Y.o.u.t.h.
9 We Found Love
Notas iniciais
Carol, Ethan e Sophia vinham morando juntos no loft já havia quase um mês. Carol concordara em ficar por lá, e Ethan, relutante, aceitava o dinheiro dela para pagar metade das despesas como combinado.
Os dois contaram para Sophia sobre seu relacionamento cerca de uma semana depois que ele começou, e a menina não tinha como haver ficado mais feliz.
Ethan e Carol se alternavam para buscar e levar Sophia à escola, e se organizaram de modo a não atrapalhar os dois no emprego na biblioteca. Eles, por sinal, conseguiram o perdão de Heather por não haverem aparecido no trabalho um só dia naquela semana inicial. Como tinha muito carinho pelos dois, a dona do estabelecimento ficara, na verdade, feliz por vê-los bem.
Aquele mês passara num piscar de olhos, é verdade, mas foram trinta dias de muita alegria. Carol se sentia segura junto de Ethan, e ela dava a ele razão para viver. Um precisava do outro como o mar precisava da lua.
Mas o medo de que a calmaria um dia acabasse e Ed destruísse a família que haviam construído ainda os atingia de vez em quando. Ethan ajudou Carol a ter força o suficiente para tentar mudar isso.
— Vai ficar tudo bem – ele segurava a mão dela, acariciando suas costas com a outra – Vá em frente, você consegue.
No departamento de polícia da cidade, Carol lutava contra todos os seus fantasmas. Escrevera um boletim de ocorrências que mais parecia um volume de enciclopédia. Relatar os abusos que sofrera não era fácil, mas era algo que precisava ser feito se quisesse ver seu marido atrás das grades.
— Vai ficar tudo bem – ele repetia ao ouvido dela – Não se preocupe.
E dentro de horas preenchidas por infinitas palavras e muitas lágrimas, o relato estava pronto. Aquelas tantas folhas de papel carregavam todas as confissões e acusações que por tanto tempo Carol guardara dentro de si. Entregando aquilo ao policial, Carol sentiu que finalmente se libertava. Tantos anos presa, sufocada, enfim chegavam a um fim. O pesadelo estava a um passo de acabar.
A mulher se virou para Ethan e o abraçou forte, deixando as lágrimas de alegria e dor encharcarem sua camiseta preta. O garoto a envolveu com os braços, extremamente orgulhoso do progresso da amada.
Ethan levou Carol para o apartamento, que se encontrava vazio, já que o casal levara Sophia para a escola antes de ir para a delegacia. Ele se recostou sobre o braço do sofá, e ela se sentou entre a pernas abertas dele, se deitando sobre sua barriga magra e seu tórax de maneira aconchegante.
— Estou feliz por você ter feito isso – ele disse, brincando com os cabelos grisalhos da namorada.
— Obrigada por estar lá comigo – ela respondeu, beijando os lábios do menino em seguida.
— Tem uma coisa que eu queria te perguntar – ele disse, ao acariciar as mãos da mulher – Eu sei que pode parecer meio apressado, mas...
— Ethan... – ela sorriu, surpresa, sentindo o coração acelerar.
— Carol Peletier – ele começou – eu, Ethan, gostaria de saber se você me dá a honra – sorriu – de comprar um sofá novo.
Carol caiu no riso, fazendo chacoalhar o corpo de Ethan, que ria com ela.
— Sério, amor – ele continuou, quando o riso parou.
Ele explicou a ela o que tinha em mente, e ela emudeceu enquanto ele falava. Ao final do pedido e da explicação do menino, os olhos da mulher estavam umedecidos novamente, e ela o beijou intensamente enquanto respondia à sua pergunta inicial, dizendo “sim” repetidamente.
No sábado daquela semana, o casal, junto com Sophia, foi à Ikea mais próxima do loft e escolheu o sofá-cama mais confortável pelo qual podiam pagar. Vendendo o sofá de couro preto que os pais de Ethan lhe haviam dado de presente no começo daquele ano, junto com as economias da família que formavam, o casal levou o sofá para casa.
Os três passaram o restante daquela tarde montando aquela mobília, que passaria a servir de cama para Sophia à noite, o que deixara a menina toda contente. A partir daquele dia, Sophia teria o mais próximo de um quarto unicamente dela que o pequeno loft podia permitir, e Carol e Ethan passariam a compartilhar a cama de casal.
A noite já havia caído quando os três se sentaram no sofá finalmente pronto. Quando Carol pensou que as surpresas de Ethan já haviam acabado, ele pôs a mão dentro do bolso de seus jeans e dali tirou um anel.
— Quer passar ao meu lado todo o tempo que o universo nos permitir?
A resposta daquela pergunta foi mais um lacrimejante sim.
Fale com o autor