You're My Only Song

13 Fim do acampamento


Notas iniciais
Gostaria de dizer que da próxima vez que quiserem que eu mantenha um personagem ileso, por favor, digam "não faça mal ao fulano", porque dizendo "não mate o fulano" vocês me deixam livres pra fazer qualquer coisa que não seja "matar"... Hmhmhm.... MUAHAHAHAHA...Alguns de vocês se arrependeram de ter mandado eu não matar o Logan... Porque eu não matei, mas o que eu fiz é bem pior...

Legenda:

“~*~” (coisas que acontecem ao mesmo tempo).

“_*_” (coisas que acontecem algum tempo depois).

“¨*¨” (coisas que aconteceram há um tempo, atrás)

– Logan – A voz de Sunny estava distante, um pouco afastada. O moreno se sentia confortável. Devia estar em alguma cama e... “AU” seu braço esquerdo estava se destroçando, pelo menos era o que parecia, pois Logan sentia uma dor terrível nesse braço – Logie – A garota chamou novamente. Ela estava se aproximando, aparentemente, mas não parecia gritar – Logie-Bear – Ela insistiu.

– Não me chama assim – Logan disse, abrindo seus olhos.

– Ele está bem! – Jo comemorou.

– O que aconteceu? – Logan perguntou.

– Você foi atingido por uma bala perdida. Um caçador da área te acertou sem querer. Você caiu, bateu a cabeça e aqui estamos nós – James explicou.

– Entendi – Logan se ajeitou sobre o que julgou ser a cama – Mas porque a luz tá apagada?

– A luz tá o quê? – Sunny estranhou – Logan, essa luz tá tão bem acesa que tá me dando dor de cabeça.

– Então... Por que eu vejo tudo escuro? – O moreno questionou.

O grupo inteiro arregalou os olhos. Estavam todos lá, inclusive Carlos. O choque foi total, Logan procurava as coisas com as mãos, vasculhando o ar, enquanto Sunny se dispôs a chamar o médico.

~*~

– As notícias não são boas – O médico falou, segurando a prancheta de exames. Na sala de espera, estavam Carlos, James, Camille, Lucy, Jo, um homem alto com cabelo preto em forma de topete – Ross Mitchell, o pai de Logan – e uma mulher de cabelos ruivos e olhos azuis – Lois Mitchell, a mãe de Logan – Sunny havia ficado no quarto do hospital com o garoto – A pancada que seu filho levou após o tiro lesionou as córneas dele. É provável que ele não volte a enxergar...

– Como assim? Quer dizer que meu filho vai ficar cego? – Lois perguntou exasperada.

– Temo que sim, Sra. Mitchell – O doutor afirmou.

– Mas não há nenhuma operação que possam realizar? – Ross inquiriu.

– Seu filho passou duas semanas internado. A lesão não foi tratada com antecedência e é provável que a única saída seja um transplante de córnea.

– Transplante de córnea? – Ross perguntou – Quanto tempo isso demora pra ser feito.

– Primeiro temos que esperar um doador compatível – O médico afirmou.

– E podem checar se eu, ou a Lois somos?

– Ross – Lois beliscou disfarçadamente a cintura do marido, mas ele a ignorou, mesmo que se retorcendo um pouco de dor.

– Senhor Mitchell, sabe que para que isso ocorra sua esposa, ou o senhor, terão que ficar cegos, não é? – O doutor perguntou.

– Eu não sabia, mas agora que sei, estou disposto a sacrificar minha visão pela do meu filho.

– Ross! – Lois o beliscou novamente, dessa vez mais forte e longamente, fazendo o marido recuar.

– O que foi?

– Vem aqui um minutinho.

Sob olhares desconfiados, a ruiva arrastou Ross até um lugar discreto no corredor.

– Ficou maluco? Logan ainda não tem idade pra governar a rede de hotéis.

– E daí?

– Se você ficar cego, eu não vou poder lidar com tudo isso sozinha.

– É o nosso filho, Lois.

– E as coisas pela quais lutamos nossa vida inteira, Ross.

O homem se calou e passou a mão pelos cabelos.

– Se o Logan ficar cego, tudo o que vamos perder são alguns dólares com a adaptação dele à nova vida, se você ficar cego, podemos perder todos os investimentos.

– Logan é inteligente.

– Para medicina ou matemática, talvez, mas sabemos que ele é péssimo com arquitetura e empreendedorismo, ele pode acabar tudo, Ross. Pensa no quanto você lutou por isso.

– Prefiro pensar no meu filho.

– Eu penso nele também. Como ele se sentiria se acabasse com tudo o que temos e terminássemos na pobreza com um cego pra cuidar?

Ross se calou novamente.

– Para com essa loucura de sacrificar a visão. Um dia um doador vai aparecer pra ele.

– Quando? – Esse era o jeito do relacionamento de Ross e Lois. Tal qual fora o de Carlos e Logan. Ele perguntava ingenuamente, ela dava as respostas sabiamente.

– Em breve. Apenas pare de sonhar assim – A ruiva arrumou calmamente casaco do marido e se ergueu na ponta dos pés – era uma grande diferença de altura entre eles (de 1,63 para 1,85, meçam) – Agora vamos falar com o médico e descobrir o que pode ser feito quanto ao nosso Logie-Bear.

Ross sorriu e acenou com a cabeça, seguindo Lois para a sala de espera novamente. Nenhum dos dois notou que uma garota loira atrás deles pegava água calmamente. Era Sunny.

~*~

A garota abriu a porta rapidamente e a fechou, atrás de si.

– Quem está aí? – Logan se eriçou na cama rapidamente, vasculhando o local com os olhos, como se fosse enxergar algo.

– Calma, Logan, sou só eu – Sunny disse indo até a cadeira – Você... Você não parece muito abalado pela perda da visão.

– Tem um benefício, afinal de contas – Os olhos confusos de Logan se moveram, em busca de um ponto para olhar, mesmo que não fossem enxergar nenhum.

– Qual é? – Sunny perguntou.

– Promete não fazer escândalo ou bagunçar comigo? – Logan pediu, suas bochechas se tingiram de rosa e, mesmo opacos, seus olhos transmitiam insegurança.

– Claro que não – Sunny disse em tom óbvio.

– Sunny, eu... Eu... Eu esto- Estava namorando o Carlos – Nesse momento, Logan agradeceu por não ver a expressão de Sunny, mesmo que estivesse curioso pra saber qual era.

– Só isso?

– Como assim só isso?

– Logan, uma novidade pra você, isso não é novidade pra ninguém– Sunny disse e riu — Você e o Carlos já foram revelados por uma loira fofoqueira e uma morena maluca.

– Jo e Lucy?

– Não!–Sunny controlou o riso e rolou os olhos–O Kendall e o James. Eles contaram sobre vocês. Além disso, o Carlos ter passado meia hora chorando ao seu lado enquanto a ambulância não chegava no acampamento foi um grande indício de confirmação das teorias, que, convenhamos, eram muitas.

– Bom, eu...

– Esquece isso... Se vocês estavam juntos, qual o benefício de você estar cego?

– É que... Ontem à noite, eu gritei com ele, Sunny, eu disse a ele que eu preferia ele surdo – Sunny arfou, mas Logan continuou – E depois disso, o aparelho dele quebrou e eu não tive tempo te pedir desculpas, ele nem ia me ouvir, nem ia olhar pra mim pra que eu fizesse as libras.

– E cadê o benefício?

– Eu... Eu acho que eu não quero olhar pra ele se tudo que eu for ver vai ser ódio – Logan fechou os olhos por um instante e Sunny suspirou.

– Você não disse que amava ele, no começo, disse? – Ela perguntou.

– Claro que disse – Logan bufou.

– Seu tonto – Sunny lhe deu um tapa na testa.

– Ai! – Logan disse e balançou a mão no escuro, conseguindo acertar o seio esquerdo – nada pequeno – de Sunny – Posso saber por que isso?

– Nunca diga “eu te amo” rápido demais, porque com a mesma velocidade, ele pode virar “eu te odeio”. Minha avó sempre me disse isso.

– Sua avó não conhecia o que eu tinha com o Carlos. Desde que eu gritei com ele ontem, eu estou me sentindo mal.

– E merece. Suas palavras rápidas foram castigadas.

– Vai brigar comigo por causa disso.

– Claro. Sabe, em japonês existem três formas de dizer “eu te amo”. “Daisuki” que significa que você se importa muito com uma pessoa. “Aishiteru” que é quando você sente um carinho realmente forte pela pessoa e “Koishiteru” que é quando você quer passar sua vida inteira com a pessoa. É como se fosse “eu gosto de você”, “eu te adoro” e “eu te amo”. Acontece que não se pode falar “Koishiteru” muito rápido ou é profanação e foi isso que você e o Carlos fizeram, bem como o Kendall e o James.

– Sabem do Kendall e do James?

– Claro que sabemos – Sunny rolou os olhos e, de repente, se tocou de uma coisa – Logan... Você disse que gritou com o Carlos ontem à noite? – Ela questionou.

– Sim, foi quando eu levei um tiro, não foi?

– Logan... Não... – Sunny respondeu titubeante – Hoje é dia 24 de julho.

– O quê?

– Logan, você está nesse hospital há duas semanas e meia – A loira afirmou e mordeu o lábio inferior.

~*~

– Onde vamos ficar aqui? – James perguntou – Quer dizer, eu não pedi dinheiro pra hotel.

– Eu não TENHO dinheiro pra hotel – Jo destacou.

– Tudo bem, eu tenho uma tia aqui, eu já liguei pra ela. Ela disse que pode nos acomodar lá – Lucy falou dando de ombros.

– Como só conseguimos chegar aqui hoje? – Kendall perguntou.

– Eu concordo com o Kendall – Camille colocou uma mão na testa e a deslizou sobre os cabelos – Se o Logan tivesse acordado antes, ele ia ficar bem mais perdido se não estivéssemos aqui.

– Não pudemos fazer nada, o acampamento só ia receber o ônibus no fim das atividades – James disse.

– A Amy tava muito preocupada com ele, será que devemos avisar? – Jo perguntou.

– Acho que sim. Mas a essa altura ela já deve estar com a esposa dela em algum lugar de Manhattan bem longe de Dallas – James disse.

– Quem não dirá North Richland Hills – Kendall ressaltou.

– A gente pode... Espera... Esposa? – Lucy falou surpresa.

– Ah, é... A Amy é casada com outra mulher – James explicou e deu de ombros.

– Espera... Você e o James, o Dustin e o Jett, eu e a Jo, Sunny e a Camille – Lucy contou nos dedos – Só tenho três palavras praquele acampamento: Haja casaca virada.

James riu e os outros só viraram os olhos.

– Pelo menos a Lilly tá salva – Jo deu de ombros.

– Falando nela, porque ela não pode vir mesmo? – Kendall perguntou.

– A mãe dela não deixou – Camille esclareceu – É uma coisa estranha. Os que podem vir, são proibidos e os que não podem, os pais deixam.

– Bem, pelo menos meu pai aceitou pagar passagem pra todo mundo – Kendall disse.

– Ainda não acredito que o Dustin e o Jett não puderam vir – Lucy passou a mão nos cabelos – Quer dizer, a tia do Dustin deve estar precisando mesmo dele, depois que a mãe morreu, mas e o Jett? O que a mãe dele tem contra ele viajar?

– Isso não diz respeito a nós – Camille falou grosseiramente – Eu tô mais chocada com o Logan ficando cego de repente.

– Falando no Logan, cadê o Carlos? – Kendall procurou ao redor.

~*~

Sunny estava sentada ao lado da cama, com o celular em mãos, procurando alguma coisa, pela Wikipédia, quando ouviu a porta se abrir lentamente. A pequena mão de Carlos a empurrou, mas a porta rangeu, chamando a atenção de Logan.

– Quem é, Sunny? – Ele perguntou rapidamente.

– É... – Carlos librou rapidamente para que ela não falasse.

– “É” quem? – Logan perguntou um pouco assustado, mas sua expressão rapidamente se encheu de expectativa – Carlos, é você?

Ainda que Carlos quisesse responder, não tinha ouvido a pergunta de Logan e estava olhando para Sunny, sem se concentrar na leitura labial.

“Não fala pra ele, por favor”

“Por que não? Carlos, ele quer saber que você está aqui”

“Ele ainda está bravo comigo?”

“Não.”

Carlos parou um instante e ficou olhando Logan. Ele vasculhava o ar com sua mão novamente, enquanto perguntava se era Carlos quem estava lá. Dessa vez, Carlos podia ver seus lábios.

Sunny se levantou sem paciência e agarrou a mão de Carlos, puxando-o para frente e colocando-a junto da de Logan.

– É ele, sim, Logan – Ela disse, recebendo um olhar crítico de Carlos.

– Ele... Ele pode ouvir? – Logan perguntou apertando a mão na sua com força.

– Não. O aparelho ainda está sendo consertado – A loira explicou.

– Sunny, eu preciso que traduza pra mim – Ele disse.

– Eu... Tudo bem... Começa a falar...

~*~

– A lesão se desenvolveu por duas semanas, não pudemos tratá-la.

– Uma simples pancada na cabeça causou isso? – Ross perguntou.

– Senhor Mitchell, muitas coisas podem ocasionar cegueira, bem como danos irreparáveis a visão. Já jogou futebol alguma vez na vida?

– Sim – Ross deu de ombros.

– Quantas boladas já atingiram seu rosto?

– Inúmeras – Ele deu de ombros novamente.

– Então o Senhor tem sorte. Uma simples bolada daquelas poderia ter lesionado sua visão e, se não tratada, ocasionaria danos irreparáveis. Infelizmente, o impacto da bala, somado ao fato de a pancada de seu filho ter sido diretamente no chão, tem bem mais força que uma bala. A cabeça dele foi empurrada numa velocidade de mais de cem quilômetros por hora de um metro e setenta e três de altura – que é a altura dele – o que significa que o impacto foi bem forte.

– Entendemos, doutor – Lois afirmou um pouco entristecida – Quanto tempo em média pra um doador?

– Dias, semanas, meses, anos... Nunca se sabe. Córneas são comuns nas doações, mas a compatibilidade delas é bem mais difícil. Além disso, há muitas pessoas na fila. Os seu filho não é o único cego no mundo, logo, mesmo que haja compatibilidade, pode haver alguém na frente dele que também seja compatível.

– Tudo bem – Lois suspirou desolada – Devemos deixar contato com o Senhor?

– Isso é óbvio, Senhora Mitchell, deixarei com vocês uma ficha que deve ser preenchida com os dados de Logan – O médico disse e se levantou – Esperem um minuto.

Logo ele se encaminhou para fora da sala, deixando o casal Mitchell a sós.

– Não acredito. Seria mais fácil se eu...

– Ross, já falamos disso – Lois o interrompeu – Vamos simplesmente esperar. Logo o Logie vai estar enxergando de novo.

– A culpa é minha – Ross disse – Eu não devia ter mandado ele praquele estúpido acampamento.

– Nesse caso a culpa é nossa, eu deixei você mandá-lo.

– Mas você sabe porque mandamos ele.

– Isso não é algo pra se discutir agora, Ross.

– Precisávamos mesmo ser tão preconceituosos? E ainda por cima mentimos pra ele.

– Eu sei, Ross, foi um gesto errado, devíamos apenas ter tentado entender.

– Eu já nem sequer me importo mais com isso. Meu filho pode gostar de quem quer que seja. Homem ou mulher. Eu só quero que ele volte a enxergar – Ross se levantou e saiu da sala, por uma porta oposta àquela pela qual o doutor tinha saído, deixando Lois sozinha.

– Aqui está a... – O doutor entrou pela outra porta – Onde está seu marido.

– Er... Banheiro. O que o senhor estava dizendo? – Lois disfarçou.

~*~

– Sunny! – Camille comemorou, conforme viu a namorada vir pelo corredor, ao lado de Carlos – Como ele está?

– Ele... Está lidando bem – Sunny disse. A expressão de Carlos não era das melhores. Na verdade, numa escala de uma a dez das piores caras, a de Carlos marcaria cinquenta ou talvez mais.

– O que... O que houve lá – James perguntou.

– Acho que... O Carlos não deve querer que vocês saibam disso – Sunny afirmou.

– O Logan sabe o quanto o Carlos chorou quando ele foi atingido por aquele tiro? – James perguntou estressado – Ele sabe quantas noites ele ficou sem dormir, pensando se ele estava bem ou mal?

– James, cala essa desgraça que você chama de boca! – Sunny gritou.

– Silêncio, por favor – Uma enfermeira, em frente à recepção, ordenou.

– Desculpa – Camille pediu calmamente.

– Eu não concordo com o que o Logan fez, mas temos que entender o lado dele...

– E qual o lado dele? – James perguntou já se exaltando de novo.

– Isso é assunto dele – Sunny disse, se impondo ao garoto, mesmo que ele fosse mais de vinte centímetros mais alto – E do Carlos. Ainda não entendi porque esse ciúme todo.

– Não é ciúme – James disse – É preocupação. O Carlos tem dezesseis anos e sempre foi mimado. Ele tem a mentalidade de alguém de muito menos idade. Ele é dependente e submisso e se ele entregou a responsabilidade de cuidar dele pro Logan, o Logan devia entender o que acabou de fazer.

– Agora me explica como um SURDO pode depender de um CEGO – Sunny evidenciou e, literalmente, se “peitou” com James, empurrando-o para trás. James ficou mudo, assim como todos na sala. Nem a enfermeira pediu silêncio – O Logan não pode mais cuidar do Carlos e os dois sabem disso... Mas de uma coisa eu sei – Sunny se virou para a direção do banheiro, dando as costas ao grupo – Nenhum dos dois disse “eu te amo” em vão... Foi a vida quem quebrou esse vínculo.

A loira se desvencilhou do grupo em direção ao banheiro a passos rápidos. Carlos se sentou em uma das cadeiras enquanto os outros o olhavam. Ele não se atreveu a olhar pra cima, para ver quantos pares de retinas lhe faziam de alvo, nesse momento. Tudo em que ele pensava é que a última coisa que ouviu de Logan foi um grito de raiva e que uma das últimas coisas que ele o disse, foi que iria sair da vida dele. E agora, tudo tinha acabado e ele sequer tinha como revidar. Ele não sabia o que Sunny e James tinham gritado, mas sabia que era algo sobe ele e Logan.

¨*¨

“Carlos... Eu sei que a última coisa que eu te disse foi que eu queria que você me deixasse em paz, mas, eu... Eu não acho que isso era o que eu realmente queria dizer. Só que agora... É tudo diferente. Eu não posso mais proteger você, não posso mais ajudar você a enfrentar qualquer perigo,” Logan parou de falar e limpou uma lágrima de seu olho, “eu não posso nem sequer olhar o seu rosto, porque eu não sei onde ele está,” dessa vez, Carlos fungou e Logan apertou sua mão mais ainda “Eu não quero que você chore. Eu preciso que você seja forte, porque, não podemos mais continuar juntos, Carlos” os olhos do latino se expandiram e Sunny engoliu em seco a raiva que tinha em ter que traduzir aquilo. “De agora em diante, você tem que ir sozinho e eu da mesma forma. Não podemos ser dois dependentes juntos. Você precisa de alguém pra te proteger e eu não posso mais fazer isso. Você tem que me prometer que vai ser forte... Por favor” outra lágrima desceu dos olhos de Logan. Algum tempo de silêncio e Sunny traduziu a resposta.

– Carlos disse que não importa o quão dependente ele seja ou o quão distante vocês estejam um do outro... Ele vai estar sempre com você e sabe que você vai estar com ele – Logan fechou os olhos e mais uma lágrima travessa lhe escapou – Mesmo assim, ele te promete.

O queixo de Logan tremia um pouco e Sunny entendeu que deveria deixá-lo sozinho, saindo do quarto, enquanto puxava Carlos, abraçando-o.

¨*¨

Era difícil manter aquela promessa. Carlos tinha prometido ser forte, mas lembrando do que Logan “dissera”, ele sentia-se mais como se qualquer força estivesse sendo sugada para seus olhos e sendo expulsa do corpo com cada lágrima que, agora, ele derramava sem parar.

~*~

A porta do quarto recebeu leves batidas e Logan se espantou.

– Quem é?

– Filho – A voz de Ross soou timidamente. Logan, imediatamente, se agitou mais.

– Papai?... Papai, onde o senhor está? – As mãos do garoto procuravam rapidamente pelo ar.

– Calma, calma – Ross pediu – Eu estou aqui – Suas mãos encontraram as de seu filho e ele sentiu um leve aperto. Ao se aproximar mais, pode sentir Logan abraçar sua cintura com força – Está tudo bem com você?

– Sim, papai, eu estava com saudades de você e da mamãe, onde ela está? – Logan perguntou. Ross podia ver os olhos do garoto dançando, em busca de algo. Essa visão o fez desabar sobre a cadeira ao lado da cama.

– Me perdoa, meu filho. Me perdoa – Ele pediu segurando a mão de Logan com força.

– Perdoar? Pelo quê? – Logan questionou inteiramente confuso.

– Isso é minha culpa, filho, eu menti pra você – Ross declarou. Suas lágrimas molhando a mão de Logan.

– Mentiu pra mim? Sobre o quê?

– Você não foi pro acampamento pelo acidente com o seu irmão, Logan – Ross disse com a voz trêmula – Você foi pro acampamento, porque nós descobrimos que você... Sente afeto por outros homens.

Logan ficou mudo. Ross esperava alguma reação, nem que fosse gritos de desprezo.

– Por favor, filho, me perdoa – Ele pediu mais uma vez.

Logan continuava sem responder. O único indício de que ainda estava vivo era que ele respirava e seus olhos tremiam, buscando se focar em algum lugar.

– Filho? – Ross perguntou.

Notas finais
É isso aí, mais suspense. Não mandei nenhum de vocês gostar de um autor maníaco psicótico... Hmhmhmhm... MUAHAHAHAHA... Parei. Chega de assustar vocês.Até semana que vem.