You're My Only Song

10 Um predador durante a tarde


Notas iniciais
Enfim! Aleluia! Saiu. Todos já estavam me crucificando por causa desse capítulo, mas aqui está ele, gente, então, não me mantem mais, OK? E lembrem-se, quando sentirem vontade de me matar, apenas imaginem que se eu morrer, eu não termino a história MUAHAHAHAHAHA... Meu seguro de vida está garantido (ou não).

A manhã veio e houve dificuldade para que todos saíssem de suas barracas. O frio causado pela chuva e o silêncio calmo da manhã, embalado ao cantar de alguns poucos grilos, espalhavam indolência por todo o acampamento. Amanheceram justamente como adormeceram na noite anterior. Kendall tinha James em seus braços, ele segurava as próprias mãos, uma na outra, como se fizesse um cadeado, para evitar que o garoto escapasse. Logan ainda tinha Carlos repousando em seu peito e o latino sorria ao passo da respiração do sono, como se estivesse tento um ótimo sonho. Sunny havia adormecido com a mão nos cabelos de Camille e assim a outra dormia em seu ombro, apreciando a carícia. Jo e Lucy ainda permaneciam abraçadas. Mesmo que tenham dormido sem qualquer outra intenção, o que Jo sentia era felicidade, mas indecisão. Lucy teria feito aquilo por educação ou por algo mais?

Então, os primeiros raios de sol atravessaram as árvores e tocaram seus rostos. Kendall gemeu e puxou o que tinha de mais perto pra colocar sobre os olhos. Logan abriu seus olhos vagarosamente, enquanto Carlos não demonstrava reação pela luz que tocava aos seus. Ele parecia perfeito. Sua pele caramelada chegava a despertar um medo sagaz em Logan de que seu lindo latino se derretesse com o calor como um caramelo no fogo. Sunny e Camille estavam atrás da barraca de Jo e Lucy, logo, a sombra da barraca impedia que o sol as tocasse. Já as duas vizinhas acordaram assim que sentiram a luz atravessar suas pálpebras e iluminar suas retinas.

Amy foi a próxima a se levantar, assim, passou pelo local e obrigou Logan a acordar Carlos. Cutucou Kendall pra que se levantasse e deu o primeiro sinal de dia para Sunny e Camille.

Os meninos foram ao rio escovar os dentes, enquanto as meninas, que fizeram isso primeiro, procuravam um meio para fazer um café da manhã, que durasse até a hora do almoço, quando iriam começar uma nova expedição em busca de mais coisas para a grande feira de ciências.

– Alguém aqui é alérgico a lactose? – Sunny perguntou segurando o pacote de leite em pó.

– Por quê? – Jo questionou acendendo a fogueirinha com cuidado.

– Ué? Pra fazer café com leite sem que ninguém saia correndo pro mato –Sunny falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

– Sunny, para de falar essas coisas – Camille disse com nojo – Tá começando a parecer o Kendall.

– É... A loira bruta do grupo feminino – Jo disse.

– Você também é loira – Sunny pôs as mãos na cintura.

– Mas não é bruta – Lucy defendeu, chafurdando a bolça de Amy em busca de um doce matinal... Se estiver se perguntando: não; ela não tinha autorização para isso.

– Não... Ela é loira burra mesmo – Sunny disse dando de ombros.

– Não fala assim da Jo! – Lucy esbravejou.

– Não grita com a Sunny! – Camille interveio.

– Parem as duas! – Sunny e Jo gritaram ao mesmo tempo. Um silêncio incômodo se instalou entre elas. O receio faiscava como fogos de artifício, fazendo o coração das quatro bater a toda velocidade. Sunny encarava Jo, que encarava Lucy, que encarava Camille que encarava Sunny, que viu os meninos chegando e voltou a trabalhar fingindo que nada aconteceu. As outras três também se despertaram de seu gelo de medo e voltaram a fazer o café da manhã.

Ninguém tinha observado, mas o grupo dos homens estava muito bem dividido. Na frente, Logan, Carlos, James e Kendall iam conversando com calma. E bem atrás... Mas bem atrás MESMO, iam Jett e Dustin fingindo que não tinha ninguém à frente.

Quando chegaram ao estabelecimento, disseram algo às meninas e Carlos se separou, indo em direção à floresta. Dustin fez o mesmo, indo na mesma direção.

Carlos encontrou uma árvore bem afastada e abriu o zíper da bermuda, começando a urinar. Quando finalmente terminou, percebeu que o barulho de “esguicho” continuava. Quando saiu de trás da árvore, deu de cara com Dustin terminando de urinar. O garoto ergueu o olhar para Carlos e colocou as calças novamente, visto que já tinha terminado.

– Ora se não é o ex-surdo – Ele afirmou com um sorriso.

– D-D-Dustin... Por favor... – Carlos gaguejou e colocou a mão na árvore, tentando se apoiar.

– “Por favor” o quê? O que você acha que eu vou fazer? – Dustin se aproximou, fazendo Carlos se assustar e dar alguns passos para trás.

– N-não me machuca... – Carlos fechou os olhos e colocou os braços na frente do corpo, como se fosse formar um escudo.

– Ah... Coitadinho dele. Tá morrendo de medo – Dustin zombou.

– O que eu fiz pra você? – Carlos perguntou com a voz trêmula.

– O mundo é injusto, meu caro. Você não precisa fazer algo ruim pra receber algo ruim – Dustin falou. Os lábios de Carlos começaram a tremer. Ele estava quase chorando.

– Para, Dustin, deixa ele em paz – A voz de Kendall fez Dustin se virar.

– Você tem sempre que se meter? – Dustin perguntou revoltado – Antes era você quem queria acabar com eles e agora fica protegendo esse bando de babacas.

– Eu mudei, Dustin – Kendall falou como se fosse avançar, o que fez o corpo de Dustin dar um curto balanço de susto – Você devia mudar também. Carlos não fez nada pra você.

– Minha avó não fez nada praquele bandido maldito e o que ela recebeu foi um tiro no peito – Dustin falou se aproximando.

– E você acha que uma injustiça tem que gerar outra? – O loiro se aproximou, mas dessa vez, Dustin não recuou.

– Por que só eu tenho que sofrer enquanto todo mundo é feliz? Temos que ser todos iguais, inclusive nisso – Dustin falou encarando Kendall. O loiro olhou por cima do ombro de Dustin. Carlos estava muito assustado e apreensivo, pelo que poderia acontecer.

– Agradece ao Carlos eu não quebrar essa sua cara idiota aqui e agora – Kendall afirmou – Vem, Carlos, tá tudo bem – Ele disse estendendo a mão.

Carlos passou por Dustin ainda com medo e pegou a mão de Kendall. O loiro colocou o latino a sua frente e o fez caminhar. Enquanto andavam, Kendall olhou pra trás. Dustin estava de costas e Kendall podia jurar que seus ombros estavam tremendo como se fosse um soluço. O loiro ignorou isso e continuou escoltando Carlos até o acampamento.

– Kendall – James disse com um sorriso – O que estava fazendo com o Carlos no mato? – Perguntou com um sorriso sagaz.

– E-e-ele me...

– Eu só fui dar uma mijada e o Carlos também tava com vontade – Kendall disse. O latino o encarou confuso, sem saber por que Kendall decidira esconder a parte de Dustin – E aí, o que tem pro café – Kendall estendeu a mão para pegar uma torrada, mas recebeu um tapa imediato, dado por Logan.

– Lavar as mãos antes – O moreno disse.

– Quem você pensa que é? – O loiro questionou irritado.

– Kendall, para – James repreendeu.

– Logan, você também – Carlos disse.

Os dois à frente se viraram para eles e ergueram uma sobrancelha, cada um. Por dentro, os dois se sentiam como dois maridos que ficavam tendo que obedecer ordens das esposas pra controlar a raiva.

– Desculpa, pelo tapa, Kendall – Logan disse, respirando fundo. Carlos podia estar dando ordens, mas com razão – Mas, lava as mãos, por favor, comer com as mãos sujas de xixi é nojento.

Kendall ficou esperando alguns segundos. Ele não tinha feito xixi, não precisava disso, mas se quisesse levar adiante a mentira sobre Dustin, precisaria elevar isso.

– Tudo bem, foi mal – Ele se dirigiu para o riacho.

– Eu vou também – Carlos afirmou, seguindo Kendall.

Enquanto isso, Logan e James continuaram diante da mesa de café da manhã, calmamente.

– Eu sei que você está confuso – Kendall disse para Carlos, enquanto os dois caminhavam – Mas eu não quero que eles vão em busca de briga com o Dustin. Principalmente o Logan.

– Por... Por quê? – Carlos perguntou.

– Dustin já foi um dos meus melhores amigos, Carlos. Eu quero que ele veja a verdade. Eu não sabia que ele tinha sofrido tanto com a morte da avó dele. Eu também não imaginei que ela tinha sido assassinada. Eu achei que tinha sido morte natural – Kendall explicou calmamente, enquanto os dois chegavam ao riacho e se abaixavam para lavas as mãos.

– Por... Por que não conversamos com ele? – Carlos perguntou inocentemente.

– Talvez – Kendall deu um pequeno sorriso – Mas não acho que ele vá ouvir a gente... E, a propósito, eu tenho que pedir desculpas por tudo. Ele tem razão, antes era eu quem fazia essas coisas com você.

– Está tudo bem agora – Carlos sorriu, os dois se levantaram e apertaram as mãos.

– Uh... Kenlos – Camille disse sorrindo, olhando para os dois – Que fofo – Carlos corou instantaneamente. Kendall, apenas de gozação, abraçou o latino e sorriu.

– Para de sair inventando esses nomes de casais pra todo mundo, Camille – Jo disse virando os olhos. Estavam apenas elas duas com cestos, contendo algumas frutas, nas mãos.

– Deixa eu me divertir – A morena falou rolando os olhos.

– Sossega aí, Camille. O Carlos é só meu amiguinho bem pequeninho – Kendall afirmou, passando a mão na cabeça de Carlos, como se limpasse a poeira em seu cabelo.

– Para com isso, Kendall – Carlos disse ainda envergonhado.

– Fica calmo, Losito, a gente só tá brincando – Camille piscou um olho, deixando um pequeno sorriso se estampar no rosto de Carlos. Os dois garotos esperaram Jo e Camille terminarem de lavar as frutas e depois voltaram para a mesa de café da manhã.

– Que abraços eram aqueles de você e do Kendall? – Logan perguntou, baixo, enquanto ele e Carlos ficavam sozinhos para fazer os pratos.

– E-e-eu... Ele... – Carlos gaguejava – Era só brincadeira, porque a Camille nos chamou de Kenlos... V-v-você se irritou?

– Não, Carlos. Eu só tô brincando – Logan riu um pouco e Carlos o olhou com determinada raiva.

– Não brinca com isso – Ele disse emburrado.

– Calma, Los. Eu só tô brincando. É bom que você se dê bem com o Kendall – O moreno disse dando de ombros – Mesmo que eu ainda não confie totalmente nele.

– Lo... Logan... O Kendall me protegeu ainda há pouco – Carlos falou com os olhos fechados.

– De quem? – Logan perguntou. Seu olhar, fumegando em raiva, percorreu o acampamento até encontrar Dustin. Ele já tinha esse palpite.

– De... De uma cobra... Enquanto a gente foi fazer xixi.

Logan fitou Carlos desconfiado. Outra cobra? Parece que Kendall tinha um imã para atraí-las e depois se livrar delas.

– Isso é verdade? – O Mitchell perguntou com desconfiança.

– Aham... – Carlos disse com incerteza. Logan sabia que não era verdade, mas, se por alguma razão, Carlos queria esconder o verdadeiro motivo da necessidade de proteção, Logan respeitaria isso.

– Tudo bem – Logan olhou em volta e, aproveitando que todos estavam mais concentrados na mesa, onde um animado jogo de cartas se instalava, e deu um beijo na testa de Carlos – Mas você se machucou?

Carlos balançou a cabeça negativamente. Logan sorriu e continuou seu trabalho, colocando uma unidade de cada fruta, uma fatia de pão com manteiga e um copo de suco nas bandejas.

Quando finalmente terminaram e chamaram a todos. Cada um pegou a sua e o café da manhã foi tranquilo. O sol ainda não havia saído, mesmo a essa altura da tarde. Depois disso, todos foram para as suas barracas, descansar mais algum tempo antes de saírem à tarde. O frio estava convidativo para o sono, logo, Kendall se deitou enquanto James lia seu livro.

Por um momento, James se distraiu e conseguiu ler calmamente, até que o sono de Kendall se aprofundou e roncos começaram. James ainda tentou continuar lendo, mas a concentração ia embora.

– Kendall! – Ele chamou sem paciência.

– O quê? – O garoto se ergueu sobressaltado.

– Pode dormir numa posição que não te faça roncar? Eu tô tentando ler – Ele repreendeu.

– Desculpa... Talvez você devesse colocar algo na minha boca pra eu parar – Kendall disse com um sorriso malicioso e James entendeu o recado.

– Tipo, o quê? Por exemplo – Ele ergueu as sobrancelhas.

– Tipo a sua boca – Kendall falou e sorriu. James também sorriu e ambos se aproximaram. Seus narizes se tocaram e quando estavam a ponto de tocarem seus lábios...

– James você... – Carlos arregalou os olhos e Kendall e James se separaram com todo o impulso que seus reflexos podiam proporcionar – Er... Eu... Só queria perguntar se... Você tem repelente... O que vocês iam fazer?

– Como assim, Carlos? – James se espantou.

– Vocês iam... Se beijar? – O latino perguntou.

– Não... Ficou maluco? – Kendall negou.

– Ei... Vocês estão... – Carlos uniu as pontas dos dedos indicadores e as bateu algumas vezes.

– Não! – James gritou.

– Eu e o Logan também – Carlos sorriu.

– E o que é que tem se... Espera, o quê? – Os olhos de James se arregalaram rapidamente. Carlos continuou sorrindo e logo o rosto de Kendall e James foi iluminado por sorrisos, também – É sério?

– Aham – Carlos afirmou.

– Que demais – James deu um abraço em Carlos e Kendall ficou apenas sorrindo.

– Mas desde quando? – O loiro perguntou.

– Bem... Não quero entrar em detalhes – Carlos sorriu e corou um pouco. A revelação tinha sido um pouco impulsiva, mais para extrair a verdade de Kendall e James do que para falar a verdade.

– Tudo bem, a gente tá muito feliz por vocês, Carlos – Kendall sorriu.

– Carlos, eles têm repelente? – Logan perguntou, se aproximando. James e Kendall o encaravam sorrindo, enquanto Carlos ficava corado ao lado da barraca, com receio estampado no rosto – Por que esses sorrisos?

– Parabéns – James disse ainda com seu sorriso. Seu tom era brincalhão.

– Pelo quê? – Logan perguntou confuso. De fato, a verdade não havia lhe passado pela cabeça.

– Por você e o Carlos – Kendall disse e ele e James começaram a rir.

Os olhos de Logan encontraram Carlos, com as mãos no rosto.

– Carlos, contou pra eles? – Logan perguntou, um pouco indignado.

– Ei, Logan, calma. Nós também estamos – James disse percebendo que ele estava realmente zangado.

Logan olhou para eles e depois de volta para Carlos. Deu as costas e saiu.

– Logan, espera... – Carlos se levantou e foi em direção a Logan, que não se deu ao trabalho de parar para esperá-lo. Apenas o ignorou e continuou.

~*~

Camille e Sunny estavam deitadas, mas, enquanto a loira estava calma e sendo levada pelo sono, a morena se encontrava receosa. Sunny percebeu um de seus suspiros e abriu os olhos para fitá-la.

– Tudo bem, Cammy? – Ela perguntou.

– Eu tô com medo de ter mais pesadelos – Camille disse fechando os olhos.

– O pesadelo de ontem foi mesmo bem ruim, hein? – Sunny se ergueu, se apoiando no cotovelo.

– Foi péssimo, Sunny. Eu não quero lembrar dele.

– Tudo bem – A loira deu de ombros – Então, você quer ir fazer um passeio? Melhor do que ficar dormindo e achando que vai ter pesadelos, não é?

– Aham – Camille disse e se levantou. As duas saíram da barraca e começaram a caminhar pela campina, em direção ao riacho. Lucy e Jo estavam sentadas à beira dele, conversando sobre algo.

– Quer se juntar a elas? – Sunny perguntou.

– Você quem sabe – Camille deu de ombros.

– Por que sou eu quem sabe? – Sunny pendeu a cabeça.

– Não sei, Sunny. Eu tô muito... Lembrar daquele sonho é horrível e por mais que eu queira, não consigo esquecer.

– Quer me contar como foi?

– Não.

– Tudo bem. Achei que fosse ajudar.

– Eu não quero que ninguém fique como eu tô, Sunny.

– O terror dele pode ser transmitido?

– Não brinca com isso.

– Por que acordou gritando o meu nome?

Camille ficou calada. O nervosismo invadiu seu corpo e ela sentiu suas mãos suarem frio.

– Camille, Sunny! – “Salva pelo gongo” Camille pensou, ouvindo o seu nome ser chamado por Lucy.

– Oi – Ela saudou à garota e foi em direção a elas. Sunny deu de ombros e a acompanhou.

Sunny virou os olhos e foi em direção às outras.

~*~

– Logan – Carlos gritou. Eles só conseguira alcançar Logan, depois que eles chegaram na barraca – Por que ficou tão bravo?

– E você queria o quê, Carlos? – Logan se virou para ele, a raiva em seu olhar fez Carlos parar e dar dois passos para trás, segurando as mãos e abaixando o olhar – Você nem sequer falou comigo antes de assumir tudo.

– Me desculpa, eu só achei que não teria problema, se eles estão namorando também – O latino levantou seu olhar com súplica.

– Carlos, estamos num relacionamento, não pode tomar decisões, que envolvam NÓS DOIS, sozinho – Logan deu ênfase e Carlos pressionou os olhos.

– Mas... Você viu que não tem problema, eles também estão namorando, não vão nos criticar – Carlos tentou se explicar.

– E se não estivessem? E se fossem héteros, o que você faria? – Logan questionou.

– Eu peguei eles quase se beijando, eu já sabia de tudo. Eu só contei pra eles perderem a vergonha – O latino se justificou.

– E eu? Onde eu fico nessa história?

– Logan, foi só uma decisão. Eu juro que não faria se não soubesse de tudo.

– Carlos, não é isso que me irrita. Nós tínhamos um segredo juntos, se fosse para contarmos alguém, teríamos que contar juntos – Logan colocou a mão na testa e respirou fundo.

Carlos se encolheu mais ainda e seus lábios começaram a tremer.

– Me desculpa – Ele falou com a voz trêmula. Logan ergueu o olhar. Carlos estava chorando – Eu não queria te deixar bravo.

Logan se estapeou mil vezes por dentro. Ele não queria ter feito Carlos chorar. Só queria que ele tivesse entendido que não tinha gostado da atitude. E podia se entender por um lado que Carlos estava sendo covarde, ele sabia que Logan não suportava vê-lo triste. De repente, toda a raiva sumiu e o moreno se encheu de culpa.

– Calma. Está tudo bem, tudo bem – Logan o abraçou e afagou sua cabeça – Me desculpa, também, por ter sido tão grosso. Eu não devia ter te culpado por isso.

– Eu juro que não foi por querer. Eu só não sabia que ia te deixar magoado.

– Tudo bem, fica calmo – Logan continuou afagando sua cabeça. Carlos agora retribuía ao abraço com um aperto forte, como se quisesse prender Logan junto a si pra sempre. As intensões não eram outras, na verdade – Eu sinto muito por ter te feito chorar. Eu fui um bruto – Logan afastou a cabeça de Carlos e beijou sua testa – Me perdoa? — Pediu segurando suas bochechas.

– Uhum – Carlos fez e voltou a abraçá-lo – Eu te amo, Logie.

– Também te amo, Los – Logan beijou a cabeça de Carlos mais uma vez. Por fora ele estava calmo, mas por dentro se sentia um monstro por ter magoado Carlos. Os dois entraram na barraca e se deitaram. Logan fez Carlos dormir calmamente.

Você é um monstro, sabia? O Logan-anjo afirmava dentro da mente do rapaz. Um monstro? O moleque traiu a confiança dele. Ele mereceu cada minuto que você ficou com raiva dele, o Logan-demônio afirmava. Isso não tem graça. Carlos ama você e fez tudo sem saber que era algo errado. Você mesmo diz que ele é inocente, defendeu o anjo. Se com inocente você quer dizer burro, tem toda a razão.

– Ele não é burro – O próprio Logan afirmou, assustando Carlos em seu peito.

– O que foi, Logie? – Ele perguntou.

– Nada, meu bem... Volta a dormir – Ele sorriu e abaixou a cabeça de Carlos de volta ao seu peito – Eu só estou cansado também.

– Você ainda está chateado, não é? – Carlos perguntou.

– Não, Carlos. Claro, que não. Você não tinha ciência de que eu ia me irritar. Você não teve culpa – Logan disse e sorriu para Carlos.

Anjos – 1, Demônios – 0, seu imbecil! O anjo afirmou antes de sumir junto com o demônio.

Logan abraçou Carlos bem forte, só que antes de qualquer reação, Amy bateu no topo da barraca e os dois se separaram imediatamente.

– Vamos, meninos, hora de irmos coletar mais material – Ela avisou, antes de sair em busca dos outros.

– Estamos indo, Amy – Logan respondeu. Quando viu que ela tinha ido embora, respirou, aliviado.

– Foi quase – Carlos disse – E dessa vez a culpa ia ser sua.

– Minha? – Logan ergueu uma sobrancelha.

– Sim... Quem manda você ter um peito tão confortável – Carlos sorriu, Logan virou os olhos e sorriu também. Aproximou seu rosto do de Carlos e o deu um beijo bem calmo.

~*~

– É bom saber que não somos os únicos – James disse, enquanto guardava o livro.

– Nunca fomos os únicos, mesmo antes de saber do Logan e do Carlos.

– Eu quis dizer nesse grupo, Kendall.

– Você é muito inespecífica – O loiro abraçou James por trás e beijou seu pescoço, fazendo-o se arrepiar.

– Kendall... Para com isso... O acampamento está cheio – James disse suspirando.

– E...? – Kendall sussurrou em seu ouvido. James não pôde evitar que sua ereção se formasse.

– James, Kendall! – A voz de Amy os chamou ainda à distância. Kendall se jogou sobre o travesseiro e James colocou uma toalha sobre as pernas – meninos – Ela bateu no topo da barraca.

– Oi, Amy – James respondeu do interior do objeto.

– Se arrumem, vamos coletar material – A moça respondeu e depois os deixou. Kendall e James desabaram no alívio.

– Caramba... Ela quase nos pegou – James disse.

– Não acha que devíamos logo assumir? – Kendall perguntou.

– Por mim seria ótimo... Mas, vamos esperar até que cheguemos no camping. Aqui, sozinhos, com a Amy, não vai adiantar nada deixar que os outros saibam.

– Tudo bem – Kendall sorriu.

– Só mais uma coisa, Kendall – James falou calmamente.

– O quê? – Kendall perguntou. Quando percebeu, James estava sentado em sua barriga, puxando a gola de sua camisa.

– Nunca mais fale comigo como se eu fosse uma mulher – James disse olhando fundo em seus olhos. Em seguida, aproximou seu rosto do de Kendall e lhe deu um beijo.

~*~

– Muito bem, todos com cuidado – Amy falou. O grupo estava atravessando um riacho no meio da floresta. A ponte era um tronco bem velho e apodrecido que ia de uma margem à outra. O riacho era raso, mesmo assim, ninguém queria se molhar.

Depois da travessia, o grupo parou pra descansar um instante.

O vento estrondava. Outra tempestade estava para vir nesse final de tarde.

– É melhor voltarmos – Amy falou – Vamos indo.

O grupo atravessou o tronco de novo, mas teve um pequeno problema do outro lado. Começaram a fazer o caminho de volta e chegaram próximo do acampamento.

Estava tudo correndo perfeitamente bem, até que Amy ouviu um grunhido. Era baixo, mas ela sabia o que isso queria dizer.

– Parem – Ela disse baixo.

– O que foi? – Carlos perguntou.

– Shhhhhhhhh... – Ela fez. Todos ficaram confusos, mas logo o protagonista do pesadelo apareceu. Um puma estava caminhando pelo local e pelo que Amy pôde perceber, estava em busca de comida. Amy não tinha uma arma, o sinalizador estava com Logan, se mover para pegá-lo seria suicídio.

O felino os olhou com suspeita. Amy não tinha nada a fazer. Tudo que tinha em sua mente era que pudesse salvar aquelas crianças. Puxou seu canivete de bolso e bradou.

– Corram!

Notas finais
Ai! Não! Ai! Não! Isso é que dá vocês mandarem eu escrever capítulos durante as aulas. Eu estava numa aula de anatomia sobre carnívoros quando escrevi isso... Viu?! Agora, o que vai acontecer?Resumo do que eu gostei:Lolos - AWN *-*Kames - HOT ^-^Sumille - IXI -.-