You're My Only Song
25 Uma Mão Aberta
Notas iniciais
Camille
Camille estava extremamente chocada com o que acontecera na noite anterior. Ela se lembrava de cada detalhe, inclusive, do mais importante.
–
– Quanto tempo ainda pretende demorar pra contar pra ele? – Sunny inquiriu. Camille também achava que já estava mais do que na hora de contar a Carlos o que Logan realmente sentia, que ele se arrependia por tê-lo chutado.
No momento, o baixinho estava sentado num dos sofás da área V.I.P. com Kendall e James ao seu lado. Os dois maiores pareciam bem mais animados e, considerando que foi uma volta triunfal, os dois tinham todo o direito.
Logan demorou um pouco para responder, mas o fez.
– Eu... Ele me pediu que não fizesse mais isso... O que acontece se eu fizer e ele me rejeitar? Acho que já parti o coração dele vezes demais pra ter perdão.
– Esse é o seu problema – Camille afirmou – Onde está sua confiança? Carlos ama você e você retribui, qual o problema.
Logan demorou para responder novamente, mas dessa vez, ele se cortou no começo da fala.
– Amor se tornou meio futilizado ultimamente – Logan deu um olhar para Sunny, que pareceu entender a indireta e cruzou os braços.
– Qual deles você está preparado para dizer para ele?
– Eu não sei – Exclamou o rapaz. Mas uma vez ele se cortou e coçou a nuca antes de continuar – Olha, meu pai conhece pessoas que podem fazer coisas... Coisas que eu não gostaria que acontecessem com o Carlos ou a família dele.
– Que coisas seriam essas?
Logan fitou um canto da parede e balançou a cabeça.
– Esqueçam. É melhor eu me afastar, pelo bem dele.
Ele se levantou e se dirigiu para o bar.
– O que foi isso? – Sunny perguntou.
Camille olhou para o local fitado. Uma pequena câmera de segurança girava ali. Agora fazia sentido. Logan estava fazendo pausas para que não fosse gravado e, se fosse, seu pai daria um jeito de saber o que ele estava falando.
– O pai dele é praticamente dono da cidade, o que podemos fazer pra ajudar? – Perguntou ela.
– Eu sei lá – Admitiu Sunny – Como se acaba com gente rica?
– Com mais gente rica – Camille analisou – Os pais do Carlos e do Kendall parecem não se importar com os filhos. Acha que se falássemos com eles, eles pediriam para que conversassem com o pai do Logan?
– Soa uma ideia interessante, mas... Acho que nesse estado eles não vão nem lembrar do pedido amanhã – Sunny apontou os dois – Onde foram Jo e Lucy?
– Elas saíram faz um tempinho, bêbadas como aquele cara do Game of Thrones – Camille disse.
– O Tyrion?
– Você assiste Game of Thrones?
– Você também?
As duas se olharam por um segundo antes de se beijarem ardentemente. As mãos de Camille ousaram passear pelos braços de Sunny e repousarem sobre seus seios. As duas pararam o beijo e Camille apertou de leve, deixando um sorriso sugestivo cair na visão de Sunny.
– Acho que é a nossa vez de ir embora... – Ela sugeriu.
–
Mike e Molly deviam estar dormindo, então, Camille tentou ser o mais silenciosa possível. As duas entraram pela porta da frente, uma destrambelhada – lê-se Sunny – tropeçou na mesa da sala e a outra desastrada – também conhecida como Camille – bateu o dedo mindinho na estante de livros. Felizmente, não tinha nenhuma decoração até o quarto de Camille e as duas puderam abrir a porta e adentrar sem se preocupar com derrubar alguma coisa.
Uma vez dentro do quarto, Camille não se conteve. Acolheu os lábios de Sunny entre os seus com firmeza, empurrando-a para a cama. Apesar de todo o desejo, ajudou a loira a se sentar e depois deitar lentamente. Barulho era dispensável e inconveniente no momento.
Sunny pediu passagem com língua e Camille aceitou, tentando entrelaçar também a sua à dela. Sunny tinha uma língua bem grande... Isso podia ser útil. Camille capturou o lábio inferior da loira entre seus dentes e acrescentou um pouco de pressão. Um gemido involuntário escapou de Sunny e as duas se olharam risonhas.
– Me sinto realizando um sonho – Sussurrou Camille.
– E não quero acordar – Completou a loira.
Mais uma vez as duas se beijaram, dessa vez, um pouco mais atrapalhadas, pelo fato de Sunny estar tentando tirar a roupa de Camille – o que não estava sendo tarefa fácil.
Com muito esforço, conseguiram deixar Camille somente de sutiã e logo fizeram o mesmo com Sunny. A loira se sentou, abraçando o corpo de Camille que pôs as pernas sobre às de sua amante e abraçou seus ombros.
Camille ainda lembrava da brincadeira de seis anos atrás em que diziam que Sunny podia ser passiva pelo tamanho de seus seios e, de fato, não era nenhuma mentira. Eles não eram absurdamente grandes – nível Katy Perry –, mas eram bem maiores que o da maioria das garotas – nível Lady Gaga – e Camille não tinha do que reclamar.
Sunny também não se incomodava com o fato de Camille ter seios pequenos. Ela nunca gostou de coisas exageradas.
A loira beijou o pescoço de sua parceira levemente, fazendo arrepios se espalharem pelos braços e pernas de Camille. Os gemidos precisavam ser contidos, mas estava cada vez mais difícil.
As mãos de Sunny percorriam as pernas de Camille, cobertas pela calça justa. Sua vontade era rasgar aquela calça e deixá-la de lado. Era a casa de Camille, ela teria outros pares. Mas ela soube ser paciente.
Ambas se ergueram e tiraram as calças antes de se deitarem novamente. Por que não remover a calcinha? Ora, essa é a melhor parte...
Camille deitou-se por baixo dessa vez e Sunny escalou seu corpo lentamente, até poder prender sua orelha entre os lábios, sugando no lóbulo com força, fazendo Camille quase exprimir um gemido, que ficou preso na sua garganta, enquanto suas mãos apertavam o lençol com ferocidade.
Sunny continuou descendo, fazendo uma trilha de beijos, começando pelo pescoço e depois para o busto. Ela removeu o sutiã cautelosamente e pôs os lábios em volta do mamilo esquerdo. Camille agarrou a primeira coisa que achou sobre a cama – um macaco de pelúcia – e mordeu, tentando não gritar.
Sunny passou a atenção para o direito e depois beijou levemente a barriga da morena, até chegar em seu umbigo. Os músculos do abdômen de Camille se contraíram. Ela morria de cócegas nesse lugar. E finalmente, Sunny chegou até o ponto chave, a calcinha.
Antes de removê-la, acariciou lentamente o interior das coxas de Camille. A pele era branca como leite e deixava Sunny com vontade deixá-la cheia de marcas. Por via das dúvidas, distribuiu mordidas leves pela região, até finalmente encaixar os dedos na borda da calcinha e começar a tirá-la.
Camille mordeu o pobre macaco mais forte ao sentir Sunny provar sua intimidade. Como esperado, a língua nada pequena da loira estava explorando certos lugares bem intensamente.
Enquanto lambia, Sunny segurava as pernas de Camille com forças, forçando seu rosto com cada vez mais força contra a intimidade da outra, que só sabia pressionar mais e mais a pelúcia do macaco entre seus dentes.
O sabor que Camille tinha deixava Sunny extasiada. Ela não precisava de mais do que isso para se sentir nas alturas e ainda levá-la as alturas. Não precisava usar os dedos. Queria sentir o sabor de sua amante até não poder mais.
E Camille não reclamava disso.
Suas costas arqueavam com cada toque forte da língua macia e úmida sobre seu clitóris e pequenos gemidos nasais involuntários começaram a escapar. A essa altura do campeonato, manter o controle era só um desejo distante.
E ela não pode conter o gemido final, quando seu clímax finalmente chegou. Sunny ergueu o rosto, sorrindo, enquanto lambia os lábios.
Elas fariam de novo mais tarde naquela noite, mas no momento, precisavam descansar um pouco.
– Então... – Sunny começou – Será que eu fui bem?
– Não tanto quanto eu vou ser – Sorriu Camille.
– Me deixou curiosa – Sunny ergueu uma sobrancelha e mordeu o lábio inferior.
– Camille? – A voz de Molly veio do outro lado da porta, fazendo as duas se afastarem com o susto, mas logo Camille se recompôs.
– Sim, mãe?
– Está tudo bem? Ouvi um gritou ou sei lá o que era aquilo...
– Bem... Eu bati o dedinho na perna da cama... Doeu pra caralho, mas já tô bem – Mentiu, enquanto Sunny apenas ria, tentando ser silenciosa.
– Certo – Molly disse. Sua voz parecia desconfiada (e com razão) – Boa noite.
– Boa noite, mãe – Camille suspirou aliviada.
– E diga que mandei boa noite à garota que está na cama com você – Molly disse à beira do riso.
Camille ficou boquiaberta, enquanto Sunny deixou uma risada escapar.
– Pensa que me engana, não é? – A mãe brincou – Um beijo.
E ela se foi.
–
Essa foi só a parte engraçada e constrangedora. Camille não sabia que horas eram, mas o sol já estava no meio do quarto, ao invés da parede, como ficava quando era cedo, então, provavelmente tarde.
– Camille? – Mike bateu à porta, fazendo-a se espantar – Está acordada?
Sunny se moveu atrás de Camille. Virou para o lado e puxou toda a coberta para si, deixando o corpo nu da morena exposto.
– Agora sim – Camille disse, correndo até seu banheiro e pegando o roupão.
– Sua mãe precisa sair para comprar o almoço e deixou o café da manhã pronto. Você não quer comer antes que esfrie? – Perguntou ele.
– Que horas são? – Camille disse, abrindo as portas do guarda-roupas a procura de algo para vestir.
– 11:22 – Mike respondeu depois de um breve tempo.
– Já tô indo – Afirmou Camille.
Mike não disse mais nada.
Camille aproveitou para acordar Sunny e a emprestou algumas roupas. Apesar de as duas serem quase do mesmo tamanho, as roupas de Camille ainda ficavam um pouco apertadas em Sunny. Ela decidiu não comentar para o caso de falta de entendimento.
O casal se encaminhou para a cozinha. Mike não estava à vista. Um prato com quatro panquecas estava sobre o balcão, coberto com uma tampa de plástico transparente em forma de domo.
Ambas se serviram com duas panquecas cada e uma xícara de chocolate quente feito na hora. Assim que começaram a comer, Mike desceu as escadas e olhou para as duas. Ele pendeu a cabeça para Sunny e sorriu.
– Olá – Disse.
– Oi – Sunny respondeu, enquanto mastigava um pedaço de panqueca.
– Bom... Camille, sua mãe disse que depois das compras vai ao centro da cidade. Aparentemente, eles têm um shopping incrível por aqui – Mike deu de ombros.
– E eu conheço a minha mãe – Camille rolou os olhos antes de abocanhar mais um pedaço.
– Bem, se quiser... Posso levar você para um passeio com a sua... – Ele olhou para Sunny – Já é oficial?
– O quê? Como assim? – Camille perguntou, quase engasgando com a panqueca.
– Sabe? Oficial? Alguém já fez o pedido?
– Não – Sunny riu – Sua família é bem espontânea.
– Ele é meu padrasto – Camille exclamou.
Há alguns dias ela não teria se importado em dizer isso, mas simplesmente se sentiu mal pelo que falou.
– Que não deixa de ser família – Olhou para Mike, que esboçou um sorriso fraco – Eu adoraria o passeio. Eu e minha... Amiga colorida, vamos adorar.
– Amiga colorida? – Sunny e Mike riram.
– Tem uma ideia melhor, espertinha?
Sunny deu de ombros e ergueu as mãos em rendição.
– Eu adoraria, mas preciso ir pra casa logo. Minha mãe chega às duas da tarde e isso pode resultar em problemas se eu ainda não tiver passado lá – Respondeu a loira.
–
Camille já saiu com Mike antes, mas dessa vez era diferente. Era a primeira vez nos últimos seis anos que sua relação com seu padrasto voltara a ser melhor. Nunca imaginou que a presença de Sunny faria tão bem a ela.
– Não lembrava que essa cidade era tão grande – Mike disse, enquanto dirigia. As duas garotas iam no banco de trás, dividindo um milk-shake. O passeio foi legal, mas tinha chegado ao fim. Estavam indo deixar Sunny em casa no momento.
– Já veio aqui antes? – Perguntou Sunny.
– Uma vez, quando eu tinha quinze anos.
– Existia essa cidade? – Camille brincou.
Mike a deu um olhar escárnio, mas acabou rindo.
– Por incrível que pareça, existia. Eu vim numa daquelas viagens de escola que só serviam pra falir seus pais e você não aprendia porra nenhuma – Ele esclareceu.
– Parece com um certo acampamento que a gente conhece – Sunny riu.
– Serviu pra mais que isso, na verdade – Camille corrigiu. As duas se encararam e compartilharam um beijo.
Mike ia perguntar qual era o caminho, mas preferiu não atrapalhar o momento. Durante todos os anos que viveu com Camille, ele não recebeu notícia mais chocante do que saber que sua afilhada gosta de garotas. No começo foi meio difícil, mas então ele percebeu que Molly não tinha nada contra e que Camille não agia muito diferente das garotas que ele via na rua. Ela ainda era só uma garota normal com gostos... Refinados. Afinal, mulher é bom demais pra se desperdiçar.
– A próxima à direita, Mike – Sunny afirmou, assim que terminou de beijar Camille – É naquela entrada – Ela disse assim que a curva foi feita.
Mike adentrou o condomínio, se identificando, logicamente, e dirigiu pelas vias até chegar em frente ao apartamento de Sunny. Tudo parecia quieto. Logicamente, os pais delas deviam estar no trabalho.
Camille estava feliz de poder deixar Sunny em casa e imaginar que seria como um começo de namoro. Duas amantes se levando uma na casa da outra, sem nenhum distúrbio... Era uma pena que se o pai de Sunny estivesse ali, daria em problema.
As duas saíram do carro, assim como Mike, que ficou esperando na sua porta, enquanto as duas conversavam do outro lado do carro, frente à calçada que levava à porta do apartamento.
– A noite passada foi incrível – Sunny afirmou – Vai ser melhor quando fizermos de novo. Fomos meio rápidas – Sussurrou o final.
– Eu sou meio sensível – Camille riu – Mas vou fazer demorar na próxima – Sussurrou também – Aliás – A morena tomou fôlego – Acho que uma coisa pode ser rápida. Não sei se eu aguento esperar; você sabe de tudo o que eu sinto por você há muito tempo... Sei que também sabe que eu preferia fazer isso com rosas e tudo mais, mas... Sunny, quer namorar comigo?
O rosto da loira se iluminou com um sorriso largo e ela deu de ombros um pouco tímida.
– Claro que sim, você ainda pergunta? – Respondeu – Na verdade, essa era a minha ideia melhor que amiga colorida.
– Mas agora é oficial – Camille riu e as duas se beijaram novamente.
Parecia um sonho.
Infelizmente, uma muriçoca pretendia acordá-las.
– Que pouca vergonha é essa na frente da minha casa? – Joey exclamou à porta da casa. Camille percebeu que pelas roupas sociais ele devia estar prestes a sair, o que explicava a casa fechada. Infelizmente, eles não se atrasaram mais cinco minutinhos.
– Pai, você não tinha que ter ido com a mamãe? – Sunny murmurou.
– Eu não tinha que ir a lugar nenhum – Joey disse, indo até elas e puxando Sunny para junto de si – E foi bom que não fui, para pegar você nessa safadeza na frente de casa. Será que não tem vergonha?
– Vergonha de quê? – Mike perguntou, atraindo atenção de Joey – São duas jovens que se gostam se beijando. Qual o motivo da vergonha?
Camille queria agarrá-lo em um abraço agora, mas a visão do pai de Sunny ainda a deixava congelada.
– Muito engraçado pra você, palhaço, reforçando esse ato de imoralidade.
– Eu sugeria que medisse suas palavras antes de falar comigo – Mike saiu da porta do carro e deu a volta, ficando frente a frene com Joey.
– Mike, não – Camille pediu.
Ela não tinha medo que ele se machucasse. Mike devia ter três vezes o peso corporal de Joey. Bastava um soco e se jogar sobre ele que era menos um no mundo. Mas mandar o padrasto matar o sogro não devia ser uma boa primeira impressão.
– Eu sugiro que você e essa pequena vagabunda saiam da minha frente nesse minuto antes que eu chame a segurança – Joey ameaçou.
– Pai, já chega. Não adianta fazer essa palhaçada só porque a mamãe não está aqui pra te calar – Sunny exclamou. Ela precisava amansá-lo, ou pelo menos fazê-lo perceber o que estava pra acontecer, mas infelizmente, o que ela fez acontecer foi pior.
– A vaca da sua mãe nunca calou a minha boca.
– Bom saber – Rachel disse atrás de Joey, o encarando com um olhar mortal – É muito bom saber que é assim que você vê a mulher que vem trabalhando por você e pela sua filha há vinte e quatro anos... Uma vaca – Ela soltou um riso sarcástico.
– Querida, você sabe muito bem que não foi isso que eu quis dizer – Joey engoliu em seco e Sunny também. Rachel não perdoaria essa tão facilmente.
– Ah, não? – Ela deu um passo a frente e acertou uma bofetada no rosto do marido – Seu covarde imbecil. Não tem sequer coragem de assumir o que pretendia falar pelas costas da esposa – Ela berrou – E ainda tem coragem de reclamar com a nossa filha sobre vergonha – Outra risada sarcástica – Sinceramente, se eu não amasse você eu teria te chutado de casa há muito tempo... Mas como eu tenho amado todos esses anos, vou fazer isso só hoje.
– Rachel...
E mais uma bofetada.
– Mamãe...
– Calada, Sunny – Rachel exclamou – Chega disso. Joey vai sair de casa por um tempo pra me deixar pensar... Se ele vai voltar ou não, só o tempo vai dizer.
– Mamãe, o papai não tem dinheiro, como quer que ele fique nessa cidade assim? – Perguntou.
– Não sei. Mas vacas não dão dinheiro. Só babam e dão coice e os meus eu já dei – Ela exclamou – Faça o que quiser com ele, eu vou entrar e tomar um banho. E é bom que não esteja nesse condomínio.
– Meu amor...
– Ah, ah, ah – Rachel ergueu o dedo indicador e o balançou de um lado para o outro – É vaca, não esqueça – Zombou, antes de se dirigir para o interior da casa, batendo a porta com extrema força.
Camille estava chocada com tudo o que acabou de presenciar. Sunny tentava acalmar Joey, que agora estava chorando e se maldizendo pelas coisas que fizera. A garota olhou para Mike, que entortou a boca e deu de ombros.
– Acho melhor irmos – Sugeriu.
– E deixá-los assim? – Camille murmurou.
– Sunny ainda pode entrar em casa e acho que esse cara não merece a nossa ajuda – O padrasto reclamou.
– Mike, a gente não pode deixar o pai da minha namorada na rua.
– E o que vamos fazer? Não vou pagar hotel pra um crápula desses – Sussurrou.
– Bem... Podemos hospedá-lo lá em casa.
– Ah, nem pensar. Eu não suportei ele e acho que sua mãe não vai suportar.
– Mike... É o pai da minha namorada. Meu sogro praticamente. Imagina o que seria se fosse a sua mãe e a minha mãe? Não ia gostar que ela fizesse algo se você não pudesse fazer?
– Mas minha mãe não é idiota.
– É um passo... Talvez, eu, você e a mamãe podemos mostrar pra ele que nem toda a família que tem um homossexual é imoral – Camille encarou Mike com um olhar de súplica.
E essa era justamente sua intenção. Mudar a mente de Joey aos poucos e, convivendo com uma família que não tinha nada contra a orientação sexual de ninguém, provavelmente seria o correto.
– Sua mãe vai odiar isso, e você sabe – Mike se rendeu.
– E você vai me ajudar a fazer ela relevar – Camille sorriu amarelo.
Mike rolou os olhos.
A garota se aproximou de Sunny e Joey e limpou a garganta, para tentar conversar melhor.
– Então, como ele está? – Perguntou à loira.
– Eu estou bem aqui – Joey respondeu – E como acha que eu estou? Eu acabei de ser jogado pra fora de casa sem dinheiro pra ir sequer para um motel.
– Bem... – Camille engoliu em seco. Joey tinha esse talento de fazer as pessoas se arrependerem das boas atitudes, ou era impressão? – Se não se importar, pode vir com a Sunny passar uns dias na casa dos meus pais.
Sunny olhou esperançosa para Joey.
– Eu sei que me odeia por eu gostar da sua filha – Camille começou olhando para baixo – Mas... Eu não mandei em mim mesma pra que isso acontecesse. E eu sei que ela também não... Eu amo ela e em consideração a isso, eu quero ajudá-lo, porque eu gostaria que ela fizesse o mesmo pelo meu pai.
– Depois do que eu disse... Por que ainda quer que eu vá pra sua casa? – Inquiriu Joey, olhando para a moça com total estranhamento pela atitude. Já tinha ouvido falar disso várias vezes em filmes e outros tipos de mídia. Todos eram relatados com nobreza, mas ele não os via assim. Os via como burros, que não sabiam dar aos seus inimigos o que mereciam. Não sabiam ver que era apenas retribuição do destino.
– Talvez porque eu queira uma chance de mostrar que não sou imoral – Camille disse coçando o antebraço e finalmente olhou para Joey.
Poderia ser que ela fosse mudar a mente dele.
– Não posso aceitar – Ele disse.
– Papai, não deixa o seu orgulho ir além – Sunny pediu – Eles estão oferecendo de bom grado. Não é hora de ser cabeça dura.
– Eu não posso porque eu não aguentaria a mim mesmo – Exclamou o homem – Eu não suportaria ver vocês me ajudando e imaginar que tudo que tentei fazer foi ofender vocês. Eu não mereço sua ajuda – Ao fim, Joey limpou uma lágrima.
Camille estava começando a ter as suas também.
– Todos merecem uma segunda chance – Afirmou Mike, atrás de Camille – Por que não fazemos um acordo? Você dá uma segunda chance ao amor das nossas filhas e nós damos a você a segunda chance de aceitá-la e perceber que não é errado.
Camille estava chocada com as palavras de Mike, mas além disso, algo mais a chamou atenção.
– É a primeira vez que se refere a mim como sua filha – Ela sorriu.
– É a primeira vez que me sinto um pai perto de você – Ela retribuiu e pôs a mão em seu ombro – Olha só, eu nem sou pai da Camille e eu estou bem com tudo isso. Ela conseguiu me conquistar independente de qual tipo de pessoa ela ama ou não... Por que não pode fazer isso com a sua filha também?
O pai de Sunny continuou com o olhar abaixado. Todos esperavam uma resposta. Era inegável. Até que finalmente ele enxugou mais uma lágrima e disse:
– Muito obrigado.
Camille sorriu e viu Sunny abraçar seu pai com o coração aquecido. Talvez fosse realmente um recomeço.
– Vou entrar e ver se mamãe me deixa pegar algumas das suas roupas, espere aqui – A loira pediu e deu um beijo na bochecha de eu pai.
Quando ela saiu, um breve silêncio se instalou no local, antes de Mike rompê-lo.
– Há mais ou menos dez minutos você estava gritando e indo contra a felicidade dela – Afirmou – E nesse momento tudo o que ela quer é tentar reestabelecer a sua... Ela te ama independente do que você faça... Mas tente não fazer demais.
Joey encarou Mike e simplesmente acenou.
Quando Sunny voltou com uma mochila cheia de roupas, Camille sentiu um frio na barriga. Seu sogro e sua namorada estavam indo morar com ela... Isso ia bem além do que ela achou que aconteceria.
E ela não tinha nenhuma reclamação a fazer.
Fale com o autor