Notas iniciais
Este capítulo é particularmente um dos meus favoritos c: Inclusive, esta é uma das duas músicas que estão no trailer da fanfic ( http://thesecretfanficwriter.tumblr.com/post/146152972174/youth-fanfic-trailer ) Sem mais delongas, espero que goste!

No dia seguinte, enquanto Sophia dormia, Carol e Ethan conversavam na cozinha, bebendo café. Ele insistia para que ela e a filha ficassem hospedadas na casa dele por ora, e ela argumentava que não podiam aceitar isso.

O garoto dizia que havia espaço o suficiente para as duas, e que não seria nenhum incômodo. Como amigo, ele não podia permitir que elas voltassem para as mãos de Ed. Esse foi o primeiro argumento do dia que pareceu convencê-la de algo.

Carol passara a noite em claro, pensando nas coisas horríveis que podiam ter acontecido se Ethan não houvesse interferido. Os xingamentos e agressões de Ed eram bastante frequentes, mas ele nunca chegara a ameaçar a vida da filha daquela forma. Carol sentia nojo dele e vergonha de si. Talvez fosse melhor mesmo que Sophia vivesse longe daquele monstro. Mas como poderia viver com Ethan sem se sentir eternamente em dívida com ele? Aquele era um menino tão bom, tão carinhoso. Ela constatou, apesar de tudo, ser muito sortuda de tê-lo em sua vida.

— Está bem – Carol disse, e o rosto dele se iluminou – Mas isso é provisório. Certo? E eu vou pagar metade das despesas enquanto estivermos aqui – Ethan abriu a boca para contra argumentar, mas ela o silenciou – Por favor. É o mínimo que eu posso fazer.

Vendo que o pedido da mulher a deixaria mais à vontade, o garoto dos cabelos desgrenhados consentiu.

E assim seguiram os próximos dias. Os três foram se acostumando com as novas companhias, e as duas novas moradoras foram se familiarizando com seu novo lar.

Ethan arrumou o closet em seu quarto pela primeira vez desde que comprara o loft, matando uma barata e liberando espaço para as coisas de Carol. Ele logo se acostumou a colocar três, em vez de um prato na mesa para as refeições, sendo que Carol se oferecera para lavar a louça após cada uma delas.

Pela primeira vez em muito tempo, tudo não só parecia bem, tudo estava bem.

— Vou à lavanderia – Ethan avisou, ao fim da primeira semana, carregando um cesto de roupas sujas que ele recolhera de seu quarto enquanto o arrumava para Carol – Quer que eu leve algo?

— Claro, eu vou pegar – ela disse, voltando uns minutos depois carregando roupas sujas – Obrigada, ok? Por tudo.

— Não tem de quê – ele respondeu, se encaminhando à porta de entrada. Quase saindo, ele se deteve, precisando perguntar: – Aconteceu alguma coisa?

O menino havia detectado um traço de preocupação na voz da mulher naquela manhã, pela primeira vez em dias.

Carol suspirou e explicou que Sophia não ia à escola havia duas semanas, desde que Ed saíra de casa. Ela disse que não sentia que era seguro levar a menina onde Ed podia encontrá-la tão facilmente.

Ethan ponderou um instante, e sugeriu que Carol levasse a menina, explicasse a história à diretoria e pedisse que eles não permitissem que Ed a levasse. Provavelmente eles precisariam de uma ação judicial para isso, mas Carol contou que era amiga da diretora, e por isso ela talvez compreendesse a situação. Ficou combinado que se ela não conseguisse que protegessem Sophia, ela traria a menina de volta.

O garoto voltou com as roupas para encontrar uma Carol sentada no sofá de frente para a porta com um sorriso bobo no rosto. Ele tentava se lembrar, mas era difícil mentalizar algum dia no qual ela estivera mais radiante.

Quando ele deu o primeiro passo para dentro do apartamento, ela se levantou e correu até ele para um abraço forte, o primeiro feliz que compartilharam.

— Vai ficar tudo bem – lágrimas de alegria rolavam dos olhos dela contra sua vontade e, pela primeira vez em muito tempo, ela se sentia completamente feliz. Ela chegava a soluçar enquanto ria, fazendo balançar o corpo de Ethan contra o dela.

— Vai, sim – ele sorriu – Vai, sim.

Ethan abriu duas cervejas, propondo um brinde.

— Nossa, bebendo nessa idade? – ela riu um pouco – Que menino fora da lei, não conhecia esse lado seu.

— Eu não bebo – ele sorriu, tomando um gole – Isso é de um amigo que comprou para uma social que a gente teve aqui pouco depois que eu me mudei. Ele saiu tão alterado que nem percebeu que esqueceu tanta coisa aqui. Como eu não bebo, elas estão guardadas aí desde então.

— Sei – ela ironizou, brincando.

Estava cada um em uma ponta do sofá, sentados de frente um para o outro, os dois pares de pernas ocupando o assento do meio.

— Eu nunca parei para te agradecer, Ethan – ela disse, quebrando o silêncio.

— Do que você está falando? Me agradece todos os dias! – ele perguntou, coçando o nariz.

— Sim, mas... Não é só isso. Obrigada por tudo, desde o primeiro dia em que me conheceu – ela bebeu mais um gole para disfarçar o nervosismo – Não sei como pode haver um menino tão bom. Às vezes você nem parece real.

— Sou real – ele disse, sorridente – Só gosto demais de você para trata-la com menos carinho do que você merece – ele desviou o olhar, e tomou outro gole antes de continuar – É uma mulher especial, Carol. Forte, inteligente, linda. Só sendo um idiota completo para não perceber isso.

As palavras do garoto a fizeram sentir seu coração bater forte. Aquele menino era mesmo incrível.

— Você e Sophia se dão tão bem. Me alegra ver alguém que a faça tão feliz.

— Você a faz feliz – ele afirmou, sorrindo.

— Sim, mas eu sou a mãe – ela riu – Ela normalmente é uma dor de cabeça quando se trata de estranhos. Com você ela é um amor desde o primeiro dia.

Ethan deu um longo gole em sua bebida, ponderando se devia ou não compartilhar aquilo com Carol.

— Sophia me chamou de papai outro dia – ele tentou fazer aquela frase soar como se não fosse grande coisa, obviamente falhando.

Carol ficou muda e parou de beber. Não sabia como reagir. Não sabia se aquilo era certo ou errado, se era bom, se Sophia estava desconsiderando Ed como pai, se ela queria que Ethan e ela ficassem juntos, se aquilo estava ok para o garoto.

— Por mim está tudo bem – ele comentou, decifrando o silêncio nervoso da mulher – Eu achei engraçado – forçou um risinho, terminando sua cerveja – A gente já age como uma família mesmo – Ethan desviou o olhar, tentando fazer o comentário parecer inocente.

Ela não queria estar desconfortável, realmente não queria. O comentário do menino não fora nem a causa de tal sentimento. Foi um burburinho, uma vozinha dentro de seu peito que lhe sussurrava um segredo. Essa vozinha a vinha perturbando em alguns momentos pelos últimos tempos. Ela fazia questão de que Carol ouvisse aquela confidência de adolescente, queria que ela admitisse seus ocultos sentimentos pelo charmoso menino dos olhos azuis.

As memórias vinham em forma de flashes à mente da mulher, cada uma acertando seu peito como uma bala. O dia em que ele cuidou de Sophia pela primeira vez, a tarde em que ele acariciou seus machucados e a beijou, a maneira como ele recusou estar com aquela linda jovem ruiva na livraria, o jeito como ele sempre cuidava dela. Ethan era como o príncipe das histórias, o que mais tardou a chegar para salvá-la.

Movida pelo carinho, pela curiosidade e pelo desejo, Carol lentamente moveu a mão para cima da coxa de Ethan frente a ela. O garoto ficou surpreso um instante e estremeceu, mas somente porque não esperava aquilo. Esperara tanto tempo que começara a acreditar que precisaria esperar para sempre. O largo sorriso sugestivo que brotou em seu rosto foi a chave para que Carol soubesse que tinha sua total permissão e consentimento para continuar.

Ethan se sentia nas nuvens. Sentia seu coração acelerar como o motor de um kart, e se perguntava se aquilo estava mesmo acontecendo. Ele pegou a mão dela que não o tocava e a puxou para perto de seus lábios, beijando sua pele suavemente, sem tirar os olhos de seu rosto, que carregava um sorriso maravilhado. O garoto fez uma trilha de beijos ao longo do braço dela e perguntou:

— Quer dançar?

Carol sorriu abertamente como resposta, e os dois se levantaram do sofá. Ethan era levemente mais alto que ela, então ela precisava erguer a cabeça para admirar seu rosto. Ele pôs a mão na cintura dela, e a dela foi posta sobre o ombro dele, e os dois começaram a dançar pelo apartamento ao ritmo de sua trilha sonora favorita: o silêncio.

Ethan esbarrou a perna na mesinha de centro, soltando um “ai!” alto, fazendo com que os dois caíssem na gargalhada, e Carol encostasse a cabeça sacolejante no peito dele para rir. Mesmo depois que o riso cessou e o silêncio voltou a reinar, ela não se moveu, se permitindo inalar o perfume do suéter do menino.

— Você é linda – ele disse, encarando a parede, com o corpo colado ao dela – Queria que você soubesse disso.

— E você ficaria muito bem de óculos – ela brincou. Seu inconsciente não lhe permitia acreditar no elogio.

— Para de ser boba – ele riu, ficando intensamente sério depois, ainda que dissesse com profundo carinho: – Eu já segurei isso esse tempo todo, agora você vai me ouvir – ele respirou fundo, e começou a liberar seus sentimentos – Em toda a minha vida eu nunca pensei que fosse conhecer alguém assim como você. É tão linda, tão boa, tão capaz de amar. Daria sua vida e mais um pouco para proteger Sophia. Você é tão boa, Carol, e única. E, Deus, como é forte! Você é capaz de enfrentar o que vier pela frente, minha linda, eu sei disso. Você me enfeitiçou desde o primeiro momento em que ouvi sua voz.

O peito de Ethan deixava Carol extremamente confortável, e suas palavras a faziam sentir como se aquele fosse um conto de fadas. Era como se ela tivesse dezesseis anos novamente.

— Ethan – ela disse, com carinho – Você é um louco.

— Você tirou toda a minha sanidade – ele sorriu, apoiando o pescoço ao lado do rosto dela enquanto dançavam.

— A gente não devia... – Carol disse, com uma súbita dor no peito. A realidade a atingia com força, e sabia que nessa vida real, seu conto de fadas com Ethan nunca seria possível, e que eles nunca poderiam ficar juntos.

— Vamos lá – ele soltou um curto riso – Querer, dever, poder. O primeiro passo é querer. Você quer? – ele perguntou, não querendo forçá-la a absolutamente nada. Ele já havia esperado por ela por tanto tempo, nada o impediria de esperar mais. Ethan só queria se certificar de que estava respeitando as vontades dela.

Carol inspirou profundamente, passando os braços para trás das costas do garoto e o abraçando com carinho. Ele a abraçou de volta, embora a dança não houvesse cessado.

— Quero – ela admitiu num sussurro, contra o suéter dele, finalmente deixando a vozinha em seu interior se expressar.

— Eu também quero – ele sussurrou de volta contra os cabelos grisalhos – Querendo, nós podemos. Podemos?

— Ethan, os outros vão falar...

— Deixe que falem – ele interrompeu, acariciando os cabelos dela – Palavras só machucam se você deixar que elas importem. Não deixe que importem.

— Podemos? – ela questionou outra vez, após um breve e mudo instante.

— Podemos. Estou quebrando todas as regras para estar com você, e nunca me senti mais feliz por fazer isso – ele sorriu, abraçando forte seu anjo – Queremos e podemos. O que nos impede de dever?

— Insegurança – ela disse – Medo. Medo de não ser suficiente para você, medo de machucá-lo, de que lhe aconteça algo, de que Ed...

— Não vai me acontecer nada – ele assegurou – Não tem nada no mundo que possa acontecer para me tirar de você. Vou estar sempre aqui, do seu lado. Cuidando, protegendo. Amando, nem que em silêncio.

Lentamente, ele tirou seus braços das costas dela, passando uma de suas mãos para a sua cintura e a outra para seu rosto, acariciando-a. Os braços dela ainda o envolviam, mantendo-os próximos.

— Quebre as regras comigo – ele sussurrou.

Ethan parou frente a ela, ainda a acaricia-la, porém sem se aproximar mais. Queria que ela desse o próximo passo, porque aí sim teria certeza de que aquilo não era um sonho, uma ilusão nem uma fantasia, e que não era contra a vontade dela.

Carol abriu um sorriso de canto de boca, subindo o olhar dos sapatos sujos do menino para seu rosto. Ethan amava vê-la assim, com o olhar alto, confiante, mesmo que ela não soubesse disso. Carol pôs a palma de sua mão sobre o rosto dele e, pela primeira vez, sentiu a maciez de seu rosto jovem, em contraste com o leve espeto de sua barba que começava a crescer novamente. A mulher sorriu abertamente e decidiu deixar de lado a razão, agindo total e puramente com o coração.

A mulher puxou de leve o rosto do menino para baixo e se ergueu lentamente para alcançar os lábios deles com os seus.

E assim se deu aquele beijo tímido, seco, calmo e limpo. Um simples e longo toque de lábios, que se encaixavam como peças novas de Lego. Ethan puxava com carinho a cintura dela para mais perto da sua, e ela o puxava com a mão em sua nuca.

O momento pareceu durar uma eternidade, ao mesmo tempo que uma fração de segundo. Quando acabou, os dois pares de olhos azuis se perdiam um no outro, como o mar que reflete o céu aberto. Após uma demorada troca de sorrisos, os dois caíram no riso. Estavam felizes.

De mãos dadas, o casal se sentou no sofá, dessa vez, bem próximos um do outro, e ficaram a encarar a porta de entrada com expressões de bobos apaixonados estampadas em seus rostos. Eventualmente, ela olhou para ele e ele para ela, e daí nasceu o segundo dos muitos beijos e carícias que passaram a se suceder a partir daí.

Notas finais
E então? :3 Comentários? Post de hoje: "Finalmente!" ( http://thesecretfanficwriter.tumblr.com/post/147393830949/finalmente )