Notas iniciais
Tenho que me desculpar com tod@s, porque não pude postar ontem. É que eu comecei a fazer o cap, mas minha inspiração me abandonou total. Consegui terminar ele de noite, mas não tenho net em casa, então, aqui estamos nós.O capítulo de hoje ficou bem... Enfim...

– Lucy! – Jo gritou.

Camille tomou a frente e foi em direção ao corpo da garota, sentindo seu pulso.

– A pulsação tá fraca, ela tem que ir pra enfermaria agora – A morena afirmou pegando a outra rapidamente.

Correndo, elas levaram Lucy aos trancos e barrancos até a enfermaria. Não deram satisfação à enfermeira, apenas passaram para o dormitório e colocaram Lucy sobre a cama, ignorando as perguntas vindas de Carlos, James, Sunny e Kendall.

– O que houve com a garota? – A enfermeira perguntou, passando pelas duas.

– Não sabemos. Cegamos na cabana e ela estava desmaiada... Já desse jeito – Jo disse aflita.

Antes de qualquer reação alheia, Lucy deu um tranco e vomitou no chão. No meio do líquido gástrico, eram visíveis dezenas, muitas delas, de comprimidos desconhecidos. Pastilhas, torpedos, pílulas. Tudo em uma quantidade horrivelmente grande. A garota continuou tossindo e vomitando mais até que não aguentar mais, logo se deitou ofegante. Mesmo não podendo mais vomitar, a tosse não parava e tudo só aumentava mais a preocupação dos presentes na sala.

– Lucy! Lucy! Você tá bem? – Jo perguntou chegando mais perto da garota e tocando seu rosto devagar.

– Eu morri? Eu finalmente morri? – Lucy perguntou.

– Não! – Camille estridiu – Nem morreu e nem finalmente. Que história é essa? – Ela questionou.

– Parem de gritar com ela, vão piorar tudo – James disse.

– Cala a boca, James! – Camille e Jo gritaram ao mesmo tempo, assustando ao rapaz.

– Cadê ela? – Logan entrou perguntando, ao lado de Jett.

– Dustin? – Jett perguntou, vendo o outro sobre a cama.

– Esquece o Dustin, Jett – Logan deu um tapa no ombro dele – O que houve com a Lucy e o que o Kendall tá fazendo aqui? – O moreno perguntou continuamente, sem sequer dar sinal de surpresa por ter visto o, antes, inimigo na sala.

– O Kendall veio conversar comigo e a Lucy, parece que tentou se matar – James disse ainda exasperado.

– Lucy, por que fez isso? – Jo questionou segurando o rosto da outra.

– Me deixa em paz – Lucy disse se virando para o lado oposto e se desvencilhando da mão de Jo. Ela cobriu a cabeça com o travesseiro, mas Camille puxou dela rapidamente, cogitando a possibilidade de Lucy tentar se sufocar.

– Nem tente nada contra sua vida antes de explicar mais alguma coisa – A morena afirmou irritada.

– O que deu em você, Lucy. Esse tipo de coisa é pra louco, sabia? – Sunny argumentou, também sem paciência com a garota.

– Que se fodam vocês, eu quero ir pra minha cabana – Lucy tentando se levantar.

– Não! – Todos gritaram ao mesmo tempo, inclusive Kendall e Jett, o que foi um pouco surpreendente.

– Ela precisa descansar e tem que fazer uma lavagem no estômago pra tirar todos os resíduos de toda essa medicação – A enfermeira entrou na sala com um copo na mão.

– Ninguém vai enfiar uma mangueira em mim pra limpar meu estômago – Lucy protestou.

– Não vamos fazer esse tipo de lavagem. Toma – A enfermeira entregou a água – Você vai beber o máximo de água que puder e depois vai tomar um vomitório pra ajudar a expulsar tudo.

– Eu não quero isso.

– Devia ter pensado antes de tentar se matar – A enfermeira rolou os olhos.

– Vai dizer só isso pra ela? – Jo perguntou.

– Eu sou enfermeira, não psicóloga. Esse trabalho é da Kelly – A mulher rolou os olhos novamente e saiu da sala.

Lucy se virou de bruços e colocou a cara no colchão, dando um grito forte em seguida e começando a chorar. Camille estendeu a mão para acariciar seu ombro, mas recebeu um forte grito de “Não encosta em mim” como resposta.

Por longos minutos, todos ficaram em extremo silêncio. Carlos, ainda, abraçado a Sunny. Jett e Logan se sentaram ao lado de Dustin – Logan, logicamente, contra a vontade. Kendall permanecia ao lado de James, e Jo e Camille continuavam próximas da cama de Lucy para tentar entender o que tinha acontecido e por que Lucy tinha feito aquilo consigo mesma.

– Sunny, acho melhor eu me soltar ou você vai ficar enjoada da minha cara – Carlos sussurrou. A loira deu um curto riso.

– Não se preocupa, Los. Pode deitar à vontade – Sunny disse.

A interação dos dois mexia bastante com Logan. Ver como Sunny tratava Carlos com carinho e como ele aceitava esse carinho tão abertamente deixava o garoto com ciúmes, mas por dentro, Logan compreendia. Aquele beijo não tinha significado nada e Carlos estava bem melhor com Sunny. Era o caminho certo pra ele. Era bem melhor ter uma mulher como companheira do que outro homem e Logan só queria o melhor para Carlos.

– Logan, acorda – Jett disse beliscando o braço do garoto que se espantou.

– Que foi? – O moreno perguntou coçando o braço.

– Ninguém disse pra gente o que houve com o Dustin – O loiro falou olhando o amigo sobre a cama.

– É simples – Kendall os interrompeu, dando sinal de que tinha ouvido – Seu amigo idiota me desobedeceu e tentou machucar o Carlos de novo. A loirinha ali chegou e salvou ele e o Carlos teve que apagar esse imbecil ou ele teria matado ela.

– Dustin nunca mataria alguém – Jett se levantou exaltado, fazendo Logan puxá-lo imediatamente, para que a reação não fosse suspeita.

– Então explica porque ele tava tentando enforcar o Carlos quando eu cheguei na cabana e porque ele tentou ME enforcar depois disso – Sunny esbravejou.

– Não... – Os olhos de Jett cintilaram pelas lágrimas – Onde você foi chegar, Dustin? – Ele perguntou ao outro, como se fosse haver resposta.

– Ao fundo do poço e é lá que ele merece ficar – Kendall respondeu rispidamente.

– Cala a boca! – Jett gritou – Você acha que é só você quem tem sofrimento no mundo? Seu idiota! Você não é o único que perdeu alguém especial e você fez o Dustin se tornar um monstro por causa disso – O azul-cromado saiu correndo da enfermaria, com as mãos no rosto, tentando segurar o choro eminente.

– Quem ele pensa que é? – Kendall fez menção em ir à busca de Jett.

– Kendall! – James repreendeu, fazendo o outro se espantar – Chega disso. Deixa o Jett...

Kendall relutou por alguns instantes, mas se forçou a ficar e sentou novamente ao lado do moreno. O grupo inteiro estava embasbacado com a atitude. Era irrelevante a memória de quando James tinha começado a dobrar Kendall tão facilmente.

– Carlos, Sunny, por que vocês vieram pra cá? – Logan perguntou, tentando disfarçar o ciúme e o incômodo por ver os dois abraçados por tanto tempo.

– Depois que o Dustin atacou o Los, nós trouxemos ele pra cá. O Los tava muito assustado – Sunny respondeu a Logan calmamente, enquanto coçava as costas de Carlos com carinho – Carlos, não quer ficar com o Logan enquanto eu vou pegar uma água? Eu tô com muita sede – Perguntou a Carlos.

Carlos olhou para Logan e vice-versa. Os corações de ambos estavam tão acelerados que mais pareciam corações de ratos, chegando a zumbir, ao invés de bater.

– E... E... Eu... Fico sim – Carlos disse depois de muito tempo relutante.

– Logan – Sunny o olhou como se esperasse algo, mas Logan não sabia o quê, então apenas dobrou as mãos perguntando qual gesto deveria fazer – Vem ocupar meu posto – A garota disse com um sorriso, rolando os olhos.

– Q-q-quer diz-dizer... Abraçando o Ca-Ca-Carlos? – Logan gaguejou.

– É brincadeira – Sunny falou rindo e se levantando.

– Bem que ele queria que fosse verdade – Camille afirmou sorrindo e Jo riu ao seu lado. Logan corou fortemente e cobriu as orelhas com as mãos. Carlos também estava envergonhado e receoso.

Ele desejava que fosse verdade, que Logan quisesse mesmo abraçá-lo, mas a dúvida não o permitia. E se Logan o quisesse, seria apenas como amigo, ele tinha certeza. O moreno não tinha cara de quem gostasse de outros homens (nota do autor: opinião DO CARLOS). Enquanto Carlos se remoía com seus pensamentos, Logan se sentou duvidosamente no lugar de Sunny.

– Dus-Dustin te machucou? – O moreno perguntou.

– Não – Carlos respondeu ainda assustado com a presença súbita dele no assento.

– O que ele te fez? – Logan perguntou, agora sério.

– N-n-nada – O latino respondeu e se encolheu em seu lugar.

– Carlos – Logan chamou calmamente e pegou na mão do garoto, que se encolheu mais – O que ele te fez?

– E-E-Ele... – O menor gaguejava incessantemente – Ele... – Carlos não falava ainda, então apenas levou as mãos ao pescoço. Logan levou as próprias mãos até lá e as uniu com as de Carlos.

– Posso ver? – Ele perguntou abaixando as mãos do latino delicadamente. Carlos acenou que sim e retirou as mãos, repousando-as nas pernas. Logan olhou com atenção o pescoço do colega de quarto e viu marcas fortes nas laterais do pescoço de Carlos. Os dedos de Dustin ficaram marcados com fortes hematomas na nuca do garoto, local onde Logan passava os dedos calmamente – Eles doem? – Perguntou. Carlos apenas acenou que não.

Os dois voltaram a ficar em um silêncio incômodo entre si. Lucy havia dormido, Jo e Camille conversavam sobre algo relativo à amiga dorminhoca. Kendall e James conversavam, ou melhor, discutiam sobre qualquer outra coisa. Mas os dois rapazes, o latino e o moreno, não se preocupavam com isso. O silêncio entre eles parecia ser o maior dos ruídos.

– Carlos, preciso falar com você lá fora – Logan chamou se levantando – Por favor.

Carlos o olhou assustado. Seja lá o que fosse, fazia suas pernas tremerem de medo. O garoto, novamente, acenou que sim. Não que ele não conseguisse falar, isso também, mas era mais um pouco do costume de não falar muito.

Os dois se retiraram da enfermaria e Logan levou Carlos até as árvores. Com as atividades em seu decorrer, não havia ninguém no lugar. Parecia mais um acampamento deserto.

Logan obrigou o latino a se sentar num banco e ficou de pé ao lado dele.

– Carlos... Eu... Eu quero pedir desculpas pelo que eu fiz hoje de manhã – Carlos se surpreendeu com as palavras de Logan, mas não o interrompeu, ainda – Eu... Eu sei que isso não foi agradável pra você, então, vamos só esquecer. Vamos ser apenas amigos de novo e voltar a...

– Logan – Carlos chamou – V-v-v-v-você... G-g-g-gostou d-d-do... Do beijo? – A pergunta de Carlos fez Logan arregalar os olhos. Seu coração batia violentamente, tão violentamente que se poderia ouvir sem encostar o ouvido no peito dele. Logan refletiu, pensando nas palavras certas. Ele sabia que aquilo poderia ser um sinal de Carlos, bem como podia ser uma simples pegadinha e se a resposta fosse “sim”, Carlos iria xingá-lo pela orientação sexual incomum.

– Foi o melhor da minha vida, Carlos – Logan afirmou, abaixando a cabeça. Carlos respirou fundo.

– Pr-pr-pr-pra mim t-t-t-t-também – Carlos disse, Logan olhou para o seu rosto. Já se encontrava tão vermelho quanto um tomate. Carlos estava com os olhos fechados e bastou o toque de Logan em seu queixo para fazê-lo abri-los com calma.

– Carlos... – Logan chamou calmamente. O outro apenas o olhava com receio e dúvida. Logan aproximou mais seu rosto do de Carlos e deixou seus lábios entrarem em contato novamente.

Carlos retribuiu o beijo de forma delicada e tímida. Os dois tinham seus olhos fechados e dentro do escuro que suas pálpebras criavam, eles fantasiavam o rosto daquele que estavam beijando. O sorriso de Carlos, marcado pelas bochechas carnudas e os olhos puxadinhos como se fosse um oriental, o torto sorriso de Logan, com as covinhas eminentes e seus olhos fechados pelas olheiras que apertavam seus olhos, fazendo-os ficarem iguais aos de um anime... Tudo isso reinava na mente de ambos, até que o ar apertou seus pulmões e eles se separaram.

– Desculpa... Eu fiz de novo – Logan disse.

– Não – Carlos se levantou rapidamente e abraçou Logan – Você não tem que pedir desculpas, porque eu queria isso e eu queria muito – Ele falou apressadamente.

– Ca-Carlos – Logan tentou falar.

– Eu quero isso desde o dia em que te conheci, Logan... Talvez não no mesmo momento em que você brigou comigo no quarto, mas já naquela noite, eu sabia que você era alguém especial. E todo o tempo que eu passei longe de você foi porque eu tinha medo de você descobrir tudo e me deixar, Logan... Por favor, fica comigo – Carlos apertou mais ainda o abraço em torno de Logan, que mal conseguia respirar. A declaração do latino tinha sido mais do que repentina e tinha causado um impacto forte na cabeça do moreno. Um impacto benigno, logicamente. Era tudo recíproco. O sentimento era de igual para igual.

Logan tentou afrouxar o aperto e levou as mãos até a cintura de Carlos, puxando-o para perto de si, o que fez o abraço perder o aperto. O latino deixou suas mãos repousarem nos ombros de Logan e levantou o olhar, para visualizar o belo sorriso no rosto do moreno.

– Eu vou ficar sempre ao seu lado, Carlos. Por que isso é algo que eu quero muito. Desde aquela noite, em que o Kendall nos ameaçou, eu vi em você alguém especial. Inocente, calmo, sensível – Logan levou a mão ao rosto de Carlos e passou o polegar por sua bochecha, fazendo-o corar – Eu jamais iria te deixar, Carlos. Tudo o que aconteceu foi porque eu tinha medo de o Kendall querer descontar em mim e machucar você de novo... Mas eu sempre quis você perto de mim. Sempre – Logan sorriu e Carlos também.

O latino abaixou a cabeça e a aninhou no ombro de Logan, sentindo o seu perfume. Era um cheiro agradável. O banho que Logan tomara de manhã não havia se desgastado com o suor das atividades, fazendo Carlos desfrutar de seu cheiro pelo quanto podia.

– Logan – Ele chamou, sorvendo mais um pouco do perfume do moreno.

– Oi – Logan respondeu, calmamente, acariciando sua cabeça.

– Eu te amo – Carlos falou timidamente. Seu aperto ficou um pouco mais forte, talvez por medo de que Logan fugisse quando ouvisse isso.

– Eu também te amo, Carlos – Logan disse e depois plantou um beijo na cabeça do outro. Os dois se mantiveram assim por um longo tempo. Era muito reconfortante para eles sentir o calor um do outro, sabendo que poderiam desfrutar desse calor quantas vezes quisessem, porque o sentimento entre eles era mútuo.

~*~

– Onde foram parar o Logie e o Los? – Sunny perguntou entrando na enfermaria com uma garrafa de água em mãos.

– Eles saíram. Logan disse que queria falar com o Carlos – James respondeu.

– James – A enfermeira chamou, atraindo a atenção do rapaz mencionado – Sua pressão já deve ter voltado ao normal. Vou apenas verificar e se sim, você estará liberado.

– Obrigado, Sra. Tutweiller – James agradeceu, enquanto a mulher colocava o equipamento de pressão em seu braço.

– É bom mesmo você estar bem, sabia – Kendall disse – Você me deixou muito preocupado quando desmaiou ontem.

– Ah, é? – James perguntou com um sorriso pretencioso – Então quer dizer que você tem preocupação por mim?

– Eu tenho preocupação por qualquer um – Kendall pigarreou e tentou disfarçar, para manter a postura.

– An-han, sei – James disse sorrindo.

– Pode parar – Kendall disse ríspido, obrigando James a se recolher. Ele tinha mesmo se irritado com as provocações.

– Muito bem, James. Está tudo OK com você. Pode sair quando terminar de arrumar suas coisas – A mulher disse sorrindo e saiu do dormitório da enfermaria.

Jett passou pela porta novamente. Seu rosto estava um pouco vermelho. Ele ignorou Kendall e os outros e foi direto para a cama de Dustin. Ele se sentou ao lado da cama e ficou olhando para o outro, esperando que acordasse.

– Ele ficou chateado com você – James disse.

– Foda-se – Kendall deu de ombros.

– Kendall... — James repreendeu.

– James, para de ficar falando comigo como se fosse minha mãe...

– Eu tô tentando fazer o que ela queria que você fizesse.

– Eu te contei essa história, mas não é pra você sair espalhando por aí como se fosse um livro infantil.

– Por que tem tanta vergonha disso?

– Chega, James. Eu vou embora daqui.

– Kendall, espera! – James chamou. Kendall ignorou-o e saiu da sala com raiva. Do lado de fora, sua cabeça latejava de raiva. Agora James estava se aproveitando da história para querer se tornar um mandão. E o pior de tudo era que Kendall sentia firmeza nas ordens, como sentia-se com sua mãe.

Era bom sentir que alguém, além dela, poderia ser uma boa companhia. Alguém para abraçar e mostrar seu amor. Mas James não era alguém assim. Pelo menos Kendall não achava que fosse. Seria ótimo se sim, mas Kendall tinha certeza que não.

– Kendall! – James gritou. Kendall, novamente, tentou ignorá-lo, mas olhou para trás e viu como o garoto se esforçava para tentar alcançá-lo apenas com as muletas. Isso é culpa sua, ele pensou. Parou sua corrida e esperou até que James chegasse até ele.

– O que você quer? – Ele perguntou rispidamente.

– Obrigado por esperar – James disse respirando ofegante pelo cansaço da “corrida com muletas” que teve que fazer para alcançar Kendall – Eu só queria pedir desculpas por ter te irritado tanto. Eu só queria te ajudar a ser alguém melhor, Kendall.

– Eu não preciso de ajuda, James – Kendall se virou para sair, mas James se apoiou em seu ombro, fazendo-o parar.

– Para de tentar negar, isso só vai piorar tudo – O moreno afirmou.

Os dois ficaram parados por um bom tempo até que Kendall se virou para James e suspirou.

– Tudo bem – Ele disse acenando com a cabeça – Eu aceito sua ajuda, se for me ajudar a ser alguém melhor.

James sorriu e passou as muletas para apenas uma mão, envolvendo o pescoço de Kendall com a outra e o abraçando.

– Você vai conseguir, Kendall. Eu confio em você – James sussurrou.

– James, o pessoal vai ficar olhando – Kendall sussurrou e James se separou dele rapidamente.

– Desculpa... Eu só...

– Não tem problema – Kendall o interrompeu – Quer voltar a ver como está a tal da Mousse?

– É Lucy – James riu.

– Eu sei. Só tava zoando – O loiro disse e riu também. Os dois voltaram para dentro da enfermaria, para junto das meninas.

– Como ela tá? – James perguntou.

– Não sei. Ela ainda não acordou – Jo respondeu. Ela estava um pouco apreensiva com a outra garota e isso era notável em sua voz.

– Meninos... Acho melhor deixarmos ela descansar – Sunny sugeriu – Vem, Kendy-crush, a gente tem muito o que conversar.

– Kendy-crush? – Kendall perguntou.

– É... Tipo, o jogo Candy Crush – Sunny deu de ombros – Eu tô te chamando de doce.

– Errou feio – Camille rolou os olhos – Doce é uma coisa que o Kendall não é.

– Camille! – James repreendeu.

– Deixa, James. Ela tem razão – Kendall o impediu.

– Jett, você vem também? – Camille perguntou ao loiro que já estava quase dormindo ao lado da cama onde Dustin ainda repousava. Roncos baixos anunciavam que ele já não estava inconsciente, apenas dormia.

– Com ele? – Jett perguntou com ar de reprovação, apontando para Kendall. O loiro titubeou e deu alguns passos para mais perto de Jett. O loiro se encolheu na cadeira, esperando que alguma agressão viesse dali, mas ao invés disso, Kendall pôs a mão, mansamente em seu ombro.

– Desculpa pelo que eu disse, Jett. Eu não percebi que o Dustin é seu melhor amigo e eu não sabia que ele também tava sofrendo. Ele nunca me contou – O de olhos verdes falou calmamente.

– Ele nunca contou pra ninguém. Mas não quer dizer que ele não tenha sofrido, sabia?

– Eu sinto muito mesmo, Jett. Por que não deixa o Dustin descansar e vem falar com ele mais tarde. Pode ir comer alguma coisa com a gente e tentar me perdoar por aí.

Jett olhou para a cama de Dustin e, por um momento, agiu como se esperasse uma confirmação do garoto que estava dormindo.

– Tudo bem – Ele disse e se levantou. O grupo de cinco se deslocou para fora da enfermaria, sem perceber que tinham deixado Jo para trás, admirando Lucy enquanto dormia.

– Melhora, Lucy – Jo se despediu e deu alguns passos a frente. Mas olhou para trás e viu como a outra dormia sem dar um sinal de acordo. Voltou alguns passos e parou ao lado da cama. Os lábios de Lucy estavam simplesmente convidativo. Sem pensar muito, pelo medo que seu tempo acabasse, Jo deu um rápido beijo nos lábios de Lucy e depois saiu correndo.

~*~

Logan e Carlos estavam sentados perto dos carvalhos, ao lado da floresta de bambus, era um local um pouco deserto e os dois tinham muito tempo para se aproveitarem. Carlos estava sentado no colo de Logan, enquanto esse apoiava as costas no tronco da árvore. Nenhum dos dois dizia nada, apenas se abraçavam e aproveitavam o tempo que tinha juntos. Logan, volta e meia, acariciava o braço de Carlos e o latino retribuía, passando a mão por seu peito.

– Logan... – Carlos disse baixinho, para que apenas o garoto ao seu lado ouvisse.

– Oi, Carlos – Logan respondeu no mesmo volume.

– Isso é um sonho? – O latino perguntou inocentemente.

– Acho que não – Logan disse sorrindo – Mas se for, eu mato o desgraçado que acordar qualquer um de nós dois.

– Logan! Carlos! – Os gritos eram de Sunny.

– Temos uma voluntária – Logan disse se levantando e obrigando Carlos a se levantar também.

– Meninos, vocês estão aí? – Sunny continuou chamando-os.

– Sim! – Logan respondeu, saindo com Carlos do meio das árvores.

– O que estão fazendo sozinhos no meio do mato? – Sunny perguntou com um sorriso malicioso.

– Nada que te interesse – Carlos disse irritado.

– Carlos! – Logan o repreendeu rapidamente.

– Tudo bem, Logie, deixa ele. Vamos comer alguma coisa, vocês querem ir? – Sunny chamou e apontou o restante do grupo. Estavam conversando.

– Sim, claro – Logan deu de ombros.

– Pessoal! Espera! – Amy chamou (uma coisa que eu esqueci de dizer antes... Amy é uma homenagem à Amy Lee, só que a Lee tem os olhos verdes, essa Amy tem os olhos azuis).

– Amy, o que foi? – Carlos perguntou.

– O Diretor Rocque quer falar com vocês, todos – A monitora afirmou, fazendo os três se entreolharem.

_*_

Alguns minutos depois, todos estavam reunidos na enfermaria. Isso mesmo, na enfermaria. E todos estavam sem entender o porquê de a reunião ser lá.

– Eu os chamei aqui, porque tenho um comunicado a fazer – O diretor Rocque começou a falar, atraindo-lhes a atenção – Eu precisava da presença também do Sr. Beauford e da Srta. Stone para poder dar a notícia. Não sei se perceberam, mas desde que começamos o acampamento, vocês, todos os dez, não conseguem se manter fora de confusão – Ele apontou, deixando o grupo inteiro apreensivo – Esses desentendimentos já levaram a tentativas de homicídio, correto, Sr. Beuford? – Ele perguntou para Dustin, agora acordado, que não sabia o que responder – E a agressões séria, como o Sr. Knight tem orgulho de mostrar o que fez aos Srs. Diamond e Mitchell. Para que essas rixas sejam resolvidas, vocês precisarão passar um tempo juntos. É por isso que eu estou mandando vocês em uma expedição pelo vale, pelo resto do verão.

– O quê? – Todos perguntaram juntos.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Beijos.