Youtube Love

1 Capítulo 1


Notas iniciais
*POR FAVOR LEIAM* Olá a todos! Sou nova aqui como escritora, mas já leio obras no Nyah! desde que me lembro. Adoro as mentes criativas que por aqui passam, e quis contribuir com as minhas próprias ideias malucas! Decidi escrever uma história atual, muito ligada às redes sociais, pois fazem mesmo parte da nossa vida atual. Imaginei esta história e vi tanto potencial, que não consegui não a escrever. Já tenho alguns capítulos prontos, e adoro-os a todos até agora. Mas adorava saber a vossa opinião! Vou escrever em português de Portugal, uma vez que sou portuguesa, mas se houver algo que não entendam, por favor, digam. Estou aqui também para aprender! Também escreverei em Inglês, mas sempre com a tradução logo a seguir! Obrigada, e espero que consiga partilhar os meus sonhos e vos faça sonhar a vocês, com as minhas palavras! Dreamer.

— Vemo-nos na segunda-feira, Clara! – A minha colega da secretária do lado acenou-me alegremente, saindo do escritório.

Eram 18h30, numa sexta-feira como todas as outras. Olhei para todos os documentos pendentes espalhados pelo meu espaço de trabalho. Quando chegara aquele trabalho no primeiro dia, a minha secretária pareceu-me enorme. Nos dias de hoje, sinto que a mesa de centro da minha sala-de-estar é maior.

Com um suspiro, passei os quatro contratos que já estavam concluídos para a minha direita, e juntei todos os que estavam por resolver à esquerda. Sete. Torci os lábios. Talvez mais dois.

Sou advogada fiscal há quase três anos, se contarmos apenas o trabalho oficial. Como estudante e estagiária, já estou nesta vida há seis anos.

Adoro o meu trabalho, e acredito que posso sempre fazer mais, e resolver todos os problemas que me chegam às mãos mal os vejo. Este tipo de postura concedeu-me lugar como braço direito do chefe ao fim de apenas um ano a trabalhar nesta empresa. No entanto, também me privou de ter uma vida social ativa.

Os meus verdadeiros amigos podem ser contados pelos dedos de uma mão. Uma amiga de infância, e quatro amigos que trouxe do meu primeiro trabalho aos dezoito anos. Vejo-os talvez uma vez por mês, com sorte. Todos eles têm uma vida ocupada e preenchida; ainda assim, conseguem combinar um almoço, jantar ou apenas um café, praticamente todas as semanas. Não sei como conciliam tudo: o nosso grupo de amigos, trabalho, namorados/as, casa e filhos.

Partilhei um pequeno riso irónico comigo mesma. Do nosso pequeno grupo de cinco pessoas, eu era a única que tinha apenas os pontos ‘’trabalho’’ e ‘’casa’’ dessa lista. E mesmo assim, era a que tinha menos tempo livre.

Ser braço direito do meu chefe também incluía ajudá-lo com tarefas fora do escritório. É verdade, recebia bem mais do que qualquer uma das pessoas com quem partilhava o escritório, até mesmo as que lá estavam há mais tempo do que eu; no entanto, também cuidava de um homem na casa dos cinquenta anos, divorciado e demasiado mimado a vida toda pela mãe e agora ex-mulher, para saber cuidar de si próprio.

— Clara! – Falando no diabo. – Vai para casa, esses contratos podem ser tratados na segunda-feira.

Fiquei ligeiramente tocada por ter o meu chefe preocupar-se com o meu descanso. Comecei a arrumar tudo para sair, com um pequeno sorriso.

— E amanhã tens de ir cedo à lavandaria buscar o meu fato, tenho aquele almoço de família na casa de campo dos meus pais. Tens de estar fresca, sabes como a minha mãe odeia quando me atraso.

Ah, claro…

O sorriso desapareceu do meu rosto. Suspirei, fechando o ecrã do computador.

— Claro que sim, Marcos. Estarei às 9h30 na sua porta, com o fato preparado.

— É por isso que te adoro, Clara. – O meu chefe soltou um pequeno sorriso na minha direção, apontando para mim em jeito de aprovação. Sorri de volta, vendo-o sair pelas portas de vidro até ao seu carro.

Não conseguia ficar aborrecida com ele. Sabia o quanto ele sofria por dentro. Sozinho, sem o amor da sua vida, que preferiu escolher um professor universitário em vez do seu marido de quase dez anos, e ficou com a custódia total da filha dos dois.

Desliguei as luzes do escritório inteiro, como de costume. A primeira a entrar, a última a sair.

Segui para o meu carro, o ar ameno de final de tarde a bater-me na pele quente, depois de estar o dia todo dentro de um espaço fechado. Em pleno mês de setembro, ainda sentíamos o sopro das últimas noites de verão. Suspirei de contentamento, e conduzi até casa.

Trim, trim, trim.

A música que envolvia o meu carro parou subitamente, sendo substituída pelo som de uma chamada por atender. Carreguei no pequeno botão no volante, aceitando a chamada.

Clara!!!

Amorzinhooo!!!

Onde estás, maluca?!

Diversas vozes irromperam do outro lado, visivelmente animadas. Ri-me alto.

— Então, pessoal. É um pouco cedo para já estarem com os copos, não acham? Saíram há quanto tempo do trabalho, dez minutos? – Voltei a soltar um riso divertido.

Combinámos todos sair uma hora mais cedo hoje, para chegar mais cedo ao restaurante! Mas alguém se esqueceu, claramente...— Mordi o lábio, envergonhada, ao ouvir o tom julgador da minha amiga Diana.

— Desculpem! Era impossível sair mais cedo hoje, estava…

Cheia de trabalho!— Responderam, quase em uníssono. – Nós sabemos.

Mas agora já podes vir!— Ouvi a voz da Liliana. – Vá lá, estamos a ouvir as novidades sobre a nova namorada do Bruno. Isto é a melhor fofoquice de sempre!

— Cala-te, Lili! – Quase que conseguia ver o Bruno rolar os olhos pelo telemóvel. Soltei uma risada.

— Acredito que sim, e quero imenso saber tudo, menino Bruno! – Fiz uma pequena pausa, preparando-me mentalmente para que eles ficassem com vontade de me matar, mais uma vez. – Mas hoje é mesmo impossível. Já vou chegar tarde a casa, tenho ainda o jantar para fazer, e amanhã preciso de tratar de umas coisas para o meu chefe, logo de manhã.

Ai, Clara…— A Liliana manifestou-se, e pude sentir o cansaço no seu tom de voz. – Quantas vezes precisamos de te dizer isto? Tu passaste anos e anos da tua vida a esforçares-te e a estudar, para seres advogada. Não uma assistente. Ele que arranje uma empregada!

— Eu sei. Mas ele precisa de mim. O divórcio é recente, e foi muito mau. Ele está sozinho.

Linda, o que ele precisa é de um psicólogo. Despede-te do trabalho de assistente.

— Não sejas ruim, João. Eu sei que vocês só querem o melhor para mim. E adoro-vos por isso. Prometo que para a semana estou com todos vocês! Divirtam-se!

Desliguei a chamada antes que pudessem ficar mais aborrecidos comigo. Quando me apercebi, já estava a estacionar na porta de casa.

Abri a porta de minha casa, acendendo as luzes da entrada e da sala. Segui para a cozinha, colocando água a ferver para a massa. Cortei tomate, pepino, cebola e piquei um pouco de alho.

Preparei o molho para a massa, e quando a massa estava na textura certa, misturei-a com o molho rapidamente na frigideira. Em dez minutos já estava sentada no sofá com um tabuleiro com o jantar, e uma garrafa de vinho. Nem me preocupei em buscar um copo.

Liguei a smart TV e iniciei a aplicação do Youtube. Desde que descobrira o canal daquele youtuber, preferia ver os vídeos dele do que televisão normal. O nome dele era Bryan. É um youtuber americano, mas nunca tive dificuldade em perceber inglês, sempre fui muito boa com línguas, desde pequena. Ver os vídeos dele trazia um sorriso ao meu rosto, mesmo depois de um dia cheio de trabalho.

A sua cara preencheu o ecrã da TV, hoje com um vídeo sobre diferenças entre ser americano ou inglês. Adorava o seu sentido de humor, a sua ironia, parecia que o conhecia, mesmo sendo apenas uma presença virtual nos meus equipamentos eletrónicos. Além disso, era imensamente agradável olhar para ele. O cabelo castanho claro, curtinho, mas estiloso. O sorriso perfeito e direito, os olhos azuis. Não havia o que não gostar nele. Dava por mim a ver vídeos dele durante horas.

Depois de terminar o prato e o vídeo do Bryan, levantei-me do sofá e fui tomar um duche. Sei como esta admiração por uma pessoa que está a imensos km de distância e não me conhece pode parecer estranha. Mas não sou nenhuma coitada com 24 anos sem sucesso com o povo masculino. Pelo contrário. Com os meus 1,60m de altura, cabelos castanhos ondulados até meio das costas, olhos castanhos-esverdeados e corpo delineado e atlético (pratiquei desporto profissional muitos anos, e agora apesar de já não o fazer, vou ao ginásio regularmente), desperto alguma atenção por onde passo. Tenho o ocasional virar de cabeça quando passam por mim, e recebo convites para jantar, de colegas de trabalho, ou conhecidos nas redes sociais.

No entanto, ninguém me desperta interesse, desde o meu último namorado, há dois anos. Ou são demasiado atiradiços, ou demasiado tímidos. Ou não têm ambições nenhumas, ou são demasiado focados no seu emprego, onde eu seria sempre uma segunda opção. Ninguém me parece uma boa opção. E eu acredito no lema ‘’mais vale sozinha, do que mal-acompanhada’’. Que é o que tenho estado…

Saí da banheira, enrolando rapidamente uma toalha no meu corpo. Apesar de ainda estarem noites quentes, sou friorenta, cortesia dos genes da minha mãe. As mulheres desta família estão sempre com frio.

Corri em bicos de pés até ao quarto, secando-me e vestindo o pijama rapidamente. Passei creme nas pernas e nos braços, e tirei a toalha que estava a enrolar o meu cabelo. Deixei que o meu hidratante capilar percorresse os meus fios de cabelo e penteei-o antes que secasse demasiado. Depois disto, coloquei o meu creme de noite no rosto, e deitei-me na cama, com o telemóvel na mão.

Percorri o feed do Instagram, vendo imensas fotografias e stories dos meus amigos, no seu jantar.

‘’Os meus lindos! ’’, comentei na foto da Diana, uma selfie de todos à mesa, divertidos e todos de copo na mão.

Sorri ao receber gostos de todos eles no meu comentário, e ver a resposta da Diana: ‘’Adoramos-te, estás a faltar aqui!!’’.

Olhei para as horas. Apesar de já não ser cedo, ainda não era urgente adormecer imediatamente. Fechei o Instagram e vi o aviso de que um novo vídeo do Bryan tinha sido publicado. Abri e decidi ver, rindo do início ao fim. E apesar de não ser hábito meu, deixei um pequeno comentário abaixo do seu vídeo:

‘’You crack me up everytime! Love from Portugal.’’ (‘’Fazes-me sempre rir! Saudações de Portugal.’’)

Com isto, desliguei a internet e bloqueei o telemóvel, depois de ativar o alarme para a manhã seguinte.

Pi, pi, pi, pi, pi!!!

Esfreguei os olhos, espreguiçando todo o corpo pela cama, em modo estrela-do-mar. Felizmente tinha uma cama de casal gigante. Olhei para o ecrã do telemóvel. 8h da manhã.

*Para entrarem no mood: https://www.youtube.com/watch?v=FLc0ZkoMwRM *

Suspirei e levantei-me a custo. Com um salto, já estava a ligar a TV na sala e a colocar música para ouvir enquanto me preparava para o dia que tinha pela frente.

Dancei até à casa-de-banho, lavando a cara. Lavei os dentes, prendendo a escova no meio dos dentes enquanto tentava cantar ao mesmo tempo.

‘’HOW CAN I FORGET YOU?!’’

Depois disso, ajeitei o cabelo com as mãos, já estando lavado da noite anterior, o que significava que não podia escová-lo, senão ficava igual ao rei leão (alerta juba).

Segui até ao quarto, tirando o pijama e colocando creme no corpo todo. Depois disso, vesti umas calças de ganga larguinhas e uma t-shirt cinzenta com decote em v. Adorava vestir-me bem durante a semana, mas o estilo descontraído de fim-de-semana não tem preço. Coloquei o meu relógio do costume, calcei os meus ténis Nike e segui para a cozinha.

Enquanto cortava fruta e fazia as panquecas, liguei a internet do telemóvel. Respondi a algumas mensagens que os meus amigos me enviaram durante a noite, definitivamente alcoolizados, estando ao mesmo tempo divertida pelo bom humor daquelas pessoas maravilhosas que tinha na minha vida, mas também orgulhosa, por se manterem jovens independentemente da idade e da vida que levam. Tinha muito que aprender com eles.

Enquanto me sentava na mesa da cozinha, com o meu pequeno-almoço já pronto, vi que tinha uma notificação na aplicação do Youtube. Quase me engasguei nas panquecas, quando vi o que era. O Bryan tinha respondido ao meu comentário.

‘’Wow, had no idea I had portuguese followers. Thank you so much pretty lady.’’ (‘’Wow, não fazia ideia que tinha seguidores portugueses. Muito obrigado, menina bonita.’’)

Senti-me embaraçada por corar involuntariamente com a última parte daquele comentário. Não sabia quão honesto ele estaria a ser. Apesar de ter fotografia associada ao meu perfil do Youtube, não se vê assim tão bem…

Sem saber bem o que fazer, apenas coloquei gosto na sua resposta.

Notas finais
E então?? O que acharam?! Estou super ansiosa para saber se gostam, e querem mais!! Agradeço imenso o vosso feedback. Um beijinho, Dreamer.