a pintar ela logo, mas ainda preciso calibrar a pistola de pinturas direito, pra que ela não estoure com tinta na minha cara, de resto só falta mexer nos pneus e fazer umas modificações no motor, ai ela vai estar pronta.
Isac — É surreal ver como mudaram desde o primeiro modelo para aquelas que vemos na televisão…uau.
May — Se você se surpreendeu com isso, vai ficar ainda mais surpreso quando ouvir o ronco dessa belezinha, é uma sinfonia!
Cayel — Onde foi que você encontrou ela? Comprou de alguém? — Perguntou Cayel, que olhava cada pedaço da moto, andando ao redor dela, vislumbrado.
May — Pode não acreditar, mas achei no ferro velho, costumo ir lá procurar algumas peças, quando vi ela encostada lá, não podia deixar ser destruída, então eu trouxe pra cá, estava sem as rodas e pneus, faltando algumas peças do chassi, mas o motor e o chip eram originais.
Cayel — Queria ter uma sorte assim, eu ia passar dia e noite arrumando ela pra poder andar.
May — Eu já passei muitas noites em claro mexendo nela, é como se ela conversasse comigo e eu com ela…pode parecer loucura, mas é o vínculo que eu tenho com minhas motos.
Nesse momento Isac olhou para Cayel, que estava parado ao lado de May, ambos observando aquela Duel Runner, como uma criança vendo um show de mágica, naquele momento ele percebeu o quanto os dois eram parecidos, ainda que fossem malucos diferentes.
Isac — Você não é o único que fala com coisas inanimadas, não se preocupe.
May — Você também?
Cayel — Isac não dê nem mais uma palavra, não quero queimar meu filme com o mecânico mais dahora que eu já vi.
Isac — Ele conversa com as cartas dele, pode jurar que os monstros respondem ele de volta…além de conversar com pássaros de vez em quando.
Cayel — Isso é difamação! Eu jamais conversei com um passarinho…tirando hoje…droga!
May caiu na gargalhada, vendo aquela situação.
May — Vocês são duas figuras.
Isac — Digo o mesmo, você é um cara muito legal.
Cayel — Muito legal? Tá brincando? Você é incrível, quando eu for mais velho quero ser maneiro igual você.
May — Se continuar do jeito que é, vai conseguir isso sem problemas.
Isac — Bem Cayel, acho que é bom voltarmos agora, depois desse dia de hoje eu ia adorar um café e descansar um pouco, vamos indo?
Cayel — Ainda que eu quisesse ficar aqui pra sempre, infelizmente tenho que concordar, meu estômago está roncando de fome — Suspirou ele, olhando para Isac — Bem, acho que vai ser isso por hoje, foi um prazer te conhecer May.
May — Foi muito bacana conhecer vocês também, tomem cuidado aí na rua.
Isac — Pode deixar, agora vamos lá Cayel, se sairmos agora deve dar pra pegar as próximas transmissões das rodovias, pra vermos se o Speed Ghost vai aparecer de novo.
Cayel — Beleza, vamos lá! — Cayel foi em direção a porta, para voltar ao saguão de atendimento e sair da oficina, Isac estava em sua frente.
May viu os dois saindo pela porta, mas decidiu falar uma última coisa antes de saírem
May — Ei, Cayel, Isac! — Disse o mecânico
Cayel — Oi? O que foi — Eles pararam de andar
May — Quando ela estiver pronta, prometo levar vocês pra dar uma volta.
Cayel — SÉRIO!?!!? — Ele gritou, sem acreditar naquilo.
May — Claro! Podem voltar aqui sempre que quiserem também, pra batermos um papo.
Isac — Pode deixar! Agora eu vou levar ele pra casa antes que ele desmaie de tanto entusiasmo, muito obrigado por tudo! — Ele acenou para May
May — Disponham! — O rapaz acenou de volta, vendo os dois caminharem pela rua.
Os garotos foram caminhando pela calçada, Cayel exaltado, coberto de ânimo e entusiasmo, conversando com Isac, que tentava manter ele calmo até chegarem em casa.
May voltou para o saguão da oficina para pegar seu óculos de proteção, junto da máscara de gás para voltar a calibrar sua pistola de pintura, planejava passar o resto da tarde trabalhando na Duel Runner.
. . .
Aquele seria um dia para se lembrar, para ambas as partes.
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