You're My Only Song
12 Problemas no meio da mata
Notas iniciais
James e Kendall procuravam pelo meio da mata, desorientados. Era verdade que tinham feito muitas curvas e a tática de Kendall de andar sempre em linha reta, já os tinha levado para a beira de um barranco, cujo fundo era um rio onde dois crocodilos descansavam calmamente à margem, e se James não tivesse percebido a tempo, os dois teriam sido o “chá das cinco” das duas feras. Agora estavam andando na direção oposta, mas o tornozelo torcido de James ainda o machucava muito, então, precisaram parar para descansar.
– Que horas acha que são? – James perguntou se encostando ao tronco de uma árvore para respirar um pouco.
– Umas seis da tarde ou mais – Kendall falou olhando para cima – Já está ficando escuro, melhor eu pegar a lanterna – O loiro se abaixou e revirou a mochila, para poder encontrar o objeto.
James fechou os olhos. O cansaço o teria feito dormir se um feixe de luz não tivesse passado rapidamente por seus olhos e o assustado.
– Para com isso, Kendall – Ele repreendeu um pouco irritado.
– Parar com o quê? – O loiro questionou intrigado.
– Não joga a luz da lanterna na minha cara – James obviou irritado de verdade. Como se, se fazer de desentendido fosse ajudar Kendall.
– Mas eu ainda não achei a lanterna – Opa! Isso não estava certo.
– Como assim... Eu senti a luz – James disse.
– Então foi uma assombração, por que...
– Sunny! Camille! – Uma voz gritou ao longe.
– É o Jett? – James perguntou, se levantando rapidamente, sem dar atenção ao tornozelo que havia apertado em dor.
~*~
– Então temos alguns minutos pra encontrar elas, apenas? – Lucy perguntou colocando a mochila nas costas – Isso é mal.
– Eu sei – Jo disse – Mas, explica de novo. Elas caíram no barranco e estão sem lanterna... Temos que achar ela por causa dos pumas, ou jaguares, ou o quê?
– Nenhum deles – Amy disse pegando sua própria lanterna – Sunny e Camille caíram dentro de uma área protegida. Aquele barranco era um limite. Na parte de baixo fica a zona de procriação de ursos pardos, nessa época do ano.
– Não era pra ser verão? – Jo perguntou.
– Quando acha que os ursos procriam? – Amy questionou.
– No inverno? – Jo perguntou envergonhada.
– Isso é quando eles hibernam – Amy destacou bem a última palavra – Eles procriam entre verão e outono e no caso de cativeiro em reservas, essa procriação é periódica e controlada.
– Então, temos que achar a Sunny e a Camille antes que elas encontrem um urso de pau duro de felicidade ou uma ursa com a peca molhada de tesão, certo?
– Mais ou menos isso... Mas a peca das ursas não molha – Amy falou e fez seu caminho em direção à mata.
~*~
– Você vai ficar bem? – Carlos perguntou, enquanto Logan visualizava o ferimento feito pela jiboia, há alguns minutos. Talvez, andar até encontrar um lugar distante do tronco, não tivesse sido uma boa ideia. O ferimento havia se sujado com poeira e resquícios de lama que saltavam dos sapatos e, pra piorar, ele nem sequer tinha lavado o local.
– Acho que sim, desde que os outros nos encontrem a tempo – O moreno respondeu.
– E isso dói? – O latino perguntou. Logan o encarou como se ele tivesse perguntado se cachorro tinha dentes.
– É claro, Carlos. Foi a mordida de uma cobra... O que espera que esteja acontecendo?
– Não precisa ser grosso. Só estou preocupado.
– Bem, sem ser lavado e ainda ser sujo, pode ser que esteja a ponto de infeccionar – Logan falou.
– Em tão pouco tempo? – Carlos questionou.
– Carlos, para de fazer perguntas por um instante – Logan disse sem paciência.
– Tá, desculpa se eu estou preocupado com você.
– Só se preocupar não vai nos ajudar – Logan afirmou indignado – Nossos amigos podem estar todos na barriga de um puma e você não para de fazer perguntas inúteis.
– O que mais quer que eu faça? – Carlos também se irritou.
– Que tal ficar quieto?
– Por que tá estressado comigo? Não foi minha culpa você não ter prestado atenção na cobra.
– Obrigado por jogar na minha cara, como se mordida na minha perna já não fizesse isso.
– Eu sinto muito pela sua perna, mas não se estressa comigo por coisas assim.
– Não estou estressado pela mordida, estou estressado por você me fazendo uma pergunta a cada cinco minutos, cuja resposta, ou é óbvia, ou não serve pra nada.
– Era só me dizer isso.
– Eu preferia você, quando era surdo – Logan arrematou sem pensar, mas o arrependimento foi imediato e seus olhos se expandiram, com o choque. Carlos estava com mágoa no olhar, além de um pouco de raiva e sem falar das lágrimas – Carlos, me desculpa, eu não queria...
– Me esquece, Logan, vou parar de fazer perguntas – Carlos saiu na direção da floresta, o mais rápido que pôde.
– Carlos, volta aqui – Logan tentou se levantar, mas os músculos de sua perna protestaram arduamente, isso fez a dor corroer sua panturrilha, obrigando-o a sentar-se novamente – Carlos! – berrou.
Carlos corria pelo meio das árvores, queria ir em direção ao tronco e voltar para o acampamento. Em sua cabeça, aquele puma seria uma companhia melhor do que Logan, naquele momento. Muito apressado, o latino não percebeu que, no chão, as folhas secas haviam caído aos montes e disfarçado uma poça de água lamacenta. Ele e Logan a haviam evitado, mas Carlos não a percebeu dessa vez e acabou caindo nela. Com o impacto que atingiu sua cabeça, o aparelho em seu ouvido se soltou.
– Droga – Carlos praguejou. Colocou as mãos na lama e cavou por todo lugar em busca da peça, quando finalmente a encontrou, estava suja de lama e ao colocá-la no ouvido, a resposta foi um guincho terrível pela água que atingia o interior do objeto. Colocou no bolso, ainda com esperança e tentou ir em direção ao acampamento, mas foi o momento em que o sol se pôs e a lua nova de janeiro não ajudou muito a enxergar.
Com a chegada da escuridão, Logan começou a se sentir preocupado. Carlos ainda não voltara. Não sabia se estava muito magoado ou se tinha se perdido. O rapaz pegou a lanterna e a própria mochila. Voltaria para pegar a de Carlos depois. Se levantou e, apenas por garantia, tirou o sinalizador que estava consigo. Usou a lanterna para iluminar uma área qualquer e a seguiu.
~*~
– Sunny... Acho que isso não é bom – Camille afirmou olhando para o céu escuro. Já fazia uma meia hora que havia escurecido.
– Fica calma. Só precisamos achar o caminho pro acampamento e... – Sunny se bateu em alguma coisa e parou de andar.
– O que foi? – Camille perguntou ao ouvir a pancada.
– Bati em alguma coisa – A garota loira falou, segurando a extensão da placa, tentando distinguir o que era o retângulo de madeira com 90 centímetros quadrados de área em que ela tinha batido.
– É o quê?
– Uma placa... Mas não dá pra saber o que tá escrito – Sunny passou os dedos sobre a placa – Mas a tinta... Dá pra saber que letras são – A garota percebeu que a tinta estava lisa, pintada na madeira áspera. Era como passar o dedo, alternando entre madeira e metal – Deixa eu ver... – Ela passou os dedos pela extensão – “A” e tem acento agudo – Ela continuou examinando calmamente – “R”, já tem alguma pista?
– Não – Camille disse desapontada.
– Tudo bem... – Sunny arrastou mais os dedos – “E” e depois... “A”... A palavra acaba aqui.
– “Área”? – Camille questionou – Vê uma pista na última palavra – aconselhou.
– Tudo bem – Sunny deslizou os dedos por todas as letras até encontrar o que julgou ser a última palavra – Vamos ver... A primeira letra é... “U”.
– Ursos – Camille disse baixo.
– Como sabe? – Sunny perguntou.
Um grunhido assustou Sunny e, pelo pouco de luz vindo das estrelas, Sunny pode ver um urso parado, arranhando uma árvore.
– Fodeu – Sunny disse. A pouca luz cintilou nos olhos do urso, quando esse olhou para as duas – Não chama a atenção dele – Ela sussurrou.
– Você jura? Pensei em dançar Lady Gaga pra ver se ele gostava – Camille sussurrou irônica e deu alguns passos pra trás.
– Não é hora pra isso – Sunny recuou mais alguns passos lentos, em direção a Camille. O urso mostrava interesse em ambas, com um olhar um pouco curioso. O animal podia vê-las e as olhava como se esperasse algo que lhe dissesse se era hora de brincar, comer ou simplesmente defender seu território.
– Temos que correr, eu acho – Camille disse.
– Nós e um urso. Quem você acha que seria mais rápido? – Sunny perguntou sarcástica.
– Ele é gordo – Camille deu de ombros.
– Mas tem mais de dois metros de comprimento e corre com quatro patas – A loira rebateu.
– Vamos mesmo discutir a anatomia aerodinâmica dos ursos? – Camille interrompeu de vez.
– Tá... O que fazemos? Ficamos aqui paradas até ele perder o interesse e ir embora, ou corremos como malucas no meio de um pega-não-pega com um urso e vemos se vamos sobreviver? – Sunny questionou.
– Quanto tempo demora até ele perder o interesse? – Camille inquiriu dando um passo pra trás.
“Malditos gravetos,” pensou quando ouviu o estalo da madeira se quebrando a baixo de seus pés. O urso se ergueu sobre duas patas e rugiu pra elas, as duas gritaram e já ia correr quando um feixe de luz atingiu os olhos do animal, que grunhiu desorientado. O animal se virou para a direção da luz, mas um pipocar alto o fez se assustar e correr pras árvores, enquanto uma luz vermelha descia do céu, acompanhada por fumaça.
– Vocês estão bem, meninas – Aquela voz era familiar para as duas.
– Logan! – Elas comemoraram.
– Esperem um minuto – O rapaz disse de cima da ribanceira. Logan procurou a árvore mais próxima, tirou a corda de sua mochila, amarrou-a com um nó firme e logo jogou-a para Sunny e Camille – Conseguem escalar?
– Sim – Camille disse.
– Não – Sunny contrariou – Eu sou péssima em escalar.
– Bem... Ou você fica ótima agora, ou fica aí embaixo e espera até o Sr. Barriga ali voltar e te devorar – Camille advertiu.
– Tudo bem... Camille, você sobe, Sunny, depois que ela chegar, amarra a corda em volta da cintura e a gente te puxa – Logan sugeriu.
Depois que a morena escalou habilmente a corda, até chegar ao topo, Logan levantou a corda e fez um laço, jogando-o para a garota loira logo em seguida.
– Logan, o que houve com a sua perna? – Camille, que se candidatara para segurar a lanterna, enquanto isso, perguntou, focando a luz na mordida na panturrilha do rapaz.
– Longa história.
– Gente! – Sunny gritou.
– Que foi? – Camille perguntou.
– O Sr. Barriga voltou e o Sr. Madruga aqui tá sem dinheiro! – Sunny berrou. Camille apontou a lanterna pelo local abaixo e viu o urso voltando a toda velocidade.
– Logan, puxa ela! – Camille disse desesperada.
Logan se apressou em puxar a corda, mas a alguns centímetros de altura, ela parou de subir.
– Gente! Eu acho que aquele urso alcança mais de um metro e meio – Sunny gritou.
– A corda tá presa – Logan disse puxando com força – Camille, me ajuda.
Camille largou a lanterna e começou a puxar. Um barulho de galho quebrando foi ouvido. Sunny sentiu o impulso de subir alguns metros e veio o barulho do urso dando de cabeça com o barro da ribanceira.
Sunny soltou um grito agudo ao ver o pouco pelo qual tinha escapado. O urso deu alguns passos pra trás, atordoado, e voltou a olhar para Sunny.
– Gente! – Ela gritou.
Camille e Logan seguravam a corda com firmeza. Deitados um sobre o outro, não conseguiam puxar mais.
– Sunny! – Camille gritou.
O urso investiu, ficando em duas patas e tentando agarras as pernas de Sunny. A garota segurou firme na corda e se puxou pra cima. O impulso da força fez Logan – que estava por cima, ser impulsionado pra beirada. O barranco íngreme e ainda molhado pela chuva da noite anterior, permitiram que o garoto escorregasse e fosse obrigado a se segurar na corda, para não cair também.
– Logan! – Camille gritou.
Logan agarrou o barranco, mas tudo o que conseguiu foi derrubar um pedaço de barro. Algo que foi até bom, pois serviu pra acertar a cabeça do urso e distrai-lo, mesmo passando bem perto de Sunny.
– Cuidado! – Sunny gritou, já aflita.
– Pessoal, tá difícil de aguentar – Camille falou. Ao olhar pra trás, viu a lanterna apontada para a árvore e tudo que conseguiu ver no vão foi que a corda estava a ponto de quebrar – Puta merda... – Praguejou antes de a corda se partir e ela ser arrastada pelo peso de Sunny e Logan de uma vez.
Mãos.
Quatro mãos fortes seguraram a cintura da garota. Outro par se posicionou na corda e ajudou a segurá-la. Logo Camille conseguiu distinguir quem eram. Dustin e Jett a seguravam pela cintura e James puxava a corda ao seu lado. Kendall estava com alguma coisa nas mãos, mas a luz fraca da lanterna não deixasse que ela percebesse o que era.
– Não direto, pode acertar eles – James alertou.
Kendall levantou o objeto e os tímpanos de Camille gritaram. Foi um tiro, forte e alto.
No fundo do barranco, o urso urrou e fugiu assustado, enquanto isso, Sunny estava no chão, com os olhos tomados de desespero e Logan lutava para não despencar pelos sete metros que o separavam do chão.
– Segurem aí.
– Jura? Eu pensei em bater palmas pra vocês – Logan berrou furioso com Kendall.
– Tá, desculpa – Kendall disse em tom de rendição. Os cinco que estavam no topo ajudaram o gênio a subir e depois içaram Sunny. Dessa vez, com mais calma. Quando ficaram todos juntos, as perguntas começaram e a primeira delas foi a menos importante.
– Onde conseguiu essa arma? – Sunny questionou.
– Amy deu pra gente quando voltamos ao acampamento. Ela ficou com a Jo e a Lucy pra procurar vocês, mas parece que nós achamos primeiro – Dustin sorriu vitorioso.
– E desde quando você sorri assim pra gente? – Logan ergueu uma sobrancelha.
Dustin deu de ombros e se virou, saindo do foco da lanterna de Logan e usando a própria lanterna para enxergar o caminho no meio das árvores – o que ele Jett, James e Kendall tinham usado pra chegar ali. Jett e ele seguiram caminho, enquanto todos também davam de ombros e o seguiam.
– Logan, cadê o Carlos? – James se lembrou e se virou para o mais baixo com receio.
Logan parou de andar. A concentração em salvar as garotas fora tanta que ele esquecera-se de Carlos. O que teria acontecido com ele àquela altura do campeonato?
– O Carlos se separou de mim – Logan disse apressando o passo – Eu não sei se ele voltou pro acampamento, temos que procurá-lo – Logan tentou ir rápido, mas a picada em sua perna o fez parar e se apoiar numa árvore, pois a dor estava a ponto de fazer sua perna fraquejar.
– Ei, calma aí, gordão – Dustin o segurou com mansidão – Não podemos nos apressar assim. Onde viu ele por último?
– E o mais importante, por que ele se separou de você? – James ergueu uma sobrancelha.
– Eu... Eu e o Carlos corremos pro tronco e... Eu pisei na cauda de uma cobra. Ela me picou e fomos pra um lugar mais seguro. Ainda não sabíamos se o acampamento estava a salvo ou se o puma ia voltar pra lá. Então eu... Eu fiquei irritado, a minha perna doía, eu me estressei e o Carlos não parava de fazer perguntas sem sentido e... Eu gritei com ele – O garoto concluiu com as bochechas para atingir a cor de vinho. Só então tinha percebido por quão estúpidos motivos, a discussão dele e de Carlos havia começado.
– O que você disse pra ele? – James questionou um pouco suspeito – Carlos não é de se magoar por alguns gritos.
– Eu disse... Eu disse que preferia... – Logan parou. Não queria falar. Sabia que isso iria enfurecer James, com toda a certeza.
– Disse que preferia o quê? – James ia dar um passo à frente, mas Kendall se colocou como barreira.
– Vai com calma, James – Ele disse. Isso estava errado. Era como pensar em Julius tentando impressionar e Rochelle tentando economizar. Os papéis estavam trocados.
– Eu disse que... Preferia ele surdo... – Logan só pode sentir a seguir o solavanco que levou contra a árvore. Seus pés saíram do chão e ele se sentiu mais alto que de costume. As mãos de James estavam segurando sua camisa com força e o erguiam no ar, como se se tratasse de uma pena.
– Seu imbecil, filho da puta. Sabe o quanto isso pode ter magoado ele? – O jovem mais alto questionou, enquanto seus punhos brandiam no ar, pressionando Logan contra o tronco sujo da árvore.
– James, para com isso – Jett e Kendall lutaram para fazer o moreno soltar Logan, mas o garoto parecia não querer ter sido solto.
– Parem com isso, os dois e vamos atrás do Carlos. Pior do que magoado, ele pode estar morto. Aquele não era o último puma do mundo e muito menos o último carnívoro perigoso dessa mata – Sunny alertou. Isso fez os punhos de James se acalmarem e o desespero tomar o rosto de Logan.
~*~
– Bem, com certeza os tiros foram eles – Jo disse, enquanto tomava um gole da água potável de seu cantil. Ela e Lucy estavam sentadas, esperando por algum alerta de Amy que pudesse declarar que o outro grupo tinha sido encontrado.
– É... Ou podem ter sido caçadores, e afins – A morena disse, observando a região, focando com a lanterna em cada cantinho da clareira.
– Sabe o que eu tô achando?
– O quê? – Lucy se virou pra ela com curiosidade.
– Não nos preocupamos com o Logan e o Carlos. Acha que algo pode ter dado errado? – A loira questionou com ar de preocupação – Quer dizer, eles nem sequer voltaram pro acampamento.
– Você tem razão... Será que...
– Não. Não. Não – Jo se negou – Vamos esperar a Amy e ver se encontramos eles dois. Eles foram pro tronco, podem até ter voltado pro acampamento e estarem bem, a essa hora.
~*~
O grupo recém-reunido procurava pelo meio das árvores a trilha de volta. Logicamente, eles tinham passado do tronco. Logan tinha ido por ali, achando que Carlos voltaria ao acampamento. Não se deparou com ele, voltou ao acampamento e não viu ninguém. Voltou à mata e se deparou com a cena de Camille e Sunny, tentando escapar do urso, depois de alguns minutos de caminhada. Se Carlos não tinha voltado pra lá, Logan apenas se enchia de preocupação. Ter que enfrentar a raiva de James não era pior que ter a sensação de ter perdido Carlos.
– Carlos! – Ele se viu a chamar. Andou por todas as partes e, com os outros seguindo-o, voltou ao local onde ele e Carlos tinham ficado anteriormente.
Carlos estava lá. Sujo de lama e ainda chorando. Estava virando de costas e abraçando os joelhos, com os olhos cobertos pela mão, sem ver a luz da lanterna.
– Carlos – Ele chamou.
Não houve resposta.
– Eu sei que você tá bravo, mas... – Logan tocou o ombro de Carlos e o mesmo se afastou espantado. Logan não entendeu nada, até que viu o aparelho pra audição, que tinha caído do bolso de Carlos – Por que tirou isso? – O gênio questionou.
– Eu caí e quebrou – Carlos respondeu, entendendo a pergunta apenas por leitura labial. Depois disso, virou a cabeça, para não poder ver mais Logan.
Agora as coisas estavam piores. Logan não poderia nem forçar um pedido de desculpas, pois Carlos, propositadamente ou não, não poderia ouvi-lo. E sem querer olhar para ele, Carlos não teria como ver o que ele estava dizendo.
– Achou ele? – James perguntou, finalmente alcançando Logan, mesmo aos tropeços.
– O aparelho quebrou – O mais baixo explicou.
James se aproximou de Carlos e o tocou, atraindo sua atenção. Daí pra frente foram só conversas que Logan não entendia e saiu dali.
– Cadê ele? – Dustin perguntou ao cruzar com ele.
– Com o James – Logan passou direto, na intenção de voltar pro acampamento, mas assim que passou por Sunny, a última da fila, seus passos foram parados.
Jo e Lucy se levantaram de seus assentos.
Um tiro fora disparado.
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